LIVRO COMO JESUS TRATAVA AS PESSOAS

 

 

 

ÍNDICE

 

Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .   3

  1. Como Jesus Tratou os Cambistas do Templo . . . . . . . . . . . . . . 5
  2. Como Jesus Tratou os Caídos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
  3. Como Jesus Tratou os Temerosos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
  4. Como Jesus Tratou os Rejeitados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
  5. Como Jesus Tratou os Enlutados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
  6. Como Jesus Tratou os Pecadores Conscientes . . . . . . . . . . . . . 42
  7. Como Jesus Tratou os Endemoninhados . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
  8. Como Jesus Tratou os Pobres . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56
  9. Como Jesus Tratou os Publicanos e Coletores de Impostos . . . 62
  10. Como Jesus Tratou os Gentios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68
  11. Como Jesus Tratou as Mulheres . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75
  12. Como Jesus Tratou os Desesperançados . . . . . . . . . . . . . . . . . 82
  13. Como Jesus Tratou Seus Discípulos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88
  14. Como Jesus Tratou Seus Vizinhos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95
  15. Como Jesus Tratou os Líderes Religiosos . . . . . . . . . . . . . . . 101
  16. Como Jesus Tratou as Pessoas Comuns . . . . . . . . . . . . . . . . . 108
  17. Como Jesus Tratou os Não-Membros da Igreja . . . . . . . . . . . 114
  18. Como Jesus Foi Tratado no Jardim . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 120
  19. Como Pedro Tratou Jesus . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129
  20. Como Trataram a Jesus no Pretório de Pilatos . . . . . . . . . . . . 138
  21. O Caminho da Cruz . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 145

 

 

 

 

 

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

Jesus. Você já ouviu sobre Ele antes, leu sobre Ele, cantou sobre Ele. Você já refletiu sobre as contradições de Sua vida – como Ele é ao mesmo tempo Cordeiro de Deus e o Leão da tribo de Judá. Tanto Advogado quanto Juiz. Tanto Homem como Deus. Seus ensinos são mais simples e ainda assim os mais profundos de todos os tempos.

Crianças pequenas O tocavam, sem medo. Entretanto, quando Ele veio à Terra, os impérios do mundo e do reino das trevas estremeceram e foram derrotados. O pecador culpado encontra aceitação e paz em Sua presença. enquanto os pretensos justos estão estranhamente sem conforto. Ele veio à Terra, a primeira vez, na pobreza e desprezo, porém, Ele virá outra vez em poder e glória indescritíveis, para reinar como Rei dos reis para sempre e eternamente.

Nenhum livro é capaz de pintar um quadro completo dEle. Todos os livros já escritos não podem descrevê-Lo plenamente, pois a possibilidade de novas idéias e visões em Sua vida e Seu caráter são tão ilimitadas quanto a própria eternidade.

Este livro oferece simplesmente uma outra visão de Jesus, uma visão com uma ênfase particular em mente – como Ele tratava as pessoas. Isso começa próximo ao início de Seu ministério adulto, onde os escritores do evangelho começam a dar descrições detalhadas de Sua interação com várias pessoas ou grupos de pessoas.

Outra vez, nesse aspecto, vemos o paradoxo de Sua vida. As pessoas comuns O ouviam alegremente, mas os sacerdotes e governantes – embora cressem e tremessem – no fim O rejeitaram. Ele saudou os pecadores, os ladrões, e as prostitutas. Ele tratava. os grupos minoritários de Seus dias com dignidade. Ele tinha compaixão dos temerosos, angustiados e tristes, e no entanto, condenava o orgulho e a auto-suficiência.

O resultado de Sua missão de salvação foi que ninguém cuja vida Ele tocasse permanecia o mesmo. Ou eles O aceitavam ou O rejeitavam, quando descobriram quem Ele era.

Coloque-se no quadro ao seguir estas cenas da vida de Jesus. Veja-O dirigindo-se a você, hoje, e permita que Ele quebre as barreiras na sua vida. Jesus ama pessoas – todo tipo de pessoas e tem um lugar no coração para você. Que você possa conhecê-Lo melhor e confiar mais ainda nEle ao considerar como Jesus tratava as pessoas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

COMO  JESUS  TRATOU  OS  CAMBISTAS  DO  TEMPLO

 

Após ter sido ungido como o Messias no rio Jordão, Jesus assistiu ao casamento em Caná, com Seus primeiros discípulos. O casamento era familiar, pois os que estavam envolvidos nele eram parentes de Jesus. Ali Jesus realizou Seu primeiro milagre transformando a água em vinho, em resposta à fé de Sua mãe, que havia Lhe apresentado a necessidade da ocasião.

Imediatamente após, Ele viajou a Jerusalém para o Seu primeiro ato público – a purificação do templo – o que chamou tremenda atenção para Sua missão.

Relatado em S. João 2, esse episódio provê interessantes vislumbres sobre como Jesus tratava as pessoas. Por favor, note que o capítulo começa com o casamento em Caná, seguido pela purificação do templo, e então a entrevista com Nicodemos em S. João 3. A seqüência é muito interessante. “Depois disto [isto é, após o casamento em Caná] desceu Ele para Cafarnaum, com Sua mãe, Seus irmãos e Seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias. Estando próxima a páscoa dos Judeus, subiu para Jerusalém.” S. João 2:12 e 13.

No caminho para Jerusalém, Jesus viajou com uma grande multidão de pessoas. Porém, Ele era tão pouco conhecido nesse período, que podia misturar-Se com as pessoas, indo a Jerusalém simplesmente como qualquer outra pessoa. Pouco tempo depois, isso seria impossível. Porém, agora você vê a Jesus indo de Cafarnaum a Jerusalém para a Páscoa simplesmente como um peregrino, conversando com as pessoas que estavam falando sobre o Messias que viria.

“E [Jesus] encontrou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas e também os cambistas assentados; tendo feito um azorrague de cordas, expulsou a todos do templo, bem como as ovelhas e os bois, derramou pelo chão o dinheiro dos cambistas, virou as mesas, e disse aos que vendiam as pombas: Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de Meu Pai casa de negócio. Lembraram-se os Seus discípulos de que está escrito: O zelo da Tua casa Me consumirá.” S. João 2:14-17.

O que é uma casa de negócio? Uma casa de negócio é onde você compra e vende. Uma casa de negócio é onde você obtém aquilo pelo qual você trabalhou. Uma casa de negócio é onde você obtém o que você merece, e você merece o que você obteve! Uma casa de negócios é um lugar impróprio para uma igreja, pois uma igreja deve ser uma loja de dádivas – não o tipo de lugar onde você compra dádivas, mas onde você recebe dádivas. Ele não quer que Sua igreja seja uma casa de negócios.

É por isso que Jesus, exatamente no primeiro dia de Seu ministério público, fez algo tão chocante que – antes que o dia terminasse – algumas pessoas já queriam matá-Lo.

Ao considerarmos o que Ele fez naquele dia, notemos os grupos de pessoas a quem Ele falou. Havia mercadores que vendiam carneiros, bois, pombas. Havia cambistas que ajudavam as pessoas a comprar e vender, trocando o dinheiro. E havia líderes religiosos que serviam a Deus em benefício pessoal.

Nos dias de Jesus, o cargo de sumo sacerdote era vendido por um milhão de dólares. Isto certamente não era o que Deus queria. Com o cargo conseguido por um milhão de dólares, freqüentemente a pessoa que o comprava ficava tão endividada que precisava recuperar de algum modo seus recursos. Assim, fazia um acordo com os cambistas e com os compradores e vendedores. Ela recebia uma certa porcentagem nos negócios deles e pagava parte do empréstimo que tomara para tornar-se sumo sacerdote. Estas coisas continuavam acontecendo nos dias de Jesus. Assim, a religião havia se tornado muito corrupta.

Então, vêm os discípulos. Jesus os deixou realmente chocados. Nesse ponto eles tinham aparentemente visto um quadro pouco louvável de Jesus. Eles quase poderiam ter partilhado com os meninos e meninas que cantam “Jesus escuta o rogar terninho da criancinha na petição”. Porém, naquele dia, eles tremeram.

Não me diga que Jesus era pálido e macilento como os artistas freqüentemente O pintam. Qualquer pessoa que tenha trabalhado em carpintaria sem ferramentas elétricas, cortando e esquadrejando madeira e fazendo tudo o mais a mão, nunca se parece com a frágil pessoa pela qual Ele é retratado em muitos desenhos. Como Ele levantou o chicote, as mangas devem ter permitido ver os braços musculosos.

Isto, porém, não é o que mais impressionou as pessoas. Alguma coisa mais estava operando naquele dia. A divindade estava transparecendo através dEle. Quando o barulho e a confusão deram lugar a um silêncio total e à medida que os olhos de um Homem se moveram sobre a multidão, obviamente forças maiores estavam operando. Os discípulos ficaram surpresos quando viram isso acontecer.

Entretanto, precisamos relembrar que Jesus não estava numa atitude de gritos irados. Havia lágrimas em Sua voz quando Ele expressou sua pesada repreensão.

Um outro grupo no templo aquele dia era uma grande multidão – as vítimas dos sacerdotes e daqueles que serviam a Deus em benefício próprio. À primeira vista, isto poderia parecer que Jesus limpou o templo basicamente para expulsar os ladrões. Mas a verdade é que Ele limpou o templo para acomodar os pobres, os doentes, os temerosos, os cegos e desencorajados. A purificação do templo foi para benefício da multidão.

Para eles tinha sido vendida uma enorme quantidade de objetos. Eles eram pessoas que haviam desenvolvido a idéia de que você trabalha para fazer o seu caminho para o Céu – a idéia que você compra cordeiro e compra pombos, quando o Cordeiro está livre e o Pombo também.

Na multidão havia pessoas pobres que não podiam comprar um cordeiro e acabariam passando a noite acordadas olhando para o teto, questionando se elas jamais conseguiriam entrar no reino eterno. Se a religião fosse uma coisa que o dinheiro pudesse comprar, o rico viveria e o pobre morreria.

Então havia as pessoas capazes que tinham os recursos – o rico que podia produzir o necessário para conseguir bom conceito no templo. Eles dormiam bem à noite porque tinham segurança. Porém, era uma segurança falsa, baseada naquilo que eles faziam para ganhar o favor de Deus. De algum modo, mais cedo ou mais tarde, Deus teria que acordá-los para essa grande decepção.

Jesus queria reeducar as pessoas que vinham a Jerusalém apenas para a festa e então voltavam. Ele queria alcançar aqueles que não tinham qualquer segurança e aqueles que tinham uma falsa segurança. Assim, Ele expulsou os ladrões.

Conforme S. Mateus, Ele disse: “… Fazeis dela [a casa de Meu Pai] um covil de ladrões!” (Veja S. Mateus 2:13.) As pessoas não estavam apenas roubando dinheiro, elas estavam roubando a glória de Deus, a paz das pessoas e a segurança dos incapacitados. Jesus as expulsou.

Note, porém, que a multidão entrou, em vez de fugir com os cambistas, os sacerdotes e rabinos. E a confusão de casa de negócio foi substituída pelos sons de louvor e adoração do doente que havia sido curado. Meninos e meninas, sentindo-se bem agora, uniram-se em brados de louvores a Ele.

Mesmo hoje as pessoas podem gritar e se portar como tolas e loucas em um jogo de futebol ou num estádio, e todos consideram isto normal. Porém, se alguém gritar “Amém” na igreja, é considerado anormal. Assim, quando os administradores e os cambistas que haviam saído do templo finalmente se acamaram, recuperaram a coragem e voltaram para o templo. Eles ouviram o som de louvor, em vez do som de uma casa de negócio. E ficaram perturbados. Eles se sentiam muito mais confortáveis com o som de uma casa de negócios, do que com o som de louvor a Deus.

A boa-nova, porém, é que Jesus não odiou os ladrões. Jesus não foi lá fora para pegá-los. Ele amava os mercadores e amava os cambistas. Ele amava os líderes religiosos. Mais tarde, Ele iria às festas com eles. Ele assistiria à reunião de coletores de impostos. Ele ficaria lado a lado com sacerdotes e administradores (escribas). Jesus apiedou-Se de todos eles por terem tanto temor e tanta ignorância. Ele desejava alcançá-los com Seu amor, bem como ministrar à multidão.

Uma coisa aconteceu naquele dia, que geralmente não é incluída nessa história. Na multidão talvez atrás de um dos pilares, permanecendo ali na sombra – estava um homem. Um homem solitário. Ele era um dos lideres religiosos – um membro do sinédrio. Ele permaneceu ali observando e ficou impressionado. Nicodemos viu os mercadores saírem; viu os cambistas saírem. Viu as mesas tombarem. Ele sentiu o inexplicável poder emanando da pessoa de Jesus. Ele viu as lágrimas; ele ouviu a voz que soou e chocou. Ele ouviu os gritos de Hosana. Ele viu a cura do doente. Ele observou tudo isso, das sombras. Aparentemente, ele não correu com os outros. Apenas observou.

E ele disse a si mesmo: Eu preciso ter uma entrevista com esse Homem. Aqui tem alguma coisa que não tem explicação pelo raciocínio humano. Assim, em S. João 3, você vê Nicodemos vindo a Jesus, diretamente como resultado de Sua purificação do templo. Nicodemos veio por si mesmo, para ouvir sobre o dom da salvação.

Mas agora chegamos a um enigma – um problema. Jesus queria que o templo fosse uma loja de dádivas. Ele não queria que fosse uma casa de negócios. Porém, o último livro da Bíblia fala de comprar ouro provado no fogo, vestes brancas e colírio. O próprio Jesus, em outras parábolas, diz que deveríamos comprar, porque vendemos tudo para conseguir a pérola; deveríamos vender tudo para obtermos o tesouro escondido no campo. Sobre o que está Ele falando?

Bem, uma coisa que nós sabemos é que Ele não está falando sobre ouro e prata. Ouro não é nada no Céu. É com isso que estão calçadas as ruas do Céu! O comércio do Céu é vender tudo o que nós somos ou pensamos que somos – tudo que nós temos ou pensamos que temos. Isto é reconhecer nossa própria pobreza e estarmos dispostos a nos livrar de nossa autodependência. E vir a Jesus e aceitar Suas dádivas. É assim que o comércio funciona.

Quando Jesus nos disse para vendermos tudo e comprar o campo, o que Ele estava realmente dizendo era: desfaça-se de si mesmo – desfaça-se da idéia de que você pode conseguir isso. Se você é um homem poderoso, diz Ele, livre-se de confiar nisso. Se você é rico, não confie em suas riquezas. Se você é inteligente ou talentoso ou de boa aparência, não confie nessas vantagens. Por admitirmos nossa incapacidade em produzir justiça e por nos submetermos completamente a Seu controle, agimos no comércio do Céu.

Confiar em Deus é provavelmente uma das melhores definições que nós podemos encontrar para a tão freqüentemente usada palavra cristã, entrega. Confiar envolve depender de outro, em vez de depender te si mesmo. Porém, entrega, não é sempre fácil. Às vezes, tentamos tanto desistir de nós mesmos que nos tornamos mais semelhantes a nós mesmos. Esquecemo-nos de que somente Jesus pode realizar essa obra. Isso é uma dádiva.

A fé é uma dádiva. O amor, uma dádiva. As vestes brancas são uma dádiva. O arrependimento é uma dádiva. A obediência é uma dádiva. A vitória é uma dádiva. A Pomba, ou o Espírito Santo, é uma dádiva – que traz todas as outras bênçãos na Sua bagagem. O Cordeiro é uma dádiva – o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. E a entrega é uma dádiva.

Há alguma coisa a mais que deveríamos notar nesta história. Quando falamos do Espírito Santo, quando falamos da obra que Deus está fazendo em nosso coração, estamos relembrando uma grande verdade ensinada pela purificação do templo. Jesus estava anunciando ali Sua missão como o Messias e introduzindo Sua obra, não apenas para salvar as pessoas para sempre, mas para cumprir o propósito de que cada ser criado deveria ser um templo para a habitação do Criador.

Por causa do pecado, a humanidade tem deixado de ser um templo para Deus. Escurecido e deformado pelo mal, o coração do homem não mais revelou a glória do Divino. O pátio do templo em Jerusalém, lotado com o tráfico profano, representava verdadeiramente o templo do coração, lesado pela presença da paixão sensual e idéias e pensamentos não santificados. Limpando o templo dos compradores e vendedores do mundo, Jesus anunciou Sua missão de limpar o coração das lesões do pecado, dos desejos terrenos, da cobiça egoísta, dos hábitos maus que corrompem a alma.

Você já descobriu que ninguém pode por si mesmo lançar fora o mal que tem tomado posse do coração? Você já descobriu que somente Cristo pode limpar o templo da alma? Porém, Ele não forçará a entrada. Ele não entra no coração como Ele entrou no templo no passado. Em vez disso Ele diz: “Eis que estou à porta e bato.” Apocalipse 3:20.

Ele convida você a aceitá-Lo, não somente como o Cordeiro de Deus, mas como o Sumo Sacerdote no Céu, que pode ser tocado com o sentimento das nossas fraquezas e foi em todos os pontos tentado como nós somos. Ele o convida a vir corajosamente diante do trono de graça, para que você possa obter misericórdia e encontrar graça para ajudar nos tempos de necessidade. (Ver Hebreus 4:15 e 16). Todo o poder no Céu e na Terra reside na pessoa de Jesus Cristo. Sem Ele, ninguém pode esperar ter sucesso, porém com Ele o fracasso é impossível.

 

Todos exaltem o poder do nome de Jesus!

Que os anjos se prostrem diante dEle.

– Edward Perronet.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

COMO  JESUS  TRATOU  OS  CAÍDOS

 

Na pequena vila de Betânia, cerca de seis quilômetros de Jerusalém, moravam duas irmãs, Maria e Marta, e seu irmão Lázaro. Aparentemente, Lázaro era o mantenedor da família. O pai e a mãe já haviam morrido. Assim, Maria, Marta e Lázaro moravam juntos nessa pequena vila.

Você pode ver Lázaro indo ao trabalho cada dia carregando seu almoço, voltando para casa cansado, quem sabe, ouvindo as notícias do dia, indo para a cama – somente para começar tudo outra vez no dia seguinte.

Marta era o tipo da “Marta”! Ela podia preparar refeições para um grande grupo, uma festa de casamento ou um piquenique de igreja. Ela nunca se sentia mais feliz do que quando ia para a cozinha experimentar uma nova receita. Marta era uma boa pessoa. Ela nunca fazia nada errado. Provavelmente a pior coisa que ela fez foi lamber as pontas dos dedos quando removia alguma massa da batedeira. Ela era religiosa. Era muito difícil não ser assim naquele tempo e naquela localidade. Cada sábado, pela manhã, ela descia pelo trilho de sua casa até a sinagoga.

Maria, por outro lado, era mais interessada no cenário social. Ela amava as pessoas. Sempre que houvesse uma reunião social da igreja ou um piquenique, ela era sempre convidada a saudar as pessoas e ajudá-las a se sentir em casa. Ela era atraente – talvez até demais.

Maria, porém, carregava uma carga secreta de culpa e miséria que ninguém suspeitava. Isso tinha que ver com seu tio Simão. Simão o fariseu.

Os fariseus gozavam de bons conceitos naqueles dias. Hoje não, mas naquele tempo eram bem conceituados. Se alguém fosse questionado sobre o que seu filho estava fazendo, ele nunca estaria mais feliz do que dizer: “Meu filho é um fariseu.”

Assim, Simão tinha bom conceito em Betânia. Ele era um líder da igreja. Era respeitado na comunidade. As pessoas até o respeitavam por sua íntima associação com a família de Maria, Marta e Lázaro. Como parente chegado, esperava-se que ele cuidasse de seus sobrinhos. Um dia, porém, Simão começou a olhar muito para Maria e, estando na posição que ocupava, ele logo levou Maria a ceder às suas exigências.

Aparentemente ninguém sabia o que estava acontecendo. Simão continuava a liderar na sinagoga. Maria continuava a sorrir, brincar, agradar e a atrair. Porém, a carga de culpa que ela levava era quase insuportável.

Algumas vezes ela tentou arrazoar com seu tio – tentando libertar-se de seu controle. Porém, as mulheres não eram muito ouvidas naqueles dias, e eram suas palavras contra as dele. Ele ameaçou-a com exposição em público e até mesmo a morte. Ele culpou-a pelo problema em primeiro lugar. E Maria finalmente perdeu a esperança de um dia ser livre novamente.

Como acontece freqüentemente, quando uma pessoa religiosa se envolve em pecado secreto, Maria começou a tentar punir-se. Ela era constantemente relembrada pelos cordeiros, e pelo sangue, pelo sacrifício da manhã, da tarde, que alguém tem que pagar. E se você está tentando por você mesmo pagar seus próprios pecados e tentando punir-se, um dos melhores métodos é cometer o mesmo pecado outra vez. Isso fará você sentir-se pior. E fazer você sentir-se pior é uma forma convincente de autopunição.

Se a autopunição continua, você comete o mesmo pecado, vez após vez, até que finalmente há apenas uma coisa para ser feita – pular de uma ponte de algum lugar como forma final de autopunição.

Assim, Maria começou a tentar punir-se, e como resultado ela chegou a ser conhecida ao redor da cidade como uma mulher perdida. As mães falavam por cima das cercas: “Você ouviu falar de Maria?”

“Sim.”

“Cuidado com Maria. Mantenha seus filhos longe dela.”

A conversa continuava a se espalhar até que um dia as coisas ficaram tão mal para Maria em Betânia, que ela resolveu ir embora dali. Ela encaixotou seus pertences e viajou montanha abaixo passando por sete colinas até que chegou a uma pequena vila perto do mar, chamada Magdala. Mais tarde ela tornou-se conhecida como Maria de Magdala ou Maria Madalena.

Posso vê-la indo para Magdala, determinada a começar uma nova vida. Ela procura emprego. Ela tenta a loja local, mas eles não precisam dela ali. Ela tenta o mercado, porém eles tinham todos os empregados necessários. Talvez ela tenha tentado até mesmo como cozinheira em Magdala, esperando utilizar umas poucas coisas que aprendera com Marta. Porém, eles não necessitavam de qualquer auxílio.

Após caminhar pelas ruas de Magdala, procurando emprego e sentindo fome, um dia Maria cede à tentação de ganhar algum dinheiro fácil: “Por que não? Você já está nisso. Há mais cordeiros de onde os outros vieram.”

Facilmente Maria conseguiu encontrar aqueles dispostos a pagar o seu preço e, surpreendentemente, teve também muita aceitação. Porém, sua carga de culpa torna-se cada vez mais pesada. Para ela era cada vez mais difícil esquecer os dias felizes em Betânia, antes da morte de seus pais, antes de Simão – os dias nos quais ela havia conhecido a paz.

Um dia, um Pregador itinerante veio à vila de Magdala. Ele não foi à sinagoga para pregar. Ali não haveria lugar para a multidão. Ele falou ao povo lá fora ao ar livre. Ele disse coisas como: “Vinde a Mim todos os que estais cansados e sobrecarregados e Eu vos aliviarei.” S. Mateus 11:28. ”… todo aquele que vem a Mim, de modo nenhum o lançarei fora. “S. João 6:37. ”… não vim chamar justos, mas pecadores ao arrependimento.” S. Mateus 9:13.

Maria se manteve hesitantemente ouvindo na borda da multidão. Ela nunca tinha ouvido antes coisas assim. Enquanto ouvia, sentiu o coração estranhamente aquecido. Ela esperou até que a multidão saísse e então foi a Ele e mostrou sua grande necessidade de auxílio.

O pregador itinerante ajoelhou-Se e orou por ela a Seu Pai, para que ela pudesse ter a esperança de que necessitava. Maria aceitou um novo Mestre. O diabo foi vencido e Maria converteu-se exatamente ali.

Que bela história!

Eu gostaria de poder dizer que a história terminou aí e que Maria viveu feliz desde então. Porém, não foi exatamente assim, porque o Pregador saiu da cidade e Maria, não. Talvez ela devesse ter ido. Ali em Magdala estavam as mesmas pessoas, os mesmos amigos, as mesmas vozes no mercado que chamariam o seu nome. Ao passarem os dias, Maria descobriu que embora tivesse aceito a paz que o Pregador havia oferecido, a influência para “baixo” era muito forte. E Maria caiu.

Nessa história temos um dos mais belos exemplos em toda a Bíblia, de como Jesus tratava os caídos, os perdidos.

Jesus veio à cidade outra vez. Outra vez as multidões reuniram-se ao redor dEle ouvindo-O. Outra vez Maria encontrou seu caminho no meio da multidão, admirada – admirada de que aquilo pudesse ser verdade. Sim. Ele ainda estava dizendo: “… O que vem a Mim, de modo nenhum o lançarei fora. ” Isto ainda era bom.

Ela foi a Ele e descobriu que Ele ainda a aceitava. Outra vez revelou suas necessidades com lágrimas. E outra vez, Ele ajoelhou-Se e clamou a Seu Pai em favor dela. E outra vez Jesus saiu da cidade e Maria, não.

Eu gostaria de dizer que este foi o fim da história. Porém, Maria caiu outra vez, e outra vez e outra vez. Porém, toda vez que Jesus vinha à cidade Maria estava na multidão. Ela era sempre atraída por Aquele que dizia: “O que vem a Mim, de modo nenhum o lançarei fora.”

Então, um dia Maria recebeu um convite para ir a Jerusalém. Talvez os mensageiros tivessem oferecido uma grande quantia de dinheiro por seus serviços. Talvez tivessem oferecido projetos de um casamento. Ou possivelmente tivessem lhe dito que ela era necessária em casa – que seu tio Simão os havia enviado a ela. Seja qual tenha sido o método, Maria foi dominada. E a exposição pública que ela havia temido por muito tempo tornou-se uma realidade.

A porta do apartamento que havia sido providenciado se abriu. Altas vozes denunciaram-na como pecadora, merecendo morrer. Mãos rudes a agrediram e a empurraram para a rua. Maria fechou os olhos e desejou a morte.

Ela foi forçada através das multidões e lançada na presença de Jesus. Gritos de acusação enchiam o ar enquanto Maria se encolhia ali, tremendo, esperando as pedradas finais. É claro que ela havia lotado seu cálice de culpa – nem mesmo Jesus estaria apto a ajudá-la agora.

Enquanto ela esperava ali, em seu temor e vergonha o som da multidão começou a diminuir. Maria se encolheu para receber a primeira pedrada. Mas, em vez disso, ela ouviu uma voz gentil perguntando: “Onde estão os seus acusadores? Nenhum homem a condenou?”

Maria ergueu a cabeça, todos os seus acusadores tinham desaparecido. Incrédula, ouviu as palavras de Jesus: “Nem Eu a condeno, vai e não peque mais.” Outra vez Maria ajoelhou-se aos pés de Jesus clamando por Seu perdão, por Seu poder. Veja S. João 8. Naquele dia Maria aprendeu uma coisa que ela não tinha aprendido antes – e que nós precisamos aprender hoje.

Ela aprendeu que era possível encontrar Jesus através de Sua Palavra – orar a Ele onde quer que ela estivesse. Ela aprendeu que era possível ficar aos pés de Jesus, mesmo quando Ele não estivesse na cidade. Você já descobriu isso? E difícil pecar quando você está assentado aos pés de Jesus. Aí está o poder.

E mesmo que Jesus seguisse Seu caminho, Maria estava pronta a continuar a Seus pés, buscando-O e permanecendo em Sua presença.

E então Maria teve uma idéia brilhante. Por que não voltar para casa em Betânia, para Marta e Lázaro? Tão logo a idéia surgiu, o próprio sangue começou a cantar em suas veias. Certamente o poder de Jesus seria suficiente até mesmo para lidar com seu tio Simão. Assim, ela arrumou seus pertences e se dirigiu para Betânia.

Ao avistar a cidade, ela começou a ouvir um solitário clamor comum naqueles dias. Quanto mais se aproximava, mais claro o som se tornava. Era um leproso, do lado de fora dos muros da vila de Betânia.

Aquele som era comum. Naqueles dias, a lepra era chamada o flagelo – o dedo de Deus. A lepra era considerada um julgamento. Na verdade, qualquer doença era considerada um castigo pelo pecado. Porém, a lepra era a pior. Não fazia diferença se você era o líder da cidade, um líder na sinagoga ou um fariseu. Se você ficasse leproso, seria declarado impuro ou imundo. Você seria lançado para fora da cidade. Você se assentaria ao lado da estrada divulgando sua calamidade gritando: “Imundo, imundo”, suplicando a alguém que lhe jogasse um pouco de pão.

Assim, ao aproximar-se, Maria notou o clamor, até que subitamente ela reconheceu alguma coisa na voz que gritava “imundo”, era Simão seu tio que a havia levado ao pecado.

E quando eu ouvi isso, eu disse a mim mesmo: “Ótimo! Bem feito para Simão! Que ele apodreça ao lado da estrada.” Isso lhe dá uma idéia do que eu penso.

Maria puxou sua manta ao redor do rosto e foi à vila de Betânia, tentando desenvolver a idéia de que ela não tinha mais nada a temer de Simão, o fariseu.

Ela estava tão ansiosa por ver novamente Marta e Lázaro. Subiu rapidamente os degraus até a porta. Uma alegre reunião se seguiu e as lágrimas fluíram mais uma vez, pois a família estava unida.

Mas, as notícias começaram a se espalhar ao redor: “Maria está de volta.” “Cuidado com Maria!” “Você ouviu o que aconteceu em Jerusalém?”

“Dizem que ela está mudada.”

“Bem, ela não vai agüentar por muito tempo.”

“Eu já ouvi que ela já mudou antes e nunca durou.”

“Cuidado com ela.”

Era assim que as pessoas falavam naqueles dias.

Era difícil para Maria suportar os cochichos e mexericos. Mas, ela resistiu, determinada a partilhar com alguém mais as novas sobre o Amigo que ela havia encontrado, o Amigo que sempre a amava e a aceitava. O Amigo que não a condenara, mas que lhe deu poder para não mais pecar. Ela queria que outros encontrassem o Amigo, em cujos pés ela gostava de assentar-se. E ela esperou ansiosamente pelo tempo em que Ele visitaria a cidade de Betânia.

Logicamente Ele o fez. Um dia Jesus viajou pelas montanhas até Betânia, com Seus doze companheiros. Ao chegar à cidade, Ele também ouviu o clamor que Maria tinha ouvido – “Imundo, imundo!” Parece quase impossível compreender. Mas Jesus achava difícil passar pelos leprosos. Ele não podia passar por eles e deixá-los para trás, mesmo quando nove décimos deles nem se deram ao trabalho de dizer-Lhe “muito obrigado”.

Assim, Jesus parou ao clamor de Simão, o Leproso. Ele tocou o intocável e o fez perfeito novamente – exatamente assim. Ele não insistiu que Simão primeiro O aceitasse como Salvador. Ele simplesmente o purificou.

Eu costumava pensar que as únicas pessoas curadas fossem aquelas quase prontas para a trasladação, mas Jesus curou Simão, o pecador, o impuro, o imundo, o não-arrependido – quando ele não tinha nem mesmo aceitado Jesus como Salvador. Jesus curou Simão completamente, por aquilo que Jesus era e não pelo que Simão era.

Você já imaginou como Maria deve ter se sentido quando ouviu as notícias? Talvez Jesus tenha lhe confirmado que o poder de Simão sobre ela já estava rompido.

A cura, porém, é alguma coisa muito pesada para ser colocada sobre um fariseu. Um fariseu é acostumado a obter suas recompensas. Essa dádiva de Jesus era demais para Simão receber. Assim, após ele ter voltado a Betânia e sido reintegrado em sua posição na vila, você o vê agitando-se e revirando-se à noite, caminhando pela rua de dia, tentando imaginar o que faria. Ele não estava apto a receber ou merecer tal cura. Porém, subitamente, ele teve uma idéia. Ele não tinha merecido isso antes, mas, por que não merecer depois? Simão disse a si mesmo: “Eu vou pagar a esse Homem pelo que Ele fez. Vou fazer uma festa em Sua honra. ” Veja S. Mateus 26; e S. João 12.

Agora a mente de Simão estava acelerada. Marta seria a pessoa encarregada de preparar o jantar – isto era aceitável, tudo bem. Mas Maria não foi convidada. Simão estava se sentindo incomodado com a presença de Maria. Quem sabe? A lepra pode ter vindo sobre ele por causa de seu envolvimento com ela – era melhor não arriscar.

Quando a noite do banquete chegou, Maria ficou em casa. Ela gostaria de estar com a multidão de pessoas, embora algumas delas ainda ficassem frias com sua aproximação. Porém, o que realmente desapontou Maria era o fato de que ela não pudesse ver Jesus.

Maria tinha ouvido Jesus dizer, havia pouco tempo, que Ele iria a Jerusalém e que lá Ele seria traído nas mãos de pecadores. Eles iriam levá-Lo à morte. Com grande despesa pessoal, Maria tinha adquirido um frasco de óleo de alabastro para ungir Jesus após Sua morte. Contudo, Maria não gostava da idéia de dar flores no funeral. Ela desejava dar sua dádiva de amor a Jesus agora.

Subitamente ela apanhou seu frasco de perfume e apressou-se pelas ruas de Betânia, planejando enquanto caminhava. Ela corre através da porta dos fundos e passa pela cozinha. Marta tenta pará-la, mas nada pode deter Maria. Ela se move silenciosamente através da sala escurecida, iluminada apenas por aquelas pequenas lâmpadas de óleo de oliva, até o lugar onde Jesus está assentado. Seu plano é abrir o frasco de óleo de alabastro, ungir os pés de Jesus e sair. E ninguém jamais saberá.

Mas ela se esqueceu de uma coisa. Quando você abre um frasco de alabastro do mais caro óleo, ele grita.

Agora todos os olhos estão voltados para ela. Ali está Simão, na ponta da mesa, apunhalando-a com o olhar. Ali estão Judas e todos os outros. Ela enche a mão de óleo. Ele exala o odor. Ela havia se esquecido de trazer uma toalha ou qualquer coisa para enxugá-lo. Então Maria faz o que naqueles dias era imperdoável – somente uma mulher da rua soltaria o cabelo. Mas ela não pensa nisso. Ela se abaixa e começa a secar o óleo com os cabelos.

Simão, na ponta da mesa, pensa consigo mesmo: “Se esse Homem fosse realmente um profeta, Ele saberia que tipo de mulher ela é.”

Nesse momento, Maria ouve as palavras amáveis de Jesus: “Deixe-a. Ela fez uma boa coisa. E onde quer que o evangelho seja pregado esta história sobre Maria será contada.”

Então Jesus Se volta para Simão e diz: “Simão.” E bem ali está Simão com as palmas das mãos úmidas. Jesus diz: “Simão, eu tenho algo para lhe dizer.” Simão se encolhe, esperando que a máscara lhe seja arrancada do rosto. Ele já ouvira sobre esse Jesus que podia ler os pensamentos das pessoas, e preparou-se para o pior.

Jesus, porém, conta uma pequena história sobre dois devedores, um dos quais devia uma grande quantia e o outro uma pequena divida. Ambos os devedores foram livremente perdoados. Veja S. Lucas 7. Ninguém compreendeu a história, exceto Simão, Maria e Jesus. Mas Simão recebeu a mensagem. Será que ele captou realmente a mensagem?

Simão foi subjugado pelo amor e compaixão de um Homem que podia tê-lo exposto por aquilo que realmente ele era, mas que, em vez disso, velou Sua mensagem com uma parábola e protegeu-o de seus amigos.

O coração de Simão foi quebrado. Ele descobriu tudo que Jesus tinha feito por ele e que ele jamais poderia retribuir. E bem ali, em sua própria festa, Simão aceitou a Jesus como Mestre, Salvador e Senhor. Jesus também conquistou Simão. Que história!

E se Jesus pôde aceitar Maria e Simão, certamente Ele está apto a aceitar você e eu, hoje, perdoar-nos e amar-nos até o fim.

 

 

 

 

 

 

 

COMO  JESUS  TRATOU  OS  TEMEROSOS

 

Você alguma vez já teve medo? Quando era pequeno você sempre tinha medo quando o relâmpago brilhava e o trovão soava? Você alguma vez teve medo quando saiu sozinho à noite? Você alguma vez já sentiu medo de ficar velho? E de ter que fazer operação ou de perder seu emprego? Você alguma vez já se sentiu com medo de mudar-se e fazer novos amigos e perder velhos amigos? Você já se sentiu com medo de não conseguir chegar ao Céu e perder a vida eterna?

O medo é tão velho quanto o pecado. A primeira coisa que nós notamos em Gênesis, após Adão e Eva terem comido do fruto, é que eles se esconderam. Deus veio procurando por eles e disse: “Adão, onde está você? Por que você se escondeu?”

E ele disse: “Tive medo, Senhor.”

Por que ele teve medo? Por causa do pecado.

O último livro da Bíblia, Apocalipse, dá ao medo um tratamento nada promissor. “O vencedor herdará estas coisas, e Eu lhe serei Deus e ele Me será filho. Quanto, porém, aos covardes [temerosos], aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre.” Apocalipse 21:7 e 8. Que enorme grupo múltiplo e variado nos é revelado aqui com o medo. O medo tem mau conceito nas Escrituras, porque Deus tem algo melhor que o temor, para Seu povo.

Agora há um interessante episódio na vida de Jesus, que nos leva diretamente a esse assunto. Ele se encontra em S. Marcos, capítulo 4, a história da tempestade no mar da Galiléia. “Naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes Jesus: Passemos para a outra margem.” Verso 35.

Note que foi sugestão de Jesus atravessar o lago naquela noite. Esta não era a idéia dos discípulos – não era “loucura” deles. Isso não era costume deles, passar por um lugar difícil. Eles se dispuseram a atravessar o lago pela ordem e convite do próprio Jesus.

Jesus disse: “Vamos para o outro lado.”

“Despedindo a multidão, O levaram assim como estava, no barco; e outros barcos O seguiam. Ora, levantou-se grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, de modo que o mesmo já estava a encher-se de água. E Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro; eles O despertam e Lhe dizem: Mestre, não Te importa que pereçamos! E Ele, despertando, repreendeu o vento, e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou e fez-se grande bonança.

“Então lhes disse: Por que sois assim tímidos? Como é que não tendes fé?

“E eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros: ‘Quem é Este que até o vento e o mar Lhe obedecem?'” S. Marcos 4:36-41.

Você também ficaria aterrorizado com tal experiência. Mas, vamos voltar e tentar nos colocar no quadro, imaginando como foi naquele dia.

O dia tinha sido muito ocupado. Jesus tinha contado muitas parábolas. Ele tinha curado o doente. Ele havia trazido conforto a corações perturbados. Agora, Ele estava cansado. Ele fora dominado pela fome e exaustão. Deus? Sim. Faminto e cansado – talvez até mesmo mais cansado que os demais! Assim eles se foram através do mar, para um lugar quieto em busca de descanso.

Tão rápido, como é freqüente acontecer naquele mar, o vento desceu vertiginosamente das montanhas de Gadara e agitou violentamente a água, formando ondas furiosas e espumantes. As ondas, assim agitadas, atuaram sobre o barco dos discípulos, ameaçando submergi-lo. Sem auxílio, na fúria da tempestade, eles pensaram que iam afundar ao verem o barco ser inundado.

Absortos no esforço de se salvarem, eles esqueceram que Jesus estava no barco. Agora, vendo que seus esforços eram em vão e apenas a morte diante deles, lembraram-se dAquele que havia dado a ordem para atravessarem o mar. Em Jesus estava sua única esperança. Em desespero e angústia, eles gritaram:

– “Mestre! Mestre!”

A descrição desse episódio, conforme relatado em S. Mateus usa as palavras: “Senhor, salva-nos!” S. Mateus 8:25. Eles não disseram: “Senhor, ajuda-nos.” Há uma grande diferença entre as duas expressões. Isso realmente fala sobre a questão do poder divino e do esforço humano. Onde estava a cooperação deles? Ela estava em chegarem ao final de seus próprios recursos e descobrirem que tudo que eles podiam fazer era gritar: “Senhor, salva-nos.” Ele teria que fazer tudo.

Eles já tinham feito todas as coisas que podiam fazer. Eles eram rudes pescadores, que já tinham vivido toda a vida às margens desse lago. Eles conheciam a Galiléia. Eles conheciam as montanhas, os ventos e as tempestades. Eles conheciam muito sobre as grandes ondas e como manter seus barcos sob controle. Eles compreendiam como distribuir os pesos e como movimentar os remos. Isso realmente não era especialidade de Jesus. Ele havia sido carpinteiro e não pescador. Ele era agora um pregador e Seu trabalho era falar às multidões e curar os doentes. Ele tinha feito Seu trabalho o dia todo e agora estava dormindo. Agora era a hora deles fazerem as coisas por si mesmos. Essa era a área de especialização deles.

Mas, finalmente eles descobriram que não eram capazes de lidar com a tempestade. Eles haviam tentado tudo que sabiam para nada conseguir. O barco estava afundando. Finalmente se voltaram para Ele com o clamor: “Senhor, salva-nos, nós perecemos!”

Nunca uma alma que assim clama fica sem ser ouvida. Jesus levantou-Se. Ergueu as mãos, tão freqüentemente usadas em atos de misericórdia e disse ao irado mar: “Acalma-te, emudece.” S. Marcos 4:39. A tempestade cessa. Acabam-se as ondas. As nuvens desaparecem. As estrelas brilham. O barco descansa num mar sereno. Então, voltando-Se para os discípulos, Jesus pergunta tristemente: “Por que sois assim, tão tímidos [temerosos]? Como é que não tendes fé?” Verso 40.

Bem, o que você faria sob tais circunstâncias se você tivesse fé? Quando você tem fé e está na estrada, numa posição que o está levando exatamente para uma colisão frontal, o que você faz? Relaxa e sorri? Desvia as rodas da frente? Olha pela janela ao lado, observando o cenário?

Talvez pudéssemos relembrar os missionários morávios que estavam a bordo de um navio com John Wesley. Ele havia ido à América para converter os índios e tinha ficado frustrado dizendo: “Eu vim à América para converter os índios, mas quem converterá John Wesley?”

Agora uma tormenta atingia o Atlântico e parecia que eles estavam indo para o fundo do mar, mas os morávios não estavam com medo. John Wesley ficou impressionado. E perguntou-lhes por que estavam tão calmos. Eles disseram: “Oh, nós não temos medo de morrer.”

Só porque você tem fé, isto não significa que você não irá até o fundo do mar. A fé não significa que você não será queimado numa estaca com Huss e Jerônimo. Fé não significa que você será curado do câncer. Mas as pessoas que têm fé não têm medo de morrer.

E há algo mais: As pessoas que têm fé não olham para Deus como o último recurso. Em qualquer provação inesperada, voltam-se para Ele tão naturalmente como as flores se voltam para o Sol.

Duas pessoas estavam conversando sobre um amigo que estava em péssima condição de saúde. Um falou sobre as várias curas, remédios e médicos que haviam sido experimentados sem sucesso. E finalmente terminou a descrição dizendo: ”Eu acho que a única coisa que falta fazer é orar.”

Nisso seu companheiro respondeu: “Puxa! Chegou nesse ponto?”

A pessoa que tem fé nunca se esquece que Jesus está a bordo, mas volta-se para Ele em cada emergência.

Bem, os discípulos não tinham fé. Jesus os relembrou de tal falta, mas ainda os salvou. E estas são as boas-novas: Ele os salvou a despeito da falta de fé.

Nós temos hoje muitos temores. Temores sobre nossa saúde, nossos filhos, casas e terrenos. Temos medo do que os outros podem pensar de nós. O homem pobre tem medo de não conseguir o que quer, o homem rico tem medo de perder. Nós temos medo quanto à igreja, futuro e salvação.

Ter Jesus a bordo não é suficiente para manter-nos sem temor – isto não foi suficiente para os discípulos. Embora, Jesus estivesse a bordo, eles O esqueceram quando a tempestade veio e as ondas subiram. Isso ainda ocorre hoje. Nós podemos ter um relacionamento com Jesus e ainda não depender dEle para todas as coisas. Os discípulos tinham um relacionamento com Jesus. Eles caminhavam juntos, conversavam, oravam juntos, trabalhavam juntos. Eles estavam muito próximos de Jesus, mas houve momentos em que eles demonstraram que, a despeito de seu íntimo relacionamento com Jesus, ainda não dependiam dEle para todas as coisas.

Mas Jesus permaneceu com eles. Ele era paciente com eles e os encorajava a confiarem nEle. E chegou o tempo quando esses mesmos temerosos discípulos puderam destemidamente encarar os caldeirões de óleo fervendo, a espada, fogueiras, ou a crucifixão de cabeça para baixo; porque eles tinham aprendido a lição de fé e confiança que Jesus tinha tentado ensinar-lhes.

O amor de Jesus expulsa o temor e faz a diferença. A Bíblia diz que o amor perfeito lança fora o temor. (Veja I S. João 4:18).

Inicialmente você poderia dizer: Bem, quem tem amor perfeito? Se nós não temos amor perfeito, como podemos evitar o medo? Mas o nosso amor não é perfeito. Cristo é o Único que tem amor perfeito e é Seu amor perfeito que lança fora o medo.

Eu imagino que muitos pais já passaram pela experiência de jogar para cima os filhos pequenos com 2 ou 3 anos de idade. Eu gostava muito de jogá-los para cima e observá-los rindo e sorrindo em completa paz, porque o papai os amava, e ele os seguraria.

Uma noite, começamos a brincar no banco do piano. Meu filho subia no banco e pulava para meus braços. Ele pulou e pulou tanto, até que fiquei exausto, e então eu disse: “Chega. Não mais.”

“Mais uma vez, papal. Mais uma vez.”

E finalmente, na tentativa de pôr um fim à brincadeira, eu me afastei do local, imaginando que ele captaria a mensagem.

Mas ele nem mesmo olhou. Dessa vez, quando ele subiu no banco do piano e pulou no ar, eu estava no outro lado da sala e ele teve uma queda desagradável. Eu me senti muito mal! Mas não há nada igual ao amor e confiança de uma criança.

Jesus é quem disse isso: “Se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças…” S. Mateus 18:3. E Ele nos convida a lançar sobre Ele todos os nossos temores porque Ele cuida de nós. (Veja I S. Pedro 5:7). Porém há uma grande diferença. Ele nunca fica cansado. Ele está sempre ali. Ele prometeu: “Eu nunca o deixarei ou o esquecerei.” (Veja Hebreus 13:5.) Mas ninguém na verdade se lança totalmente sobre Jesus, até que compreenda tal amor e também compreenda que chegou ao fim de seus próprios recursos.

Note onde Jesus estava durante a tempestade. Ele estava dormindo no barco. Ele não estava com medo. Bem, nós somos tentados a pensar que era assim porque Ele era Deus. A compositora M. A. Baker diz:

“Seja este revolto mar,

A ira de homens, o gênio do mal,

Não podem a embarcação tragar

Que leva Cristo, o Senhor do mar.”

Mas aqui está uma coisa que nós não podemos perder – algo sobre o modo como Jesus vivia. Quando acordou para enfrentar a tempestade, Ele estava em perfeita paz. Não havia nenhum traço de temor nas palavras ou no olhar, pois não tinha nenhum temor no coração. Mas Ele não descansou na posse do poder Onipotente. Não era como “o Senhor do mar” que Ele repousava em silêncio. Tal poder, Ele havia dispensado. Ele havia dito: “Eu nada posso fazer de Mim mesmo.” S. João 5:30. Ele confiava no poder de Seu Pai. Era na fé – fé no amor e cuidado de Deus – que Jesus descansava. E o poder daquela palavra que acalmou a tormenta era o poder de Deus vindo sobre Ele, e não o poder de Deus de dentro dEle.

Se os discípulos tivessem confiado nEle, teriam se mantido em paz. O medo no tempo de perigo, revelou sua falta de fé. No esforço de se salvarem, eles se esqueceram de Jesus, e somente quando estavam no desespero da autodependência é que eles se voltaram para Ele, porque Ele podia salvá-los.

Note aqui a aplicação espiritual envolvida no acalmar da tempestade. Quando isso se trata da salvação, quão freqüentemente, encontramos a nós mesmos preocupados se seremos ou não salvos. E tudo isso desvia nossa atenção para longe de Jesus, nossa única fonte de força. Somos convidados a dedicar a manutenção de nossa alma a Deus e confiar nEle. Veja I S. Pedro 4:19. Ele nunca nos deixará se O tivermos aceito como nossa esperança e nossa salvação. Nós podemos deixá-Lo, mas Ele nunca nos deixará.

E o que dizer sobre vivermos a vida cristã? Algumas pessoas podem aceitar o sacrifício de Jesus na cruz, mas quando lêem Apocalipse 3:5: “O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas e de modo nenhum apagarei o seu nome do livro da vida”, estão prontas a desanimar.

Elas dizem: “Eu nunca vou conseguir. Jamais serei um vencedor. Tenho falhado e caído com tanta freqüência e muita facilidade.” Freqüentemente passamos por experiências semelhantes à dos discípulos! Quando as tempestades da tentação nos assaltam, os faiscantes relâmpagos nos atingem e as ondas violentas caem sobre nós, lutamos com a tempestade sozinhos, esquecendo que há Alguém que pode ajudar-nos. Confiamos nas nossas próprias forças até que nossas esperanças se perdem e estamos prontos a perecer. Então nos lembramos de Jesus, e se nós O chamamos para salvar-nos, não chamaremos em vão. Embora reprove tristemente nossa descrença e autoconfiança, Ele nunca deixa de dar-nos o auxílio de que precisamos.

Para os cristãos há apenas uma coisa a temer – apenas um temor legítimo. Devemos ter medo de confiar em nossa própria força. Devemos ter medo de largar a mão de Cristo, ou tentar caminhar a senda cristã sozinhos.

Porém, enquanto dependermos de Cristo, como Ele dependia de Seu Pai na Terra, estamos seguros. Não precisamos temer enquanto confiarmos em Seu perfeito amor.

 

COMO  JESUS  TRATOU  OS  REJEITADOS

 

Esta é a história de um homem que subiu ao telhado e foi descido por seus amigos! Ela se encontra em S. Marcos 2:1 em diante.

“Dias depois, entrou Jesus de novo em Cafarnaum, e logo correu que Ele estava em casa. Muitos afluíram para ali, tantos que nem mesmo junto à porta eles achavam lugar; e anunciava-lhes a palavra.

“Alguns foram ter com Ele, conduzindo um paralítico, levado por quatro homens.

“E, não podendo aproximar-se dEle, por causa da multidão, descobriram o eirado no ponto correspondente ao em que Ele estava e, fazendo uma abertura, baixaram o leito em que jazia o doente.

“Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados estão perdoados.

“Mas alguns dos escribas estavam assentados ali e arrazoavam em seus corações:

“Por que fala Ele deste modo? Isto é blasfêmia! Quem pode perdoar pecados, senão um, que é Deus? “E Jesus, percebendo logo por Seu espírito que eles assim arrazoavam, disse-lhes: Por que arrazoais sobre estas coisas em vossos corações?

“Qual é mais fácil, dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados, ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito, e anda?

“Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a Terra autoridade para perdoar pecados – disse ao paralítico:

“Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa.

“Então ele se levantou e, no mesmo instante, tomando o leito, retirou-se à vista de todos, a ponto de se admirarem todos e darem glória a Deus, dizendo: Jamais vimos coisa assim.” S. Marcos 2:1-12.

Quem era esse homem que se tornou o personagem central dessa história? Eu gostaria de sugerir que ele era um joão-ninguém naquela cidade. Ele era um inválido, vivia isolado. Ele, sem dúvida, não atraía atenção na cidade. Ele era além disso tudo um rejeitado. Qualquer pessoa sofrendo, afligida ou doente, era vista domo grande pecadora – uma grande e constante pecadora! E nesse caso a acusação era verdadeira.

Às vezes, Jesus disse, que a doença e aflição nada tinham a ver com o pecado de uma pessoa. Ele disse isso sobre o homem cego em S. João 9. Os discípulos perguntaram: “Quem pecou, esse homem ou seus pais?”

E Jesus disse: “Nenhum.”

Ainda assim o homem cego era considerado um grande pecador porque ele era cego. O homem nesta história não era apenas considerado um grande pecador, ele era pecador. A evidência é que sua aflição era o resultado de uma vida de pecado, e muitos comentaristas bíblicos consideram que isso era uma doença social. Assim ele era um rejeitado.

Um a um, os amigos, se afastaram dele, exceto seus amigos pecadores. Suponho que poderíamos até conjeturar que aqueles que o carregaram a Jesus eram do mesmo tipo.

Esse homem sabia o que era ter uma consciência culpada e empurrá-la e sublimá-la nas câmaras profundas da mente. Ele conhecia por experiência o mal do pecado. Não apenas pela observação. Ele sabia o que era ser um rejeitado. Ele conhecia a culpa e o que o diabo faz para atormentar uma pessoa com culpa. Ele conhecia o horror do pecado, apesar de ainda amá-lo. Ele conhecia o desassossego, os desejos insatisfeitos, o cativeiro do qual ele lutara em vão para se livrar.

Ele sabia que até mesmo os seus motivos não eram certos. Por que ele quis ir em busca de auxilio? Você já descobriu que algumas calamidades, aflições ou tristezas fazem o diabo bater na sua cabeça com seus motivos egoístas para volver-se para Deus naquela hora? Isto é chamado teologia do desespero – estar interessado em Deus somente quando há problema.

Assim, vemos esse homem vindo a Jesus. O que ele fez é uma coisa certa. Ele havia tentado outros métodos e sido desprezado muitas vezes. Ele estava quase para ser lançado em um túmulo em algum lugar, pois a doença havia alcançado um estágio avançado. Ele havia tentado os médicos, e esses o desanimaram, sentenciando que ele era incurável. Ele havia tentado os fariseus e líderes da igreja e eles o desanimaram. Disseram que ele era sem esperança, um grande pecador, um rejeitado por Deus e pelos homens. Seus amigos também o haviam desanimado. Porém, essa última tentativa, quando eles o baixaram pelo telhado, tornou-se o maior momento de sua vida.

Uma grande multidão estava ao redor de Jesus. Cafarnaum não era uma vila pequena – não naqueles dias. Se você for lá hoje, ela é muito tranqüila, exceto o movimento dos turistas com suas máquinas fotográficas. Porém, você pode ver ali as ruínas, nas margens do Mar da Galiléia. Você pode ver os restos da casa de Pedro, onde essa experiência ocorreu.

Após Jesus ter limpado o Templo, Ele havia saído da Judéia e vindo à Galiléia para começar Seu ministério ali. Os endemoninhados já haviam sido libertados exatamente na sinagoga. Tal notícia já havia sido espalhada pela cidade, alcançando até mesmo aqueles que não iam à igreja. Esse homem também tinha ouvido.

A mãe da esposa de Pedro tinha sido curada e, mais tarde, naquela mesma noite, após o pôr-do-sol, multidões de pessoas tinham sido curadas antes que Jesus finalmente desaparecesse nas colinas para orar.

Alguma coisa a mais tinha acontecido, algo nunca ouvido desde os dias de Eliseu. Um leproso havia sido curado. Quando a notícia circulou, as multidões se tornaram tão grandes que Jesus teve que Se afastar de Cafarnaum para encontrar tranqüilidade.

Agora Jesus estava outra vez em Cafarnaum, na casa de Pedro. Havia uma multidão tão grande ali que não havia jeito de entrar. Porém, pela própria sugestão do homem, seus amigos o carregaram até o telhado, removeram as telhas, e o baixaram por entre as vigas.

Isso teria sido embaraçoso para qualquer pessoa com inibições comuns. Pode você imaginar-se fazendo isto – colocando-se a si mesmo sob a misericórdia de uma multidão zombadora? Cada um estava curiosamente olhando para ele, ao descer diante de todos. Mas ele chegara ao fim de seus próprios recursos. Quando uma pessoa está à porta da morte, nada mais importa.

As pessoas estavam ali – os curiosos, os reverentes, os descrentes, os afoitos. O grupo de espias estava ali, vindo de Jerusalém – os fariseus e saduceus, já em busca da vida de Jesus. Você pode ver a imensa multidão dentro e fora da casa, ouvindo pelas janelas e em pé nas portas. Você pode ouvir o súbito silêncio no quarto, após o rompimento do telhado, e sentir a tensão no ar, enquanto um solitário homem é baixado diante da própria presença de Jesus.

A história diz que Jesus viu a fé deles. Não perca o fato de que a fé dos quatro que carregavam o homem também estava envolvida. Nós não sabemos seus nomes. Não cantamos sobre eles, ou contamos a história de sua vida. Porém, eles trouxeram esse homem nos braços da própria fé até a presença de Jesus.

Agora vêm as palavras que trazem o grande momento da vida desse homem: “Meu filho.” Meu filho? Você quer dizer que o Deus do Universo chama alguém como esse de Seu filho? É o Deus de justiça sobre o qual temos ouvido? E o Deus que tem uma lista e está verificando-a com rigor, tentando ver quantas pessoas Ele poderá manter fora do Céu? Deus chamou esse homem, com seu enorme relatório, de “Meu filho”?

Sim, isto é Deus falando. Isto é Deus dizendo: “Meu filho.” Então Mateus adiciona uma pequena frase que Marcos não tem em seu relato da história: “Tem bom ânimo.” Veja S. Mateus 9:2. Eu gosto dessa frase. Seria possível que hoje, alguém necessitasse ser animado? É possível ser soterrado pela culpa, pelo remorso e pelo pecado? Há alguém hoje, que pode olhar para esse fato e ver mais do que apenas uma história, que pode colocar-se na mesma situação?

Temos hoje, aqueles que representam a multidão zombadora – os curiosos, os afoitos, os reverentes e os descrentes? Temos hoje, aqueles que podem representar o homem paralítico? Se temos, então essas palavras ainda se aplicam – “tem bom ânimo, teus pecados estão perdoados”.

Jesus sabia que no topo da lista desse homem estava seu desejo de ter paz com Deus. Jesus também sabia que isso traria todas as outras bênçãos no seu rastro. Assim ele disse: “Meu filho, teus pecados estão perdoados.”

Esse homem estava tão interessado na paz com Deus, acima de qualquer outra coisa, que ele estava disposto a viver ou morrer – não fazia diferença – se ele pudesse apenas ter seus pecados perdoados. Com isso ele estaria feliz em viver nas mãos de Deus.

Tive um amigo na Faculdade, um tipo quieto, um pouco mais velho que o resto da classe. Ele havia voltado da Coréia, onde estivera na marinha. Lá, ele era responsável por uma equipe de homens. Uma noite, debaixo de pesada escuridão, com apenas as estrelas acima, eles tiveram que fazer a tomada de uma montanha para os Aliados. Eles haviam compreendido que a montanha atrás deles já havia sido limpada dos inimigos, mas alguém não havia feito um trabalho direito e um inimigo armado, um solitário comunista, fora deixado na montanha.

Ao eles iniciarem o trabalho da tomada da montanha, subitamente, o inimigo abriu fogo sobre eles. O atacante varreu o grupo da retaguarda e então levantou a arma alguns graus e passou a atingir o grupo da frente. Ele foi muito esperto com sua arma.

Meu amigo, na liderança do pelotão, sabia que ele não tinha muito tempo. Ele ouviu seus homens gemendo, gritando e morrendo, atrás dele.

Mas ele havia crescido em um lar cristão. Sabia algo sobre Jesus e a segunda vinda, o Céu e eternidade. Ele havia voltado as costas para tudo isso. Mas, agora, a despeito de seus motivos errados, ele olhou para o Céu e disse: “Deus, eu não tenho muito tempo. Eu não Te peço que salves a minha vida. Eu não mereço nada. Mas, ó Senhor, por favor, podes me ajudar a vir na ressurreição certa?”

Isso era tudo em que ele estava interessado paz com Deus. O resto podia vir ou ir. Mas, por estranho que pareça, ele voltou da montanha, ileso. Ele veio para a faculdade estudar para ser ministro, e desde então tem estado de volta nas forças armadas, como capelão, tentando ajudar outros como ele. Por que ele fez isto? Porque Deus lhe tinha dado uma gratificação – não apenas perdão, paz e esperança da eternidade, mas vida aqui e agora. E quando isso acontece a você, você tem que contar a alguém!

Assim, aquele homem paralítico, recolheu seu leito, esteira, ou seja o que fosse, alegrando-se nas boas novas: “Meu filho, teus pecados estão perdoados.” Um novo brilho lhe veio ao rosto. Seus olhos e até mesmo as funções do seu corpo começam a mudar. É difícil saber a que ponto o perdão e a cura se fundem, mas ele é um novo homem. Permanece ali em completa serenidade e felicidade.

Mas sempre há alguém na multidão para estragar isso. Os líderes da igreja estavam tendo pensamentos negativos. E Jesus captou as idéias, pela linguagem do corpo deles. Ele disse:

“Qual é mais fácil dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados, ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito, e anda? Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a Terra autoridade para perdoar pecados – disse ao paralítico: Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa.” S. Marcos 2:9-11.

Era fácil para o homem paralítico obedecer às palavras de Jesus – ou era difícil? Quando o Criador falou no princípio até mesmo o pó pulou para atender! À Sua ordem, os mundos vieram à existência. Teria sido fácil para o homem permanecer deitado em seu leito?

Às vezes ficamos confusos tentando concluir, o que poderia ter acontecido se o paralítico não tivesse crido. E se ele tivesse parado para analisar, para decidir, o que vinha primeiro: sua fé ou a movimentação de seus músculos? Não havia tempo para nada disso! Eu gostaria de sugerir que quando você está na presença do Doador da vida e Ele diz: “Levanta-te, toma tua cama e anda”, você faz exatamente isso! Você não pára para dialogar ou debater. Você se levanta imediatamente na presença da poderosa palavra criadora de Deus.

O homem pulou sobre os pés. Ele tomou sua cama. E, por favor, note – agora ele era alguém! Ele não teve que voltar pelo telhado! Antes, não havia espaço nenhum ali, mas a multidão subitamente encontrou espaço.

O homem caminhou porta a fora, carregando sua cama, e dirigiu-se para casa, o rosto brilhando com a maravilha do milagre. Não há evidência de que sua esposa ou seus filhos tivessem vindo com ele nesse dia para essa missão. Eles devem tê-lo visto saindo de casa muitas vezes para os médicos, os curandeiros, os últimos charlatões. Eles devem ter observado freqüentemente quando voltava derrotado. Assim, eles permaneceram em casa.

Agora você os vê olhando para fora da janela, através das persianas ou sobre a fresta da porta da frente. Eles não podem crer nisso. Ele não parece ser o papai, mas é o pai! Ele está correndo, pulando e quase saltitando excitante. Ele tem nova vida. Ele encontrou o Salvador.

Eles se unem ao redor dele e ele conta a história. A evidência é que a esposa e as crianças, daquele momento em diante, teriam alegremente dedicado a vida ao Senhor Jesus Cristo.

Por que Jesus fez isso? Por que Ele curava as pessoas? Porque Ele queria que todos soubessem que Ele tem poder na Terra para perdoar pecados. Jesus fez dos pecadores Seus melhores amigos na Terra, e Ele ainda tem a mesma aceitação e perdão e poder hoje.

São muitas as pessoas, hoje, que têm falta de segurança, confiança e paz. Mas eu gostaria de convidá-lo a unir-se ao pobre homem paralítico, que provou que, a despeito de quem você seja ou onde você tem estado ou o que você tem feito, ainda é aceito quando vem a Jesus. Você ainda pode ser perdoado.

Isto pode levar você a caminhar com uma nova disposição, novos passos, com nova vida na alma, pois Deus não apenas tem poder para perdoar, mas para curar, mudar e habilitá-lo a caminhar em novidade de vida. Tudo isso acontece na presença de Jesus.

Quão gratos podemos ser hoje, porque ainda podemos ir à presença de Jesus, e porque Ele prometeu aceitar-nos, perdoar-nos e purificar-nos.

O Salmista expressou isso nestas palavras:

“Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e tudo o que há em mim bendiga ao Seu santo nome. Bendize ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nem um só de Seus benefícios.

”Ele é quem perdoa todas as tuas iniqüidades; quem sara todas as tuas enfermidades; quem da cova redime a tua vida, e te coroa de graça e misericórdia.” Salmo 103:1-4.

 

COMO  JESUS  TRATOU  OS  ENLUTADOS

 

Você alguma vez já esteve num bom funeral? Você pensa que é possível descrever um funeral como “bom”? Mantenha essa possibilidade em mente enquanto damos uma olhada em 3 relatos na Escritura, onde Jesus encarou o que nós chamamos morte. Vamos considerá-los para descobrir como Jesus tratou os enlutados.

O primeiro desses relatos se encontra em S. Lucas 7, começando com o verso 11:

“Em dia subseqüente dirigia-Se Jesus a uma cidade chamada Naim, e iam com Ele os Seus discípulos e numerosa multidão.

”Como Se aproximasse da porta da cidade, eis que saía o enterro do filho único de uma viúva; e grande multidão da cidade ia com ela.

”Vendo-a, o Senhor Se compadeceu dela e lhe disse: Não chores! “Chegando-Se, tocou o esquife e, parando os que o conduziam, disse: Jovem, Eu te mando: Levanta-te.

“Sentou-se o que estivera morto e passou a falar; e Jesus o restituiu a sua mãe.

“Todos ficaram possuídos de temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Grande profeta se levantou entre nós, e: Deus visitou o Seu povo.” Versos 11-16.

Não foi esse um bom funeral? Eu gosto dele! Ele não começou muito bem, mas terminou numa entrada triunfal de volta à vila de Naim.

Vamos tentar unir as partes dessa história um pouquinho. A vila de Naim ficava cerca de 35 a 40 quilômetros de Cafarnaum, na costa da Galiléia. A vila de Naim ficava apenas a 8 quilômetros de Nazaré. Naqueles dias, eles não tinham um caixão, a pessoa morta era enrolada em um lençol de linho e estendida em um tipo de esteira de vime.

Se a família fosse pobre havia pelo menos 2 tocadores de flauta e uma carpideira. Se a família fosse mais abastada haveria muitos tocadores de flauta e muitas carpideiras. Essa viúva era aparentemente amada pelas pessoas da cidade e quase toda a vila, uma multidão acompanhava o funeral.

Ao saírem da vila, eles encontraram uma outra grande multidão, os que estavam seguindo Jesus. Assim, você vê esses dois grupos de pessoas se encontrando no estreito trilho, no lado de fora da vila de Naim.

Uma das primeiras coisas que notamos sobre como Jesus trata os enlutados são Suas primeiras palavras a essa viúva. Ele disse: ”Não chore.” Que coisa estranha para Ele dizer. Espera-se que as pessoas chorem nos funerais. É errado chorar num funeral? Não. O próprio Jesus chorou no túmulo de Lázaro. Então o que está Ele dizendo? Ele estava dizendo que Se sentia mal por ela. Seu coração foi tocado com a tristeza que ela sentia. Ele teve compaixão dela. “Não chore.” Ele sabia que ela não precisaria chorar, pois Ele sabia o que estava por fazer.

Então Jesus fez uma coisa incomum. Aproximou-Se e tocou o esquife. Nenhum judeu faria tal coisa. Aqueles que carregavam o esquife ficaram quietos e a lamentação das carpideiras cessou.

Pode você sentir a tensão no ar? Um grupo de pessoas reunidas ao redor do esquife, esperando contra a esperança. Alguém estava presente que havia banido a doença e expulsado demônios. Estaria a morte também sujeita a Seu poder?

Com voz clara e com autoridade, as palavras foram ditas: “Jovem, Eu te mando: Levanta-te.” S. Lucas 7:14. Essa voz invade os ouvidos do morto. O jovem abre os olhos. Jesus o toma pela mão e o ergue. Seu olhar atinge a mãe, e eles se unem em um longo e feliz abraço.

A multidão olha em silêncio, como se estivessem encantados. Emudecidos e reverentes, eles se posicionam por pouco tempo, como se estivessem na própria presença de Deus. E, sem dúvida, eles estavam. Então eles começam a glorificar a Deus. Quanto você gostaria de estar lá? Esse foi um bom funeral!

A segunda experiência é relatada no quinto capítulo de S. Marcos, e dessa vez envolve uma menina. Quando uma garota de 12 anos de idade está para morrer, de algum modo isso é diferente do que para uma pessoa bem idosa, que já viveu várias dezenas de anos.

Comecemos em S. Marcos 5:22: “Eis que se chega a Ele um dos principais da sinagoga, chamado Jairo, e, vendo-O, prostra-se a Seus pés, e insistentemente Lhe suplica: Minha filhinha está à morte; vem e impõe as mãos sobre ela, para que seja salva e viverá. Jesus foi com ele. Grande multidão O seguia, comprimindo-O.” Versos 22-24.

Ao Jesus ir com esse homem a sua casa, houve uma interrupção – a mulher que Lhe tocou a roupa foi curada e elogiada por sua grande fé.

A história continua no verso 35: ”Falava Ele ainda, quando chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, a quem disseram: Tua filha já morreu; por que ainda incomodas o Mestre?”

Não percamos o impacto dessas palavras. Você pensa que para Jesus era algum problema levantar um morto? Você acha que isso é problema para o Doador da Vida – Aquele que criou a nós todos no princípio, Aquele que mantém nosso coração batendo corretamente agora – você acha que é qualquer problema para Ele continuar em direção à casa de Jairo?

Mas o mensageiro diz: “Não incomodes o Mestre.”

Apenas imagine você mesmo no lugar de Jesus. Você veio de uma câmara de audiência com o Todo-poderoso. Você tem a garantia de seu Pai, de que Ele operará através de você e de que todo o poder no Céu e na Terra está à sua disposição. Você pode falar uma palavra e a menina voltará à vida. Seria isso um grande problema para você, ir e acordá-la? Não! Ao contrário, seria um grande problema ficar fora disso.

Eu me lembro do funeral de um menino da escola. Todos os seus colegas de classe sabiam que ele iria morrer. A única questão era, quando? Um dia Hank dormiu, e nós tivemos um funeral lá na igreja. Todos os meninos e meninas da escola vieram e, um a um, disseram adeus a Hank.

Ao permanecer ali e observar, eu me lembro de estar imaginando como poderia ter sido nos dias de Jesus. Oh, como eu desejei que Ele entrasse ali, tomasse Hank pela mão e o acordasse! Jesus poderia ter chamado atenção para Si mesmo, mas Ele estava tão interessado em dirigir a glória para Seu Pai, que Ele poderia ir até a câmara de morte, chamar alguém de volta à vida e então desaparecer. De fato, Ele terminou dizendo: “Não conte a ninguém. ” Verso 43.

Se fôssemos aptos a fazer alguma coisa como essa, nós desejaríamos ter a certeza de que isso nos deixasse famosos. E essa é a razão por que não podemos fazê-lo. Muitos de nós não somos confiáveis para receber o poder de Deus, pois isso nos destruiria.

Bem, os mensageiros disseram: ”Não incomodes mais o Mestre.” E tão logo Jesus ouviu isso, disse a Jairo: “Não temas, crê somente.” Verso 36. É assim que Jesus tratava os enlutados. Ele falava palavras de conforto e encorajamento.

“Contudo não permitiu que alguém O acompanhasse, senão Pedro e os irmãos Tiago e João.

“Chegando à casa do chefe da sinagoga, viu Jesus o alvoroço, os que choravam e os que pranteavam muito.

“Ao entrar, lhes disse: Por que estais em alvoroço e chorais? A criança não está morta, mas dorme.” Versos 37-39.

Jamais nos esqueçamos que aquilo que nós chamamos morrer Jesus chamava dormir.

“E riam-se dEle.” Verso 40. Os tocadores de flauta e as carpideiras, os vizinhos e amigos zombaram de Jesus. Eles a tinham visto estendida em sua esteira fúnebre, silenciosa e imóvel. Eles disseram: “Não tente nos dizer que ela não está morta.”

“Tendo Ele, porém, mandado sair a todos, tomou o pai e a mãe da criança e os que vieram com Ele, e entrou onde ela estava.

“Tomando-a pela mão, disse: Talita cumi. . . Menina Eu te mando, levanta-te.” Versos 40 e 41.

Instantaneamente um tremor passou inconscientemente pelo corpo dela. A pulsação vital voltou a bater. Os lábios se abriram com um sorriso. Os olhos se abriram amplamente como se tivesse acabado de acordar, e a jovem olhou maravilhada para o grupo ao seu lado.

Ela se levantou, e seus pais a ergueram nos braços e choraram de alegria. Pode você imaginar a cena?

Aquele que tratava os enlutados dessa maneira prometeu vir outra vez. Ele ainda tem o mesmo poder sobre o inimigo e sobre sua casa de prisão. Ele ainda tem o mesmo poder de acordar aqueles que dormem e confortar aqueles que pranteiam.

A terceira história de Jesus encontrando  a morte está na história de Maria, Marta e Lázaro, relatada em S. João 11. Jesus gostava de visitar o lar desses Seus amigos. Quando quer que fosse a Betânia, encontrava algum tempo para estar com eles.

Quando, porém, Lázaro adoeceu, Jesus não estava na cidade. Esta foi uma doença terrível. O médico, desde o inicio parecia preocupado. As coisas não pareciam boas. Assim, Maria e Marta enviaram um mensageiro para encontrar Jesus. Isso era um grande e difícil projeto, mas eles O encontraram, e quando Lhe contaram sobre a condição de Lázaro, Ele disse: “Essa enfermidade não é para morte.” Verso 4.

O mensageiro voltou para Betânia e disse: “Nós temos boas novas. Jesus disse que a doença de Lázaro não é para morte.” As irmãs correram para o quarto de Lázaro e disseram: “Lázaro, você não precisa se preocupar. Nós recebemos a mensagem de Jesus, você não vai morrer.”

“Verdade?” “Sim, isso é o que Ele disse ao mensageiro. Você não morrerá.” “Claro, parece isso mesmo!” E ele continuou a esperar, mas continuou a piorar. Finalmente ele entrou em coma e, então, morreu. Isto deve ter sido difícil para Maria e Marta aceitarem. Que teste para sua fé em Jesus! De onde Jesus estava, Ele disse aos Seus discípulos: “Vamos voltar agora, porque Lázaro adormeceu.” Veja verso 11.

E eles disseram: “Adormeceu?”

“Sim, ele está dormindo.”

Agora os discípulos estavam preocupados, porque tinham ouvido que o povo próximo de Jerusalém estava buscando a vida de Jesus. Havia uma armadilha contra a Sua vida, e eles imaginavam que se voltassem com Ele, eles estariam envolvidos na mesma armadilha. Atemorizados e querendo salvar a própria pele, eles disseram: “Não vamos voltar. Se Lázaro está dormindo, depois de ter estado tão doente, isso é bom. Vamos deixá-lo dormir. Ele precisa dormir. Vamos ficar aqui.” Veja versos 8 a 12.

Jesus disse: “Eu vou para despertá-lo.”

“Oh, não, não faça isso!”

E nesse ponto, Jesus, finalmente, com relutância, disse o que nós comumente dizemos. Por favor não esqueça isso. Jesus não gostava da palavra morte. Ele não chamava isso de morte. Jesus finalmente disse: “Nosso amigo Lázaro está morto.” Mas Ele preferiu chamar isso de dormir, e eu também gosto muito mais dessa palavra. Porque quando você dorme, isso não é mau. Quando você dorme, há chance de acordar. Veja verso 14.

Quando você vê um ente querido que crê em Jesus, mas que não tem muito mais tempo para viver, você pode unir-se a Jesus em dizer: “Essa doença não é para a morte.” Para o crente a morte é de somenos importância.

O tempo de pranto pode ser mudado para um tempo de alegria quando um ser amado deitou para dormir em Jesus. Nós não nos entristecemos como aqueles que não têm esperança, pois nós sabemos que aquele que está dormindo em Jesus, logo será despertado.

Ao olharmos hoje para a frente, os momentos de pranto tornam-se menos pavorosos. Nós olhamos para a frente, contemplando o momento quando Jesus virá acordar aqueles que dormem. Aqui, no meio da história de Lázaro, nós encontramos o famoso verso: “Eu Sou a ressurreição e a vida. Quem crê em Mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em Mim, não morrerá eternamente. Crês isto?” Versos 25 e 26.

Poderia eu fazer a mesma pergunta hoje? Jesus disse: “Quem vive e crê em Mim, não morrerá eternamente.” Você crê nisso? Aqueles que crêem podem ter bons funerais, embora possam chorar, pois freqüentemente choramos quando dizemos: “Adeus, até logo”, quando os amigos saem para uma grande viagem. Está certo chorar. Mas nós não choramos como aquele que não tem esperança. Veja I Tess. 4:13.

Bem, Jesus foi ao cemitério com Maria e Marta e a multidão os acompanhou. Ele subiu até a porta do túmulo, e disse: “Tirai a pedra.”

Então Marta disse: “Não, você está indo muito longe.” Jesus havia dito que Lázaro estava dormindo. Porém, ao tempo de remover a pedra, ele tinha estado dormindo por 4 dias. Ninguém poderia argumentar dessa vez se ele estava ou não morto.

Eles, porém, rolaram a pedra para fora e com a respiração suspensa observaram, enquanto Jesus fazia uma simples oração. Então Jesus ordenou: “Lázaro, vem para fora.” Verso 43.

Alguns têm dito que se Ele não tivesse mencionando especificamente Lázaro, todo o cemitério teria ressuscitado. Talvez seja verdade. Mas Lázaro saiu e foi restaurado à sua família e aos amigos. Que história!

Hoje podemos nos alegrar pelas boas novas de que aquilo que chamamos morrer é apenas dormir – e que Cristo ainda tem o poder de nos acordar do sono e dar a vida eterna. Podemos nos regozijar porque Ele ainda tem poder sobre a morte e o túmulo. Enquanto nos conforta durante nosso período de pranto, Ele nos convida a olhar para a frente, para o dia em que Ele virá outra vez e a morte será para sempre tragada em vitória.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

COMO JESUS TRATOU OS PECADORES CONSCIENTES

 

Quando eu era menininho,

eu me assentava e chorava,

sempre que meu irmãozinho

um bolo maior ganhava.

Meu pai costumava citar esse verso para meu irmão e para mim nas ocasiões em que precisávamos ouvi-lo!

Uma vez um bondoso membro da igreja deu um pacote de caramelos de Natal para o meu irmão e outro para mim, daqueles que ficam na boca por horas. Meus pais ficaram logo preocupados. Eles não queriam que estragássemos os dentes e o estômago. Assim, estabeleceram uma regra: somente um pedaço de caramelo por vez – e isso na hora da refeição. Nenhum caramelo entre as refeições.

Bem, aquilo era demais para um menino. Assim, eu peguei meu pacote de caramelos entre as refeições. Meu pai descobriu isso e rapidamente destruiu meu pacote de caramelo. E nesse momento eu me tornei tão preocupado com a saúde do meu irmão que joguei o pacote dele no sanitário!

Por que fazemos esse tipo de coisa? Por que tentamos tanto nos manter na frente um do outro, quer na extrema manifestação de guerra, quer numa brincadeira inocente? O que faz o futebol e outros esportes – uma diversão nacional? Por que competimos tanto em torno da questão, quem vai ganhar, quem vai ser o campeão, quem vai ser o primeiro?

Tudo isso começou com o pecado, não é verdade? Isso tudo começou quando Lúcifer decidiu que queria ser o maior. Isto parece estar integrado em nossa própria natureza. Mesmo os discípulos de Jesus incorreram várias vezes nessa tendência de querer ser o maior. Examinando a experiência deles, encontramos um belo exemplo de como Jesus tratava os pecadores conscientes.

É possível que os santos pequem? Como Jesus trata os santos que pecam? E possível pecar e saber que você está pecando e continuar fazendo o que você está fazendo errado e ainda ser um cristão? Eu sugeriria que esta é a própria questão prática, e essa é uma questão que tem uma resposta tão excitante que eu dificilmente consigo esperar para apresentá-la! Mas vamos tentar construir o nosso caso, ao notarmos nas Escrituras como Jesus tratava esse tipo de pessoa.

“Tendo eles partido para Cafarnaum, estando Ele em casa, interrogou os discípulos: De que é que discorríeis pelo caminho?

“Mas eles guardaram silêncio: porque pelo caminho haviam discutido entre si qual era o maior.” S. Marcos 9:33 e 34.

 

Havia chegado o tempo de Jesus voltar o rosto para Jerusalém. Os discípulos estavam certos de que o tempo havia chegado para Ele estabelecer Seu reino – Seu reino terrestre. E eles tinham negócios incompletos, dos quais precisavam cuidar. O negócio incompleto deles era decidir quem seria o presidente da classe, quem seria o primeiro-ministro, quem seria o maior do reino.

Os discípulos continuaram sua discussão ao longo do caminho para Jerusalém, cuidando em resolver tais problemas. Porém, eles sabiam que o que estavam fazendo era errado, porque foram ficando para trás de Jesus. Na verdade, quando Jesus alcançou os limites da cidade de Cafarnaum Seus discípulos estavam tão distantes que Ele não pôde nem mesmo ouvir o que estavam dizendo.

Isto é quase engraçado. Esses discípulos haviam estado com Jesus por três anos. Eles haviam repetidamente declarado sua fé nEle, que Ele era o Filho de Deus. Entretanto aqui, você os vê tentando falar baixinho para que Deus não pudesse ouvi-los!

 

Isso nos ensina a]guina coisa muito interessante sobre o pecado. E difícil pecar na presença de Jesus. Você já descobriu isso? Até mesmo as pessoas mais fracas acham difícil pecar na presença de alguém que elas amam e respeitam. E de alguma maneira, temos que sentir que estamos longe de Deus, longe de Jesus, para continuarmos pecando.

Mas os discípulos chegam a Cafarnaum e vão com Jesus para a casa onde permaneceriam. Quando Jesus encontrou uma ocasião oportuna, perguntou: “Sobre o que estavam vocês conversando lá atrás na estrada?”

Os discípulos começaram a chutar o chão. Eles começaram a agitar-se. E não responderam. A Bíblia diz: “E eles guardaram silêncio.” Essa era uma boa hora para guardarem silêncio! Quando meus pais me perguntaram o que aconteceu com o pacote de caramelos do meu irmão, eu guardei silêncio!

Mas Jesus continuou a pressionar nesse ponto, e finalmente um dos discípulos disse: “Bem, hum, sabe… – nós estávamos questionando quem será o maior no reino.”

Agora, a vida de Jesus era uma vida de humildade. Ele havia se esvaziado e feito de Si mesmo de nenhuma reputação, de acordo com Filipenses 2. Ele, que havia recebido a homenagem e a adoração de todas as hostes celestiais, viera para nascer numa manjedoura. Ele, que havia sido rico, tornou-Se pobre para que nós, através de Sua pobreza, pudéssemos nos tornar ricos. Outra vez e novamente Ele havia tentado apresentar esse ponto através dos discípulos, de que a real grandeza está baseada na humildade. E eles não haviam captado a mensagem.

Nesse ponto parece que Jesus poderia ter dito: “Saiam do Meu lado, seus doze miseráveis. Dá-Me outros doze para começar outra vez.”

Mas, em vez disso, Ele Se assentou com eles e disse: “Se alguém quer ser o primeiro, será o último e servo de todos.”

”Trazendo uma criança, colocou-a no meio deles e, tomando-a nos braços, disse-lhes:

“Qualquer que receber uma criança, tal como esta, em Meu nome, a Mim Me recebe; e qualquer que a Mim Me receber, não recebe a Mim, mas ao que Me enviou.” S. Marcos 9:35-37.

Jesus estava sempre usando crianças para mostrar com que o reino do Céu é realmente semelhante.

Jesus era bondoso com Seus discípulos. Ele não os condenou. Continuou pacientemente tentando ensinar-lhes as lições que eles tanto precisavam aprender. Além de tudo, Ele continuou a caminhar com eles, a partilhar com eles. Continuou a trabalhar com eles, a viajar com eles, a confiar-lhes Seu trabalho e Sua missão.

Dessa lição da Escritura vemos que os discípulos eram culpados do pecado. Que pecado? O pecado do orgulho. Oh, dizemos, todos têm um pouquinho de orgulho, é nisto que nosso mundo está baseado. Isto é o que torna interessante o jogo da vida! E a santificação é obra de uma vida toda. Talvez, antes de morrer, venceremos esse pequeno problema.

Mas se você estudar isso, descobrirá que o orgulho é um dos piores pecados aos olhos de Deus. O orgulho é um dos pecados mais ofensivos a Deus, porque ele é tão contrário a Sua própria natureza. E o orgulho foi o pecado que começou toda essa tragédia.

Assim, o pecado do qual os discípulos eram culpados, não era apenas pecado, ele era um mau pecado. E eles sabiam que isso estava errado, e sabiam o que estavam fazendo, mas continuaram fazendo. Eles continuaram fazendo isso o tempo todo, enquanto caminhavam com Jesus. Na verdade, eles ainda estavam nisso na noite da Última Ceia no cenáculo, logo antes da crucifixão. Isso se qualifica na minha definição como pecado consciente, pecado contínuo, pecado habitual, pecado acariciado, pecado persistente.

A Escritura nos ensina como Jesus trata os pecadores constantes – que sabem que estão pecando e continuam pecando.

Alguém tem dito que o problema com esses discípulos é que eles não eram convertidos. Mas eles tinham sido enviados para expulsar demônios, limpar leprosos e ressuscitar os mortos. Pessoas não convertidas fazem isto?

Esses eram aqueles a quem Jesus disse – quando eles voltaram da missão com os setenta – “Alegrai-vos … porque os vossos nomes estão escritos nos Céus”. Ver S. Lucas 10:20. Mas S. João 3:3 diz que você não pode nem mesmo ver o reino do Céu se não tiver nascido de novo. Assim, eu não posso aceitar a remissa de que esses discípulos não estavam convertidos. E daí?

Como Jesus trata discípulos culpados de pecados conscientes? Ele fez Sua clássica declaração em S. Mateus 12:31: “Todo pecado. . . será perdoado aos homens.” Não é isso uma boa nova? E se todo tipo de pecado for perdoado, então isso teria que incluir pecado consciente, pecado persistente, pecado habitual. Isso incluiria perdão dos piores pecados tais como orgulho, bem como outros pecados tais como assassinato e adultério, e tudo que você queira mencionar.

Jesus ofereceu perdão para todos os pecados e continuou a caminhar com os discípulos ao eles aprenderem o que Ele estava tentando ensinar-lhes.

Poderia ser fácil concluir que talvez pecar, afinal, não seja tão mau. Talvez pecar não seja grande coisa. Talvez obediência e vitória não sejam necessárias ou nem mesmo possíveis. Mas precisamos relembrar o que Jesus disse a Maria quando ela foi arrastada até Ele. Ele disse: “Eu não te condeno.” Isto é uma boa nova.

Mas Ele não parou aí. O que mais disse Ele? Ele disse: “Vai e não peques mais.” Isso é igualmente uma boa nova.

Deus ama os pecadores, isto é verdade. Mas Ele odeia o pecado. Ele provê poder para vencer o pecado. Ele provê poder para obedecer – poder para ser vitorioso. Ele também tem provido perdão para cristãos em crescimento, fracos, imaturos – e Ele continua a caminhar com eles.

O poder está disponível para ir e não pecar mais. Mas é a aceitação e amor de Jesus, o contínuo relacionamento com Ele, que nos traz esse poder de ir e não pecar mais. Essa é a razão por que é absolutamente necessário que qualquer pecador constante seja apto a contar com a aceitável presença de Jesus enquanto ainda está aprendendo como experimentar o poder que está disponível.

A única pessoa que cresce além de seus erros é aquela que sabe que é amada e aceita mesmo enquanto erra. Isso dá permissão para pecar? Não! É exatamente esse relacionamento com Jesus que leva à vitória.

Com base nessa história da Bíblia, podemos concluir que é possível ter ao mesmo tempo na vida um relacionamento contínuo com Deus e cometer pecados conscientes. Os discípulos tinham contínuo relacionamento com Deus e cometiam pecados conscientes ao mesmo tempo – certo ou errado?

Mas embora seja possível ter ao mesmo tempo um relacionamento com Deus e pecados conscientes, mais cedo ou mais tarde um dos dois deixará de ocorrer.

Judas era esperto. Ele compreendia esse princípio. Ele decidiu que não queria que seu pecado deixasse de ocorrer. Assim deliberadamente, rompeu seu relacionamento com Jesus em favor do pecado.

Agora chegamos ao ponto real do pecado acariciado, pecado aparatoso, pecado consciente. Judas sabia o que fazer para vencer o pecado e escolheu deliberadamente não fazê-lo. E quando alguém rompe um relacionamento com Jesus a favor de continuar no pecado, está em terreno excessivamente perigoso. Talvez você tenha encontrado pessoas que não queriam ser muito religiosas, porque tinham medo de que seu estilo de vida mudasse. Esse era o caso de Judas.

Os demais discípulos, porém, queriam continuar com Jesus, apesar de tudo. João, por exemplo. Ele era o discípulo que estava sempre ali. Nada podia tirá-lo do lado de Jesus. Ainda assim, ele gastou três anos para aprender como aceitar a vitória que Jesus tinha a oferecer. E a despeito de seus problemas, que eram plenamente tão maus quanto os de Judas, ele continuou a caminhar com Jesus.

Os anos passam. João é o último que resta – o último dos discípulos. Todos os demais haviam morrido como mártires. Talvez os amigos tenham vindo visitá-lo ali em Roma. Eles o ouviram dizer coisas como: “Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus.” I S. João 4:7.

E eles dizem: “João, você mudou.”

João olha para eles e pergunta: “Quem, eu?”

Porque as pessoas que mudam são as últimas a saberem disso – as últimas a anunciarem isso. Mas, a graça de Deus tinha feito sua obra em João. João tinha sido conhecido como um dos “Filhos do Trovão”, mas agora, ele diz: “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos que, quando Ele Se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque havemos de vê-Lo como Ele é.” I S. João 3:2.

Por favor, meu amigo, posso relembrá-lo que se você continua a conhecer Jesus como seu amigo pessoal dia a dia – pela oração e pelo estudo de Sua Palavra – se nada tira você de Seu lado, você se unirá a João, o amado, experimentando uma transformação do caráter. Seja qual for o pecado com o qual você luta, ele se extinguirá.

Às vezes ficamos impacientes e tentamos cronometrar nosso crescimento. É melhor não fazermos isso. Essa tarefa cabe a Deus. É a obra do Espírito Santo. O princípio do crescimento cristão é primeiro a erva, depois a espiga e, por fim, o grão cheio na espiga. Isso toma tempo para desenvolver o fruto.

Mas o amor tem sua própria defesa construída contra a permissão para pecar. Quanto mais amamos, mais nos distanciamos de querer jogar “par ou ímpar” com a graça de Deus. E enquanto crescemos, enquanto aprendemos com os discípulos a amar e confiar plenamente nEle, quão gratos podemos ser pela mensagem de como Jesus tratava os pecadores conscientes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

COMO  JESUS  TRATOU  OS  ENDEMONINHADOS

 

O coral havia justamente terminado de cantar o hino da manhã. Com um suave agitar das becas, os coristas voltaram para seus lugares e se assentaram. Uma pequena agitação ocorreu na congregação, enquanto as pessoas se moviam em seus assentos, procurando a posição mais confortável para se assentar durante o sermão.

A igreja estava lotada naquela manhã, e havia uma forte excitação no ar, pois o orador tinha uma reputação muito polêmica. Ele não era freqüentemente convidado para expressar suas idéias publicamente, e havia o rumor de que uma cerimônia semelhante havia realmente terminado quase em tumulto. O ancião da plataforma estava compreensivelmente um tanto nervoso, ao olhar para o orador convidado e acenar discretamente, indicando que chegara a hora de ele começar.

O orador mal havia alcançado o púlpito e aberto a boca para falar, quando as portas do fundo do santuário se abriram ruidosamente. Contraindo-se e cambaleando pelo corredor central, um endemoninhado lançou-se na presença de Jesus.

Você pode ler sobre isso em S. Lucas 4:33-36.

”Achava-se na sinagoga um homem possesso de espírito de demônio imundo, e bradava em alta voz.”

A descrição é um pouco humorística – “um demônio imundo!” Afinal quantos demônios limpos existem? Mas, pelo menos podemos pressupor que, como os demônios são, esse demônio em particular era muito mau.

O endemoninhado gritou em alta voz, dizendo: “Ah! Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste para destruir-nos? Bem sei quem és: O Santo de Deus!”

Note os pronomes – eles são muito interessantes. “Que temos nós contigo?” “Vieste para destruir-nos?” Evidentemente o demônio começou falando por si mesmo, bem como pelo homem que possuía. Mas ele então terminou com: “Bem sei quem és. ” Talvez o homem não entendesse em presença de quem ele havia sido tão violentamente colocado. Mas o demônio certamente reconhecia com quem ele estava confrontando.

Esse deve ter sido um demônio muito nervoso. Talvez ele tenha se sentido especialmente ousado naquele dia quando decidiu interromper o serviço da igreja onde Jesus – Aquele que o havia criado – estava oficiando. Mas, nervoso ou não, ele também não deve ter sido particularmente esperto. Ele deveria saber melhor, pois terminou em derrota – como os demônios sempre terminam na presença de Jesus. Pois,

“Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te, e sai desse homem. O demônio, depois de o ter lançado por terra no meio de todos, saiu dele sem lhe fazer mal. Todos ficaram grandemente admirados e comentavam entre si, dizendo: Que palavra é esta, pois, com autoridade e poder ordena aos espíritos imundos, e eles saem?”

Na Bíblia há sete situações relatadas do confronto de Jesus com os demônios. Antes que continuemos, considerando a segunda ocasião, por favor note três coisas:

  1. O contato e conversação de Jesus com o demônio foi breve.
  2. O demônio foi forçado a deixar imediatamente sua vítima.
  3. Pelo menos nesse caso particular, nenhum intercessor estava presente.

Ninguém esteve envolvido em trazer o homem afligido a Jesus, ou em buscar o auxílio de Jesus em seu favor. Ele veio sozinho. Na verdade ele não era nem mesmo capaz de pedir auxílio para si mesmo, pois, quando ele tentou falar, o demônio falou através dele. Mesmo assim, Jesus ainda estava apto a livrá-lo e salvá-lo.

O segundo relato, em S. Mateus 9:32 a 34, é muito curto. “Ao retirarem-se eles, foi-Lhe trazido um mudo endemoninhado. E, expelido o demônio, falou o mudo; e as multidões se admiravam, dizendo: Jamais se viu tal coisa em Israel!”

Nesse caso houve intercessão, pois diz: “Eles Lhe trouxeram um homem mudo endemoninhado.” Outra vez, entretanto, o encontro foi breve. E a evidência é que os demônios foram forçados a sair imediatamente à palavra de Jesus. As pessoas que trouxeram esse homem a Jesus, não podiam fazer nada para ajudá-lo. Mas eles sabiam o suficiente para trazê-lo a Jesus, e esta é a coisa certa a ser feita. Você não acha? Qualquer um hoje, que conheça alguém que está atormentado ou oprimido ou com um problema, pode seguir o exemplo dessas pessoas em trazer tal pessoa a Jesus. Ele é o Único que tem o poder de trazer cura e restauração.

O terceiro relato se encontra em S. Mateus 12. “Então Lhe trouxeram um endemoninhado, cego e mudo; e Ele o curou, passando o mudo a falar e a ver.” Verso 22.

O relatório continua com um diálogo entre Jesus e os fariseus. Mas esse encontro de Jesus com os demônios, outra vez foi breve e outra vez terminou na total derrota deles. Os líderes religiosos acusaram Jesus de expulsar demônios pelo poder do demônio. Entretanto, Jesus deu-lhes alguns argumentos de difícil resposta e contou-lhes uma parábola sobre uma casa vazia, onde muitos demônios voltaram para tomar o lugar de um. Voltaremos a esse ponto, mas por agora continuemos com o quarto relato.

Este é um dos encontros mais conhecidos – os endemoninhados que foram libertos e os demônios que levaram os porcos pelo despenhadeiro ao mar. Ele está relatado em S. Mateus 8 e S. Lucas 8. Neste caso Jesus envolveu-Se em um breve diálogo com os demônios. De acordo com S. Lucas 8, Ele perguntou: “Qual é o teu nome?”

E eles responderam: “Nosso nome é Legião.” Verso 30.

Nos dias de Cristo, o exército romano, era dividido em legiões. Cada legião era composta de 3 a 5 mil homens. Aparentemente o demônio tinha uma equipe de demônios suficiente para que ele pudesse gastar 3 a 5 mil deles em um ou dois homens!

Um enfoque popular do assunto de exorcismo diz que você tem que falar individualmente com cada demônio e expulsá-los um por um. Se Jesus tivesse usado tal método nessa experiência, provavelmente Ele ainda estivesse lá! Assim, embora haja evidências bíblicas sobre múltiplas possessões, não há evidência de que cada demônio deva ser tratado individualmente. Quando Jesus ordenou, todos eles saíram. Um negócio por atacado, se você permite. Os demônios foram para a manada. E a manada correu para o mar, e o povo veio e suplicou a Jesus que saísse dos limites da sua cidade, antes que eles perdessem mais de seus recursos.

Nesse caso, não houve intercessor. Outra vez, os demônios exibiram falta de juízo ou talvez uma falta de autocontrole, por virem à presença de Jesus voluntariamente. Mas eles eram suficientemente perceptivos para dizerem, como relatado em S. Mateus 8:31: ”Se nos expeles, manda-nos para a manada de porcos.” Eles certamente sabiam qual seria o resultado do encontro!

O quinto relato encontra-se em S. Mateus 15:21-28. Esta é a história da mulher fenícia cuja fé era muito grande. Ela persistiu, permanecendo na presença de Jesus por algumas das migalhas da mesa do Mestre. O problema era que sua filha estava gravemente dominada por um demônio. Ao concluir a conversação, Jesus disse: “Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo como queres.” Mateus conclui seu relato desse milagre dizendo: “E desde aquele momento sua filha ficou sã.”

Havia um intercessor nesse relato, mas a filha que estava possessa não estava nem mesmo presente. Ela recebeu livramento em ausência, poderíamos dizer. Mas, embora ela não estivesse em Sua presença, imediatamente ela foi curada por Sua palavra.

O sexto relato se encontra em S. Marcos 9:14-29. Este é um relato longo. Jesus desceu do Monte da Transfiguração. Ele havia levado três de Seus discípulos em uma viagem especial. Os outros nove estavam com inveja e discutindo entre si quem seria o maior. Nessas condições, eles tentaram tirar os demônios mas, em vez disso, os demônios os tiraram. Embora Jesus nunca perdesse um caso, Seus discípulos perdiam.

Quando Jesus chegou ao local, o pai do menino explicou-Lhe a situação e disse: “… Mas, se Tu podes alguma coisa. …”

Jesus respondeu: “Se podes! Tudo é possível ao que crê.”

Então o homem respondeu: “Eu creio, mas, evidentemente, não creio o suficiente. Por favor, ajuda-me na minha falta de fé.”

Jesus levantou o menino e houve uma grande libertação naquele dia. Depois que a multidão foi embora, os discípulos perguntaram a Jesus por que eles não tinham sido aptos a expulsar os demônios, Jesus então disse: “Esta casta não pode sair senão por meio de oração [e jejum].” Mar. 9:29; Mat. 17:21.

Mas Jesus, que expulsou o demônio, não tinha estado jejuando, tanto quanto nós sabemos. E fácil tomarmos uma interpretação natural disso e pensar que Deus, de alguma maneira, é impressionado se nos privamos do alimento. Mas isso não combina com o que Jesus disse sobre Deus, que está desejoso de dar boas dádivas aos Seus filhos. Os dons de Deus não são ganhos – eles são dados livremente. Assim, o que Jesus queria dizer?

Jesus estava falando do contínuo relacionamento com o Pai. Ele não tentou apresentar a Si mesmo como superior em algum tipo de grandeza espiritual apenas para essa ocasião. Ao contrário, ele gastava tempo cada dia em comunhão e companheirismo com o Pai. Isso era mais importante para Ele do que comer. Era através desse relacionamento que Ele Se mantinha sob o controle do Pai e estava pronto para cada observação momentânea ou qualquer tipo de astúcia do diabo que Ele tivesse que enfrentar.

Por outro lado, Seus discípulos não haviam gasto a noite ou início da manhã em companheirismo com o Céu como Ele tinha feito. Eles haviam adormecido, enquanto discutiam entre si quem seria o maior.

Por sua própria escolha, eles haviam se separado do poder do Céu e foram assim deixados a encontrar o inimigo em sua própria fragilidade.

Se a qualquer momento tentássemos enfrentar o poder da escuridão por nós mesmos, seguramente seríamos vencidos. A menos que tenhamos o poder de Jesus, seria pura tolice até mesmo tentarmos um confronto com o diabo. Ele é mais forte do que nós, e sempre levará vantagem. Somente o poder de Jesus é suficientemente forte para vencer o inimigo, e esse poder está disponível para cada um de nós, através de um relacionamento diário com Ele.

Nós não apenas somos incapazes de lidar com a possessão do diabo na sua mais extrema forma, mas somos também incapazes de lidar com as tentações e astúcia do diabo em nossa própria vida. Não podemos vencer o pecado em nossa própria força, mas somente através da força do Céu, ao irmos a Jesus e permitirmos que Ele lute por nós.

Finalmente o sétimo relato – encontra-se em S. Marcos 16:9. Aqui, não temos uma história como nos outros casos. Temos apenas uma referência a alguma coisa que já havia acontecido.

“Havendo Ele ressuscitado de manhã cedo no primeiro dia da semana, apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual expelira sete demônios.”

Provavelmente poderíamos especular sobre isso, sobre se Jesus expulsou os sete demônios todos de uma vez, ou expulsou os demônios de Maria em sete vezes diferentes. Estou escolhendo a última possibilidade por causa da parábola que Jesus contou em S. Mateus 12. Voltemos aos versos 43 e 45.

”Quando o espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos procurando repouso, porém não encontra. Por isso diz: Voltarei para minha casa donde saí. E, tendo voltado, a encontra vazia, varrida e ornamentada. Então vai, e leva consigo outros sete espíritos, piores do que ele, e, entrando, habitam ali; e o último estado daquele homem torna-se pior do que o primeiro. Assim também acontecerá a esta geração perversa.”

O que Jesus está dizendo? Que há alguma coisa mais importante do que expulsar o diabo para fora de você. Também é necessário mantê-lo fora. Não é verdade? E Maria teve que aprender isso – evidentemente de um modo difícil.

Uma pessoa pode conhecer um poderoso livramento do pecado – mesmo da possessão do diabo – mas a menos que conheça uma conexão vital com Deus e um contínuo companheirismo com Ele dia a dia, através do estudo da Bíblia e da oração, isso não será suficiente.

O pecado nunca é mantido expulso por nós. Ele só é conservado fora, quando Jesus entra.

Podemos tirar várias conclusões desses relatos:

Primeiro, quando Jesus expulsa os demônios, Ele os expulsa imediatamente.

Segundo, Ele lança todos os demônios para fora de uma vez, não um por vez.

Terceiro, às vezes há um intercessor, às vezes não. Evidentemente não é essencial ter um intercessor.

Quarto, expulsar demônios não é grande coisa! Em S. Lucas 10, quando os setenta voltaram e disseram: “Senhor, os próprios demônios se nos submetem pelo Teu nome!”, Jesus disse, essencialmente: “É? Satanás foi lançado do Céu muito tempo atrás, ele é um inimigo derrotado.” Veja versos 17 a 20.

Como Jesus tratou os endemoninhados? É uma boa nova. Era uma boa nova na Palestina; é uma boa nova hoje. Jesus nunca perdeu um caso. Os demônios gritaram por misericórdia em Sua presença. Portanto, eles não são nada para nos assustar, pois o poderoso nome de Jesus ainda é o maior poder na Terra. Através de Seu poder, podemos ser libertados do poder do inimigo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

COMO  JESUS  TRATOU  OS  POBRES

 

Um de meus amigos e seu filho estavam dirigindo ao longo de uma quente rodovia na Califórnia, vários anos atrás, e passaram por uma sorveteria. Meu amigo decidiu que seu menino de dez anos poderia querer um sorvete. Assim, ele parou o carro, deu ao menino dez moedas que correspondiam ao valor do sorvete. E disse-lhe que corresse e comprasse o sorvete.

Em poucos momentos o menino voltou da sorveteria quase chorando, ele ainda tinha as moedas, e contou ao seu pai que o homem da sorveteria não lhe venderia o sorvete. Então, o pai desceu do carro, foi até o homem e perguntou-lhe: “Qual é o problema aqui? Por que você não vende um sorvete para meu filho?”

O proprietário da banca de sorvete disse: ”Nós não vendemos sorvetes de ‘nove’ moedas. Seu garoto queria um sorvete de nove moedas.”

Então ocorreu à mente de meu amigo pastor o fato de que seu garoto de dez anos já havia dedicado seu dízimo das moedas ao Senhor, entre o carro e a sorveteria. Assim, ele se tranqüilizou. Explicou ao proprietário da sorveteria o que havia acontecido e pediu desculpas pelo mal-entendido.

O homem disse: “É isso que você faz com suas moedinhas? Você dá ao Senhor?” “Bem”, disse ele, “vou dizer-lhe o que você vai fazer, filho. Dê todas as suas moedas ao Senhor e eu lhe darei um sorvete. ” Ele serviu uma bola, duas bolas, três bolas – até que o copinho ficou superlotado – e deu ao menino. Outra vez a promessa cumpriu-se de que Deus abriria as janelas do Céu e derramaria bênçãos. Deus Se alegra em honrar aqueles que O honram.

Em S. Marcos 12 há uma história de como Jesus tratava os pobres – aqueles que tinham muito pouco, mas preferiam pôr a Deus em primeiro lugar em suas dádivas. A história começa no verso 41: “Assentado diante do gazofilácio, observava Jesus como o povo lançava ali o dinheiro.”

Você pode se lembrar de que nos dias de Cristo, aparentemente, a maneira costumeira de receber ofertas era colocar uma caixa junto à entrada do templo. E quando as pessoas deixavam a igreja, elas colocavam ali suas ofertas. Eu, pessoalmente, desejaria que pudéssemos reviver esse método, para recolher as ofertas! Mas aquele era o método nos dias de Jesus.

Jesus estava em condições de ficar ali, próximo no rol da entrada, e observar: “Ora, muitos ricos depositavam grandes quantias. Vindo, porém, uma viúva pobre depositou duas pequenas moedas correspondentes a um quadrante. ” Versos 41 e 42.

Uma moeda dessas valia apenas uma fração de uma de nossas moedas. Até mesmo a moeda que o filho de meu amigo pôs de lado quando foi comprar o sorvete valia mais do que aquela que a viúva tinha. Mas ela entregou sua oferta, e Jesus viu.

“E, chamando os Seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta viúva pobre depositou no gazofilácio mais do que o fizeram todos os ofertantes. Porque todos eles ofertaram do que lhes sobrava; ela, porém, da sua pobreza deu tudo quanto possuía, todo o seu sustento.” Versos 43 e 44.

Essa era uma viúva pobre, mas eu gostaria de sugerir que ela era uma rica viúva pobre. A Bíblia fala daqueles que são ricos na fé. E se você tivesse que escolher entre ser rico na fé e rico nos bens desse mundo, qual você escolheria? E fácil dar uma resposta rápida, mas o que você realmente preferiria?

Essa era uma rica viúva pobre e ela recebeu boa apreciação do próprio Jesus – o que ela deve ter ouvido. Aparentemente Jesus estava tão próximo que ela foi capaz de ouvir o que se passava entre Jesus e Seus discípulos.

Esse encontro ocorreu na metade da última semana da vida de Jesus, justamente poucos dias antes da crucifixão. Isso deve ter trazido encorajamento ao coração de Jesus, ver a fé dessa mulher, e deve ter sido encorajador para ela ouvir o que Jesus disse.

Freqüentemente Jesus falava palavras de apreciação. Quando criança, Ele era conhecido por falar palavras de ânimo e encorajamento. Essa viúva deve ter saído do templo com passos luminosos, com esperança no coração, com coragem para outros dias, por causa de seu contato com Jesus naquele dia.

Várias lições concernentes a dar e princípios bíblicos de dar emergem dessa história. Em primeiro lugar, nossa habilidade de dar depende de três coisas: O dinheiro que temos, os bens que temos e os rendimentos que temos. Às vezes, o dinheiro das pessoas ou riquezas se perdem na aquisição de bens. Em S. Mateus 19, Jesus disse ao jovem rico: “Vai vende os teus bens, dá… ” (Veja verso 21.) Livre-se de alguns dos seus investimentos.

O padrão bíblico para dar se encontra em Malaquias, onde o método de Deus é descrito. Ele nos pede que demos num plano percentual. Realmente, esse é o único meio justo de medir a dádiva. Às vezes, podemos nos iludir pensando que temos dado muito, apenas porque temos dado mais dinheiro do que muitos outros. Mas, na história dessa viúva, temos um outro princípio: Deus mede nossas dádivas, não pela quantia de dádivas, mas pela quantia que sobrou após termos dado. E por Sua avaliação essa mulher havia dado mais do que todos os outros, pois ela deu tudo que tinha.

Vamos tomar uma ilustração dos dias atuais. Suponha que um aluno da faculdade, tentando trabalhar para custear seus estudos, seja apto a ganhar mil reais extras durante o mês. De acordo com o princípio bíblico do dízimo, que é 10%, ele deveria devolver a Deus 100 reais, o que realmente não é uma dádiva. Isto é apenas ser honesto. Isto não é ser generoso. O ensino da Bíblia é que 10% de nossas entradas pertencem de qualquer maneira a Deus.

Mas, se este mesmo estudante, fosse também entregar 25 reais na sacola da oferta, durante o mês, além de seu dízimo, ele não poderia pensar que havia dado muito.

Uma outra pessoa, com sólido emprego e um salário regular, poderia obter 10 mil reais durante o mês, pagar mil reais de dízimo, e entregar 25 reais na sacola de oferta. Tal pessoa teria dado a mesma quantia quanto o aluno.

E a pessoa que consegue 20 mil reais em um mês, devolve 2 mil reais de dízimo, e põe 50 reais na sacola da oferta, deu a mesma porcentagem que deu o estudante. Isso realmente nos conta algo sobre a justiça de Deus, não é?

Seria possível compreender mal a lição da história da viúva e dizer: “Nós deveríamos dar tudo o que temos para a igreja.” Não, isso não é o que Jesus está dizendo – e não é o que Ele espera. É certo ter alguma coisa sobrando. Abraão tinha alguma coisa sobrando. Abraão era rico. E Abraão tinha bom conceito. Outros, nas Escrituras, tinham grandes riquezas: Jó, Davi, e Salomão, para mencionar apenas poucos. É legítimo ter uma base da qual fazer mais dinheiro, desde que tal aumento não obstrua nosso censo de necessidade e se torne mais importante a nós do que o tesouro celestial. Davi disse isso muito bem em Salmo 62:10: “Se as vossas riquezas prosperam não ponhais nelas o coração.”

Consideremos um outro relato – a história do rico louco. Ela se encontra em S. Lucas 12, começando com o verso 16: ”E lhes proferiu ainda uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico produziu com abundância. E arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos?”

E bem aí ele se perdeu. De quem eram esses frutos?

“E disse: Farei isto: Destruirei os meus celeiros, reconstruí-los-ei maiores e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens. Então direi à minha alma: Tens em depósito muitos bens para muitos anos: descansa, come e bebe, e regala-te. Mas Deus lhe disse: Louco.”

Tu és um homem louco. Esqueceste quem é Aquele que mantém o teu coração batendo. Esqueceste quem é Aquele que realmente possui os frutos e os rebanhos sobre mil montanhas e o ouro e a prata e todas as minas.

“Esta noite te pedirão a tua alma: e o que tens preparado, para quem será? Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus.” Versos 16 e 21.

Aqui você tem um contraste com a viúva pobre. Ela deu tudo que tinha – ele guardou tudo que tinha. Que diferença!

A natureza humana é esta: quanto mais dinheiro você tem, mais dinheiro você gasta. Nós construímos maiores celeiros. Celeiros? Bem, talvez não estejamos muito interessados em celeiros. Mas quão fácil é usarmos nossos recursos para maiores casas, melhores carros, férias mais dispendiosas – e esquecer da necessidade do pobre, negligenciar a obra do Senhor, esquecer quem é que nos dá o poder para termos riquezas.

Uma outra lição de como Jesus tratou a viúva pobre é que o mais pobre, o mais humilde, e não notado – pelos padrões mundanos – ainda é de grande valor aos olhos de Jesus. Pelos padrões e avaliações de Seus dias, as mulheres eram cidadãs de segunda classe. Uma mulher que tinha perdido a companhia de seu esposo tinha perdido mais do que apenas isso – tinha perdido seu status na sociedade. E uma mulher que era viúva e pobre estava entre as mais baixas de todas.

As pessoas dos dias de Cristo avaliavam a espiritualidade pela riqueza e bens materiais. Até mesmo os discípulos de Cristo, quando Jesus lhes contou quão difícil era para um homem rico entrar no reino dos Céus, perguntaram: “Quem então pode ser salvo?” Veja S. Mateus 19:23-25.

Era comumente aceito que quanto mais rico você fosse, mais alto você estaria aos olhos do Céu e aos olhos dos homens.

Nessa história, porém, vemos que a base é nivelada aos pés da cruz. Essa viúva, em sua pobreza e humildade, estava apta a dar mais do que todos os demais, mais do que todos os ricos e os honrados e os notados.

Isto era verdade não apenas na porcentagem que ela deu, mas também nos resultados de sua dádiva. Por causa do elogio de Jesus a sua pequena oferta, outros têm sido encorajados a trazer o pouco que eles têm, o que de outra maneira eles poderiam ter considerado muito pequeno para ser aceito. E enquanto as ofertas dos ricos fariseus há muito tempo já foram esquecidas, as duas moedas dessa viúva têm sido o inicio de uma corrente de pequenas dádivas espalhando-se até o dia de hoje.

Ela deu porque amava, e isso é o que fez a diferença. E o amor de Jesus que faz todas as nossas dádivas, grandes ou pequenas, de valor aos olhos do Céu.

Nossa dádiva deve ser uma resposta, uma reflexão, do dom de Jesus. “Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, Se fez pobre por amor de vós, para que pela Sua pobreza vos tornásseis ricos.” II Coríntios 8:9.

Quão gratos podemos ser pelas riquezas que são nossas em Cristo Jesus. E quão gratos podemos ser pela maneira como Ele tratou a viúva pobre dando-lhe riquezas eternas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

COMO  JESUS  TRATOU  OS  PUBLICANOS  E  COLETORES  DE  IMPOSTOS

 

Em S. Lucas 19 encontra-se a história de Zaqueu, que era um homem pequeno – sim, ele era um homem pequeno. Sua história é intrigante. Tem todo o drama da vida real. Tem um lado cômico. E tem um convite profundamente espiritual para um verdadeiro seguidor de Deus.

“Entrando em Jericó, atravessava Jesus a cidade.

“Eis que um homem, chamado Zaqueu, maioral dos publicanos, e rico, procurava ver quem era Jesus, mas não podia, por causa da multidão, por ser ele de pequena estatura.

“Então correndo adiante, subiu a um sicômoro a fim de vê-Lo, porque por ali havia de passar.

“Quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, pois me convém ficar hoje em tua casa.

“Ele desceu a toda a pressa e O recebeu com alegria.

“Todos os que viram isto murmuravam, dizendo que Ele se hospedara com homem pecador.

“Entrementes, Zaqueu se levantou e disse ao Senhor: Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais.

“Então Jesus lhe disse: Hoje houve salvação nesta casa, pois que também este é filho de Abraão.

“Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o perdido.” S. Lucas 19:1-10.

Jericó era uma cidade interessante. Ela tem captado a imaginação de muitos meninos e meninas como o local da batalha de Jericó no tempo de Josué, quando os muros caíram. A maldição sobre Jericó naquele tempo resultou em que a velha cidade nunca chegou a ser reconstruída. Porém mais tarde uma outra cidade foi construída, uma cidade moderna, que foi o lar de Zaqueu nos dias de Jesus.

Jericó era uma bela cidade, mas era conhecida por seus publicanos e coletores de impostos. Ali, um judeu podia tomar-se um traidor de seu próprio povo, entregar-se aos romanos e então viver uma boa vida. Ali, um homem podia tornar-se rico, porque recebia uma porcentagem de sua arrecadação. E se sua arrecadação fosse grande, assim seria sua comissão. Zaqueu era não apenas um publicano, ele era chefe entre os publicanos. Ele era o diretor do Serviço de Renda Interna, uma espécie de Secretário da Fazenda para a área de Jericó.

Mas ele era pequeno. A despeito de sua pequena estatura, ele havia alcançado a posição em que podia caminhar pelas ruas da cidade de Jericó e fazer as pessoas tremerem por causa de seu poder e seu trabalho e autoridade. Ele dificilmente pareceria um pequeno candidato para o reino dos Céus, pelo menos em nosso padrão. Mas ele tinha ouvido falar de Jesus. O Espírito Santo já estava operando em seu coração, e Zaqueu queria desesperadamente ver a Jesus.

O relato diz que ele queria ver quem Ele era – quem Ele era. Isso não diz que ele queria ver o que Ele fazia ou ouvir o que Ele dizia. Ele queria ver quem. Ele era. Ele queria ir ao âmago da questão. É uma coisa saber algo sobre o que Jesus fazia e o que Ele dizia. E outra coisa saber quem Ele era. A verdade é que muito do que Jesus disse já tinha sido dito na literatura rabínica. E houve milagres nos dias de Elias e Eliseu e os outros profetas. Natanael e Filipe, dois dos discípulos de Jesus, tinham considerado Jesus como algo mais do que o filho de José de Nazaré. Ele era o Filho do Deus do Céu. E isso fez toda a diferença no mundo.

Isso ainda faz hoje, não é? Abraão Lincoln fez muitas coisas boas. Nós podemos aprender muito dos dizeres de Confúcio ou outros homens sábios. Líderes religiosos de todos os tempos têm falado sobre Deus. Mas o que deu tal força às palavras e ações de Jesus era quem Ele era. Zaqueu, por pequeno que fosse, parecia compreender isso, e queria ver por si mesmo quem Jesus era.

Mas ele não podia ver Jesus por causa da multidão. Isso acontecia freqüentemente nós dias de Cristo. Em S. Marcos, no segundo capítulo, notamos a história do paralítico que queria ser curado e ter seus pecados perdoados. Ele não podia ir até Jesus por causa da multidão – por causa da enorme multidão. E eles finalmente tiveram que fazer um furo no telhado para deixar que descesse à presença de Jesus. No capítulo 5 de S. Marcos está a história da mulher enferma que queria apenas tocar a orla de Sua veste, mas quase perdeu até isso, por causa da enorme multidão de pessoas. No capítulo 8 de S. Lucas, até mesmo a própria mãe e irmãos de Jesus estiveram ansiosos por vê-Lo, mas não puderam chegar por causa da multidão.

Isso ainda pode acontecer hoje, não pode? E possível estarmos tão ocupados, estarmos tão pressionados em vários aspectos com as necessidades de outras pessoas, até mesmo em fazer a obra do Senhor, que esquecemos o Senhor da obra. E possível até mesmo na igreja não vermos o Senhor por causa da multidão.

E assim você vê esse homem, Zaqueu, que normalmente caminhava com grande dignidade pelas ruas de Jericó, subitamente correndo em desespero até a árvore mais próxima. Obviamente, na busca por Deus ele tinha se esquecido de si mesmo em grande medida. Sua necessidade era tão grande que, buscando auxílio, ele perdeu sua inibição usual.

Isso tem acontecido freqüentemente. Eu me lembro de ter ouvido sobre um terremoto na Califórnia vários anos atrás. Durante a ocorrência do terremoto um homem estava tentando confortar seus desesperados vizinhos. Ele estava na cerca em frente da casa, dizendo às mulheres e crianças que não deveriam gritar assim – tudo ia ficar bem.

Então ele descobriu que tudo que tinha em si era um par de sapatos. Ele correu de volta à sua casa e viu que a porta da frente ainda estava fechada por dentro – e havia um furo na parede por onde havia saído. Ele havia esquecido toda sua inibição quando a vida estava em risco.

Zaqueu tinha uma motivação suprema. Jesus estava vindo à cidade. Ele tinha que ver Jesus. Tinha que ver quem Ele era. Se essa fosse a menor chance de que pudesse encontrar a solução para as noites de insônia, a culpa e o remorso, de jeito nenhum perderia essa chance. Assim, ele acaba no topo de uma árvore olhando para o lugar por onde Jesus passaria.

Quando Jesus parou debaixo da árvore, olhou para cima e deu a Zaqueu a surpresa de sua vida. Ele não apenas o viu lá em cima nos galhos, mas o chamou pelo nome: “Zaqueu, desce depressa.” Verso 5.

Agora essa poderia ter sido uma situação embaraçosa. Conheço um pouco sobre isso por experiência pessoal. Quando estávamos morando em Grand Junction, Colorado, vários anos atrás, aconteceu um rodeio na cidade. Nosso menino – com dez ou doze anos de idade naquela época – ficou eufórico. Ele queria ver o rodeio.

Em Grand Junction, Colorado, o rodeio é um tipo de festa com venda de bolos e lanches – sabe, o maior acontecimento de uma cidade pequena no ano. Todos estavam indo ao rodeio, inclusive muitos dos meus membros de igreja. Entretanto, eu não tinha certeza de que todos os meus membros de igreja gostariam que o pastor deles fosse. Mas o meu garoto queria ir ao rodeio. Assim, finalmente decidimos ir juntos ao local do rodeio e subir numa das árvores próximas à cerca e assistirmos dali.

Eu não esperava ver outros membros da igreja lá nas árvores! Mas para minha surpresa, tão logo estávamos instalados, onde poderíamos ter uma visão do rodeio, alguns jovens na árvore próxima nos reconheceram e disseram: “O quê! Pastor Venden!”

Eu havia perdido a inibição em meu interesse pelo meu filho e seu desejo de ver o rodeio. Mas subitamente tive minha inibição de volta outra vez e achei isso muito embaraçoso.

Zaqueu estava tão envolvido em ver Jesus e quem Ele era que, aparentemente, ele nem mesmo se sentiu envergonhado em ser descoberto ali com a rua superlotada. Apesar da multidão estar olhando, a Bíblia diz que ele respondeu alegremente, apressou-se e desceu. A grande oportunidade de sua vida havia chegado.

Ele desceu com toda pressa. Isaías disse no capítulo 57, verso 15: “Eu habito com o contrito e abatido de espírito.” Jesus disse: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos Céus.” S. Mateus 5:3.

Zaqueu estava em cima de uma árvore por mais de uma razão. Ele estava lá não apenas fisicamente, mas espiritualmente. E Jesus convidou-o a descer e prostrar-se aos pés da cruz, reconhecendo sua grande necessidade.

Zaqueu desceu. A árvore não lhe pertencia. Ela pertencia a uma outra Pessoa, e Ele foi pregado na árvore não muito depois.

Zaqueu recebeu Jesus alegremente. E quando isso aconteceu, a multidão começou a murmurar e reclamar. Eles disseram que Jesus tinha ido para ser companheiro de um homem que era pecador. Por que Ele tinha que escolher esse miserável como companheiro de refeição? Não havia ali pessoas respeitáveis e influentes na cidade de Jericó para a casa de quem Jesus poderia ter ido?

A multidão reclamou sobre a mesma coisa outra vez, quando disseram: “Este recebe pecadores e come com eles. ” S. Lucas 15:2. Mas isto é uma boa nova. Isto é o evangelho em uma frase. Se não fosse pelo fato de que Jesus recebe pecadores e come com eles, não haveria esperança para você ou para mim hoje. Não está você alegre que Ele esteja desejoso em ser companheiro de pessoas pecadoras?

Bem aqui vem uma estranha alteração na história – algo que tem freqüentemente incomodado alguns de nós. Zaqueu evidentemente começou a bater seus próprios tambores morais. Ele “se levantou e disse: Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais”. S. Lucas 19:8. O que estava ele fazendo? Bem, alguém poderia dizer que ele estava tentando ganhar sua salvação. Mas note a resposta de Jesus. Jesus disse: “Hoje houve salvação nesta casa.” Verso 9.

Zaqueu não teve que esperar até que ele houvesse coberto seus rastros e dado 50%, e restaurado 400%. Não, salvação não estava nisso. Salvação veio no dia em que ele recebeu Jesus em sua casa e no coração. Só quando Cristo é recebido como um Salvador pessoal é que a salvação vem à alma.

E o desejo da parte de Zaqueu em restaurar e dar àqueles em necessidade era uma indicação de que ele já havia aceitado essa salvação – isso não era um passo para receber salvação. Há alguma diferença ai? Isso era o resultado da salvação, não a causa. Naquele dia – o dia em que Zaqueu aceitou Jesus – a salvação veio a sua casa.

Mas o que dizer sobre o próximo dia? Há uma outra frase-chave nessa história. Jesus disse: ”Hoje Eu devo habitar em tua casa.” Veja o verso 5. Uma vez que você tenha aceitado a salvação, uma vez que você desça de seus galhos, uma vez que você deixe que Jesus seja Aquele a ser levantado, você ainda deve ouvir outra vez, cada dia aquelas palavras familiares: Desce depressa hoje – desce depressa amanhã – desce depressa cada dia, descendo e deixando Jesus habitar em sua casa.

Não é suficiente aceitá-Lo apenas uma vez. Não importa quão grande seja a sua necessidade. Jesus quer habitar conosco – permanecer conosco. Em Apocalipse 3:20 Ele diz: “Eis que estou à porta, e bato: se alguém ouvir a Minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo.” Jesus está ainda dizendo: Hoje Eu quero habitar em sua casa, em seu coração, em sua vida.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

COMO  JESUS  TRATOU  OS  GENTIOS

 

Um médico judeu em Los Angeles estava na equipe de um hospital pertencente a uma denominação protestante. Uma vez ele contou de suas experiências, sendo um “de fora” e se tornando um “de dentro”. Ele disse que estava quase pronto a graduar-se em sua especialidade em Medicina, e uma parte do exame final era ir ao quarto de uma paciente que ele nunca vira antes e sair em minutos com um diagnóstico. Os pacientes haviam sido bem orientados a não revelarem suas doenças.

Assim, esse médico judeu foi ao quarto designado e ali havia uma mulher na cama. Ele pensou que poderia muito bem arriscar-se. Assim, ele disse:

– O que você tem?

– Você é o médico, descubra – disse ela.

Assim, ele começou seu exame. Após alguns momentos, ele pediu a ela que se virasse de bruços, e ela virou alguns centímetros.

– Desculpe-me, eu gostaria que a senhora virasse de bruços – disse ele. E ela virou mais um pouquinho. Nesse momento ele expressou algumas palavras em hebraico, não imaginando que sua paciente também fosse judia. Ela olhou para ele e perguntou:

– Você é judeu?

– Sim – disse ele.

– Eu tenho diabetes! – disse ela.

E ele me disse que nunca tinha se sentido tão “por dentro” em sua vida!

Se você está falando sobre prática médica, sobre a igreja, ou sobre o mundo em geral, é possível ser um “de dentro” – ou um “de fora”. Na verdade, se exercitássemos a nossa mente um pouquinho, provavelmente veríamos que é possível ser um “de dentro”, mesmo que você esteja por fora, ou ser um de fora quando você está por dentro! Com isso em mente, é intrigante notarmos como Jesus tratava “os de fora” em Seus dias, para descobrirmos quem realmente são os “de dentro”.

“E o servo de um centurião, a quem este muito estimava, estava doente, quase à morte.

“Tendo ouvido falar a respeito de Jesus, enviou-Lhe alguns anciãos dos judeus, pedindo-Lhe que viesse curar o seu servo.

“Estes, chegando-se a Jesus, com instância Lhe suplicaram, dizendo: Ele é digno de que lhe faças isto; porque é amigo do nosso povo, e ele mesmo nos edificou a sinagoga.

“Então Jesus foi com eles. E já perto da casa, o centurião enviou-Lhe amigos para Lhe dizer: Senhor, não Te incomodes, porque não sou digno de que entres em minha casa.

“Por isso eu mesmo não me julguei digno de ir ter contigo: porém manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado.

“Porque também eu sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados às minhas ordens, e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu servo: Faze isto, e ele o faz; “Ouvidas estas palavras, admirou-Se Jesus dele e, voltando-Se para o povo que O acompanhava, disse: Afirmo-vos que nem mesmo em Israel achei fé como esta.

“E, voltando para casa os que foram enviados, encontraram curado o servo.” S. Lucas 7:2-10.

Jesus admirou-Se diante da fé desse centurião Os evangelhos mencionam duas ocasiões específicas em que Jesus Se admirou – ou maravilhou-Se – e por razões opostas. Aqui Ele maravilhou-Se diante da fé de um “de fora”. No outro caso, Ele admirou-Se pela falta de fé dos “de dentro” – as pessoas religiosas de Seus dias.

Suponho que você já tenha ouvido sobre as dez maravilhas do mundo. A última vez que eu conferi havia cerca de 280 delas! Mas vamos considerar sete maravilhas desta história, sete coisas que nós poderíamos admirar ou das quais nos maravilharmos, ao considerar esta experiência.

A primeira se refere ao centurião que enviou palavras a Jesus sobre seu servo que estava doente. Não é admirável que um gentio – considerado um cão pelas pessoas religiosas daqueles dias tivesse até mesmo a coragem de fazer o que ele fez? Os gentios eram “de fora”. Eles não eram nem mesmo considerados como dignos do cuidado, da bênção, ou de salvação de Deus. Assim, ele deve ter possuído um grau de fé verdadeiramente maravilhoso até mesmo para tentar violar o sistema judaico.

Não apenas era ele um gentio; ele era um romano. Os romanos no tempo de Cristo eram o tipo de pessoa que pararia você na rua se estivesse frio e insistiria que você lhe entregasse seu casaco. Se um romano tivesse uma pesada bagagem para carregar, ele forçaria algum judeu a carregá-la para ele. Os soldados romanos não eram conhecidos por sua bondade, cortesia, ou virtudes. E esse homem não apenas era um soldado romano, ele era um centurião, chefe responsável por uma centena de homens do exército romano. Que difícil candidato para ser alguém de grande fé.

A segunda coisa da qual podemos nos admirar nesta história é o fato de que esse centurião era um cristão. Evidentemente sua fé veio de uma experiência pessoal com Deus e ele sabia alguma coisa sobre Deus mesmo antes de ter-se encontrado com Jesus. Na verdade, ele sabia o suficiente sobre Deus para reconhecer Jesus como Deus. Até mesmo judeus daqueles dias não fizeram isso. Eles estavam tão ocupados sendo bons externamente, que não tinham tempo algum para saber quem era aquele Galileu. Mas o centurião sabia.

Ele disse: “Eu tenho autoridade.” E continuou a descrever os limites da autoridade que tinha. Mas ele se viu apenas como um reflexo na presença dAquele que tinha todo o poder no Céu e na Terra. Ele reconheceu em Jesus Aquele que tinha autoridade; sua fé aceitou Jesus como Alguém enviado de Deus. Aparentemente, ele não tinha dúvidas sobre isso, e todas as pessoas religiosas de seus dias podiam ter-se unido a ele, se assim tivessem escolhido.

A terceira coisa que eu gostaria de convidar você para surpreender-se, com relação a esse centurião, é que ele não pediu sinais. As pessoas naqueles dias estavam sempre pedindo sinais. “Mostra-nos um sinal, e então nós creremos.” Jesus contou-lhes uma vez: ”Vocês não creriam mesmo que um fosse ressuscitado.”

Mais tarde Ele provou Sua declaração, ressuscitando Lázaro da morte, e não apenas não creram, mas planejaram matar tanto Jesus como Lázaro – aquele que Ele havia ressuscitado da morte. O sinal não fez diferença.

Aos nobres judeus, que vieram a Jesus, Ele disse: “Se porventura não virdes sinais e prodígios, de modo nenhum crereis.” S. João 4:48. Quão fácil é basearmos nossa fé em Deus no fato de recebermos ou não as respostas pelas quais pedimos. Jesus viu no coração do nobre judeu uma fé condicional que não creria a menos que sinais e prodígios fossem produzidos. Mas isso não ocorria com o centurião romano. Ele aceitou Jesus pelo que Ele era antes dos sinais e prodígios.

Uma quarta razão por que deveríamos nos maravilhar com essa história é por causa da condição do servo. Ele era um homem mortal. O pedido do centurião era mais do que pedir que Jesus curasse um resfriado comum. Esse homem estava com um grave problema. Ele estava em seu leito de morte. Ainda assim o centurião estava desejando pedir algo que parecia o impossível. Ele cria que o Criador do Universo podia falar uma palavra e seu servo seria curado.

Está você disposto a pedir a Deus alguma grande coisa? Ou você tem medo de que se pedir alguma coisa grande isso não aconteça? Você tem apenas suficiente fé para trazer a Deus pequenos pedidos? Ou você, como esse centurião, traz a Deus os pedidos impossíveis?

Uma quinta coisa com a qual devemos nos maravilhar é o fato de que a fé desse centurião foi tão grande a ponto de dizer a Jesus que apenas proferisse a palavra. Imagine ir a um médico hoje em favor de um ente querido com sério problema de saúde. Você preferiria que ele examinasse seu ente querido pessoalmente, ou você estaria disposto a dizer: “Apenas fale uma palavra, conte-nos qual o remédio que curará a doença e isso será suficiente”?

A esse homem foi dada a escolha de ter o Grande Médico, fazendo uma consulta domiciliar ou não. E ele recusou-a dizendo: “Isso não será necessário. Apenas fale uma palavra. ” Isso requer muita fé, não é?

Exatamente aqui podemos ver a lição espiritual nessa história. Ao olharmos para a cura física, não percamos a mais profunda lição. Todos nós sabemos que não são todas as pessoas que oram e pedem uma cura física que são curadas de seus problemas hoje. Até mesmo os mais fervorosos sofrem e morrem neste mundo de pecados.

Mas isto é um princípio universal e permanente, que Deus é responsável pelo perdão do pecado, e não há outra condição, exceto irmos a Ele e pedirmos. Em Sua sabedoria, Deus tem um plano que não inclui curar cada um de seus males físicos. Do contrário, Ele teria há muito tempo atrás desenvolvido um mundo cheio de “uma linhagem cristã” – pessoas que serviriam a Ele apenas por aquilo que pudessem receber dEle. Deus quer um povo que seja fiel até a morte, para testemunhar diante do Universo que eles ainda O amarão, confiarão nEle, não importa o que aconteça.

Mas, quando se trata do perdão dos pecados, Ele perdoa todos os nossos pecados, e ainda faz mais. Ele cura todas as nossas doenças espirituais também. Nós vamos ao Grande Médico para receber mais do que perdão. Vamos a Ele para ficarmos bem. E é Seu plano que nós nos levantemos para caminhar em novidade de vida. Vitória, obediência e sucesso, não meramente perdão – estão disponíveis a cada um que vem a Ele.

É Seu desejo para cada um de nós que não apenas encontremos perdão para nossos pecados quando os confessamos a Ele, mas que também sejamos lavados de toda injustiça. Esta é a Sua palavra e, à medida que aceitamos Sua palavra pela fé, encontramos seu cumprimento na mesma hora.

Uma sexta razão para nos maravilharmos com o centurião é por causa de sua humildade. Os líderes judeus que vieram com seu pedido disseram a Jesus: ele é digno. Ele é digno. Se você está procurando alguém que seja digno, a quem você quer dar seus bons presentes, temos alguém para você. Ele construiu para nós uma sinagoga. Ele merece uma bênção extra por isso.

O centurião, entretanto, enviou o recado: “Eu não sou digno. Eu não sou digno nem mesmo que venhas sob meu telhado. Manda com uma palavra apenas e meu servo será curado.”

Há uma grande diferença entre ser digno de receber alguma coisa e ser digno. Nós freqüentemente sentimos que não somos dignos de nada. Este é um dos grandes problemas do mundo de hoje. Muitas pessoas se sentem indignas. Jesus na cruz provou que nós merecemos todas as coisas. Mas isto não nos faz dignos por nossos próprios méritos.

Quando o centurião disse: “Não sou digno”, ele estava dando a evidência da fé genuína. Fé genuína é confiar em outro, e quando nós confiamos em outro, admitimos que necessitamos de outro. Admitir que necessitamos de Jesus dia a dia é uma experiência de humildade. Mas apenas a pessoa que se curva o suficiente aos pés da cruz é quem pode experimentar as bênçãos da cruz.

Eu gostaria de me unir ao centurião hoje e dizer: ”Senhor, eu não sou digno do menor dos Seus favores, mas Jesus deixou o Céu por mim.” E Jesus provou que nós somos merecedores do Universo todo desde que seja através dEle.

A sétima razão para nos maravilharmos com o centurião, hoje, é que embora ele fosse um “de fora” – um gentio aos olhos dos líderes judeus – ele havia sido transformado por Deus para ter real cuidado por seu servo, por alguém mais. Ele disse: “Por favor o Senhor poderia vir e curá-lo porque ele é muito estimado por mim.” Pode você ouvir um oficial do exército dizer isto?

Você tem alguém que lhe é caro? Você pode ir a Jesus, hoje e dizer: “Por favor, o Senhor pode fazer alguma coisa por essa pessoa? Ele é estimado por mim – ela é estimada por mim.” É isto que faz alguém realmente “de dentro”, membro da comunidade cristã – quando você tem a compaixão e o espírito de Jesus e está mais preocupado com as pessoas do que com qualquer outra coisa.

Pode você ver em sua imaginação a conclusão dessa história? Quando Jesus ouviu sobre o servo do centurião, Ele disse sem hesitação: “Eu irei e o curarei.”

Séculos já passaram e estamos vivendo às portas da eternidade. Posso ver Jesus hoje – Jesus que está à destra do Pai, Jesus que tem todo o poder no Céu e na Terra. Ele olha para o mundo em problemas, um mundo cheio de dor, morte e lágrimas. E posso ouvi-Lo dizer outra vez: “Eu irei. Eu irei e os curarei.”

Chegará um dia, muito em breve, quando Ele virá e curará todos os Seus servos que são estimados por Ele. A controvérsia estará terminada. A questão do amor e justiça de Deus será para sempre reivindicada. E Jesus fará o que Ele tem desejado fazer desde o início. Ele curará todos nós – todos nós que temos aceitado Seu amor. O próprio Deus virá para habitar conosco e enxugará todas as lágrimas.

Que belo quadro! Que bela esperança! Que belo amor Deus tem por nós!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

COMO  JESUS  TRATOU  AS  MULHERES

 

Ainda não vimos mulheres trabalhando com britadeiras, mas as mulheres agora são motoristas de caminhão, atendentes de postos de gasolina e policiais. E algumas pessoas têm feito grandes discussões e reconsideração sobre o papel das mulheres na igreja. Se o direito das mulheres tem mérito em outras áreas, por que não temos mulheres no pastorado ou ancianato da igreja?

Para aqueles que levantam tais questões e, quem sabe, também para os outros, o assunto de como Jesus tratava as mulheres é muito interessante. Isso deveria ser do interesse de pelo menos 50% dos leitores deste livro – embora eu não tenha certeza de qual dos 50%.

Em anos recentes, mais de um autor têm descrito Jesus como um defensor das mulheres. É isso verdade, de acordo com o relato dos quatro Evangelhos? Se Ele era, realmente, um defensor das mulheres, em que sentido e como Ele atuava como tal?

Se considerarmos os aspectos culturais e sociais dos dias de Cristo, notaremos que os líderes da igreja – os rabinos – eram qualquer coisa, menos defensores dos direitos das mulheres. De fato, uma oração originada da literatura dos rabinos, que pode ter sido usada inclusive naquela época, diz alguma coisa assim:

“Bendito és Tu, ó Senhor nosso Deus, Rei do Universo, que não me fizeste um gentio. Bendito és Tu, ó Senhor nosso Deus, Rei do Universo, que não me fizeste um escravo. Bendito és Tu, ó Senhor nosso Deus, Rei do Universo, que não me fizeste uma mulher.”

A oração mudou em anos recentes – alterada um pouquinho – mas esse era o tipo de coisas que eles diziam e pensavam nos dias de Cristo. Uma outra expressão na literatura rabínica diz: “Feliz é aquele cujos filhos são homens, infeliz ou desgraçado é aquele cujos filhos são mulheres.”

Agora, por favor – essas não são minhas palavras! Estou apenas tentando dar uma pequena noção dos dias de Cristo. Certamente, não era comum naqueles dias ser defensor dos direitos femininos.

Em primeiro lugar vamos considerar brevemente os ensinos de Jesus. Ele Se referia freqüentemente a mulheres em suas histórias e parábolas. Nós todos conhecemos bem a parábola da mulher que colocou fermento na massa do pão – uma história explicando o reino do Céu. Nós temos ouvido as parábolas da ovelha perdida, o filho perdido e a moeda perdida – uma moeda perdida por uma mulher e talvez parte de seu dote. Temos ouvido sobre as dez virgens em uma parábola que tem significado até o final dos tempos.

Jesus contou a história de uma pobre e persistente viúva, ilustrando a importância da persistência na oração. Jesus falou da mulher de Ló em uma ilustração, bem como a rainha de Sabá. E nós já notamos alguns detalhes de como Ele elogiou a viúva no templo que deu suas duas moedas.

Em S. Mateus 21, após a história dos dois filhos – apenas um dos quais realmente obedecia a seu pai – Jesus disse que até mesmo as prostitutas entrariam no reino do Céu antes dos líderes religiosos de Seus dias. Exatamente em Seu primeiro sermão em Nazaré, Ele fez referência à viúva de Sarepta nos dias de Elias. Quando falou aos Seus discípulos sobre a segunda vinda, Ele falou sobre duas mulheres trabalhando num moinho. Jesus falava freqüentemente de mulheres e Se referia a elas ao ilustrar Seus ensinos.

Agora, consideremos uns poucos exemplos no real relacionamento de Jesus com as mulheres. Um escritor analisou isso desta maneira:

“Em Seu relacionamento com as mulheres, a conduta de Jesus era tão marcante que somente se pode chamar isso de admirável. Ele tratava as mulheres como totalmente humanas, iguais aos homens em todos os aspectos. Nenhuma palavra de depreciação sobre as mulheres jamais se encontrou em seus lábios. Como o Salvador que Se identificava com os oprimidos e os deserdados, ele falava às mulheres e sobre as mulheres com completa liberdade e afabilidade.”

 

Ao considerarmos o relacionamento de Jesus com as mulheres, vamos em primeiro lugar observar Seu relacionamento com Sua própria mãe.

Quando estava com doze anos de idade, na ocasião de sua primeira viagem ao acampamento em Jerusalém, Ele ficou separado de Seus pais, e eles continuaram pelo caminho, não percebendo que Ele não estava com eles. Quando finalmente O encontraram outra vez, após O procurarem por três dias, eles O censuravam, e mesmo tendo doze anos, Ele disse: “Por que procuram por Mim? Vocês não sabem que Eu devo estar envolvido com os negócios, de Meu Pai?” Veja S. Lucas 2.

À primeira vista você pode ter a idéia de que Ele estava sendo insolente, talvez. Mas não. Porque o evangelho relata que Ele voltou com eles e lhes foi submisso pelos próximos 18 anos. Mas a nítida implicação aqui é que Jesus estava – talvez pela primeira vez – percebendo uma tensão e um conflito entre a lealdade familiar e a lealdade a Seu Pai no Céu.

A segunda referência ao relacionamento de Jesus com Sua mãe aparece na hist6ria do casamento em Caná. Eles precisavam de mais suco de uva, como você se lembra. A mãe de Jesus veio a Ele e contou-Lhe da necessidade deles e Jesus respondeu: “Mulher, que tenho Eu contigo?” Veja S. João 2.

Muitas pessoas têm pensado que isso foi um pouco rude. Mas um estudo das formas de comunicação verbal daqueles dias revelará que isso não era rude. Na verdade, isso poderia até mesmo ter sido uma resposta respeitosa. Entretanto, ainda há a sugestão de que, enquanto Jesus tinha respeito pela mãe, Ele tinha que observar cuidadosamente o equilíbrio entre isso e a obra que Seu Pai O havia enviado para fazer.

A terceira referência ocorre em Cafarnaum, onde a mãe e os irmãos de Jesus tentaram vê-Lo, mas não puderam – a multidão era muito grande. Em vez de interromper Seus ensinos, Ele disse: “Quem faz a vontade de Deus é irmão, irmã ou mãe. ” Outra vez Ele enfatiza que o serviço de Deus não pode tomar o segundo lugar – até mesmo quanto ao relacionamento familiar. E Sua própria mãe, bendita que era entre as mulheres, não poderia entrar no reino do Céu simplesmente porque era Sua mãe. Ela precisaria ter seu próprio relacionamento com Deus.

A quarta referência ao relacionamento de Jesus com Sua mãe, ocorre na cruz, quando Ele olhou para baixo e a viu ali com João – João, aquele que estava sempre ali. E Ele disse: “Mulher, eis aí, o teu filho!” e para João: ”Eis aí tua mãe.” S. João 19:26 e 27. Assim Ele revelou uma terna consideração por Sua mãe até o fim.

Agora, uma outra área do relacionamento de Jesus com as mulheres, tinha que ver com as mulheres que eram Suas seguidoras.

“Aconteceu depois disto que andava Jesus de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus, e os doze iam com Ele, e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; e Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, Suzana e muitas outras, as quais Lhe prestavam assistência com os seus bens. ” S. Lucas 8:1-3.

Os seguidores de Jesus consistiam em 12 apóstolos e um grupo de mulheres da Galiléia. Por que elas O seguiam? Vieram por convite? Jesus disse uma vez aos Seus apóstolos: “Não fostes vós que Me escolhestes a Mim; pelo contrário, Eu vos escolhi a vós outros.” S. João 15:16. Isso bem poderia indicar que Jesus também tivesse escolhido essas mulheres.

O que elas faziam? Elas O acompanhavam. E você pode bem especular o problema que isso pode ter criado, quando eles vinham a uma cidade procurando alojamento. Elas O mantinham. Há evidência de que algumas dessas mulheres eram ricas. Elas O acompanharam até o próprio fim; quando os doze discípulos fugiram, tentando salvar a própria vida, as mulheres permaneceram ali. Elas foram as primeiras a receber a mensagem da ressurreição.

Um outro exemplo do relacionamento de Jesus com as mulheres é Sua amizade com Maria e Marta. Você conhece a história. Ela se encontra em S. Lucas 10. Aí diz que Maria assentou-se aos pés de Jesus. O que isso significa? Nos dias de Cristo, eram os estudantes que se assentavam aos pés dos professores. Na verdade, Marta chamou a Jesus “o Mestre” em S. João 11, quando ela falou a Maria dizendo: “O Mestre está aqui. ” Não se ouvia nos dias de Cristo que um rabino ensinasse uma mulher. Na verdade os rabinos diziam que era melhor ensinar um samaritano do que uma mulher, e você sabe como eles se sentiam em relação aos samaritanos!

Entretanto Maria se assentou aos pés de Jesus, e dos lábios de sua irmã Marta veio uma das maiores afirmações sobre Jesus e quem Ele era. Isso foi quando Lázaro faleceu, e Jesus tinha justamente chegado a Betânia. “Eu creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus que devia vir ao mundo.” Veja S. João 11.:27. Como poderia você pedir uma fé maior do que esta?

Uma outra situação ilustra o relacionamento de Jesus com as mulheres, ocorrida quando Ele foi ungido. Todos os quatro evangelhos relatam que isso aconteceu no banquete na casa de Simão. O que ocorreu ali teria sido horrível para todos os judeus daqueles dias – Jesus permitiu que uma mulher O tocasse. Ele permitiu que uma mulher cujo cabelo estava solto O tocasse. (Naqueles dias, soltar o cabelo era alguma coisa que apenas as mulheres da rua faziam.) Não apenas isso, mas Jesus disse, relatando isso para todas as gerações, que ela havia feito uma bela coisa.

Então você tem Jesus e a mulher samaritana. Nos dias de Cristo, eles tinham uma regra que dizia: “Um homem não ficará sozinho com uma mulher em um cômodo nem mesmo com sua irmã ou sua filha, por causa do que os homens possam pensar. Um homem não falará com uma mulher na rua, nem mesmo com sua própria esposa, e especialmente com qualquer outra mulher, por causa do que os homens possam pensar.” Você fica questionando sobre que tipo de homens existiam naqueles dias! Mas Jesus falou com a mulher junto ao poço, sem constrangimento, quebrando o costume de todos os judeus.

A experiência de Jesus e a mulher adúltera que foi arrastada até Ele, também é relatada. Ele ergueu-Se por ela, na presença daqueles que estavam desejosos de condená-la. O quê! as experiências de Jesus em relação às mulheres, parecem não ter fim!

O que dizer de Jesus curando mulheres? Ele curou a sogra de Pedro – e no sábado. Ele transgrediu duas regras ao mesmo tempo, pois não somente a curou num dia de sábado, mas Ele a tocou – segurou-lhe a mão.

Um outro episódio está relatado em S. Lucas 13:10-17 – a mulher que havia sido afligida por 18 anos. Outra vez, Ele a curou no dia de sábado e Jesus colocou as mãos sobre ela publicamente um absoluto não-não entre o povo judeu.

Também está relatada a história do filho da viúva da vila de Naim, que foi ressuscitado. Jesus interrompeu o funeral e trouxe alegria a um coração cheio de dor. Quando a filha de Jairo foi ressuscitada Jesus outra vez quebrou todos os costumes judaicos, tocando a garota que estava morta e trazendo-a de volta à vida. Em Seu caminho para aquele compromisso, uma mulher na multidão esforçou-se para tocar a orla de Sua túnica. Jesus parou e perguntou: “Quem Me tocou?” Ele chamou essa mulher de seu lugar escondido e apresentou como uma mulher digna de cura. Ele reconheceu sua fé e determinação. Ele tratou-a como uma pessoa em seu próprio direito.

Uma última experiência de Jesus e Seu relacionamento com as mulheres aconteceu no caminho do Calvário. As mulheres estavam chorando. Elas talvez não houvessem tido muito contato com Jesus antes, mas seu coração foi tocado com Seu sofrimento. Nós deveríamos ter mais homens como essas mulheres! Homens como Simão, o Cireneu, que não pôde ficar quieto quando viu um Homem sofrendo sob uma cruz. Mas as mulheres choraram e Jesus as percebeu.

 

Nenhuma ocorrência é relatada nos evangelhos de alguma mulher ter sido alguma vez hostil para com Jesus. Jesus associava-Se livremente com homens e mulheres e apresentava Sua mensagem para ambos. As mulheres eram tratadas como iguais em todos os aspectos. Ele escolheu mulheres, bem como homens, para ser Seus amigos especiais. Ele aceitava graciosamente sua afeição e honrava isso como algo belo. Ele nunca hesitou em ministrar às mulheres. Ele demonstrou que é possível associar-se com as mulheres em um elevado plano espiritual. Assim, por Sua própria aceitação delas, Ele pode verdadeiramente ser descrito como um defensor das mulheres.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

COMO  JESUS  TRATOU  OS  DESESPERANÇADOS

 

A cidade de Jerusalém foi destruída muitas vezes. Muitas cidades e vilas da Palestina não são mais como eram no tempo de Cristo. Ao longo dos anos as pessoas construíram novas cidades em cima das antigas.

Quando fiz uma excursão à Terra Santa, com algumas outras pessoas, alguns anos atrás, fomos visitar o Poço de Betesda. Ele está cerca de dois metros e meio abaixo da superfície da atual cidade, e você pode caminhar, descendo as escadas sinuosas até o nível do poço, onde ele estava nos dias de Jesus.

Quando você desce aos cinco pavilhões, uma outra escada desce ainda mais adiante na escuridão até a água do poço. Alguém do nosso grupo naquela hora desapareceu acidentalmente no poço, como se estivesse tentando encontrar outro caminho, em vez da escadaria escura para descer. Ele descobriu que as águas o agitaram em vez da água ser agitada!

Entretanto o poço de Betesda ainda está lá e nos permite imaginar como ele era nos dias de Jesus. A história do homem do poço de Betesda encontra-se em S. João capítulo 5:

“Passadas estas coisas, havia uma festa dos judeus, e Jesus subiu para Jerusalém.

“Ora, existe ali junto à porta das ovelhas, um tanque, chamado em hebraico Betesda, o qual tem cinco pavilhões.

“Nestes jazia uma multidão de enfermos, cegos, coxos, paralíticos [esperando que se movesse a água. Porquanto um anjo descia em certo tempo, agitando-a; e o primeiro que entrava no tanque, uma vez agitada a água, sarava de qualquer doença que tivesse].” Versos 1-4.

Esse era o local “milagroso” daquele tempo. Um centro de milagres onde as pessoas iam para encontrar saúde e cura – pelo menos assim pensavam eles.

“Estava ali um homem, enfermo havia trinta e oito anos.

“Jesus, vendo-o deitado e sabendo que estava assim, havia muito tempo, perguntou-lhe: Queres ser curado?

“Respondeu-Lhe o enfermo: Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque, quando a água é agitada; pois enquanto eu vou, desce outro antes de mim.

“Então lhe disse Jesus: Levanta-te, toma o teu leito e anda. Imediatamente o homem se viu curado e, tomando o leito, pôs-se a andar. E aquele dia era sábado.” S. João 5:5-9.

O restante do capítulo trata da seqüência ou resultado dessa história. Jesus foi levado diante de um tribunal e processado diante de uma corte terrena. Jesus, o Senhor do sábado, foi acusado de transgredir o sábado. Isso poderia ser engraçado, se não fosse tão trágico. Jesus – o Criador, Aquele que fez todas as coisas, aquele que mantinha os corações batendo nas pessoas que O estavam acusando. Sem dúvida, uma cena interessante.

Em seis diferentes ocasiões, Jesus foi acusado de transgredir o sábado. E ao estudar essas ocasiões você notará que Jesus sempre decidiu em favor das pessoas, enquanto os líderes religiosos decidiram em favor da lei.

Em S. Mateus 12:12 entretanto, Jesus disse: “É licito fazer bem aos sábados.” Assim Jesus “transgrediu” o sábado a fim de guardá-lo. E os líderes judeus, tentando guardá-lo, acabaram transgredindo-o. Quando Jesus decidia em favor das pessoas, Ele estava realmente decidindo também em favor da lei. As duas não se excluem mutuamente. É lícito fazer bem no dia de sábado.

Esta palavra – lícito – é muito interessante. O texto não diz: É bonito fazer bem no dia de sábado, ou é seu privilégio fazer o bem. Ele diz: é lícito fazer o bem. Em outras palavras, isto é o que a lei requer. Isso é como dirigir o carro em uma rodovia onde há uma placa que diz: “Velocidade mínima 60 km por hora.” Não apenas é permitido dirigir acima de 60 km por hora, mas você estará transgredindo a lei se dirigir mais devagar. Fazer o bem no dia de sábado é o que a lei requer. E Jesus veio revelar o verdadeiro propósito do sábado. Ele aparentemente lançou fora toda a precaução, deu um pulo gigante por cima de toda tradição e ritual, e mostrou tudo o que significava verdadeiramente guardar o sábado.

Nesse sábado particular, Jesus estivera caminhando através dos cinco pavilhões. As pessoas ali estavam em situações desesperadoras. Seus amigos ou familiares os haviam trazido ali como último recurso. Alguns tinham erigido rudes abrigos ao redor do poço; outros eram trazidos diariamente ao poço. Todos estavam esperando que a água se agitasse, para que pudessem tentar ser o primeiro a entrar no poço. Os doentes, cegos, coxos, paralíticos e desesperançados estavam em todo lugar – esperando.

Jesus caminhou sozinho e sem ser notado entre os sofredores. Isto foi no início de Seu ministério. Mais tarde, as pessoas em multidão O seguiriam e o povo palmilharia Suas pegadas. Porém, nenhuma multidão O seguia nesse dia para o poço, nenhuma mulher se apressou tentando tocar pelo menos a orla de Sua túnica.

Assim, Jesus caminhou pelos cinco pavilhões olhando para os doentes sofredores e desejando curá-los. Ele realmente queria curar a todos! Se estivesse lá e O reconhecesse e soubesse de Seu poder, eu teria gritado: ”Vai em frente Jesus! Cure todos eles!” Ele, entretanto, não podia fazer isso. Sua missão ainda incluía muitas coisas, e se Ele tivesse curado todos eles, isso teria interrompido Sua obra. Na verdade, por curar apenas um homem, Ele havia dado um grande passo em direção à cruz. Por essa razão Ele não curou todos os leprosos. Isto teria interferido em Sua missão maior – a salvação de toda a humanidade.

Eis a razão por que Deus não trouxe um fim ao pecado há muito tempo atrás. Essa é a razão por que Ele não cura a todos hoje – todos os doentes e enfermos nos hospitais e instituições de saúde. Deus, em Sua sabedoria, permite que o pecado evolua até suas últimas conseqüências, até que todos vejam o que ele realmente é. E quando finalmente chegar o fim do pecado, ninguém nunca mais o desejará.

Ao Jesus caminhar pelos cinco pavilhões, desejando curar a todos e talvez contemplando o dia quando o pecado estaria para sempre eliminado e todos estariam curados, Ele viu um caso mais desgraçado, e Sua compaixão extravasou.

Eis um homem doente por 38 anos. Seus amigos se foram. Sua família se foi. E seu único lar é ali no poço. Jesus pára, olha para ele, e pergunta o que pareceria uma questão tola:

– Queres ser curado?

– Desculpe-me! O que você pensa que eu estou fazendo aqui?

– Queres ser curado? – Evidentemente Ele queria que o homem desse uma resposta.

Bem, você sabe a resposta:

– Sim, é isso que eu estou aqui buscando. Mas não há ninguém aqui. Não tenho ninguém e não sou forte o suficiente para entrar no poço. Alguém sempre desce antes de mim. Isto é desesperador.

Jesus não perde tempo algum. Ele não desperdiça palavras. Ele olha para o homem e, com o poder que vem do Doador da Vida, o Criador, Aquele que fez o Universo – o poder que fez com que o pó se erguesse na Criação – Ele ordenou: “Levanta-te, toma o teu leito e anda.”

Agora, por favor, note aqui a intrigante seqüência. O relato é que (1) imediatamente o homem ficou curado, (2) tomou seu leito (3) e pôs-se a andar.

Quão fácil é nos colocarmos nesse quadro. Queremos justamente um pequeno crédito, uma pequena glória para nós mesmos. E dizemos: “Deus ajuda aqueles que se ajudam.” Queremos que os dons de Deus sejam dependentes de nossa obra de alguma maneira. Talvez você tenha ouvido pessoas dizerem que o que habilitou o homem a caminhar foi que ele colocou sua vontade, seu ânimo e sua determinação em fazer o que Jesus disse, e como pôs seu esforço nessa direção, ele foi curado e ficou apto a caminhar. Não foi assim. Jesus curou-o no momento. Primeiro ele foi curado e então se levantou, tomou o leito e andou. O caminhar e  carregar o leito foram resultados da cura, não a causa.

Você vê o homem caminhando – saltando saindo dali. O que o poço representa? O poço poderia representar alguma coisa que nós tentamos fazer para efetuar nossa salvação ou obter nossa vitória ou nossa justificação.

Talvez uns poucos, cuja doença estivesse apenas na mente, fossem aparentemente curados porque pensavam assim. Mas esse homem estava doente. Ele não tinha nem mesmo força ou energia para entrar no poço. Ele era um caso desesperador.

Está você na situação dele? Não percamos a lição espiritual dessa história. Qual é o seu poço, hoje? Está você tentando ganhar o seu caminho para o Céu – tentando ser suficientemente bom para fazê-lo? É esse o seu poço? Você nunca vai conseguir por si mesmo.

Você tem tentado obter a vitória sobre algum pecado em sua vida? Tem você estado sem paz? Está você a ponto de se desesperar? É esse o seu poço? E o que dizer dos membros da igreja que estão tentando fazer alguma coisa para fazer com que Cristo volte? Você já ouviu sobre isso? Você já ouviu os slogans e faixas que dizem: “Levantemos e terminemos a obra”? E então você ouve dizer que a população do mundo está crescendo mais rápido do que a pregação do evangelho, e está a ponto de perder a esperança. E esse o seu poço, hoje?

Temos todo o tipo de poços os quais tentamos alcançar. Talvez haja alguém hoje que tem tentado, por 38 anos ou mais, alcançar seu poço e ainda não conseguiu. Eu tenho boas novas para vocês! “Há uma fonte repleta de sangue extraído das veias de Emanuel; e os pecadores, mergulhados nessa fonte, perdem todas as marcas de suas culpas.” Há um manto para aqueles que estão nus, um manto tecido sem nenhum fio de origem humana. Ele é oferecido a você hoje como um presente. Esse é o manto do poder de Jesus em lugar de suas falhas.

Assim, poderia você, por favor, unir-se a mim hoje em um desses cinco pavilhões? Jesus está passando por eles. Ele Se inclina sobre você e pergunta: “Queres ser curado?” Exatamente aqui chegamos àquilo que algumas pessoas chamam de evangelho subjetivo. Elas dizem: “Não fale sobre ser curado. Sejamos objetivos. Não olhemos para nós mesmos.” Pode você imaginar Jesus Se inclinando sobre esse homem no poço, dizendo:

– Você gostaria de ser curado?

E o homem diz:

– Oh, isso é muito subjetivo. Apenas ponha alguma justiça a meu crédito no Céu. Isso será suficiente.

Podemos ser gratos pelo que Jesus fez na cruz, mas podemos ser igualmente gratos pelo que Ele quer fazer em cada vida hoje. Charles Spurgeon, o poderoso pregador de anos passados, colocou isso assim: “E agora meus queridos ouvintes, eu vos farei a pergunta: Quereis ser curados? Desejais ser salvos? Sabeis ó que é ser salvo? Oh, dizeis vós, isto é escapar do inferno. Não, não, não. Isto é o resultado de ser salvo. Ser salvo é uma coisa inteiramente diferente. Quereis ser salvos do poder do pecado? Desejais ser salvos de ser cobiçosos, mundanos, impuros, temperamentais, injustos, descrentes, dominadores, bêbados, ou profanos? Estais vós dispostos a abandonar o pecado que vos é precioso?

” ‘Não’, diz alguém, ‘honestamente não posso dizer que quero tudo isso.’ Então você não é a pessoa a quem eu estou falando hoje.

“Entretanto há alguém que diz: ‘Sim, eu anseio ser libertado do pecado. Eu desejo pela graça de Deus, hoje mesmo, me tornar cristão e ser salvo de meus pecados.’ Então, levante-se, tome seu leito e ande.”

Não aceitaria você o maior Amigo que poderia ter, o próprio Senhor Jesus que caminha entre os cinco pavilhões? Ele veio não para chamar os justos, mas os pecadores ao arrependimento. E Ele diz: “Olhai para Mim e sede salvos, vós, todos os termos da Terra.” Isaías 45:22. Ele estava disposto a correr o risco por você. Sua compaixão sempre contém o melhor dEle. E Ele lhe oferece hoje a cura espiritual que você tanto deseja.

 

 

 

 

 

 

 

COMO  JESUS  TRATOU  SEUS  DISCÍPULOS

 

Você já pensou alguma vez em morrer por Cristo? Estaria você disposto a isso? E se estivesse disposto, você estaria apto? Certamente aqueles que têm dado a vida por Cristo, têm recebido auxilio do alto.

Durante a Rebelião BOXER, bandidos raptaram um missionário na China, levando-o para seu refúgio nas montanhas, e tentaram forçá-lo a abandonar a fé. Ele se recusou a fazê-lo. Assim, eles lhe cortaram todos os dedos das mãos e dos pés. Então eles perguntaram: “Agora você vai abandonar sua fé?”

Ele disse: “Não.” Então eles lhe cortaram as mãos no punho e os pés nos tornozelos e gritaram insistindo para que ele renunciasse sua fé em Cristo. Ainda assim ele se recusou. Finalmente lhe cortaram os braços e pernas, e enquanto ele estava morrendo em seu próprio sangue, eles perguntaram: “E agora, você tem alguma coisa a dizer?”

Ele disse: “Sim, vocês podem fazer o favor de dizer ao meu filho que venha e tome o meu lugar na China?”

Bem, temos ouvido esse tipo de história de todas as terras e em todas as épocas. O sangue dos mártires tem fluido desde Abel até o tempo presente. E neste livro, que fala do modo como Jesus tratava as pessoas, seríamos negligentes se não considerássemos como Ele se relaciona com Seus seguidores – não apenas em companheirismo, mas também no sofrimento.

Cristo disse a Seus seguidores: “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. ” Apocalipse 2:10. O apóstolo Pedro aprendeu o valor do sofrimento. Houve um tempo em que ele recuou. Você pode recordar sua conversa com Jesus, quando o Mestre falou aos discípulos sobre Sua breve morte. Pedro disse: “Que isto esteja longe de Ti, Senhor.” E Jesus o repreendeu. Veja S. Mateus 16:21 a 23.

Entretanto, Pedro aprendeu a bênção do companheirismo no sofrimento e, em I S. Pedro 4:12 e 13, ele disse: “Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo; pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também na revelação de Sua glória vos alegreis exultando.”

Assim, não é estranho, quando os cristãos sofrem. Você encontra mensagem semelhante do apóstolo Paulo em Filipenses 1:29. “Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo, e não somente de crerdes nEle.”

É um privilégio, uma honra e uma dádiva – uma das maiores bênçãos que o Céu poderia outorgar – conhecer o companheirismo do sofrimento e ser fiel até a morte. É um mistério para a mente humana entender por que isso é verdade, mas companheirismo no sofrimento é o que Jesus oferece a todos os Seus seguidores de uma ou de outra maneira.

Por essa razão, focalizemos um dos mais íntimos seguidores de Jesus, de quem o próprio Jesus disse: “Ninguém é maior do que ele.” Seu nome era João, o Batista. Muitos têm questionado sobre sua morte.

João Batista era filho de um milagre, dedicado ao Senhor desde o nascimento. Ele viveu no deserto, vestindo roupas estranhas e comendo vagens de alfarroba (gafanhotos) e mel silvestre. Aprendeu a amar o deserto e os espaços abertos.

Quando iniciou seu ministério público, anunciando a vinda do Messias, não poupou nenhuma palavra. Ele até mesmo repreendeu o rei Herodes sobre seu casamento. A esposa de Herodes não gostou do que ele disse. Assim, ela convenceu o marido a lançá-lo na prisão.

A maioria das pessoas esperava que João fosse libertado em breve. Eles tinham certeza de que a consideração das pessoas e até mesmo do rei Herodes garantiriam a segurança de João. Porém, João Batista, esperou, esperou e esperou. O confinamento em masmorra pesava demais sobre ele, cuja vida havia sido gasta nas montanhas desérticas. As dúvidas começaram a atingir-lhe a mente. Ele chegou a ponto de duvidar de sua missão – duvidar da divindade de Cristo.

Chegou a hora em que ele não pôde mais suportar e enviou mensagem a Jesus, apresentando suas duras questões. E a resposta de Jesus fortaleceu-o.

Então, um dia a esposa de Herodes conseguiu o que desejava. Ela enganou seu marido, através da filha Salomé, e no processo João Batista foi decapitado – aparentemente esquecido por Deus, esquecido por Jesus e deixado sozinho. É assim que Jesus trata Seus discípulos?

É difícil para nós compreender todos os dons que o Céu nos pode outorgar. Companheirismo com Cristo em Seu sofrimento é a mais pesada confiança e a mais elevada honra. Que tipo de companheirismo, João Batista e o missionário da China e todos os outros mártires através dos tempos têm tido com Cristo em Seus sofrimentos? O que são os sofrimentos de Cristo?

Em primeiro lugar, sabemos que Cristo sofreu por causa da justiça. Isso não era sofrimento por causa de Seus próprios pecados. Ele pronunciou uma bênção sobre aqueles que em todas as épocas têm sofrido por causa da justiça.

A injustiça tem sido sempre desconfortável na presença dos justos. Os homens maus odiavam Jesus por Sua vida de pureza e por essa razão tentaram destruí-Lo. Aqueles que têm aceito a justiça de Cristo são advertidos de que eles não serão sempre os mais populares e alguns sofrerão perseguição e até mesmo a morte por causa da justiça.

Jesus também sofreu por causa de outros. Ele é o supremo exemplo de Alguém que estava disposto a entregar a vida por Seus amigos, e outros em todas as épocas têm se unido a Ele nisso. Temos ouvido suas histórias.

Sabemos também que Jesus sofreu porque Ele era submisso ao plano-mestre elaborado antes da fundação do mundo e se o pecado entrasse, Ele viria oferecer uma solução para a raça humana. Jesus não Se desviou desse plano, mas permaneceu sob o controle do Pai durante toda a Sua vida na Terra.

Entretanto, Ele poderia ter salvo a Si mesmo quando os sacerdotes e escribas vieram e disseram: “Salvou os outros, a Si mesmo não pude salvar-Se.” S. Marcos 15:31. Eles estavam falando a verdade. Entretanto, embora pudesse salvar-Se a Si mesmo, Ele não poderia salvar-Se a Si mesmo e os outros também.

Aqueles que têm seguido Jesus em companheirismo, têm descoberto a mesma coisa. Por permanecerem sob o controle de Deus, não têm sido aptos a salvar a si mesmos. O missionário na China aparentemente poderia ter salvado a si mesmo, se estivesse disposto a negar sua fé em Cristo. Mas, porque estava determinado a permanecer sob o controle de Deus e continuar professando sua fé em Cristo, ele não pôde salvar-se.

Assim, um seguidor de Cristo pode sofrer por causa da justiça, pode sofrer por causa de outros e pode sofrer porque permanece sob o controle de Deus. João Batista experimentou esse sofrimento.

Alegremente Jesus teria libertado Seu amado e fiel servo, mas por causa dos milhares que nos anos futuros passariam da prisão para a morte, João teve que beber o cálice do martírio.

João Batista iluminou o caminho para os outros discípulos, dos quais todos, exceto um, morreriam como mártires. Os discípulos pagaram o preço derradeiro, iluminando o caminho para os mártires que os seguiriam. E os mártires que os seguiram iluminaram o caminho para nós hoje, que ainda estamos vivendo em um mundo de dores e sofrimentos, separação e morte.

Talvez possamos compreender a morte de João por causa dos mártires que viriam, mas por que os mártires tinham que morrer?

Para começar, sabemos que Deus planejou Seu mundo de modo que a chuva caísse sobre justos e injustos e o Sol brilhasse sobre o bom e sobre o mau. Se as boas coisas acontecessem apenas para os bons e as más coisas apenas para os maus, não demoraria muito e o mundo estaria cheio de pessoas que serviriam a Deus apenas pelo que eles pudessem obter dEle. Mas Deus quer apenas o serviço de amor. Ele nunca prometeu a Seus seguidores “céu sempre azul”. Ele não prometeu libertá-los dos problemas decorrentes de se viver neste mundo de pecados.

Indubitavelmente, há muitas razões para isso. Uma poderia ser que mesmo para aqueles que são seguidores de Cristo, há necessidade de serem relembrados do horror do pecado, senão nos esquecemos de sua natureza mortal e outra vez caímos em pecado. O plano de Deus é que o Universo inteiro seja limpo, o pecado e os pecadores não mais existam e assim permaneça para sempre. Ele prometeu que o pecado jamais ressurgirá pela segunda vez, e para que isso aconteça, temos que vê-lo claramente pelo que ele é, de modo que nunca mais ele tenha atração para nós.

Entretanto há uma outra razão que deveríamos considerar. Sabemos que o diabo tem constantemente acusado a Deus como sendo injusto. Ele diz que as pessoas servem a Deus unicamente pelas coisas que elas podem obter dEle. Você conhece a história de Jó e como terminou. A acusação do diabo era que Jó servia a Deus devido à maneira como Ele o abençoava. Veja Jó 1:9 e 10. A experiência de Jó pode ser repetida na vida de cada um de nós, hoje.

A promessa de Deus é que não há nada que o diabo possa fazer, nenhum problema que ele possa causar nesse mundo de pecados, que Deus não tenha o poder de nos dar condições de suportar, e ainda continuar confiando nEle. E Deus precisa de demonstrações da vida real de que isto é verdade.

Vamos ser mais específicos ao tentarmos ver como esse princípio atua no grande conflito entre Cristo e Satanás. A Bíblia ensina que no final dos mil anos, quando Jesus voltar a este mundo pela terceira vez, cada pessoa que tenha vivido O encontrará pela primeira ou pela última vez. Haverá alguns do lado de fora da cidade olhando para dentro – lá estarão alguns do lado de dentro da cidade olhando para fora.

Do lado de fora da cidade estarão alguns dos dias do Dilúvio, quando os pensamentos do coração dos homens eram maus continuamente. E eles armarão seus punhos e os agitarão diante de Deus e dirão: “Isto não é justo. Foi muito difícil servi-Lo no tempo em que eu vivia.”

Talvez você possa imaginar uma voz de algum lugar dentro da cidade que diz: “Noé, você pode por favor subir no muro?” Ao Noé subir ali, as pessoas dos dias do Dilúvio nada mais terão para dizer.

Posso ver um grupo fora da cidade, naquele dia, que viveu no tempo da apostasia de Israel. Eles cederam à pressão e se tornaram adoradores de Baal. Eles armam os punhos e agitam diante de Deus dizendo: “Foi muito difícil servi-Lo quando eu estava vivendo na Terra, porque, eu teria sido praticamente o único a fazer isso.”

Deus pede a Elias que suba no muro e eles não têm mais nada a dizer.

Posso ver pessoas da igreja primitiva, quando a perseguição estava em seu auge, que estão do lado de fora do muro agitando os punhos diante de Deus e dizendo: “Foi muito difícil servi-Lo no meu tempo. Eles iam me matar se eu falasse abertamente sobre Jesus Cristo.”

E Deus envia Estêvão ao muro e eles não têm mais nada a dizer.

Vejo um grupo da Idade Média que estão agitando seus punhos diante de Deus, e Huss e Jerônimo são convidados a se levantarem. Vejo alguém da China, dos dias da Rebelião Boxer, do lado de fora do muro, e o missionário que citamos anteriormente é chamado à frente.

Vejo alguém em nossos dias – uma vítima de câncer que sofreu por meses e finalmente morreu, e antes de morrer, revolta-se contra Deus e O culpa por todos os seus problemas, amaldiçoa-O e morre.

Para alguém assim do lado de fora da cidade, Deus pode precisar ter alguém do lado de dentro que sofreu uma tentação semelhante, mas que ainda assim O amou e confiou nEle a despeito de tudo.

Bem, isto significa que Deus é quem trouxe todo esse sofrimento? Não, não. O sofrimento é infligido por Satanás, mas Deus age acima dele, com o propósito da misericórdia. Os discípulos perguntaram a Jesus: “Quem pecou – este homem ou seus pais?” Jesus disse: “Nenhum deles – mas, veja! Agora você verá a glória de Deus. ” Veja S. João 9:3.

Um dia virá, quando a glória de Deus triunfará e os seguidores de Cristo que têm sofrido e têm servido a Ele e por causa dEle – e não por causa própria – terão sua recompensa. Jesus prometeu mais do que resolver isso para nós, por qualquer inconveniência que sofrermos como resultado de termos nascido neste mundo de pecados.

O plano de Deus no grande conflito é proceder de tal maneira que até mesmo os do lado de fora da cidade – até mesmo o próprio Satanás – finalmente admitirão que Deus tem sido imparcial e justo.

Que dia será aquele, quando o problema do pecado será para sempre eliminado e pudermos estar com Cristo em companheirismo para sempre!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

COMO  JESUS  TRATOU  SEUS  VIZINHOS

 

A notícia se espalhou rapidamente de um lugar a outro: Jesus estava vindo à cidade. Não que Ele estivesse longe da cidade por muito tempo. Por quase 30 anos, Ele havia sido um dos moradores de Nazaré. Não fazia nem dois anos que Ele havia empacotado as ferramentas, dito adeus a Sua mãe Maria, e saído para uma missão estranha.

As notícias haviam ido além do rio Jordão, da capital, Jerusalém, e de outras cidades e vilas na Galiléia. Jesus estava fazendo coisas misteriosas. Freqüentemente, junto ao poço da vila ou no mercado, os homens e mulheres em Nazaré discutiam os últimos rumores sobre Jesus. A maioria das histórias parecia bem diferente do caráter do Jesus que eles conheciam. Ali, na cidade de Nazaré, Jesus tinha sido um trabalhador braçal, um gentil ouvinte, um bom vizinho. Ele tinha sido um tanto excêntrico, intensamente interessado nas coisas de Deus e indo além de Seu caminho para ser um auxílio aos que estavam ao Seu redor. Porém, agora, subitamente Ele parecia um tipo de fanático, radical, zelote.

Ele não havia ido muito longe, antes que os habitantes da cidade ouvissem da Sua limpeza do templo em Jerusalém. Ele nunca tinha tentado qualquer coisa desse tipo na sinagoga local, em Nazaré! Mas, afinal, talvez Jerusalém necessitasse daquele tipo de tratamento. As coisas estavam muito corruptas ali na sede da nação – assim diziam.

Jesus tinha viajado bastante pelo país e um crescente número de pessoas O seguia onde quer que fosse. As notícias aumentavam sobre milagres, curas e exorcismos. Ninguém sabia com certeza no que crer, mas todos estavam interessados em saber sobre o Filho da terra, que estava fazendo o bem – ou estaria o Filho da terra criando problemas? Bem, agora eles descobririam por si mesmos, pois Jesus estava voltando a Nazaré para uma visita.

“Então Jesus, no poder do Espírito, regressou para a Galiléia, e a Sua fama correu por toda a circunvizinhança. E ensinava nas sinagogas, sendo glorificado por todos. Indo para Nazaré, onde fora criado, entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o Seu costume, e levantou-Se para ler.” S. Lucas 4:14-16.

As pessoas de Nazaré observaram com afetuoso orgulho Jesus tendo a honra de ler a Escritura naquela manhã de sábado. Era maravilhoso tê-Lo em casa novamente.

Era maravilhoso o fato dos anciãos locais terem Lhe dado o privilégio de estar na plataforma. Podia-se até ouvir alguém cochichando ao vizinho: “Esse é o filho de José, você sabe. Ele morava na nossa rua, ali embaixo.”

João Batista tinha proclamado Jesus como o Filho de Deus. Seus discípulos acreditavam que Ele era o Messias. As multidões O aceitavam como um grande professor ou profeta. Mas ali em Nazaré Ele era o filho de José. Se havia alguma verdade nas notícias dos milagres e das maravilhas que Ele havia realizado em outros lugares, não era Nazaré um lugar indicado para um espetáculo especial? Não tinham eles o direito de ocupar os bancos da frente? Não tinham eles ”O conhecido antes”? Eles se inclinaram para a frente a fim de captar melhor Suas palavras.

“Então Lhe deram o livro do profeta Isaías, e, abrindo o livro, achou o lugar onde estava escrito:

“O Espírito do Senhor está sobre Mim, pelo que Me ungiu para evangelizar aos pobres; enviou-Me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos e apregoar o ano aceitável do Senhor. Tendo fechado o livro, devolveu-o- ao assistente e sentou-Se; e todos na sinagoga tinham os olhos fitos nEle.” S. Lucas 4:17-20.

Talvez muitas pessoas de Nazaré não tenham percebido a ênfase dada ao texto. Eles sabiam que a passagem particular das Escrituras era uma declaração messiânica, e eles pensavam no Messias que viria. Talvez uns poucos já estivessem começando a entender – e sentir-se incomodados. Porém, para todos eles, alguma coisa no ar evitou que a cerimônia continuasse, pois a Bíblia diz que os olhos de todos estavam fitos nEle, até mesmo após Ele haver Se assentado.

Então Jesus fala outra vez, no verso 21: “Hoje se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir.” E agora todos os rostos se fecharam. Jesus estava essencialmente dizendo: “Eu sou o Messias.” Palavras muito duras para ser aceitas quando ditas sobre o seu vizinho da porta ao lado. Porém, havia alguma coisa mais difícil para aceitar. Se Jesus estava dizendo: “Eu sou o Messias”, Ele também estava dizendo: “Vocês são pobres. Vocês são cativos. Vocês estão cegos e em prisão.”

Que maneira de Jesus tratar Seus vizinhos! Não mereciam eles Seu respeito e Sua honra? Não tinham eles O tratado polidamente? Que maneira de responder! Se Ele queria que eles cressem nEle – por que não começou curando as doenças e aflições de todos os Seus velhos amigos e vizinhos? Se Ele era o Messias – por que não começou oferecendo-lhes posições de importância em Seu novo reino sobre o qual eles tinham ouvido? Como podia Ele começar insultando-os e então continuar esperando seu apoio e aceitação?

Apesar do interesse em Jesus como o Filho da terra, que havia feito maravilhas em Jerusalém e Cafamaum, apesar das graciosas palavras que Ele falou, apesar da forte influência do Espírito Santo presente naquele dia, as sementes da rejeição eram fortes. As pessoas disseram: “Não é este o filho de José?” Verso 22. O que estavam eles dizendo? Eles estavam dizendo: “Ele é um de nós. Vá em frente Jesus, lute contra a corrupção em Jerusalém. Deixe que todos saibam sobre a pecaminosidade dos gentios e dos samaritanos. Repreenda as prostitutas e os coletores de impostos. Mas aqui é Nazaré! Não trate Seus vizinhos assim! Você é um de nós. Nós O ajudamos a ser o que Você é. Não nos engane – nós O conhecemos. Conhecemos Seus pais e Sua família. Sabemos exatamente que Você é o filho de José.”

Entretanto Jesus ainda não havia terminado. “Disse-lhes Jesus: Sem dúvida citar-Me-eis este provérbio: Médico, cura-Te a ti mesmo; tudo o que ouvimos ter-se dado em Cafarnaum, faze-o também aqui na Tua terra. ” Verso 23. E continuou relembrando-os do tempo de Elias, quando ficou sem chover por três anos e meio e, apesar de muitas viúvas em Israel, Elias foi enviado a uma viúva em Sarepta, uma cidade de Sidom – a alguém de fora. Deus passou por Seu povo daqueles dias e foi aos gentios. Não apenas isso, mas Jesus relembrou-os de Naamã que fora curado por Eliseu, enquanto nenhum dos leprosos em Israel foi curado. E agora Jesus estava sugerindo que a mesma coisa aconteceria outra vez em Nazaré. Isso era demais para aceitar.

“Todos na sinagoga, ouvindo estas coisas, se encheram de ira.” Verso 28. Todos eles!

Espere um minuto – essas eram as pessoas com as quais Jesus havia crescido. Essas eram as pessoas que haviam brincado com Ele nas ruas – quando eles estavam brincando, Jesus também brincava. Essas pessoas O tinham visto como menino, saindo da vila de Nazaré bem cedo, cada manhã, ou à noite carregando no braço a Escritura Sagrada, em direção às montanhas, para passar algum tempo em comunhão com Seu Pai. Essas eram pessoas que tinham visto Sua vida perfeita, que tinham recebido um copo de água fria de Suas mãos, que tinham partilhado de Seu lanche quando estavam com fome. Marcos nos conta que Sua própria família estava ali também, embora nós certamente desejássemos esperar que a reação deles fosse uma exceção. Mas o texto diz que todos eles se encheram de ira.

Eles, “levantando-se, expulsaram-no da cidade e O levaram até ao cume do monte sobre o qual estava edificada, para de lá O precipitarem abaixo. Jesus, porém, passando por entre eles, retirou-Se.” Versos 29 e 30.

Pode você vê-Lo indo embora de Nazaré, sozinho? Pode você vê-Lo cabisbaixo com lágrimas na face? Esses eram os Seus amigos de infância. Certamente, Ele amava essas pessoas de modo especial, mas eles O haviam rejeitado – e não apenas isso, eles tinham tentado matá-Lo! Mais um desgosto profundo tinha vindo a esse Homem de Dores, que estava familiarizado com o sofrimento. Seus próprios vizinhos e amigos e, até mesmo, quem sabe, alguns de Seus próprios familiares O haviam rejeitado.

Qual era a base dessa rejeição? Isto ia muito mais fundo do que a rivalidade de Seus próprios conterrâneos e vizinhos. Eles O rejeitaram porque Ele era puro e eles eram pecadores. A impiedade tem sempre sido desconfortável na presença da piedade. Eles O rejeitaram porque sabiam que teriam que aceitar a mudança, caso aceitassem Seus ensinos. Eles O rejeitaram porque o orgulho nacional havia sido pesadamente atingido. Eles não desejavam considerar os relatos do Antigo Testamento sobre as ocasiões em que os gentios, pagãos e estrangeiros tinham sido honrados acima do povo escolhido. Eles O rejeitaram porque Ele não deu o respeito apropriado à vida religiosa deles, aos costumes religiosos ou até mesmo aos seus líderes religiosos, a quem eles reverenciavam. Eles O rejeitaram porque Ele era um deles – e no entanto não era como eles.

Assim, Jesus foi forçado a afastar-Se de Seus vizinhos de Nazaré e desaparecer pela rua empoeirada com a trágica conclusão de que, para a maioria deles, a rejeição era final. Ele sabia que uma vez que as pessoas rejeitam a Deus é quase inevitável continuarem rejeitando-O. O orgulho humano tende a persistir sempre, mesmo admitindo que isso seja um erro. Uma vez tomada uma posição, não gostamos de voltar atrás. E para a maioria dos vizinhos de Jesus essa rejeição em Nazaré jamais seria modificada.

Contudo, mesmo em Nazaré havia uns poucos. S. Marcos 6:5 indica que Ele curou uns poucos enfermos. Na escolhida nação, entre o povo escolhido de Deus, havia poucas pessoas. Ali sempre têm sido poucos os que O aceitam, e eu quero desesperadamente estar entre aqueles que O aceitam hoje. E você? Jesus veio pregar o evangelho aos pobres. Ali havia alguns poucos pescadores pobres que O aceitaram.

Você gostaria de unir-se a eles hoje? Jesus veio curar os de coração contrito. Ali havia uns poucos de coração contrito, como Maria e Marta, que aprenderam a sentar-se aos Seus pés. Jesus veio pregar liberdade aos cativos. Havia alguns poucos que ouviram as palavras de Jesus acima dos rugidos dos demônios em suas mentes escuras e aceitaram a liberdade que Ele ofereceu. Jesus veio dar visão aos cegos, e havia uns poucos, como o cego Bartimeu que clamou em alta voz pelo auxílio que Ele desejava dar. Havia uns poucos espiritualmente cegos, que sentiram suas necessidades – que se inclinaram por Jesus e cuja visão também foi restaurada. Havia uns poucos que tinham sido agredidos e dilacerados pelo inimigo, que vieram a Jesus e aceitaram Sua liberdade e gritaram louvores a Ele.

Mas havia uns poucos.

Ao ver Jesus descendo pela estrada, forçado a ir embora para longe daqueles que haviam rejeitado Seu amor, não deixe que Ele vá sozinho. Não O deixe ir sozinho hoje, mas caminhe ao Seu lado e diga: “Querido Senhor, conte comigo. Eu estou do Seu lado. Eu não quero rejeitá-Lo.”

Ele ainda está procurando com grande ansiedade os poucos que aceitarão as bênçãos que Ele está desejando outorgar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

COMO  JESUS  TRATOU  OS  LÍDERES  RELIGIOSOS

 

É você um fariseu? Ou você é um saduceu? Se você teve mesmo que seja um pequeno contato com o relato da Bíblia sobre a vida de Cristo, provavelmente não desejaria ser identificado com qualquer um desses grupos! Porém, nos dias de Cristo, ser um fariseu ou saduceu era uma marca de distinção. Até mesmo o apóstolo Paulo falou sobre ser um fariseu como honroso. Naqueles dias, se você encontrasse com um velho amigo que perguntasse: “O que o seu filho está fazendo agora?” Você se sentiria orgulhoso em dizer: “Meu filho é um fariseu!”

Entretanto, hoje, pensamos nos fariseus e saduceus sobretudo em termos negativos, embora alguns dos problemas que eles tinham possam ser problemas que encontramos em nosso próprio coração. Observemos o que fez com que essas pessoas se tornassem famosas e talvez vejamos como podemos ser salvos dos erros que eles cometeram.

Quem eram os fariseus? Eles eram os conservadores. Eram legalistas rígidos. Eram tradicionalistas. Eles se envolviam em grandes problemas para manter os padrões, as doutrinas e práticas da igreja. Eram vítimas do problema comum daqueles dias – salvação pelas obras. Estavam tentando se salvar por seus próprios esforços. Eles eram os maiores dos dois grupos de líderes religiosos e encontravam sua segurança nos padrões da igreja que apoiavam.

O segundo grupo de líderes da igreja eram os saduceus. Eles eram os liberais dos dias de Jesus. Contudo, ainda eram legalistas, porque eram igualmente vítimas da idéia de que você pode se salvar pelos seus próprios esforços. Entretanto eles encontravam sua segurança nos padrões da igreja que eles abandonaram.

Os saduceus proclamavam crer no princípio “sola scriptura”, em oposição aos fariseus que apoiavam abertamente algumas de suas doutrinas pela tradição. Mas, na verdade, os saduceus tinham também suas próprias tradições e até mesmo em suas ênfases sobre as Escrituras eram freqüentemente muito parciais quanto ao que aceitar e o que rejeitar.

Entre os saduceus estavam os piores inimigos de Jesus. O grupo deles era menor que o dos fariseus, mas o mais poderoso. A posição de sumo sacerdote geralmente era concedida a um saduceu, e eles controlavam o Sinédrio.

Em pesquisas feitas na igreja cristã de hoje, tem sido revelado que a maioria dos líderes religiosos e pessoas tais, ainda estão tentando obter o Céu por suas próprias obras. Isto permeia todas as igrejas cristãs. Por muito tempo esse tem sido o denominador comum de todas as religiões do mundo, e tem se tornado comum também à fé cristã.

Toda igreja luta com a doença conhecida como salvação pelas obras. A maioria dos chamados cristãos não tem tempo para Deus, nenhum tempo para a oração, nenhum tempo para o estudo de Sua Palavra. Qualquer pessoa que vive a vida separada de Deus dia a dia, ainda que espere pelo Céu no final, é um crente na salvação pelas obras. Isso significa que temos uma alta possibilidade de que os fariseus e saduceus estejam entre nós hoje.

Os fariseus e saduceus tinham outras coisas em comum, além da esperança pela salvação com base em seus próprios esforços. Eles tinham um problema comum de má interpretação das Escrituras. Eles interpretavam erradamente a lei, seu propósito e nação. Eles interpretavam erradamente profecias, inclusive as profecias da vinda do Messias. Interpretavam erradamente o reino de Deus e o que estava envolvido nas boas novas de Seu reino. Entretanto eles eram grandes na justificação! O sangue corria como rio em suas festas e festivais religiosas. Eles estavam diariamente envolvidos nos sacrifícios dos cordeiros, do gado e dos pombos. Mas, a despeito de suas crenças e interesses comuns, pouca união existia entre os dois grupos. Eles estavam freqüentemente envolvidos em controvérsias e debates. Com freqüência suas discussões eram sobre a ressurreição e os mortos.

Quando Jesus surgiu, Ele não os tratou muito bem, segundo o padrão deles. Ele não apenas deixava de honrá-los, bem como seus costumes e cerimônias, mas estava realmente insultando-os! É difícil compreender como Ele pôde ter-lhes falado como fez e ainda ter lágrimas em Sua voz, mas segundo o relato essa é a Sua maneira de ser. Em S. Lucas 12:1, Ele chamou tanto aos fariseus como saduceus de hipócritas. Ambos estavam errados. Eles estavam tentando aparentar no exterior alguma coisa diferente daquilo que eram realmente no interior.

Em S. Mateus 23, Jesus usou uma interessante ilustração do problema deles, falando sobre o copo e o prato que eram limpos por fora, mas imundos por dentro. Ainda mais severa foi Sua ilustração sobre os sepulcros dos profetas, nos versos 27 a 30. Disse Ele:

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia. Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque edificais os sepulcros dos profetas, adornais os túmulos dos justos, e dizeis: Se tivéssemos vivido nos dias de nossos pais, não teríamos sido seus cúmplices no sangue dos profetas.”

Obviamente eles eram vítimas da justificação externa. Sabiam como caminhar de suas casas para a igreja ou sinagoga. Mas Jesus disse em Seu Sermão do Monte que, a menos que a sua justiça excedesse a justiça dos fariseus, não haveria chance para a entrada no reino do Céu.

Esses hipócritas eram dizimistas, eram rígidos guardadores do sábado, eram reformadores da saúde. Eles nem mesmo comeriam, se um mosquito caísse na sopa. Eles eram bons nas obras – especialmente naquelas que pudessem ser vistas pelos outros. Eram grandes no jejum e podiam fazer longas orações. Eram meticulosos em seus banhos cerimoniais e gostavam do primeiro lugar na sinagoga. Mas colocavam sobre os outros fardos impossíveis de ser carregados, e Jesus lhes disse que quando eles conseguiam forçar alguém, colocando-lhe a religião garganta abaixo, faziam de seus conversos “duas vezes mais filhos do inferno do que vós mesmos”. Ver S. Mateus 23:15.

Jesus disse: “E Eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a Mim mesmo.” S. João 12:32. Mas os lideres religiosos disseram: “Se atrairmos todos para nós, então nós seremos levantados.” E isso é precisamente o que eles tentaram fazer.

Esses líderes religiosos não gostavam de Jesus por várias razões: Primeiro, Jesus recebia pecadores e eles não. Os pecadores não tinham sequer uma chance com os fariseus e saduceus. Eles os colocavam para fora da sinagoga, tentavam apedrejá-los e não se associavam com eles. Porém, Jesus recebia pecadores – isto é uma boa nova, ainda hoje, não é?

Você não está contente porque Jesus recebe pecadores?

Uma outra coisa que eles não gostavam sobre Jesus era que, segundo suas regras, Ele transgredia o sábado. Eles O consideravam um liberal, porque Ele não seguia suas regras e tradições. Não gostavam da maneira pela qual Jesus ensinava sem a autorização adequada. Não gostavam da falta de respeito que Ele tinha para com suas posições. Não gostavam das expressões que Jesus usava em relação a eles e Suas francas repreensões às suas atitudes. Eles não gostavam de Suas obras miraculosas e da maneira pela qual as pessoas comuns se aglomeravam ao redor dEle e Lhe proclamavam louvores. Eles diziam: “O mundo todo vai após Ele.” Ver S. João 12:19. E temiam por seu próprio poder e autoridade sobre as pessoas.

Em resumo, eles eram invejosos e cobiçosos, e quando a solitária cruz se erigiu como resultado do seu decidido ódio de Cristo, eles se aproximaram, acenaram a cabeça e disseram: “Ele salvou outros, a Si mesmo não pode salvar.” Eles haviam gasto toda a vida tentando salvar-se a si mesmos, e o fato de que Jesus veio não para salvar-Se a Si mesmo, mas para salvar outros, era insuportável para eles. Jesus podia ter salvo a Si mesmo, mas essa não era a razão por que Ele veio. Ele veio para salvar os outros, inclusive você e eu, e enquanto fazia isso, não podia salvar-Se a Si mesmo também.

A auto-submissão era a essência dos ensinos de Jesus, e isto era particularmente ofensivo aos líderes religiosos. Eles eram suficientemente grandes para lidar com a própria vida. Podiam fazer isto por si mesmos. Especialmente os saduceus foram ofendidos porque eles não criam em um Deus que estava pessoalmente envolvido na vida de Seus filhos. Assim, foram ofendidos pelo ensino e exemplo de Jesus Cristo.

Paulo fala sobre esses religiosos, em I Coríntios 2:7 e 8: ”Mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória; sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século conheceu; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória.” Jesus sugeriu a mesma idéia em Sua oração na crucifixão: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. S. Lucas 23:34. Aparentemente havia alguma ignorância envolvida, e se eles soubessem que Ele era o Filho de Deus, eles não O teriam crucificado.

Por que eles não sabiam? Os pastores sabiam, e os magos do Oriente sabiam. Os humildes pescadores sabiam, e até mesmo os demônios sabiam e diziam “nós sabemos quem Tu és”. Mas os líderes religiosos não sabiam. Talvez possamos encontrar um indicio da razão por que eles não sabiam, em S. Mateus 11:25: “Por aquele tempo exclamou Jesus: Graças Te dou, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos.”

Jesus estava grato porque essas coisas foram ocultadas aos sábios, por quê? O que as pessoas sábias fazem com a verdade? Elas tomam a glória para si mesmas. A tendência é tomarmos a glória para nós mesmos se podemos encontrar a menor desculpa para fazê-lo.

Teria Deus Se assentado lá em Seu trono e dito: “Dê isto aos pescadores e pastores, mas não deixe que os fariseus tenham qualquer verdade”? Ou temos nós mais textos nas Escrituras para examinarmos nesse ponto?

Veja S. Mateus 13, a partir do verso 9:

“Quem tem ouvidos, ouça. Então se aproximaram os discípulos e Lhe perguntaram: Por que lhes falas por parábolas? Ao que respondeu: Porque a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos Céus, mas àqueles não lhes é isso concedido.” Não pare aí – continue lendo!

“Pois ao que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.

“Por isso lhes falo por parábolas; porque, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem nem entendem.

“De sorte que neles se cumpre a profecia de Isaías:

“Ouvireis com os ouvidos, e de nenhum modo entendereis; vereis com os olhos e de nenhum modo percebereis.

“Porque o coração deste povo está endurecido, de mau grado ouviram com os seus ouvidos, e fecharam os seus olhos; para não suceder que vejam com os olhos, ouçam com os ouvidos, entendam com o coração, se convertam e sejam por Mim curados.

“Bem-aventurados, porém, os vossos olhos, porque vêem; e os vossos ouvidos, porque ouvem.

“Pois em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não viram; e ouvir o que ouvis, e não ouviram.

“Atendei vós, pois, à parábola do semeador.” Versos 12 a 16.

 

Eles fecharam os ouvidos. Eles fecharam os olhos.

Assim, não foi Deus que arbitrariamente deu compreensão a alguns e a outros não. Essa era a diferença das pessoas. O sol brilha sobre a cera, e o sol brilha sobre a argila. A cera derrete; a argila endurece. Por quê? É o mesmo sol brilhando sobre ambas.

Por que eles fecharam os olhos e ouvidos? Jesus, vindo como veio, ameaçou seu orgulho por status. Ele passou pelos líderes religiosos e escolheu os camponeses e estrangeiros para espalhar Sua mensagem. O orgulho por status tinha sido ameaçado.

Segundo, o seu orgulho nacional tinha sido profundamente abalado. Eles esperavam um Messias que viesse liderar os exércitos e subjugasse Roma. Ao contrário, Ele veio de maneira humilde e ofereceu Suas dádivas igualmente a judeus e gentios.

Em terceiro lugar, seu orgulho pessoal foi ameaçado. Os pecadores, as prostitutas e os ladrões aceitaram a Jesus e Ele os aceitou. Como podia ser assim, quando os legisladores religiosos nada sentiam, a não ser desconforto em Sua presença? Assim, eles fecharam os olhos e se afastaram para longe dEle. E exatamente como as pessoas de Nazaré, já que haviam tomado essa atitude, eram muito arrogantes para mudar de posição.

Apesar de suas diferenças, os fariseus e saduceus finalmente se uniram. Eles poderiam ter encontrado unidade na aceitação de Jesus, se estivessem dispostos a submeter seu orgulho e vir a Ele, pois é vindo a Jesus que nos aproximamos uns dos outros. Porém, em vez disso, eles se uniram em sua rejeição dEle e encontraram unidade na sala de julgamento de Pilatos e na crucifixão.

E se você visse a si mesmo ao olhar para esses líderes religiosos dos dias de Cristo? Isso significaria que seu caso é sem esperança? Não. Há boas novas, pois você pode unir-se com aqueles que eram a exceção da regra.

Nicodemos, um fariseu e membro do Sinédrio, era muito orgulhoso até mesmo para aproximar-se de Jesus durante o dia, mas em vez disso buscou-O sob a proteção da noite. Entretanto, ele aceitou um novo nascimento que Jesus tão solenemente enfatizou e tornou-se um fiel seguidor até o final.

Simão, também um fariseu, trilhou o longo caminho até Jesus. Mesmo o fato de ter sido curado de sua lepra, não foi suficiente para modificá-lo, mas chegou o tempo em que Jesus alcançou-lhe o coração – em sua própria festa – e Simão se rendeu ao amor que não o abandonaria.

  1. João 12:42 e 43 fala de “muitos” que creram nEle. Houve muitos que aprenderam a futilidade de seus próprios esforços para salvar a si mesmos e chegaram a aceitar a salvação que Jesus tinha a oferecer. Reconheceram que não podiam purificar o templo de seu próprio coração, e convidaram Jesus para entrar, não apenas uma vez, mas dia a dia. Jesus ainda está oferecendo a mesma salvação a cada um de nós e podemos escolher aceitar. Podemos escolher entrar em um relacionamento vital com Ele ao aprendermos a conhecê-Lo melhor como Salvador, Senhor e Amigo.

 

 

 

COMO  JESUS  TRATOU  AS  PESSOAS  COMUNS

 

Você já participou do jogo ”siga-o-líder” quando era criança? E ao brincar nesse jogo, você alguma vez se encontrou entrando numa piscina com todas as roupas, caminhando através de um lodaçal ou pulando do alto do telhado da garagem? Se já, provavelmente você aprendeu a questionar seriamente o jogo!

Os carneiros são notórios por seguirem o líder. Em um matadouro na cidade de Nova Iorque um bode foi treinado para ser o líder. Seu nome era Judas. Ele ia entrando pelo portão tão logo este se abria e todos os carneiros o seguiam cegamente. No último minuto, o bode escapava através de um pequeno portão lateral e os carneiros continuavam rumo ao seu destino, enquanto o bode voltava para conduzir outro grupo.

Uma das menores parábolas, contadas por Jesus é sobre o assunto dos perigos do jogo “siga-o-líder” no sentido espiritual. Ela se encontra em S. Lucas 6:39 e 40.

“Propôs-lhes também uma parábola: Pode porventura um cego guiar a outro cego? Não cairão ambos no barranco? O discípulo não está acima do seu mestre; todo aquele, porém, que for bem instruído será como o seu mestre.”

Freqüentemente, Jesus compara Seus seguidores a ovelhas, e somos convidados a seguir para onde Ele nos conduz. Assim, o problema não está em seguir, mas com quem está liderando você. Nos dias de Cristo, os fariseus e saduceus eram aceitos como líderes pela vasta maioria do povo comum. Como notamos no último capitulo, os fariseus eram os tradicionalistas, os conservadores; e os saduceus eram os liberais. Ambos eram legalistas, porque ambos os grupos dependiam de seus próprios esforços para garantir a salvação. E as pessoas seguiam seus líderes – seus cegos líderes – e no final uniram-se a eles, rejeitando a Jesus.

É trágico o fato de que o povo raramente se eleva acima de seus ministros, professores ou líderes. O povo judeu pereceu como nação porque eles seguiram seus líderes no erro. Eles não pesquisaram as Escrituras por si mesmos e não decidiram por si mesmos o que era a verdade. Isso não é um grande perigo para nós hoje? Quão fácil é simplesmente seguir, em vez de estudar, pesquisar e orar por nós mesmos para conhecermos a voz do verdadeiro Pastor.

Um outro texto semelhante, concernente a seguir líderes, encontra-se em S. Mateus 15:13 e 14. Isto ocorreu exatamente após Jesus ter dito algumas coisas duras aos líderes religiosos daqueles dias e Seus discípulos Lhe perguntaram: Você sabe que os fariseus ficaram ofendidos quando ouviram o que o Senhor disse? Então Jesus “respondeu: Toda planta que Meu Pai celeste não plantou, será arrancada. Deixai-os: são cegos, guias de cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, cairão ambos no barranco”. Aparentemente é possível encontrar líderes, mesmo em comunidades religiosas, que não foram plantados pelo Senhor. Nem todos os que são externamente membros do corpo de Cristo são árvores de justiça. E o tempo virá, quando aqueles que não são plantados pelo Senhor serão arrancados.

Eu gostaria de fazer aqui uma declaração: quando falamos hoje sobre seguir os líderes, não estamos falando exatamente dos que dirigem a igreja de um local especifico. A prática de seguir o líder não está limitada às sedes da igreja. Isto não é de maneira nenhuma uma crítica ou censura à direção da igreja. As pessoas escolhem seus próprios líderes – dependendo de como desejam viver, e você pode sempre encontrar alguém em algum lugar que lhe indicará a direção que você deseja seguir. Deus tem ordenado a liderança como meio de guiar em Sua obra e em Sua igreja. A liderança tem um propósito e uma função válidos. O ponto aqui é que é perigoso seguir qualquer um cegamente.

Segundo pesquisas e estatísticas disponíveis, apenas uma entre quatro ou cinco pessoas na igreja hoje está gastando algum tempo em comunhão pessoal e estudo da Palavra de Deus. Se este é o caso, então temos hoje, também, um grande número de seguidores cegos. Assim, não vamos apenas olhar para isso como uma lição da história, mas ver onde podemos nos beneficiar das lições que Jesus tentou ensinar ao grande número de seguidores cegos de Seus dias.

Assim, foi nessa situação que Jesus apresentou a parábola de que é possível seguir um líder diretamente para dentro da cova. Por que era assim? Qual era o problema com o povo comum, as multidões que seguiam, que o faziam tão facilmente enganados?

Primeiro, eles não estavam convertidos. Eles nunca haviam experimentado a obra sobrenatural do Espírito Santo no coração humano. A atitude deles para com Deus não havia mudado. Eles nunca haviam permitido que Deus lhes desse uma nova capacidade que eles não possuíam de conhecê-Lo. Eles gastavam pouco tempo em buscar pessoalmente a Deus porque nem mesmo tinham tal capacidade. Nos dias de Cristo, eles amarravam pedacinhos da Escritura ao redor dos punhos e da cabeça, em vez de colocá-los no coração. Todas as suas atividades religiosas se centralizavam no ego. Eles se sentiam satisfeitos com uma religião externa e aceitavam as formas e cerimônias, mas o coração se mantinha intocado pela graça de Deus.

Essas pessoas não tinham relacionamento com Deus. Eram vítimas da salvação pelas obras e o motivo de seus exercícios e padrões religiosos era garantir bênçãos temporais. Eles gostavam da idéia dos gafanhotos pararem e não cruzarem a cerca daqueles que pagavam seus dízimos. Eles estavam interessados no Céu e na oferta de viver para sempre. Ficaram impressionados pelos pães e peixes – e as doenças que foram banidas por poucas e suaves palavras de Jesus. Mas, em S. João 6, quando Jesus falou do pão da vida, eles ficaram decepcionados e disseram: “Duro é este discurso, quem o pode ouvir?” Verso 60.

As pessoas nos dias de Jesus O aceitavam apenas de maneira limitada. Eles estavam dispostos a aceitá-Lo como um grande Mestre. Estavam dispostos a aceitá-Lo como um operador de milagres. Estavam dispostos a crer que Ele era um profeta. Porém, eles se recusavam a aceitá-Lo como Salvador, Senhor ou Deus. Sua limitada aceitação terminou em total rejeição.

As pessoas tinham problemas em aceitar o Espírito de Profecia. Você encontra isso em S. Lucas 16:19-31, onde Jesus usa uma bem-conhecida fábula romana para ensinar várias verdades – e a condição da raça humana após a morte Não é uma delas! Porém o homem rico, como você se lembra estava em tormento, e pediu que Lázaro, o mendigo, fosse enviado para falar a seus cinco irmãos e os advertir da mesma sorte. “Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. Mas ele insistiu: Não, pai Abraão; se alguém (entre os mortos for ter com eles, arrepender-se-ão. Abraão, porém, lhe respondeu: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tão pouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mort0s.” Versos 29-31.

Pouco tempo depois, alguém foi ressuscitado dentre os mortos e seu nome era Lázaro! Eles não apenas se recusaram a aceitar essa evidência, mas conspiraram para matar tanto Jesus como Lázaro, a quem Ele havia ressuscitado. Assim, essas pessoas enfrentaram dificuldades com Moisés e os profetas.

Em S. Mateus 23, é dito que eles adornavam os túmulos dos profetas, e no entanto, eram os filhos daqueles que haviam matado os profetas, tanto em espírito quanto em linhagem. Paulo fala sobre isto em Atos 13:26 e 27. Aqui Paulo está pregando:

“Irmãos, descendência de Abraão… Pois os que habitavam em Jerusalém, e as suas autoridades, não conhecendo a Jesus nem os ensinos dos profetas que se lêem todos os sábados, quando O condenaram cumpriram as profecias. ” Eles liam cada sábado os escritos dos profetas, mas não aceitavam ou compreendiam o que liam.

Estêvão disse isso em Atos 7:51-53:

”Homens de dura cerviz e. incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo, assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis. Qual dos profetas vossos pais não perseguiram? Eles mataram os que anteriormente anunciaram a vinda do Justo, do qual vós agora vos tornastes traidores e assassinos, vós que recebestes a lei por ministério de anjos, e não a guardastes.”

Aquilo foi demais para as pessoas ali, e eles se lançaram sobre Estêvão, arrastaram-no para fora da cidade e um jovem chamado Saulo permaneceu ali coletando as vestes, enquanto as pedras começavam a voar. Porém, Estêvão olhando para o céu, teve uma visão de Jesus, em pé à destra do Pai. Eu sempre gostei dessa história. Jesus não ia enfrentar isso assentado! Ele estava em pé ao lado de Estêvão e Estêvão morreu em paz, orando por seus inimigos. Mas ele havia falado a verdade sobre aquelas pessoas. Eles professavam aceitar e reverenciar os profetas, mas na realidade rejeitavam tanto os profetas quanto Aquele anunciado pelos profetas.

Isto é evidenciado também no relacionamento deles com João Batista. Em S. Mateus 21, os líderes religiosos se encontraram numa situação difícil, porque Jesus os havia questionado sobre como eles consideravam João Batista. E eles se recusaram a responder, porque sabiam que as pessoas criam que João era um profeta. Porém, eles deram a João Batista apenas uma limitada aceitação, pois não aceitaram a Jesus como Aquele a quem João Batista havia indicado.

Jesus tentou contar às pessoas comuns que eles não precisavam de lideres? Não. Há um propósito para a liderança. Contudo, é propósito da liderança colocar a verdade nas mãos das pessoas sem lhes perguntar nada? Não! O propósito dos líderes, professores e pregadores é encorajar e motivar as pessoas a compreenderem a verdade, buscando e pesquisando por si mesmas. Um velho adágio afirma: “Dê a um homem um peixe e você vai alimentá-lo por um dia. Ensine-o a pescar e vai alimentá-lo por toda a vida.” Não sei se essa você poderia chamar de uma ilustração vegetariana, mas apesar disso é boa.

Paulo ensinou a verdade? Certamente que sim. Jesus ensinou a verdade? Sim. Seus discípulos ensinaram a verdade? Sim. E os bereanos conferiram isso para ver se era verdade – e foram elogiados por seu discernimento. Jesus não pedia às massas que O seguissem cegamente. Ele não pede a ninguém que O siga cegamente. Contudo, Ele pediu-lhes que O seguissem.

A maioria das pessoas comuns nos dias de Cristo não aceitaram. Mas houve exceções, e elas nos dão hoje, coragem e inspiração.

Nem todos aqueles no meio da multidão eram inconstantes. Nem todos uniam-se àqueles que cantaram Seu louvor na entrada triunfal e poucos dias depois gritaram: “Crucifica-O!” A mulher no poço estava buscando alguma coisa para satisfazer a alma. Ela aceitou a Jesus como o Messias e convenceu uma cidade toda de Seu valor. Lázaro, um trabalhador comum, sem distinção na sinagoga, por ocasião de seu primeiro encontro com Jesus, amou-O com um amor que nunca se atrofiou. O ladrão na cruz voltou a cabeça em meio à dor e gritou: “Senhor, lembra-Te de mim!” Estou feliz e alegre pelas exceções, e você?

Podemos hoje unir-nos às exceções, como fizeram os discípulos no final do discurso de Jesus em S. João 6. As multidões estavam se retirando e Jesus perguntou: Estão vocês se retirando também? Veja verso 67.

Você não quer se unir aos discípulos e dizer, como eles: “Senhor para quem iremos? Tu tens as palavras de vida!” Verso 68. Crer em Jesus não era popular. Isso não era comum, que as multidões continuassem seguindo a Jesus quando Ele esteve aqui – e ainda não é. Mas eu gostaria de convidá-lo a uma dupla experiência que o impedirá de seguir cegamente a qualquer um e ser mal conduzido.

Primeiro, um relacionamento com Jesus por si mesmo. Segundo, uma compreensão inteligente da verdade na qual tal relacionamento está baseado. Ambas são igualmente importantes. Uma sem a outra não funciona. Entretanto, podemos aceitar hoje o privilégio de conhecer a Jesus e a verdade por nós mesmos, bem como buscá-Lo em Sua Palavra e através da oração. E podemos continuar a procurá-Lo até que Ele venha novamente.

 

 

 

 

COMO JESUS TRATOU OS NÃO-MEMBROS DA IGREJA

 

Um carro lotado de alunos estava indo para as férias, do colégio para casa. Ao trafegarmos, passamos por um sinal que dizia: “Não leia o outro lado deste sinal!” Ninguém disse nada, mas, ao passarmos, cada cabeça do carro virou-se para ler a parte de trás da placa! Publicidade negativa pode ser uma forma muito eficiente de anunciar. Talvez até mesmo Deus pode usá-la ocasionalmente.

Ao Jesus chegar ao final de Sua vida e missão neste mundo, as coisas não pareciam muito boas. Havia um grande número de más informações – má publicidade. Muitas pessoas O estavam abandonando, até mesmo entre aqueles que Ele havia curado. Nove dos dez leprosos aceitaram apenas as bênçãos físicas, enquanto recusaram a oferta de bênçãos espirituais.

Por algum tempo as multidões haviam se apinhado para ouvi-Lo e vê-Lo. Contudo, à medida que Seu tempo na Terra se aproximava do fim, toda Sua Missão tinha a aparência de cruel derrota. O caso parecia desesperador. Aparentemente, Jesus tinha feito pouco da obra que viera fazer.

Ainda assim, a despeito do aparente fracasso, Ele pôde assentar-Se no cume do Monte das Oliveiras, olhar para uma outra montanha que parecia com uma caveira, e dizer: “Este evangelho que Eu ensino irá a todo o mundo.” Do ponto de vista dos recursos humanos não havia a mínima ilusão de uma chance. Ele tinha apenas poucos discípulos e várias mulheres como seguidores e até mesmo Seus discípulos fugiram, quando chegou o momento crucial. Todos achavam que Ele jamais seria aceito pelos líderes da igreja. O sucesso parecia impossível.

Vivemos, porém, para ver o cumprimento de Sua predição – ou pelo menos o potencial em nossos próprios dias para tal cumprimento. Hoje a igreja também está recebendo grande quantidade de má publicidade. Mas Deus também pode alterar isso, assim como as perspectivas negativas foram alteradas nos dias do primeiro advento de Jesus. Má publicidade ainda é publicidade. Dizer que não é para ler o outro lado do sinal pode levar as pessoas a lerem o outro lado do sinal. Assim, hoje, há lições a serem aprendidas do aparente fracasso que marcou os dias justamente antes da crucifixão de Jesus.

Vamos começar lendo S. João 12:20 em diante, onde está relatado um episódio que trouxe ânimo ao coração de Cristo. “Ora, entre os que subiram para adorar durante a festa, havia alguns gregos.” Jesus estava presente na festa, em pé no pátio do templo, pronto para volver-Se e sair daí pela última vez.

Eles, “pois se dirigiram a Filipe que era de Betsaida da Galiléia, e lhe rogaram: Senhor, queremos ver a Jesus. Filipe foi dizê-lo a André, e André e Filipe o comunicaram a Jesus. Respondeu-lhes Jesus: É chegada a hora de ser glorificado o Filho do homem”. Versos 21-23.

Então começa um parágrafo que à primeira vista pode parecer não muito relevante, mas que à segunda vista se torna muito significativo. “Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, produz fruto.” Verso 24. Jesus estava indicando que Ele seria glorificado, mas precisaria primeiro morrer. Então Ele faz a aplicação aos Seus seguidores. “Quem ama a sua vida, perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo, preservá-la-á para a vida eterna. Se alguém Me serve [ou deveríamos dizer: torna-se Meu servo], siga-Me.” Seguir para onde? Jesus estava no rumo da cruz! ”E onde Eu estou, ali estará também o Meu servo. E se alguém Me servir, o Pai o honrará.” Versos 25 e 26. Assim, Jesus estava indicando que, para sermos glorificados, devemos segui-Lo até a cruz.

“Agora está angustiada a Minha alma e que direi Eu? Pai, salva-Me desta hora?” Compreendemos que, quanto a Jesus, se Ele houvesse tido Sua preferência, não teria ido tão cedo à cruz. Porém, veio então Sua imediata submissão à vontade de Seu Pai e o plano da salvação: “Mas precisamente com este propósito vim para esta hora. Pai, glorifica o Teu nome.” “Então veio uma voz do céu: Eu já O glorifiquei e ainda O glorificarei. A multidão, pois que ali estava, tendo ouvido a voz, dizia ter havido um trovão. Outros diziam: Foi um anjo que Lhe falou. Então explicou Jesus: Não foi por Mim que veio esta voz, e, sim, por vossa causa.” Versos 27-30. Deus deu mais uma oportunidade, uma última chance para eles ouvirem. Mas note que a voz de Deus soa apenas como o trovão para algumas pessoas. “Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso. E Eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a Mim mesmo.” Versos 31 e 32.

Que conforto deve ter sido para Jesus, quando esses homens do Ocidente vieram e disseram: “Nós gostaríamos de ver a Jesus.” Essa foi uma das poucas palavras encorajadoras no final de Sua vida, pois Ele estava sob a sombra da cruz. Ele havia predito isso, embora Seus seguidores não gostassem da idéia. Mas o surgimento desses homens foi como cumprimento de uma profecia relatada em S. Mateus 8:11 e 12. Jesus tinha justamente curado o servo do centurião e elogiado o líder militar por sua grande fé. E então fez esta declaração: “Muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos Céus. Ao passo que os filhos do reino serão lançados para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes.”

Jesus predisse uma situação, um tempo no qual Seu próprio professo povo O deixaria – e outro povo viria do leste e do oeste (e Lucas adiciona do norte e sul também) e se assentaria com Abraão, Isaque e Jacó. Bem no início do ministério de Jesus, os sábios vieram do Oriente e perguntaram: “Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a Sua estrela no Oriente e viemos para adorá-Lo.” S. Mateus 2:2. Então, no final de Seu ministério um grupo veio do Ocidente – a continuação do cumprimento desta profecia.

Você notou Filipe e André? Eles tinham as “antenas” ligadas. Seus ouvidos estavam sintonizados com as almas, eles viram os gregos que tinham entrado no pátio do templo. Tempos atrás, no inicio, foi André que trouxe seu irmão Pedro a Jesus. E você pode ver André assentando-se nos fundos da sinagoga, enquanto Pedro está na frente pregando. E André diz a si mesmo: “Que dia maravilhoso foi quando eu trouxe Pedro a Jesus. ” André estava disposto a ficar de lado. Ele não estava sempre na frente, e discursando. Mas estava sempre trazendo alguém a Jesus – mesmo que fosse apenas um menino com cinco pães e dois peixinhos.

Filipe, um dos primeiros discípulos de Jesus, havia trazido Natanael convidando-o a “vir e ver”. Assim, ei-los outra vez, Filipe e André trazendo alguém a Cristo.

Os gregos certamente tinham a motivação certa – “Nós gostaríamos de ver a Jesus”. Eles não pediram para ouvir os resultados da jornada missionária na qual os setenta discípulos estiveram envolvidos. Eles não pediram por uma visita à sinagoga ou por uma discussão de algum ponto teológico. Eles queriam ver a Jesus. Seu pedido foi atendido.

Nessa passagem da Escritura está relatada uma clássica declaração de Jesus: “Eu, quando for levantado … atrairei todos a Mim.” A exaltação de Jesus atrai pessoas a Ele. Jesus elevado na cruz era uma ofensa às pessoas de Seus dias – e é uma ofensa a alguns em nossos dias também. A igreja primitiva teve que enfrentar grande quantidade de publicidade negativa por ter um Deus que foi crucificado. Isso era uma péssima propaganda. Os deuses daqueles dias eram estranhos ao conceito de “Ele salvou outros; a Si mesmo não pode salvar”. Paulo falou aos coríntios sobre a loucura de pregar a cruz. Entretanto aí estava o poder de Deus.

Esses gregos estavam aptos a ir diretamente ao âmago da questão, pedindo e aceitando uma revelação de Jesus, num tempo em que os outros estavam fechando a porta da salvação para si mesmos.

É-nos dito que a igreja no final dos tempos, justamente antes de Jesus voltar outra vez, estará parecendo como se estivesse para cair. Porém, ela não cai. Ao contrário, deverá haver outra vez esta estranha realidade – com os de dentro saindo, e os do Norte e do Sul, do Leste e Oeste, entrando. Note que Abraão, Isaque e Jacó não saem da igreja e vão para fora unir-se às pessoas do Norte e do Sul, do Leste e do Oeste. São as pessoas do Norte e do Sul, do Leste e do Oeste que entram. Não esqueça isso!

Assim você tem, no fim, dentro da igreja organizada, um grande êxodo de pessoas que têm o mesmo problema das pessoas religiosas dos dias de Cristo. Elas O abandonaram. E, ao saírem, grande número de pessoas entram e tomam os seus lugares.

Por que ocorre essa troca? O apóstolo Paulo descreve a situação e dá a resposta. E se isso era bom para aqueles dias, por que não seria hoje?

“Que diremos pois? Que os gentios, que não buscavam a justificação vieram a alcançá-la, todavia a que decorre da fé; e Israel que buscava lei de justiça não chegou a atingir essa lei. Por quê? Porque não decorreu da fé, e, sim, como que das obras. Tropeçaram na pedra de tropeço, como está escrito: Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e rocha de escândalo, e aquele que nele crê não será confundido.

“Irmãos, a boa vontade do meu coração e a minha súplica a Deus a favor deles é para que sejam salvos. Porque lhes dou testemunho de que eles têm zelo por Deus, porém não com entendimento. Porquanto, desconhecendo a justiça de Deus [aqui está o problema], e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus.” Romanos 9:30-33 e 10:1-3.

Eles não haviam ido à cruz ainda e se unido a Jesus, que não salvaria a Si mesmo. Eles não vieram ao lugar onde descobririam que não poderiam salvar a si mesmos. E Paulo termina seu argumento com estas palavras: “Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê.” Verso 4.

O ponto-chave na salvação pela fé e salvação pelas obras é a linha divisória entre aqueles que aceitam a Jesus, junto com os gregos, e aqueles que O rejeitam junto com os líderes judeus. As pessoas que obtêm algo através de seus próprios esforços, querem mérito e crédito e encontram em Jesus uma pedra de tropeço e uma rocha de escândalo. O legalista é ofendido em Jesus e O deixará no final precisamente pela mesma razão.

E não podemos nos unir a Paulo, quando ele diz: “Irmãos, a boa vontade do meu coração e a minha súplica a Deus a favor deles é para que [quantos?] – sejam salvos.” Todos. Nós não queremos ver milhares de nossa igreja saírem para as trevas, quando o próprio Deus deseja que cada um de nós permaneça na luz. Nós todos podemos estar lá, para nos assentarmos com Abraão, Isaque e Jacó, junto com as multidões que ninguém pode calcular, que vieram de todas as nações, reinos, línguas e povos. Não podemos livrar a nós mesmos de sermos ofendidos, de tropeçarmos naquela pedra de tropeço, exceto por um método e este é cairmos na Rocha e sermos despedaçados por nossa própria livre escolha. Podemos escolher entrar em um relacionamento com Jesus hoje, segui-Lo e nos submetermos à verdade de que não podemos salvar a nós mesmos. Podemos nos unir aos gregos, partilhando com eles na busca para vermos a Jesus hoje.

“Nós temos Cristo” amado as sombras crescem,

Ao nosso lado sempre a nos livrar;

Sim, quando as forças nossas desfalecem

É nosso Amparo, té o fim chegar.

“Nós temos Cristo” nossa Rocha forte;

Oh! Sim, podemos nEle confiar.

Dor, negras lutas nem sequer a morte,

Já nossa vida podem abalar.

 

“Nós temos Cristo” – tudo quanto temos,

Fé, gozo e forças Ele nos quer dar;

Mas muito breve todos nós teremos

Paz, vida eterna, Cristo, lá no lar.

 

Anna B. Warner

 

 

 

 

 

 

 

COMO  JESUS  FOI  TRATADO  NO  JARDIM

 

Quando eu era menino, em Michigan, costumávamos esquiar muito no gelo. Uma noite, quando eu estava com quase 12 anos de idade, meu pai, pregador, estava indo dar um estudo bíblico. Eu sabia que ele passaria perto de um parque onde havia um bom lago para esquiar, por isso falei com ele sobre levar-me até o lago, onde eu ficaria enquanto ele dava o estudo bíblico.

Eles deviam estar estudando sobre o milênio, naquela noite! Ele demorou tanto tempo que o parque fechou, todos os outros saíram, as luzes se apagaram e eu fiquei sozinho, no escuro, no lago, tentando esquiar o suficiente para não me congelar. Após um tempo que pareceu uma eternidade, conclui finalmente que meu pai havia me esquecido e ido para casa sem me levar. Eu estava tão gelado para esquiar que me encolhi junto a uma árvore que forneceu um pequeno abrigo contra o vento.

Bem, meninos de 12 anos de idade não choram – mas eles choram sim! Eu sentia todo tipo de sentimento – maus, tristes, loucos. Porém, justamente antes que eu morresse, vi as luzes amigas do carro do meu pai subindo a estrada. Eu nunca fiquei tão feliz e alegre na minha vida! Porém ao preparar este capítulo, eu me lembrei daquela experiência de sentir-me esquecido por meu pai.

Com este capítulo, fazemos uma transição da consideração de como Jesus tratou as pessoas para darmos uma olhada em como as pessoas trataram a Jesus. Temos estudado tanto sobre muitos dos grupos de pessoas com os quais Jesus falava e trabalhava – e como Ele tratava cada pessoa com infalível amor e ternura. Agora, ao estudarmos as cenas finais de Sua vida, vemos em trágica exposição como as pessoas reagiam à Sua vida e missão.

Olhemos a descrição de como trataram a Jesus no Jardim.

“Em seguida, foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani, e disse a Seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto Eu vou ali orar; e, levando consigo a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-Se e a angustiar-Se. Então lhes disse: A Minha alma está profundamente triste até a morte.”

Provavelmente diríamos: “Sinto que vou morrer.”

“Ficai aqui e vigiai comigo. Adiantando-Se um pouco, prostrou-Se sobre o Seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de Mim este cálice! todavia, não seja como Eu quero, e, sim, como Tu queres.” S. Mateus 26:36-39.

Pense nisso ao recapitular a cena. Jesus havia gasto algum tempo com Seus discípulos no cenáculo. Eles haviam celebrado a Páscoa. Ele lhes havia dado algumas lições encorajadoras, algumas palavras concernentes à vinha e os ramos, e havia feito por eles uma fervorosa oração – não apenas em favor de Seus discípulos (agora eram apenas onze), mas também por Seus seguidores de todas as épocas.

Juntos, eles haviam deixado o cenáculo e começaram a se dirigir para o Jardim, que era um dos lugares favoritos de Jesus, para a oração e comunhão com Seu Pai. Ao eles irem em direção ao Jardim, Jesus estava sobrecarregado com um grande fardo. Os discípulos notaram que o peso era tão grande, que Jesus suava ao caminhar, como se estivesse carregando uma pesada carga. Seus passos eram lentos ao Ele dolorosamente colocar um passo diante do outro. Eles se aproximaram dEle, desejando ajudá-Lo, embora não compreendessem Sua angústia de espírito.

Quando alcançaram a entrada do jardim, a maioria dos discípulos permaneceu ali, e Jesus escolheu três para acompanhá-Lo mais adiante. Então Ele encaminhou-Se a um de Seus lugares favoritos de oração, enquanto os discípulos que estavam com Ele esperaram a uma certa distância. Quão freqüentemente temos visto quadros desta cena – Jesus ajoelhado, orando no jardim. Essa foi a noite em que a alma de Jesus ficou excessivamente triste, quando Ele sentiu como se estivesse morrendo.

Considerando a experiência no Getsêmani, vamos seguir adiante e notar como diferentes pessoas se relacionaram com Ele – como diferentes pessoas O trataram no jardim.

Em primeiro lugar considere Seu próprio Pai. No plano que havia sido estabelecido antes da fundação do mundo, Jesus e Seu Pai haviam escolhido um caminho e Jesus estava agora determinado a não Se desviar dele, apesar da dor. Humanamente falando, Ele Se esquivou da terrível tarefa. O tempo havia chegado, quando Seu Pai, de acordo com as Escrituras, tinha colocado sobre Ele a iniqüidade de todos nós. Esse era um fardo insuportável.

Não há nenhum modo de compreendermos quão pesado era o fardo, mas pense por um momento em algumas deficiências de sua vida, alguma ocasião em que você sentiu o peso do pecado, e o inimigo veio martelar em sua cabeça com a culpa. Pode você pensar em uma ocasião em sua vida, quando se sentiu muito distante de Deus mais separado – e experimentou o insuportável senso de remorso e dor por causa de seu pecado?

Tenho falado com pessoas que sentem tal fardo neste mundo de pecado, ao colherem os resultados de seus próprios estilos de vida, que querem acabar com tudo. A vida não merecia continuar devido à culpa e à dor. Pois bem, tome a experiência na sua vida e então acrescente todas as outras vezes que você experimentou culpa, fracasso ou pecado. Então multiplique isto pelo número de pessoas no mundo, com toda a culpa acumulada. E após ter feito isto, multiplique aquele peso por todas as pessoas de cada época. Essa é a culpa que Jesus carregou sobre os ombros. Essa é a razão por que não podemos nem mesmo começar a imaginar ou compreender o fardo que Jesus sentiu quando Deus colocou sobre Ele a iniqüidade de nós todos.

O mais impressionante é que Jesus estava justamente tão envolvido neste plano quanto Seu Pai. Deus não colocou esses fardos sobre Jesus contra Sua vontade. A Bíblia nos conta que o Pai e o Filho estavam juntos nesta reconciliação. Embora ame o pecador e tenha sempre amado os pecadores, Deus odeia o pecado. Jesus odeia o pecado. O fardo do pecado do mundo estava esmagando Sua vida, entretanto Jesus tomou voluntariamente esse fardo de que Deus poderia ser justo e o justificador daquele que crê e aceita o sacrifício provido.

Nessa ocasião de provação no Getsêmani, quando Jesus morreu antes de morrer, houve uma aparente separação entre Jesus e Seu Pai. Essa é a separação que o pecador sentirá se persistir na rebelião contra Deus e finalmente estiver perdido para sempre.

Às vezes, temos a idéia de que quando Jesus veio a primeira vez, Ele estava dependendo de Sua própria força. Vemos que durante toda a Sua vida, Ele viveu dependendo de Seu Pai – em íntimo relacionamento com Seu Pai. Porém, agora, no Getsêmani e até à cruz, é como se Seu Pai tivesse Se afastado e Jesus é deixado para lutar sozinho com o pecado. Bem aqui precisamos ver um segundo aspecto – pois embora Jesus Se sentisse esquecido, Ele não estava esquecido. Jesus havia predito Sua grande tristeza em S. João 16:32, quando disse: “Eis que vem a hora e já é chegada, em que sereis dispersos, cada um para sua casa, e Me deixareis só; contudo não estou só, porque o Pai está comigo.”

Jesus sabia que Seu Pai estaria com Ele, mas também sabia que Se sentiria absolutamente abandonado e separado quando a crise viesse. Os sentimentos foram tão reais como se Ele não tivesse conhecido nada diferente. Jesus sentiu que, pelo pecado, Ele estava sendo separado de Seu Pai. Ele sentiu que a ira de Deus contra o pecado era tão grande que sua unidade com o Pai fora destruída. Mas Deus estava ali, o Pai estava ali, “Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo”. Veja II Coríntios 5:19.

Jesus estava temeroso. Ele estava amedrontado. Temia não estar apto a enfrentar essa situação, quando Se sentiu separado de Seu Pai. Ele Se sentiu sozinho. Ele sabia que era humano. Poderíamos gastar muito tempo especulando sobre os detalhes exatos da natureza humana de Cristo. Mas sabemos o que isso significa – Ele conhecia por experiência a fraqueza da humanidade após 4.000 anos de pecado. Ele não era tão forte como Adão – e bem sabia como Adão tinha falhado no teste. Ele Se sentiu sozinho e abandonado, e não seria surpreendente se Ele Se jogasse ao chão, não querendo ser separado mais do que já sentia. Não é de admirar que tenha chorado e suado e o sangue tenha-Lhe saído pelos poros. Não é de admirar que a luta mortal de Jesus no Jardim apenas pode ser descrita com palavras tais como: desespero, horror e trevas. Nenhuma tristeza pode ser comparada com a tristeza de Jesus. Quão difícil deve ter sido para Jesus e também para Seu Pai.

Consideremos alguém mais nesta hora. Indo ao outro extremo no quadro, consideremos Satanás. Como estava Satanás trabalhando nesta hora de trevas? Satanás estava chegando ao seu grande momento, quando todas as coisas estavam em jogo. Através de toda a vida de Jesus, Satanás tinha tentado conquistá-Lo – fazer com que Ele falhasse. Isso começou bem antes de Seu nascimento. Quando Jesus era apenas um bebê, todos os bebês masculinos em Belém perderam a vida, ao Satanás fazer sua malograda tentativa contra a vida de Jesus.

Satanás havia encontrado Jesus no deserto e quase teve sucesso em tomar-Lhe a vida. Mas um anjo veio e fortaleceu Jesus, quando Ele estava morrendo no deserto da tentação. Satanás e seus demônios tinham desafiado Jesus em mais de uma ocasião, gritando e dizendo: “Nós sabemos quem és, o Santo de Deus.”

Agora Satanás veio tentar Jesus a pensar que Seu Pai O havia abandonado definitivamente. Jesus havia dito: “Meu Pai não me deixou”, mas Satanás disse: ” Sim, Ele O deixou! Você está totalmente sozinho. A separação que Você está sentindo é real. Você nunca mais verá Seu Pai novamente. A separação que Você está sentindo é eterna, assim, que razão há em Você continuar com todo esse sofrimento? Você imagina estar salvando o mundo, mas o mundo O rejeitou, até mesmo Seu próprio povo está interessado em destruí-Lo. Um de Seus discípulos até já O traiu. Por que Você não desiste? Por que Você não volta a Seu Pai e pára de desperdiçar Seus esforços?”

Jesus foi tentado a retornar ao Pai. Muito interessante. Nossa grande tentação é vivermos uma vida separada de Deus. A grande tentação de Jesus no Jardim foi voltar para Seu Pai. É bem o oposto de nós, não é? Satanás estava lutando, fazendo tudo que podia para convencer Jesus a deixar o mundo em suas mãos. Ele sabia que seu próprio futuro estava em jogo.

A seguir, consideremos os anjos. Como os anjos reagiram aquela noite ao Jesus lutar no Jardim? Eles ficaram em silêncio. Os anjos sabiam que o grande momento para o Universo havia chegado. Não havia cântico algum no Céu. Nenhuma harpa soou. Os anjos ficaram atentos observando o drama. Eles observaram – e sabiam o que estava envolvido. E os anjos – cuja vida inteira tinha sido repleta da alegria de servir – ficaram frustrados naquela noite. Pode você vê-los, circulando agitadamente, olhando para a cena e então se afastando, desejando valer-se de suas asas para trazerem auxílio, mas impossibilitados de fazê-lo?

Eles olham para Jesus no Jardim. Olham para o Pai. Oh, se eles pudessem tão-somente obter um gesto de aprovação do Pai, para irem e ajudar! Finalmente tiveram que esconder a face diante da terrível cena.

Existem mais seres envolvidos no plano da salvação, além dos habitantes da Terra. Existem mundos não caídos. Você crê que há outros mundos habitados? Você já leu Apocalipse12 recentemente? “Festejai, ó céus, e vós os que neles habitais.” Verso 12. Várias declarações na Bíblia indicam que há outros mundos habitados. Suponho que poderíamos especular sobre quanto do que ocorre na Terra eles são aptos a ver? Talvez eles tenham a mesma visão que os anjos têm. Duvido que eles tenham televisão com noticiário às 8:00h da noite e algum tipo de repórter celestial. Porém, quando o mundo foi criado, as estrelas da alva cantaram juntas e todos os filhos de Deus rejubilaram. Leia Jó 38:4-7. Eles estavam conscientes do que estava acontecendo. E também estavam imaginando qual seria o resultado.

Quando Satanás começou sua rebelião, ele fez duas acusações contra Deus. Primeiro, que é impossível guardar a lei de Deus, e, segundo, que se a lei não é guardada, o perdão é impossível. Se ele estivesse certo em suas declarações, então todo o Universo estaria em perigo. Assim, os mundos não caídos, bem como os anjos, estavam observando fascinados e sem respirar, olhando a cena no Jardim do Getsêmani.

Agora, consideremos os discípulos. Eles estavam dormindo. Você alguma vez já os culpou por dormirem? Jesus foi a eles em busca de simpatia, pois Jesus era humano e um dos grandes princípios do coração humano é desejar simpatia no sofrimento. Está perto querer conforto quando você está ferido. E legítimo querer ouvir alguém dizer: “Estou com você – estou aqui.”

Assim, de Seu lugar de retiro, Jesus foi aos discípulos em busca de uma palavra de encorajamento. Mas eles estavam dormindo. Eles olharam para Ele por um momento, mas não puderam nem mesmo se levantar o suficiente para Lhe dar qualquer resposta. Então, voltaram a dormir.

Contudo, note o que a Escritura diz sobre que tipo de sono era esse. Há diferentes tipos de sono. Há o sono de exaustão física, quando você caminha o dia todo pelas ruas empoeiradas da Galiléia e está cansado. Há o sono de enfado. E há também o sono mencionado em S. Lucas 22:45: “Levantando-Se da oração, foi ter com os discípulos e os achou dormindo de tristeza.” O sono de tristeza.

O que é o sono de tristeza? Mesmo os psicólogos que estudam a mente humana, falam sobre pessoas que costumam dormir como uma fuga ou escape de alguma tristeza terrível. Muitos de nós temos experimentado um pouco disso em nossa própria vida. Os discípulos eram vítimas desse tipo de sono. Eles sabiam que Jesus estava sofrendo. Eles O tinham ouvido falar sobre julgamento e morte. Haviam tentado não ouvir, mas estavam atemorizados. Tinham ouvido Seus gemidos e choro de agonia ali no Jardim. Estavam machucados porque seu amado Mestre estava ferido e o sono veio como um bendito alívio de tanta dor. Os discípulos estavam dormindo o sono da tristeza.

Jesus sabia disso, e nós também devemos lembrar. Jesus sabia que o espírito deles estava disposto, mas que o corpo estava fraco. Em certo sentido isso não era um sono de esquecer Jesus; era um sono de identificar-se com Ele, tão fortemente que eles não podiam suportar a pressão. Essa é a razão por que eles estavam dormindo.

Assim, pela terceira vez, Jesus voltou sozinho ao Seu lugar, clamando mais uma vez ao Pai: “Se possível passa de Mim esse cálice. Porém, se não, seja feita a Tua vontade.”

A Natureza era a única companhia de Jesus naquela hora. As oliveiras choraram ao derramarem seu orvalho, os ciprestes se inclinaram em simpatia, e o silêncio da noite foi quebrado pelo pranto do Salvador em sofrimento. Jesus lutou até o último momento, aparentemente sozinho e esquecido pelo Céu e pela Terra. Jamais compare a luta de Jesus no Jardim com qualquer loisa que nós já enfrentamos. Nós nunca estamos na mesma situação que Jesus esteve naquela noite. Nunca estaremos. Nós nunca seremos chamados a carregar o peso do pecado do mundo todo. Mas, como Jesus lutou, chorou, orou e finalmente caiu morrendo, o quadro mudou.

Gabriel – que assumiu o lugar de Lúcifer, que se erguia na presença de Deus – tinha se agitado olhando para o Pai e para o Jardim. Subitamente, o Pai dá a Gabriel um sinal! E Gabriel sai numa velocidade sobrenatural, a velocidade do Universo, para um vôo de trilhões de quilômetros, que ele faria em menos de três minutos! Posso ouvir todas as hostes de anjo gritando: “Vá, Gabriel!”

Gabriel vai, chega ao lado de Jesus. Ergue do solo a cabeça de Jesus. Ampara Sua cabeça nos ombros. E aponta para os Céus abertos de onde ele veio. Ele veio para relembrar a Jesus o amor de Seu Pai. Conta-Lhe das vidas que serão eternamente salvas como resultado de Seu sacrifício. Assegura-Lhe que o Pai é maior e mais poderoso do que Satanás e que os reinos deste mundo serão conquistados pelos santos do Altíssimo. Conta-Lhe que este horrível sacrifício valerá para sempre, por causa daqueles de nossa raça que estarão com Ele nos Céus, por toda a eternidade.

Jesus então Se levanta do lugar de oração. Ergue a cabeça e caminha para fora do Jardim, para encontrar a multidão. Ele mantém a cabeça elevada como o Rei que é, daquele momento em diante até a cruz. Enquanto eles o empurram e O arrastam por todo o caminho até o Calvário, Ele tem uma força e uma conduta sobrenatural. Ele aceitou o amor e o poder de Seu Pai unicamente pela fé. Embora Se sinta sozinho na cruz e clame: “Por que Me desamparaste?” Ele não está sozinho. No próprio fim Ele diz: “Pai, nas Tuas mãos entrego Meu espírito.” Veja S. Lucas 23:46.

Está você feliz pela história de Jesus? Está você feliz pelo que Ele passou? Está você feliz porque pode ser um daqueles que estarão eternamente salvos por causa dEle? Por que não agradecer-Lhe outra vez hoje por Seu surpreendente amor?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

COMO  PEDRO  TRATOU  JESUS

 

Bater ou não bater, eis uma questão encarada por todos os pais. Estudos têm revelado que o tipo de disciplina não é tão importante quanto o fato de uma criança perceber que é amada e aceita junto com a disciplina. Porém, o meu pai escolheu bater!

Quando éramos pequenos, ele usava alguma coisa leve. Certo dia, após ter levado uma surra, dirigi-me à minha mãe com um sorriso no rosto e disse: “Isto nem mesmo doeu!” Esse foi um dos meus maiores erros, porque ela contou fiara o meu pai o que eu havia dito e, dali em diante ele decidiu fazer bem certo! Porém, a pior “surra” que eu já recebi, foi quando meu pai nem mesmo me tocou.

Estávamos de férias em uma ilha no meio do Lago Gull, em Michigan. Meu irmão e eu estávamos outra vez brigando. Esse era nosso passatempo favorito. Estávamos estragando as férias para nós mesmos e particularmente para nossos pais. Meu pai tentou tudo que podia imaginar para fazer com que parássemos. Ele tentou suspender nossa sobremesa. Tentou mandar-nos para a cama sem jantar. Tentou fazer-nos ficar na cabine.

Tentou nos batendo. Nada funcionou. Finalmente chegou o momento em quê nos chamou diante dele, outra vez, ali na cabine, tentando pensar em outra maneira de agir. Mas ele estava obviamente no fim de suas idéias. E então eu vi as lágrimas começando a fluir. Ver lágrimas no rosto de meu grande e forte pai era algo novo para mim.

Entendi que eu havia causado desapontamento e tristeza para aquele que me amava, e não pude resistir às lágrimas. Eu poderia receber qualquer tipo de punição menos aquela. Subitamente, desejei mudar, para valer. Essa foi a pior repreensão que já recebi!

Essa foi uma lição que Pedro aprendeu. Paramos no capitulo anterior, em S. Mateus 26 – a experiência de Jesus no Jardim do Getsêmani. O anjo tinha voltado para o Céu e Jesus está dizendo a Seus discípulos que sigam em frente e durmam agora. “Falava Ele ainda, e eis que chegou Judas, um dos doze, e com ele grande turba com espadas e cacetes, vinda da parte dos principais sacerdotes e dos anciãos do povo.” Verso 47.

“Naquele momento disse Jesus às multidões: Saístes com espadas e cacetes para prender-Me, como a um salteador? Todos os dias, no templo, Eu Me assentava [convosco] ensinando, e não Me prendestes. Tudo isto, porém, aconteceu para que se cumprissem as Escrituras dos profetas. Então os discípulos todos, deixando-O, fugiram.” Versos 55 e 56.

Os discípulos foram subitamente despertados ali no jardim. Judas tinha levado a multidão a Jesus, dando o beijo que era o sinal de que era Ele. Pedro havia tomado sua espada e amputado a orelha do servo do sumo sacerdote. Enquanto Jesus falava brevemente com eles, um anjo colocou-se entre Jesus e a multidão e, por um momento, parecia como se o plano deles houvesse sido derrotado. Porém, o anjo partiu outra vez e os discípulos, que tinham jurado que nunca O abandonariam, fugiram na escuridão. Até mesmo Pedro – que tinha sido o mais veemente dizendo: “Todos os outros podem abandoná-Lo, mas eu não” – até mesmo Pedro O deixou e fugiu.

Então a multidão levou Jesus ao palácio de Caifás. Lá, tentaram encontrar falsas testemunhas que viessem com o tipo de acusação que levasse Jesus a merecer a morte. Porém, as falsas testemunhas lutaram – e o testemunho deles não coincidia. Jesus esperou pacientemente, não falando sequer uma palavra. Até que, finalmente, Caifás ficou desesperado. Ele mandou que Jesus, sob juramento dissesse se Ele era ou não o Cristo, o Filho de Deus.

Neste ponto Jesus não continuou silente. Ele disse: “Eu sou.” Enquanto cada ouvido escutou Sua admissão, sob juramento, diante do sumo sacerdote, e cada olho observou, o rosto de Jesus brilhou com uma luz celestial. Então Jesus acrescentou algo que Caifás não havia perguntado. Ele disse: “Desde agora vereis o Filho do homem assentado à direita do Todo-poderoso, e vindo sobre as nuvens do céu.” Verso 64.

Caifás gritou: “Blasfêmia!” e a multidão ergueu-se, começando a empurrá-Lo, esbofeteá-Lo e cuspir sobre Ele. Foi uma noite horrível na sala de julgamento de Caifás. Eles Lhe cobriram o rosto e O espancaram e perguntavam: “Se Você é profeta, por que Você não diz quem é que Lhe bateu?” Cuspiram-Lhe no rosto. Jesus foi tratado tão cruel e injustamente como jamais um prisioneiro fora tratado.

Porém, uma angústia mais profunda veio a Jesus naquela noite. É uma angústia profunda que precisamos considerar, pois envolveu um dos Seus mais íntimos seguidores.

Os discípulos tinham fugido, afastando-se vários quilômetros do jardim, quando a multidão tomou a Jesus, mas pelo menos dois deles tinham voltado e seguido de longe, enquanto a multidão fazia seu trajeto de volta à sala de Caifás. Eles eram Pedro e João. Não conseguiram ficar longe por muito tempo.

Quando eles entraram no local, João encontrou um lugar perto de Jesus, mas Pedro uniu-se à multidão, perto do fogo, aquecendo-se por causa do ar frio da noite e tentando disfarçar-se. Esta é uma história familiar. Porém, às vezes, não paramos para considerar cuidadosamente os passos que Pedro precisou dar para chegar ao lugar onde pudesse negar seu Senhor.

O primeiro passo veio quando Jesus tentou advertir Pedro de Seu perigo. Jesus havia dito: “Esta noite todos vós vos escandalizareis comigo; porque está escrito: Ferirei o pastor e as ovelhas do rebanho ficarão dispersas.” S. Mateus 26:31.

“Disse-Lhe Pedro: Ainda que venhas a ser um tropeço para todos, nunca o serás para mim.” Jesus disse: “Nesta mesma noite, antes que o galo cante, tu Me negarás três vezes.”

Pedro insistiu: “Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo Te negarei.” Versos 32-35. Ele estava seguro de si. Ele se sentia forte. Tinha certeza de que possuía suficiente força de vontade e estrutura para tomar a decisão certa e seguir em frente. Ele se considerava um homem autodisciplinado – alguém com quem Jesus poderia contar. Ele não entendia seu perigo. Este é o primeiro passo que qualquer pessoa dá ao negar seu Senhor.

Seu segundo passo em direção à negação foi ceder à tentação de dormir quando deveria estar orando. Este é um passo fácil de dar, quando você está se sentindo auto-suficiente. Quem precisa orar, quando você pode fazer alguma coisa por si mesmo? Quem precisa de maior poder se tem plena força e poder por si mesmo? Eu gostaria de propor que uma das principais razões pelas quais a maioria dos cristãos não gasta muito tempo em oração é que eles não sentem necessidade do auxílio de Deus tão freqüentemente: Estão fazendo tudo bem por si mesmos. Acham fácil virar-se para o canto da cama para uma hora extra de sono pela manhã, em vez de usarem o tempo na comunhão com Cristo, pois não sentem tanta necessidade de oração. E isso leva ao próximo passo.

O terceiro passo que Pedro deu foi começar a lutar suas próprias batalhas. Ele pensava que era suficientemente grande para enfrentar o inimigo em sua própria força. Ele enfrentou a multidão toda com sua única espada. Mas tudo que ele conseguiu foi uma orelha – e isso não era nem mesmo particularmente uma orelha importante – exceto para o servo do sumo sacerdote a quem ela pertencia!

Quando nos separamos da fonte de força, esquecemos que nunca devemos lutar contra o inimigo por nós mesmos. Esquecemos que Deus é o único que pode lutar nossas batalhas por nós. Ele é o único suficientemente forte. E quando começamos a movimentar nossas espadas, o resultado inevitável é derrota e vergonha.

O quarto passo que Pedro deu naquela noite foi tentar salvar-se a si mesmo. Jesus não Se uniu a ele e não ajudou a lutar suas próprias batalhas da maneira que Pedro esperava. Assim, ele começou a correr. Se Jesus não era grande o suficiente para salvá-lo, então seria melhor que ele se salvasse a si mesmo. E Pedro entrou na escuridão.

O quinto passo dado por Pedro foi seguir Jesus à distância. Sua confiança em Jesus tinha sido abalada. Ele não estava pronto para separar-se completa e permanentemente de Cristo, mas agora estava sendo cuidadoso. Ele não queria aproximar-se demais. Manteve deliberadamente alguma distância entre si mesmo e Jesus. E assim, seguiu Jesus à distância.

A noite, porém, estava fria. A noite é sempre fria quando nos encontramos longe de Jesus. Você já descobriu isso? Assim, Pedro deu o sexto passo, procurando calor e conforto onde o mundo encontra calor e conforto. Ele juntou-se ao restante da multidão perto do fogo, tentando aquecer-se. Mas sentiu-se estranhamente desconfortável naquela posição, o que o levou a dar o próximo passo, o sétimo, assumindo uma falsa identidade. Ele não estava se sentindo bem. Enquanto o resto da turba ria do mau tratamento dado a Jesus, Pedro se viu com vontade de chorar. Mas isso atrairia a atenção para si, e eles notariam que ele não era realmente um deles. Assim, ele se esforçou para rir mais alto do que qualquer um deles. Quando o resto da multidão amaldiçoou e zombou, seu espírito foi abalado. Ele estava representando uma cena e sem ser bem-sucedido, pois, não demorou, e ele foi notado.

Foi então que ele se encontrou no passo final da negação de Jesus. Quando uma pessoa se separa de Jesus e encontra calor e aceitação no mundo e alguém pergunta: “Você não é um deles?” Ela diz: “Não, eu não sou!” É assim que as coisas ocorrem. Quando o calor aumentou e eles apontaram o dedo para Pedro, ele deu o passo final, ao começar a amaldiçoar, blasfemar e negar com juramento de que ele jamais havia conhecido a Jesus.

Nesse exato momento, Jesus virou-Se e olhou para Pedro. Jesus virou-Se de onde estava sendo empurrado, arrastado e comprimido. Jesus usando a coroa de espinhos e com sangue escorrendo lentamente – virou-Se e olhou para Pedro.

Há diferentes tipos de olhar. Quando Jesus olhou para Pedro, não era um olhar de ira ou desgosto. Era um olhar de compaixão e amor por Seu pobre discípulo.

Nós, provavelmente, não o chamaríamos de discípulo de Jesus nesse momento. Até mesmo Pedro estava negando isso. Mas Jesus viu que Pedro ainda era Seu. Pedro não era um hipócrita. Ele realmente queria dizer isso quando afirmou que morreria por Jesus. Mas Pedro era fraco. Pedro tinha sido afastado, passo a passo do lado de Jesus e da confiança plena nEle.

Até então, Pedro nem mesmo havia notado o processo. O demônio sempre age assim. Ele não nos toma em um gigantesco salto do penhasco. Ele sabe que veríamos o perigo e chamaríamos imediatamente por Jesus. Assim, ele nos tira daqui para ali, acolá, em pequeninos passos de aparência tão inocente quanto possível, de modo que não percebamos nossa necessidade. Jesus olhou para Pedro com amor, desapontamento e tristeza. Se Jesus alguma vez precisou de algum amigo era exatamente agora. Se Ele alguma vez precisou de alguém para fazê-Lo saber que eles ainda estavam com Ele, ainda estavam do Seu lado, era exatamente agora. Essa é a razão por que a maior angústia ao coração de Jesus veio naquela noite, quando um de Seus mais íntimos amigos negou até mesmo conhecê-Lo.

Quando o olhar de Pedro encontrou aquele olhar de Jesus, uma avalanche de recordações o atingiu. Ele se lembrou do chamado no mar, quando Jesus havia dito: “Eu farei de você pescador de homens.” Ele se lembrou da noite no lago, quando ele quase se afogou por causa de sua presunção, mas Jesus estendera a mão e o tinha salvo. Ele se lembrou de como Jesus tinha socorrido na questão do pagamento do imposto do templo. Ele relembrou como, justamente poucas horas antes, Jesus havia lavado seus pés, considerando pacientemente seus protestos. Ele se lembrou de como Jesus lhe havia dito: “Pedro, Satanás deseja tê-lo para que possa peneirá-lo como trigo. Mas Eu orei por você. Eu tenho orado por você. ” Veja S. Lucas 22:31 e 32.

Vendo o pálido rosto sofredor de Jesus,  os lábios trêmulos, as gotas de sangue, Pedro não podia suportar isso. Ele fugiu da cena e correu para fora do pátio e foi rua abaixo pela escura cidade de Jerusalém. Ele veio ao portão dourado e correu montanha abaixo, atravessando o ribeiro de Cedrom. Ele correu subindo até o outro lado do Jardim do Getsêmani e procurou ao redor, até que encontrou o lugar onde Jesus havia orado, chorado e suado gotas de sangue naquela noite. Pedro se lançou ao chão e desejou morrer. Ele sabia que de todas as dores que Jesus havia enfrentado aquela noite, o que ele havia feito tinha-O atingido mais profundamente. Tal conhecimento atingiu o próprio coração de Pedro.

Pedro nunca mais foi o mesmo outra vez depois daquela noite no jardim. A crise de sua vida havia passado. O amor e o perdão de Jesus lhe deram esperança, e desde então ele se tornou apto a falar com segurança e certeza das boas novas do que Jesus estava disposto a fazer até mesmo para o mais fraco de Seus filhos.

Uma outra pessoa naquela noite também desejou morrer, e ele foi bem-sucedido nessa tentativa. Seu nome era Judas. Judas provavelmente era o mais esperto dos doze discípulos. Ele havia compreendido o ensino de Jesus sobre o tipo de reino que Ele planejava estabelecer, e caminhou para longe disso, após uma tentativa final e desesperadora de forçar Jesus a fazer as coisas a seu modo. Quando Jesus alimentou a multidão, Judas havia tentado forçá-Lo a estabelecer Seu reino com poder terrestre. Agora ele tentou outra vez forçar Jesus a assumir o trono. Você alguma vez já lutou para pôr Jesus no trono em sua vida?

Judas havia elaborado uma trama especial. Isso realmente foi bem além das 30 moedas de prata que ele recebeu dos líderes judeus. Seu propósito real era forçar Jesus a estabelecer um reino terrestre – colocar-Se a Si mesmo no trono. Ele pensou que se entregasse Jesus nas mãos dos líderes religiosos, Ele seria forçado a operar um milagre para salvar-Se, e dessa maneira o reino de Jesus, como um novo Messias, seria estabelecido. Judas tinha certeza de que em resultado de seus métodos espertos, Jesus o apontaria como primeiro-ministro.

Tudo foi bem até a hora no Jardim, quando Judas traiu o Senhor com um beijo. Então ele disse aos sacerdotes e governantes: “Prendei-O.” Ele cria plenamente que Jesus forçaria Seus inimigos a se ajoelharem, libertaria a Si mesmo e Seus discípulos e tomaria o trono de Israel.

Entretanto, em vez disso, Judas observou à distância Jesus sendo levado como um cordeiro ao matadouro. Ele viu as mãos de Jesus amarradas. Ele O viu abusado na zombaria de um julgamento diante de Caifás. E, à medida que o julgamento se aproximava do fim, Judas teve a terrível sensação de que ele havia vendido Jesus para Sua morte.

Então veio um dos mais dramáticos momentos no julgamento de Jesus. Judas não podia mais suportar. A cena está descrita no livro O Desejado de Todas as Nações:

“Viu-se então a alta figura de Judas, comprimindo-se por entre a sobressaltada multidão. Tinha o rosto pálido e decomposto, e borbulhavam-lhe na fronte grandes gotas de suor. Precipitando-se para o trono do juízo, atirou perante o sumo sacerdote as moedas de prata, preço de sua traição a seu Senhor. Agarrando ansiosamente as vestes de Caifás, implorou-lhe que soltasse Jesus, declarando que Ele nada fizera digno de morte. … ‘Pequei’, gritou Judas, ‘traindo o sangue inocente.’ ” – Págs. 721 e 722.

Então ele se lançou aos pés de Jesus e implorou que Jesus salvasse a Si mesmo. Porém, tudo que Jesus respondeu foi: ”Para esta hora Eu vim ao mundo.”

Bem, você conhece o resto da história de Judas. Mais tarde, no caminho do Calvário, a multidão afoita foi interrompida em seu trajeto aos pés de uma árvore onde jazia o corpo de Judas, agora separado da corda que ele havia usado para se enforcar.

O julgamento diante de Caifás encerrou-se rapidamente após a confissão de Judas diante da assembléia. Sua admissão de culpa em trair Jesus tinha colocado o sumo sacerdote em uma situação desconfortável, e Caifás estava ansioso para escapar dos olhares interrogatórios e embaraçadores.

Agora era cedo, pela manhã, e qualquer coisa que eles desejassem realizar deveria ser feita rapidamente – era sexta-feira, o início da Páscoa – o espírito da multidão que havia levado as coisas assim tão longe já estava começando a arrefecer. Se eles fossem forçados a esperar até após o sábado, poderiam ter pouca esperança de levar as coisas até o fim.

Assim, o julgamento de Jesus diante dos mais elevados líderes religiosos da nação escolhida de Deus, foi levado a um encerramento. Esses sacerdotes e ministros de Seu próprio templo O tinham examinado e condenado. Eles agora O declararam digno de morte. Espantem-se, ó Céus, e admire-se, ó Terra!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

COMO TRATARAM A JESUS NO PRETÓRIO DE PILATOS

 

“Depois levaram Jesus da casa de Caifás para o pretório. Era cedo de manhã. Eles não entraram no pretório para não se contaminarem, mas poderem comer a páscoa.” S. João 18:28.

Que cena para o Universo testemunhar! O Juiz de toda a Terra foi trazido a julgamento. Ele era Aquele que havia criado o céu e a Terra. Ele tinha criado aqueles que O arrastaram e empurraram todo o caminho à sala de julgamento de Pilatos, o pretório. Ele lhes mantinha o coração batendo no peito, mesmo enquanto O acusavam. E Ele permaneceu ali silenciosamente, compreendendo plenamente que o dia viria quando aquelas mesmas pessoas se levantariam diante dEle e ouviriam Sua sentença, pronunciada sobre eles para o tempo e a eternidade, quando Ele seria o Juiz de todos.

Você alguma vez já se preocupou com o dia do juízo? Você já sentiu medo e, quem sabe, tentou não pensar nisso, porque só de pensar o deixou incomodado? Lembre-se de três coisas ao olhar para a frente, ao juízo vindouro.

Primeiro, lembre-se que você será julgado justamente. Quando Jesus foi levado a julgamento, Ele teve que encarar a experiência sabendo que não seria julgado justamente. Ele sabia que aqueles que O acusavam, estavam procurando alguma desculpa para condená-Lo. Mais do que isto, mesmo não encontrando qualquer pretexto válido para condená-Lo, eles O condenariam de qualquer maneira com falsas acusações. A corte diante da qual Ele estava era corrupta e basicamente imoral. Apesar do fato de que tudo que eles realmente tinham contra Ele era que Sua vida sem pecado era uma reprovação àqueles que eram tão pecadores, nenhuma voz foi erguida em Sua defesa. Ele não tinha a mínima chance de ser considerado inocente, de acordo com o padrão de julgamento deles.

Quando for levado a julgamento, você será julgado justamente. É isso uma boa ou má noticia? É você inocente ou culpado? É você um pecador ou não? Se você é levado a uma corte justa e correta, para ser julgado, se você tem ou não tem sido um pecador, qual será a decisão? Não é de admirar que olhemos freqüentemente para o dia do juízo com apreensão e preocupação. Sabemos que se formos julgados justamente, seremos condenados! Seremos considerados culpados. Não temos a mínima chance de ser considerados inocentes, quando medidos pela lei de Deus, Seu padrão no julgamento.

Mas, não pare ainda, há uma segunda coisa para lembrar, ao considerar o julgamento. Quando Jesus foi levado a juízo, Ele estava sozinho, não havia ninguém do Seu lado. Ninguém O defendeu das acusações apresentadas contra Ele. A acusação estava ali com toda a força – mas a defesa estranhamente ausente.

Haverá uma acusação no dia em que nos levantarmos diante do tribunal de juízo de Deus. Porém, nós também teremos um Defensor, um Advogado com o Pai, Jesus Cristo, o Justo. Nós não teremos que nos levantar sozinhos diante das acusações do inimigo. Haverá Um que Se levantará ao nosso lado, e Ele foi não apenas tentado como nós, mas também foi levado a juízo. Ele também foi condenado e pagou penalidade que não merecia, tanto que Ele pode agora colocar Sua própria justiça a nosso crédito, de modo que possamos ser absolvidos, o que Ele merecia. Ele foi a julgamento por nós. Ele foi condenado por nós, Ele foi punido por nós.

Naturalmente, o que precisamos relembrar quando pensamos na vinda do dia do juízo é que esse mesmo Jesus que é nosso Defensor e que foi julgado por nós, também será o nosso Juiz. Que mais poderia Ele fazer para garantir que nos será dada toda oportunidade de perdão?

Entretanto, para Ele, naquele dia, diante de Pilatos, não havia nenhuma esperança de perdão, de misericórdia e de justiça. Os líderes judeus que O arrastaram diante de Pilatos nem mesmo entrariam na sala de julgamento. Eles queriam estar cerimonialmente limpos para a chegada da Páscoa, que indicava Sua morte por eles. Assim, insistiram que Ele fosse condenado à morte, no pátio, fora da sala de julgamento, para que eles pudessem ir para casa a tempo, para o fim-de-semana da Páscoa.

O pecado faz coisas estranhas ao nosso julgamento humano, não é?

“Então Pilatos saiu para lhes falar e lhes disse: Que acusação trazeis contra este homem? Responderam-lhe: Se Este não fosse malfeitor, não to entregaríamos.”

Em outras palavras, não nos questione! Nós somos os chefes aqui, somos os líderes dessa nação, você não sabe com quem está falando? “Replicou-lhes, pois, Pilatos: Tomai-O vós outros e julgai-O segundo vossa lei.” Ele disse, se vocês são os chefes, então por que O estão trazendo a mim?

“Responderam-lhe os judeus: A nós não nos é lícito matar ninguém; para que se cumprisse a palavra de Jesus, significando o modo por que havia de morrer. Tornou Pilatos a entrar no pretório, chamou Jesus e perguntou-Lhe: És Tu o rei dos judeus? Respondeu Jesus: Vem de ti mesmo esta pergunta, ou to disseram outros a Meu respeito?

“Replicou Pilatos: Porventura sou judeu? A Tua própria gente e os principais sacerdotes é que Te entregaram a mim. Que fizeste?

“Respondeu Jesus: O Meu reino não é deste mundo. Se o Meu reino fosse deste mundo, os Meus ministros se empenhariam por Mim, para que não fosse Eu entregue aos judeus; mas agora o Meu reino não é daqui.” S. João 18:29-36.

Note particularmente a frase: ”Meu reino não é deste mundo. Se o Meu reino fosse deste mundo, os Meus ministros se empenhariam por Mim.” Judas tinha se empenhado em forçar Jesus ao trono – a lutar para colocá-Lo lá. Esse era o seu estilo. Ele cria na luta por aquilo que ele queria. Ele cria no uso da força, tentando fazer as coisas ocorrerem por ele mesmo. Ele não cria em esperar que Deus agisse. Ele queria fazer por si mesmo.

Jesus, entretanto, diz: “Meu reino não é deste mundo. Se fosse, então Meus servos lutariam.” Porque Seu reino não era deste mundo, então não era de se supor que Seus servos lutassem para alcançar seus próprios alvos. Seria possível supor que não devamos lutar para trazer vitórias também ao reino espiritual?

Se você analisa o uso da palavra reino nos Evangelhos, descobre que Jesus está falando ou do reino de graça – ou do reino da glória. Ele usava o termo reino, ou reino do Céu, repetidamente. Freqüentemente Suas parábolas começavam com as palavras: “O reino do Céu é semelhante… ”

O reino da graça inclui tanto o perdão de Deus quanto Seu poder. E, para qualquer dessas dádivas, não é de se supor que os servos de Deus lutem. Não podemos adquirir ou merecer nosso caminho para o Céu. Nem podemos lutar para obter vitória, obediência e sucesso. Se o reino de Jesus fosse deste mundo, então Seus servos precisariam lutar contra o pecado e o demônio, lutar para obedecer, lutar para entregar-se, lutar pela vitória. Mas Jesus disse: ”Meu reino não é deste mundo.”

As bênçãos do reino celestial devem ser recebidas como dádivas. Perdão é uma dádiva. Arrependimento é uma dádiva. Vitória é uma dádiva. Obediência é uma dádiva. E você não luta por aquilo que lhe é dado como uma dádiva.

Pedro tinha compreendido mal. Ele tinha desembainhado sua espada e então fugiu de Jesus, quando viu que lutar não era o objetivo. Agora ele estava prostrado no Jardim, desejando morrer. Judas tinha compreendido mal. Agora ele jazia amontoado, sem vida, sob o galho de uma árvore, ao lado do caminho para o Calvário. Pilatos tinha compreendido mal e escolheu dar atenção ao clamor da multidão, em vez de ouvir as serenas palavras de Jesus, que lhe ofereciam a dádiva de um reino onde não seria necessário lutar. Então ele tentou evadir-se da dolorosa decisão, enviando Jesus a Herodes, que também tinha compreendido mal a natureza do reino de Cristo. Pilatos decidiu passar o problema para Herodes.

“Herodes, vendo a Jesus, sobremaneira se alegrou, pois havia muito queria vê-Lo, por ter ouvido falar a Seu respeito; esperava também vê-Lo fazer algum sinal. E de muitos modos O interrogava; Jesus, porém, nada lhe respondia.”

Jesus não falou uma única palavra a Herodes.

“Os principais sacerdotes e os escribas ali presentes O acusavam com grande veemência. Mas Herodes, juntamente com os da sua guarda, tratou-O com desprezo e, escarnecendo dEle fê-Lo vestir-se de um manto aparatoso e O devolveu a Pilatos.” S. Lucas 23:8-11.

Ao ler essa história pela primeira vez, me senti feliz. Herodes era aquele que havia matado João Batista – aquele que, em sua festa de embriaguez, tinha feito um ousado juramento a Salomé. Assim, por algum tempo, parecia ser até mesmo cristão regozijar-se em ver o frio tratamento que Herodes recebeu de Jesus aquele dia! Essa era minha reação. Esta é a maneira de tratar Herodes, Senhor! Bem feito para Herodes! Ignore-o. Repreenda-o. Seja vingativo. Fiquei contente em descobrir que ser assim ignorado teria sido o mais duro golpe que Herodes poderia ter recebido.

Então cheguei a compreender que Jesus não é desse jeito. Jesus veio para morrer por Herodes, bem como por você e por mim. Assim, você não vê Jesus ali de queixo erguido, vingando-Se. Em vez disso, você vê Jesus com o queixo trêmulo, com silenciosas lágrimas fluindo, porque mais um de Seus amigos, tão belamente criado, O desprezara. Você vê Jesus, com o coração quebrantado, aceitar a decisão que Herodes já havia tomado.

Como Herodes chegou a tomar essa decisão contra Cristo? Rejeitando o espírito de profecia! (Você gostou disso? Você não esperava que isso aparecesse aqui, não é? Mas é verdade?) João Batista foi um dos maiores profetas. De fato, segundo o relato do evangelho, João Batista era mais do que um profeta. Ele era chamado o mensageiro do Senhor. E a trágica conclusão da história de Herodes é que se você é inimigo do mensageiro do Senhor, inimigo dos profetas, você será inimigo de Jesus também. Os dois sempre vão juntos.

“Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tão pouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.” S. Lucas 16:31. Herodes havia rejeitado a verdade falada a ele pelo profeta, e nenhuma outra mensagem lhe seria dada. Jesus aceitou a escolha de Herodes porque não havia outra maneira de alcançar-lhe o coração.

Com ira e humilhação, Herodes enviou Jesus outra vez de volta à corte de Pilatos. Vamos acompanhar a história em S. Mateus 27. Desta vez temos a Sra. Pilatos aparecendo em cena. “E estando ele no tribunal, sua mulher mandou dizer-lhe: Não te envolvas com Esse justo; porque hoje, em sonho, muito sofri por Seu respeito.” Verso 19.

Talvez isso tenha ocorrido semanas ou até meses atrás. Pilatos e sua esposa estavam assentados na mesa do café da manhã. Pilatos estava comendo seu pão e tomando café e a Sra. Pilatos estava ajudando-o, apresentando o jornal da manhã, com o noticiário de Jerusalém! Ela chamou sua atenção para os títulos e noticias, aqui e ali, que tinham a ver com Jesus de Nazaré. Ela devia ter ouvido sobre Jesus e tinha um suave lugar no coração para Ele, antes dessa época. Ela devia estar buscando a verdade.

Ela era o tipo de pessoa com quem Deus podia Se comunicar, e ela teve um sonho que lhe causou sofrimento. Ela viu Jesus sendo julgado na sala de julgamento. Viu que seu marido não O libertou como deveria ter feito. Ela viu a cruz do Calvário e o corpo ensangüentado de Jesus pendurado entre o céu e a Terra. Ela ouviu Seu lamento: “Está consumado.” Então ela viu ainda mais além, no futuro, ao tempo quando Jesus voltará à Terra em poder e majestade. Foi então que ela acordou e enviou uma urgente mensagem a seu marido, advertindo-o do erro que ele estava por cometer.

Pilatos, porém, ainda foi adiante, involuntariamente, desejando de algum modo, tanto libertar Jesus, quanto pacificar a irada multidão. Mas, no final, ele agiu sutilmente e sacrificou Jesus, tentando manter a aprovação da multidão. Isso nos leva de volta a S. João 18. Pilatos está tentando um último golpe desesperado com a multidão e seus líderes. Ele diz: “É costume entre vós que eu vos solte alguém por ocasião da Páscoa; quereis, pois, que vos solte o rei dos judeus? Então gritaram todos, novamente: Não este, mas Barrabás! Ora, Barrabás era salteador.” Versos 39 e 40.

Futon Oursler,  em seu livro The Greatest Story Ever Told (A Maior História Já Contada), apresenta Barrabás como um zelote – um revolucionário anti-Roma. Ele era bem conhecido como ladrão e salteador. Porém, os líderes religiosos escolheram Barrabás, o que era em essência escolher a ilegalidade. Optando por Barrabás, eles estavam escolhendo alguém que não cria que a lei deveria ser obedecida. Se tivessem escolhido Jesus, teriam escolhido respeito pela lei de Deus, pela obediência e pela vitória.

Quão sutilmente esses mesmos temas têm surgido até mesmo na igreja hoje. Outra vez encontramos a escolha entre Cristo e Barrabás. Qual deles está você escolhendo em sua vida? Está você aceitando companheirismo e comunhão com Cristo, como um modo de vida, como o método para receber Seus dons de perdão e vitória? Ou está você escolhendo Barrabás, lutando suas próprias batalhas e acomodando-se na crença de que a lei não precisa ser obedecida?

O povo de Israel havia feito sua escolha. Eles escolheram Barrabás. A decisão nunca foi alterada.

“Logo a seguir, os soldados do governador, levando Jesus para o pretório, reuniram em torno dEle toda a coorte. Despojando-O das vestes, cobriram-no com um manto escarlate; tecendo uma coroa de espinhos puseram-Lha na cabeça, e na mão direita um caniço; e, ajoelhando-se diante dEle, O escarneciam, dizendo: Salve, Rei dos judeus! E, cuspindo nEle, tomaram o caniço, e davam-Lhe com ele na cabeça. Depois de O terem escarnecido, despiram-Lhe o manto, e O vestiram com as Suas próprias vestes. Em seguida O levaram para ser crucificado.” S. Mateus 27:27-31.

Jesus que, como Criador do Universo, poderia ter em um momento convocado o auxílio de dez mil anjos, para libertá-Lo da horrível cena, continuou submetendo-Se à morte, por amor a você e a mim – até mesmo à morte na cruz.

 

 

 

O  CAMINHO  DA  CRUZ

 

Imagine que você é Simão.

Você fez uma longa jornada para alcançar a Palestina. Seu lar é na África do Norte, mas, você, sua esposa e os dois filhos, Alexandre e Rufo, agora vivem em algum lugar perto de Jerusalém. Nessa particular manhã, você está vindo bem cedo do campo. Isso é muito incomum. Como você sabe, as pessoas nessa parte do campo trabalham fora dos muros da cidade durante o dia, cultivando o solo, e voltam à noite para a segurança da cidade. Talvez, nesse dia particular, você tenha esquecido sua enxada ou alguma outra ferramenta necessária para seu trabalho. Mas você entra na cidade exatamente na hora certa de encontrar uma estranha procissão.

Você vê soldados tentando controlar a multidão, sacerdotes e administradores nas suas longas túnicas, e pessoas em várias fileiras. Eles estão seguindo três homens que carregam cruzes. Você vê nove homens seguindo a certa distância, com vergonha e tristeza em suas faces.

Você olha mais aguçadamente para três homens que são obviamente condenados. Dois deles são ladrões. Eles são bem fortes, musculosos, de feições duras e lutando com os soldados que os estão forçando no caminho. Eles estão bem aptos a carregar o fardo colocado em seus ombros.

O terceiro Homem também é forte e musculoso. Ele trabalhou em uma carpintaria sem o benefício de poderosas ferramentas, a maior parte de Sua vida. Porém, há alguma coisa diferente nele. Há uma expressão em Sua face que atrai a atenção. Ele está com o rosto ferido e intumescido. Ele teve que enfrentar alguma coisa que os outros dois não tiveram. Desde o dia anterior, Ele está sem Se alimentar e sem beber. Ele lutou sozinho no Jardim do Getsêmani, em conflito com os poderes das trevas. Enfrentou nada menos que sete julgamentos. Foi injuriado pela multidão. Por duas vezes, foi afligido. E agora Sua natureza não pode mais suportar. Ao você observar, Ele cai desfalecido sob a cruz.

Dos nove homens que são Seus seguidores certamente um deles dará um passo à frente nessa hora crucial. Três dos doze originais estão faltando. Um deles jaz encolhido e morto embaixo de uma árvore um pouco adiante do trilho. Outro ainda está cabisbaixo no jardim chamado Getsêmani com o coração quebrantado por ter negado seu melhor Amigo. E o terceiro aparecerá um pouquinho mais tarde, para nossa surpresa e alegria.

Porém, esses nove homens, estão se afastando. Eles estão cheios de amargura, prostrados pela frustração. Eles mantêm distância. Estão cheios de tristeza pela dor de seu Mestre, e no entanto permanecem longe, cedendo ao temor e à vergonha. Nenhum deles está disposto a oferecer-Lhe auxílio.

E você, Simão, está surpreso e assustado. Você não é do tipo que foge. Você não mantém as coisas embutidas dentro de você. Assim, você exclama: “Isto é incrível! Por que alguém não ajuda esse Homem?”

Os soldados o ouvem. Eles estão perdidos sem saber o que fazer. É visível, para todos que observam, que é impossível Jesus continuar carregando a cruz. Ele mal consegue ficar em pé, até mesmo sem a pesada cruz de madeira de lei. Assim, os soldados aproveitam alegremente a oportunidade de obrigarem você a colocar a cruz desse terceiro Homem em seus ombros.

Talvez sua primeira reação seja pensar: ”Bem, é isso que eu ganho por abrir minha boca.” Mas, ao tomar a cruz e unir-se à procissão, você ouve o nome desse Indivíduo por quem sua simpatia foi despertada. É Jesus. Jesus! Seus dois filhos, Alexandre e Rufo lhe falaram sobre esse Homem. Eles já O haviam visto antes. Tinham ouvido Seus ensinos. Vieram para casa com o rosto excitado, dizendo-lhe que eles criam que Ele era o Messias. Você sempre havia tentado investigar um pouco mais, mas nunca tomara tempo para fazê-lo. Agora você está sendo forçado a carregar-Lhe a cruz.

Exatamente aqui, eu gostaria de parar por um momento nesta história. Eu gostaria de convidar você, que está lendo, a considerar – alguma vez, você já foi forçado a carregar a cruz? É você um membro da igreja de segunda – ou terceira – ou quarta geração, cujos pais e avós o têm forçado a carregar Sua cruz? É você uma pessoa jovem de um lar cristão, forçado a carregar Sua cruz? Está você empregado na igreja como professor, pastor ou em algum outro trabalho, e sente que, para manter o seu emprego, é forçado a carregar Sua cruz? Eu gostaria de relembrar-lhe que isso não é totalmente mau. Por favor, observe as bênçãos de Simão ao continuarmos a história.

Você continua a carregar a cruz caminho acima, em direção ao Calvário, e começa a olhar ao seu redor, para as pessoas da multidão. Os sacerdotes e administradores se juntaram com os mais baixos da sociedade, lançando insultos e zombarias no rosto de Jesus. Eles estão vaiando e uivando com o resto da multidão. Os soldados, com seus chicotes e espadas, continuam tentando manter a procissão na estrada, embora você note que, freqüentemente, um deles se vira para Jesus, com um olhar de relance.

A multidão é composta em sua maioria de pessoas que amam o sensacionalismo, não importa qual seja a fonte. São pessoas que podem unir-se à procissão triunfal um dia e gritar: “Hosana ao Rei” – e então unir-se clamando: “Crucifica-O” – justamente porque é popular fazê-lo. São pessoas que seguem onde quer que a multidão vá em seu fluxo e refluxo. Elas não pensam por si mesmas, mas seguem as vozes, unindo-se com as vozes que gritam mais alto em qualquer momento.

Alguns nessa multidão foram curados por Jesus, o que prova que é necessário algo mais que um mero milagre para torná-lo um crente. Alguns levaram seus amados a Jesus e receberam o auxílio que Ele nunca recusou dar. Mas agora eles são, exatamente parte da multidão de maneira indistinguível entre os demais.

A procissão pára. Ali perto há um grupo de mulheres – mulheres que possuem natureza sensível. Mulheres cujas lágrimas fluem facilmente quando confrontadas pela tristeza e dor. Essas mulheres são as únicas que Jesus parece notar. E Ele Se detém para falar com elas.

Gostaríamos de pensar que essas mulheres eram verdadeiras crentes em Jesus, que elas O aceitaram como o Messias e estavam chorando por Ele como seu Senhor e Salvador. Mas a evidência é que elas estavam chorando simplesmente pelo drama e emoção do momento. É possível chorar hoje se o botão certo do sistema nervoso for tocado. As lágrimas podem fluir ou cessar de fluir e a pessoa continua sem se modificar. Talvez esta seja a razão por que Jesus disse a elas: “Não choreis por Mim, chorai antes por vós mesmas e por vossos filhos.” Ele tenta mostrar-lhes, além da emoção do momento, a real necessidade de seus corações.

Subitamente, você percebe o terceiro dos discípulos que estava faltando. Ele é João – o discípulo que sempre esteve ali com Jesus. Ele não abandonou Jesus nesses momentos de crise. Ele está amparando Maria, a mãe de Jesus, na hora de sua necessidade. Certamente João teria carregado a cruz de Jesus se ele já não tivesse assumido essa importante tarefa. Agora ele caminha com Maria, ao ela seguir seu Filho o mais próximo possível.

Você observa Maria por alguns momentos. Seu rosto está banhado de lágrimas. Ela se debruça em João por apoio, mas segue determinadamente os passos de seu amado Filho. Talvez ela esteja se lembrando do dia em que o anjo veio, falando-lhe do Filho que logo lhe nasceria. Talvez ela esteja relembrando um menino de oito anos, levando o texto sagrado debaixo do braço, dirigindo-Se para as montanhas, bem cedo pela manhã, para um tempo sem interrupções de comunhão com Seu Pai celestial. Talvez ela se recorde do dia em que Ele fechou a carpintaria, deu-lhe um beijo de despedida, e saiu para a Sua estranha missão. Talvez ela esteja se lembrando, com o coração prostrado, Suas palavras, predizendo exatamente esse acontecimento. Ela pode ter ouvido outra vez as palavras de Simeão no templo: “Este menino está destinado tanto para ruína como para levantamento de muitos em Israel, … e a espada traspassará a tua própria alma. ” Veja S. Lucas 2:34 e 35. Exatamente agora a espada está cortando e ferindo.

Porém, ao longo de todo caminho à cruz, Aquele que você viu com mais seriedade é Aquele cuja cruz você está carregando. Seu coração é quebrantado ao você ver a intensa agonia que Ele sofre. Você vê Seus trôpegos passos, Suas costas encurvadas, Suas gotas de sangue caindo continuamente. Você vê o olhar de paz e aceitação mesmo em meio à dor. Você vê Sua prontidão de esforçar-Se ao longo do caminho ao Calvário.

Os ladrões lutam e tentam escapar. Os soldados precisam observar constantemente, para mantê-los na linha. Mas esse Homem, cuja cruz você está carregando, é diferente. Ele segue voluntariamente, apesar de mal conseguir pôr um pé na frente do outro. Você observa e questiona, até que finalmente é alcançado o destino.

Os ladrões são subjugados pelos soldados romanos e colocados em suas cruzes. Mas Jesus Se submete mansamente, deitando e estendendo as mãos enquanto eles trazem os martelos e pregos. Você ouve os soluços da mãe de Jesus, as maldições dos ladrões e soldados, os insultos da multidão. E então você ouve a própria voz de Jesus e se inclina para captar Suas palavras. Você O escuta dizer: “Pai, perdoa-lhes porque eles não sabem o que fazem.”

Subitamente seu coração é quebrado com o amor por esse Homem. E você grita: Pai, perdoa-me também. Perdoa-me por esperar. Perdoa-me por não tomar a decisão de procurar conhecer mais esse Homem. Perdoa-me por duvidar quando meus filhos me contaram sobre Jesus e perdoa-me por ter-me ressentido ao ter de carregar Sua cruz.

E ao você olhar para Ele em meio às suas lágrimas, Ele lhe diz: “Muito obrigado, Simão. Muito obrigado por carregar Minha cruz.” E ao você olhar novamente para Ele, você diz: “Muito obrigado. Muito obrigado, Senhor.” Você viu um pouquinho de como Jesus tratava as pessoas. Você viu como as pessoas, em resposta, trataram a Jesus. Há apenas duas escolhas no final. Você pode unir-se aos soldados, pregando Jesus na cruz, crucificando-O outra vez. Ou você pode unir-se a Simão em carregar Sua cruz.

Apenas duas escolhas – e a escolha está em suas mãos.

 

Uma ideia sobre “LIVRO COMO JESUS TRATAVA AS PESSOAS”

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