LIVRO COMO CONHECER A VONTADE DE DEUS

CONTEÚDO

 

 

A Vontade de Deus em sua Vida . . . . . . . . . . . . . . . .   3

Passo 1: A Vontade de Deus e sua vontade . . . . . . . .  12

Passo 2: A Vontade de Deus e seus Sentimentos . . . .  21

Passo 3: A Vontade de Deus e Sua Palavra . . . . . . . .  29

Passo 4: A Vontade de Deus e Sua Providência  . . . .   36

Passo 5: A Vontade de Deus e seus Amigos  . . . . . . .  46

Passo 6: A Vontade de Deus e sua Oração . . . . . . . .   56

Passo 7: A Vontade de Deus e sua Decisão . . . . . . . .  64

Passo 8: A Vontade de Deus e as Portas Giratórias . . . 70

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A  VONTADE  DE  DEUS  EM  SUA  VIDA

 

Gostaria você de conhecer o futuro? Desejaria saber escolher acertadamente nas decisões com que se depara? Crê que Deus tem um plano para sua vida e sabe como descobrir o que inclui esse plano?

O mundo está cheio de pessoas que procuram conhecer o futuro, que andam cambaleando em busca de orientação. Os mapas astrológicos estão à venda em toda parte. Ainda proliferam os cartomantes e os quiromantes. Em todo lugar as pessoas querem saber o que ocorrerá em seguida e como preparar-se para isto.

Este impulso e curiosidade por desvendar o amanhã é parte integrante do ser humano.

Para o cristão, uma das perguntas que se faz com mais freqüência é como conhecer a vontade de Deus em sua vida. Às vezes nos sentimos frustrados pela aparente falta de orientação divina em nossos dias e em nossa era. Rememoramos os tempos bíblicos, quando vinham anjos e caminhavam com os homens ao meio-dia, quando os profetas estavam vivos e de boa saúde, e nos sobrevem o desejo de que tivéssemos o mesmo acesso ao conhecimento da vontade de Deus.

Por outro lado, o cristão imaturo freqüentemente lança mão de expedientes e de manobras de feitura humana, tais como atirar para o ar uma moeda ou tirar a sorte com papelinhos ou desenvolver alguma elaborada fórmula repetitiva para seguir, a fim de tornar conhecida a Sua vontade.

A orientação recebida de tais métodos pode vir do acaso, ou mesmo do próprio diabo. Mesmo o ateísta poderia empregar moedas e papelinhos numa tentativa para chegar a alguma decisão.

Por outro lado, o cristão intelectual conclui que Deus nos deu toda a orientação que pretendia dar quando nos criou com mente que pode pensar e raciocinar. Os saduceus dos dias de Cristo eram vítimas desta filosofia e concluíram que depois de trazer o homem à existência, Deus o abandonou aos seus próprios caprichos. Acreditavam que o método pelo qual a humanidade poderia conhecer a vontade de Deus para sua vida era o simples processo de cogitar e tomar uma decisão arbitrária. Mais uma vez, porém, se a lógica e a razão continham todo o método de Deus de comunicar a Sua vontade, os ateus e infiéis poderiam, tanto quanto o cristão, ter a certeza de acertar na escolha, e a orientação tornar-se-ia uma questão de Q.I. [quociente de inteligência], em vez de discernimento espiritual.

Talvez todos nós tenhamos usado uma destas abordagens em alguma ocasião em nossa vida, quer seja concluindo que tudo quanto decidimos deve ser também decisão de Deus ou tentando um dos truques por falta de um método melhor.

No colégio, um ano, eu tive de tomar uma decisão concernente ao meu trabalho no verão. Nesse verão especifico, eu iria colportar. Depois de escrever algumas cartas pedindo informação aos vários lugares em que eu poderia ir, acabei recebendo três convites: para Washington, Texas e Wyoming.

Parecia-me que uma das três escolhas deveria ser melhor, ou mesmo a melhor das três, e assim eu queria a orientação divina a fim de tomar a decisão acertada. Depois de considerar como isto poderia ser feito, decidi-me por um método um tanto sofisticado. Tomei uma pilha de papel, rasguei-a em pequenos pedaços e depois dividi os pedaços em quatro pilhas iguais. Então escrevi “Washington” em uma das pilhas de papéis, “Texas” na outra, e “Wyoming” na terceira pilha. Deixei em branco a quarta pilha de papéis, a fim de ser justo para com Deus e dar-Lhe a opção de “nenhuma das anteriormente citadas”. Você terá de admitir que esta foi uma operação cuidadosamente planejada!

Então eu coloquei em um chapéu todos os pedaços de papel e os agitei para cima e para baixo a fim de misturar os pedaços. Depois disto, ajoelhei-me e orei para que Deus me guiasse na decisão que eu iria tomar e que se eu deveria ir a um destes três lugares ou a algum lugar desconhecido, Ele me fizesse saber Sua vontade levando-me a tirar a mesma resposta três vezes seguidas.

Puxei uma tira de papel. Ela azia “Wyoming”. Recoloquei aquela tira de papel, agitei um pouco mais o chapéu e puxei uma segunda tira. “Wyoming”! Eu estava começando a ficar emocionado! Repus a segunda tira, agitei o chapéu mais uma vez e apanhei a terceira tira. “Wyoming”! Três vezes em seqüência!

Eu fiquei entusiasmado! Estava pronto a sair naquela mesma noite e comprar minhas botas de vaqueiro e chapéu de abas largas! Mas sendo que já era tarde demais para ir fazer compras, fiz a melhor coisa que poderia fazer em seguida e sai apressadamente pelo campus para a casa do meu professor de Bíblia favorito a fim de contar-lhe as boas novas.

Para meu espanto, ele franziu o sobrolho e me passou uma descompostura! Realmente ele me repreendeu com severidade, dizendo-me que esta era uma maneira muito imatura de descobrir a vontade de Deus, e quando ele terminou eu não estava mais eufórico. Meu queixo se movia com dificuldade em todo o caminho de volta pelo campus, e fui dormir naquela noite como um estudante muito desanimado.

Mas eu ainda tive de tomar a decisão. Durante o dia seguinte, comecei a refletir sobre Gideão. Ora, há um exemplo bíblico para você – o bom e velho Gideão! Ele pediu a Deus um sinal, não uma vez, mas duas. E Deus honrou sua petição fazendo com que o velo de lã ficasse primeiro molhado, depois seco. Quanto mais eu pensava acerca de Gideão, mais me convencia de que o meu professor de Bíblia afinal não sabia tudo!

De sorte que naquela noite eu me lembrei do Deus de Gideão e lancei mão do meu chapéu pela segunda vez. Agitei-o completamente e mais uma vez puxei três tiras de papel. “Wyoming”, “Wyoming” e “Wyoming” – três vezes consecutivas também na segunda noite.

Agora eu fiquei outra vez emocionado! Saí correndo através do campus – mas não para a casa do mesmo professor de Bíblia. Ele obviamente não tinha apreciado o milagre que estava ocorrendo, de sorte que decidi tentar algo mais. Desta vez escolhi outro professor de Bíblia e contei-lhe sobre o que havia acontecido – duas noites em seguida.

Ele não foi mais encorajador do que fora o primeiro professor. Também reprovou-me por meus métodos imaturos e sugeriu que não havia nenhuma garantia de que Deus preferisse comunicar-Se por intermédio do sistema que eu tinha montado.

Assim lancei fora os pedaços de papel, e naquele verão acabei indo para Nebraska! Eu indagava freqüentemente o que teria acontecido se eu tivesse ido para Wyoming.

Eu realmente não estou disposto a descartar inteiramente esta experiência. Deus muitas vezes vai ao encontro das pessoas onde elas estão e graciosamente responde à sua procura dEle, mesmo quando não compreendem muito sobre Ele. Mas talvez a maior lição que recebi do Senhor nesta experiência foi uma melhor compreensão de como procurar Sua orientação de acordo com o que revela a Sua Palavra como os melhores métodos para buscá-Lo!

Se você leu as biografias de George Müller, sabe que seu desempenho para compreender a orientação do Senhor foi impressionante. Durante os primeiros vinte anos da sua lida Müller foi um réprobo. Após a sua conversão, iniciou um ministério que deveria durar mais de cinqüenta anos, dirigindo orfanatos para os meninos de rua de Bristol. Nunca teve um homem para cuidar de relações públicas. Jamais anunciou suas necessidades. Sempre que necessitava de dinheiro, alimento, ou roupas para seus órfãos, não dizia a ninguém, mas dirigia-se ao seu gabinete de estudo e orava. Durante sua existência, George Müller recebeu milhões de dólares exclusivamente em resposta à oração.

Uma vez Müller estava em um navio no Atlântico, em direção de Bristol. Caiu o nevoeiro, e o capitão do navio que posteriormente contou a história estivera em seu posto par três dias, guiando o navio a passo de lesma. Müller aproximou-se dele e disse:

– Capitão, preciso estar em Bristol no sábado.

– Não há nenhum meio de você estar em Bristol no sábado – respondeu o capitão. – Não vê o nevoeiro?

– Meus olhos não estão no nevoeiro, mas no Deus vivo – disse Müller. – Capitão, não quer ir comigo lá embaixo e orar para que Deus remova o nevoeiro?

O capitão seguiu Müller para o porão do navio, e eles se ajoelharam juntos. Müller proferiu uma oração tão simples que um menino da Escola Dominical poderia ter orado. “Querido Jesus, Tu sabes a respeito do encontro que marcaste para mim em Bristol no sábado, assim por favor afasta o nevoeiro. Amém.” O capitão estava tentando manufaturar algum tipo de oração, mas Müller o deteve.

– Em primeiro lugar, o senhor não crê que Deus possa fazer isto – disse ele – e em segundo lugar, creio que Ele já o fez. Se o senhor retornar à ponte de comando, perceberá que o nevoeiro se foi.

O capitão saiu lá fora e descobriu que o nevoeiro tinha realmente desaparecido, exatamente como Müller dissera. Eles estavam no sábado em Bristol.

Como é possível estar tão certo da vontade de Deus? Como poderia Müller viver com tal certeza? Quando alguém que está tão sintonizado com a vontade do Senhor começar a partilhar com você sobre como conhecer a vontade de Deus, escute. Perto do final de sua piedosa vida, Müller legou sete passos para se conhecer a vontade de Deus. Eu os conferi com o material inspirado sobre o assunto e acrescentei mais um. Eu gostaria de convidá-lo a estudar estes passos e fazer uso deles em sua própria vida. Enumeraremos os oito pontos e então os consideraremos mais detalhadamente em cada um dos oito capítulos seguintes.

  1. Nenhuma vontade própria sobre o determinado assunto. Sua própria vontade é neutra. Isto não significa que você não terá nenhuma preferência, mas que você está disposto a ir por qualquer caminho que Deus dirija. Isto só é possível para alguém que está envolvido em comunhão diária com Deus, porque não podemos levar-nos a nós mesmos à rendição. Deus deve fazer isto por nós. O exemplo de Jesus nisto está registrado em S. Mateus 26:39 e S. João 4:34.
  2. Não se deixe levar simplesmente pelo sentimento. Realmente, você não se conduz por um único passo, seja qual for. É a combinação de todos os oito juntos que é significativa. Mas freqüentemente existe a tentação de tomar sua decisão à base de sentimentos, de sorte que esta é uma advertência. Não faça isto! Conquanto o Espírito Santo muitas vezes dirija através das impressões sobre o coração (veja Isaías 30:21), nunca deveríamos tomar uma decisão baseados exclusivamente em sentimentos.
  3. Estude a Palavra de Deus para ver o que está revelado que possa orientar na presente decisão. Deus sempre nos guia através da Sua Palavra, nunca contrário a ela. Veja Salmo 119:105. Pode não haver informação específica sobre sua decisão particular, embora haja freqüentemente princípios que se ajustam. Mas você pode sempre ir à Palavra em busca de comunicação.
  4. Considere as circunstâncias providenciais. “Recordar-te-ás de todo o caminho pelo qual o Senhor teu Deus te guiou.” Deuteronômio 8:2. Olhe para a orientação de Deus no passado e veja como a atual decisão poderia ajustar-se num padrão que já foi desenvolvido.
  5. Consulte-se com amigos piedosos. Este é o passo que eu adicionei à lista de Müller. Encontra-se em Provérbios 11:14 e Salmo 1:1. Não consulte com seus amigos ímpios! E mais uma vez, não tome toda a sua decisão baseado no que seus amigos dizem. Mas ponha o conselho deles em sua pasta para ajudá-lo a chegar a uma decisão.
  6. Peça a Deus, em oração, que lhe revele Sua vontade concernente à decisão que você vai tomar. Veja S. Tiago 1:5.
  7. Tome uma decisão! Baseado no que tem transcorrido antes, nos primeiros seis passos, tome uma decisão. Não espere por um sinal ou um raio do céu. Considere com oração o peso da evidência e decida-se. E diga a Deus qual é a sua decisão.
  8. Prossiga com sua decisão, convidando a Deus que o detenha se você errou o alvo. Seja então sensível às portas giratórias. Deus sabe abrir e fechar as portas. Às vezes você pode achar uma porta batida em seu rosto. Isto já aconteceu comigo ocasionalmente! E geralmente porque eu falhei no passo um. Mas mesmo o apóstolo Paulo às vezes encontrou portas batidas em seu rosto. Você pode ler sobre isto em Atos 16:6-9.

São estes os passos, e para aqueles dentre nós que os têm utilizado através dos anos ao tomar decisões e ao procurar conhecer a vontade de Deus nessas decisões, descobrimos que eles são extremamente proveitosos.

Deus tem uma vontade. Ele está interessado em guiá-lo nas decisões da sua vida. Ele tem um plano para você, e sua maior felicidade será encontrada em seguir este plano. Se é a Sua vontade que você vá a Nínive, não será igualmente satisfatório que você se dirija a Társis. Deus sabe o que será o melhor para você e o que trará a maior bênção aos outros, e Ele está disposto a tornar conhecida Sua vontade àqueles que estão dispostos a ouvir.

Em Salmo 32:8 é dada a promessa: “Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir; e, sob as Minhas vistas, te darei conselho.” Diz S. João 10:3-5: “As ovelhas ouvem a sua voz, ele chama pelos nomes as suas próprias ovelhas e as conduz para fora. Depois de fazer sair todas as que lhe pertencem, vai adiante delas, e elas o seguem porque lhe reconhecem a voz; mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão dele porque não conhecem a voz dos estranhos.” Davi orou: “Guia-me pelo caminho eterno.” Salmo 139:24. Diz Provérbios 3:5 e 6: “Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-O em todos os teus caminhos, e Ele endireitará as tuas veredas.” Paulo nos diz em Romanos 12:2: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” E diz Jeremias 10:23: “Eu sei, ó Senhor, que não cabe ao homem determinar o seu caminho, nem ao que caminha o dirigir os seus passos.”

Poderíamos citar muitas outras referências bíblicas para provar o ponto. Deus quer dirigir-nos, guiar-nos, manifestar-Se a nós. Não quer que nos estribemos em nossa própria e débil sabedoria, nem que tropecemos nas trevas, sem saber se estamos ou não escolhendo acertadamente. Ele tem uma vontade, e quer revelar-nos esta vontade.

Mas há uma importante premissa para compreender a vontade de Deus que queremos sublinhar e enfatizar antes de prosseguirmos. Para aquele que está realmente procurando conhecer a vontade de Deus, haverá uma busca diária para conhecer a Deus. O assunto da orientação ou direção não é uma rotina semelhante a uma escada de incêndio, que invoca a Deus somente quando há uma grande decisão a ser enfrentada. É buscando dia a dia conhecer a vontade de Deus, por meio da oração e do estudo da Sua Palavra, que somos levados a uma situação de começar a conhecer Sua vontade até mesmo em relação aos detalhes de nossa vida diária.

Suponha que eu lhe estivesse dando uma lista de passos para o seu uso em aprender a nadar. Suponha, outrossim, que você estivesse seguindo as instruções contidas na lista, prendendo a respiração, movendo os braços, pondo as mãos em forma de concha e batendo os pés. Suponha que finalmente você voltasse a mim e dissesse: “Isto não funciona! Eu ainda não sei nadar.” E ao discutirmos a dificuldade, descobríssemos que você jamais percebeu que era obrigado a estar dentro d’água! Isto representaria uma séria interrupção na comunicação, não é?

Seria uma tragédia cometer aqui o mesmo erro, no âmbito de conhecer a vontade de Deus em sua vida. Não pode enfatizar demasiado isto, por mais elementar que seja. A fim de conhecer a vontade de Deus em sua vida, você deve primeiro conhecer a Deus. Não é suficiente voltar-se para Ele apenas quando há um problema ou uma crise.

Note outra vez os versos de S. João 10. É a ovelha que conhece Sua voz que é capaz de seguir a direção do Pastor. Elas se tornaram tão familiarizadas com o Pastor que podem distinguir a Sua voz de todas as outras vozes. Portanto, quando Ele fala, elas podem seguir Sua orientação.

Você O conhece? Sabe o que significa pôr de lado o melhor tempo cada dia a fim de promover sua familiaridade e relacionamento com Ele? Sabe o que significa conversar com Ele, simplesmente pelo prazer de conversar, mesmo quando você não necessita de nada dEle exceto dEle mesmo? Você sabe o que significa ouvi-Lo falar a você, através da Sua Palavra? Já experimentou, como fizeram os discípulos no caminho de Emaús, o que é ter o coração ardendo dentro de si enquanto Ele fala com você pelo caminho? Está você em condições de falar com Ele dia a dia?

Se você pode responder afirmativamente a estas perguntas, está em condições de buscar Sua orientação com respeito aos detalhes particulares de sua vida. Se você não O conhece, seu primeiro trabalho é tomar-se familiarizado com Ele. É somente quando você O conhece por experiência própria que você pode compreender corretamente Sua orientação, ou mesmo estar disposto a aceitar Sua orientação quando a mesma é compreendida.

 

Não tente aprender a nadar pelo método descrito na velha rima infantil:

Mamãe, posso ir nadar?

Sim, minha querida filha.

Pendure sua roupa no ramo da nogueira,

Mas não se aproxime da água!

 

Entre em contato com a água! Torne-se familiarizado com o melhor Amigo que você pode ter. Aprenda a conhecê-Lo. E então ao enfrentar as decisões da vida você poderá também aprender a conhecer Sua vontade para o seu viver diário.

 

 

 

A  VONTADE  DE  DEUS  E  SUA  VONTADE

 

Talvez o conheçamos melhor por causa da sua jumenta. Embora Balaão tivesse sido por algum tempo profeta de Deus, ele finalmente demonstrou-se falso. Falhou em compreender corretamente e aceitar a vontade de Deus em sua vida porque não estava disposto a renunciar aos seus próprios planos. E sua vida terminou em tragédia.

Você se lembra da história. Os filhos de Israel tinham chegado às fronteiras da Terra Prometida. Balaque, rei moabita, ficou imediatamente preocupado. Os israelitas, acampados do outro lado do rio Jordão, nas planícies de Moabe, representavam uma força poderosa, e Balaque não tinha certeza de que o seu exército se igualava ao deles. Assim ele resolveu tentar alguma estratégia.

Enviou mensageiros a Balaão, dizendo: “Eis que um povo saiu do Egito, cobre a face da terra, e está morando defronte de mim. Vem, pois, agora, rogo-te, amaldiçoa-me este povo, pois é mais poderosa do que eu; para ver se o poderei ferir e lançar fora da terra, porque sei que, a quem tu abençoares será abençoado, e a quem tu amaldiçoares será amaldiçoado.” Números 22:5 e 6.

Poderia parecer à primeira vista que Balaão deveria ter sabido imediatamente que este não era o plano de Deus! Mas ele ficou tão impressionado pelas recompensas que o rei lhe oferecia por seus serviços que disse aos mensageiros: “Ficai aqui esta noite, e vos trarei a resposta como o Senhor me falar.” Verso 8. E assim os mensageiros passaram ali a noite.

Balaão pediu orientação, e a orientação do Senhor veio em alto e bom som. “Então disse Deus a Balaão: Não irás com eles, nem amaldiçoarás o povo; porque é povo abençoado.” Verso 12.

Balaão despediu relutantemente os mensageiros na manhã seguinte, e eles voltaram para Balaque com a mensagem. Mas Balaque não se deixava vencer facilmente pelo desânimo. Enviou de volta um segundo grupo de mensageiros que prometeu maiores recompensas do que da primeira vez, concluindo que Balaão estava simplesmente resistindo por um preço mais alto. Prometeu a Balaão honra e promoções se ele cooperasse com seu plano.

As palavras de Balaão foram corretas, porque ele respondeu, no verso 18: “Ainda que Balaque me desse a sua casa cheia de prata e de ouro, eu não poderia traspassar o mandado do Senhor meu Deus, para fazer coisa pequena ou grande.” Mas o coração de Balaão não era reto. Sua própria vontade era obstinada – ele queria desesperadamente ir com os mensageiros, pronunciar contra Israel as maldições exigidas e receber a recompensa. Talvez ele raciocinasse que as palavras não eram afinal nada, que o povo de Deus não poderia ser ferido por seus sortilégios, e sua própria causa seria obviamente muito ajudada. Certamente ele tinha racionalizações que ensaiara em sua mente, quando mais uma vez foi perante o Senhor a fim de inquirir sobre Sua vontade no assunto.

Deus foi muito paciente com este errante profeta e mais uma vez veio falar com ele, e disse: “Se aqueles homens vierem chamar-te, levanta-te, vai com eles.” Verso 20.

Tanto quanto sabemos, Balaão não pediu um sinal, mas o Senhor lhe ofereceu um. “Se eles vierem chamar-te, vai com eles. Se não, fica em casa.” Mas os mensageiros não vieram chamar Balaão. Impacientes ante a demora e esperando a mesma resposta que tiveram antes, não viram nenhum proveito em esperar por ele. Cedo de manhã seguiram seu caminho, e quando Balaão foi procurá-los, eles já tinham partido de volta para o palácio.

Agora a vontade própria de Balaão estava em completo controle e, ignorando a ordem direta do Senhor, albardou a sua jumenta e saiu atrás dos mensageiros. Antes de alcançá-los, foi interrompido pelo anjo – a princípio invisível a ele, mas visto por sua jumenta. A mente de Balaão estava decidida. Ele sabia o que queria. E mesmo uma jumenta falante e um anjo com a espada desembainhada não foram suficientes para fazê-lo mudar de idéia. Ele não parou por estar disposto a parar, mas sim porque foi forçado a isto. Disse ele ao anjo: “Agora, se parece mal aos teus olhos, voltarei.” Parece que tinham sido dados a Balaão um ou dois indícios no tocante a que se Deus estava ou não insatisfeito com o seu procedimento, não é? Mas Balaão estava decidido a ir adiante se houvesse qualquer meio que ele pudesse empregar para conseguir o seu intento.

Deus, em Sua infinita consideração pela faculdade da escolha do homem, permitiu que Balaão seguisse seu próprio caminho, mas disse-lhe que ele poderia falar somente as palavras que lhe fossem dadas por Deus.

E fácil unir-se a Balaão, não é? Não é difícil compreender a vontade de Deus quando ela está em harmonia com nossas próprias inclinações. Mas quando vemos que a vontade do Senhor nos levaria a algum caminho diverso daquele que escolheríamos para nós mesmos, quão difícil achamos ouvir Sua voz! Podemos orar longa e ardentemente, pedindo a Deus que nos mostre o que devemos fazer, mas Deus conhece nosso coração. Ele sabe se somos sinceros ao buscarmos conhecer Sua vontade ou se estamos simplesmente buscando o Seu selo de aprovação para nossa própria escolha. Ele pode às vezes lidar conosco como fez com Balaão e permitir que prossigamos no caminho que escolhemos, até que venhamos a perceber que não temos renunciado à nossa própria vontade no assunto. Porque é somente quando não temos nenhuma vontade própria que estamos em condições de começar a buscar a vontade do Senhor.

Balaão e Balaque tentaram três vezes amaldiçoar a Israel, mas Balaão não pôde falar senão bênçãos. Balaque perdeu finalmente a calma e disse: “Chamei-te para amaldiçoar os meus inimigos; porém agora já três vezes somente os abençoaste.” Números 24:10. Balaão seguiu para casa, gritando bênçãos sobre Israel enquanto partia, e com ira no coração por ser lesado das riquezas e honras que teriam sido suas se ele tivesse sido capaz de prover maldições em vez de bênçãos.

Depois de chegar em casa, ele sugeriu outro plano para amaldiçoar a Israel. Desta vez, sem mesmo consultar ao Senhor, porque ele sabia que estava em rebelião, retornou ao palácio com uma brilhante idéia. Ele conhecia a fonte do poder de Israel, mesmo que Balaque não o soubesse. Também sabia que quando o povo de Deus estivesse separado da fonte do seu poder, a maldição seria automática.

Balaque ficou exultante com o plano de Balaão e imediatamente o pôs em execução. Foram dadas a Balaão as honras e riquezas que ele tanto cobiçava, mas ele não as usufruiu por muito tempo, porque foi morto na batalha que se seguiu.

Balaão é um exemplo clássico da verdade do primeiro passo em buscar a vontade de Deus em sua vida. Você não deve ter nenhuma vontade própria no dado assunto. Se sua própria vontade estiver no comando, não lhe será de nenhum proveito conhecer a vontade de Deus, porque você não estará disposto a aceitá-la. Se sua própria vontade estiver controlando, nem mesmo a voz de Deus na noite ou uma jumenta que fala ou um anjo bloqueando seu caminho ou seu próprio juízo e razão e consciência, não serão suficientes para afastá-lo do seu curso. Sua própria vontade deve ser posta sob o controle de Deus antes que uma revelação da Sua vontade a você possa ser aceita e apreciada.

O que significa não ter nenhuma vontade própria? Suponha que você esteja tentando decidir-se com quem casar ou para onde mudar-se ou que emprego aceitar. Não ter nenhuma vontade própria significa que você não tem nenhuma preferência no assunto? Não ter nenhuma vontade própria faz de você alguma espécie de joguete sem nenhum pensamento ou desejo acerca do que quer?

Não ter nenhuma vontade própria não significa que você não terá nenhuma preferência. Jesus teve uma preferência no Horto do Getsêmani, quando orou: “Não se faça a Minha vontade, e, sim, a Tua.” S. Lucas 22:42. Ele preferiria escapar das agonias do Horto, da humilhação do julgamento público, dos açoites e do horror da cruz. Ele teria preferido não Se separar de Seu Pai. Ele tinha uma preferência. Maior, porém, do que sua preferência pessoal foi o Seu compromisso de trazer salvação ao mundo, de cooperar com Seu Pai na obra da redenção. Portanto, a despeito de Sua própria preferência, Ele pôde dizer: “Eu desci do Céu não para fazer a Minha própria vontade; e, sim, a vontade dAquele que Me enviou.” S. João 6:38.

Assim, uma coisa é ter preferência; outra é estar tão completamente rendido à vontade de Deus seja qual for que tão logo a mesma se revele, você esteja disposto a segui-la. Não ter nenhuma vontade própria significa que sua prioridade consiste em aceitar a vontade divina, de sorte que quando esta vontade é revelada, você a aceita e acaricia, e sua própria preferência se rende.

Sempre que alguém deixa de receber a orientação do Senhor em sua vida, isto geralmente ocorre como resultado de falha neste primeiro passo – não tendo nenhuma vontade própria em dado assunto. Mas é impossível chegar à condição de não ter nenhuma vontade própria, à parte de um relacionamento pessoal com Cristo. Somente Seu poder e controle em sua vida pode levá-lo a uma rendição genuína à Sua vontade. Se você está no comando de si mesmo, todas as vezes você se unirá a Balaão, dizendo a Deus: “Minha mente está decidida; não me confunda com os fatos.”

Há muitos exemplos bíblicos daqueles que aparentemente buscaram a orientação do Senhor, mas que não renderam a vontade no processo. Os filhos de Israel, em sua primeira viagem para as fronteiras da Terra Prometida, menos de dois anos após a sua saída do Egito, cometeram o mesmo erro. Enviaram espias para observar como era esse novo país, e quando os espias regressaram com o seu relatório negativo, o povo se rendeu ao temor e à dúvida. Recusaram a oportunidade de aceitar a vontade divina para eles, de que deveriam marchar imediatamente e possuir a terra. Em vão Josué e Calebe pleitearam com eles. Moisés e Arão foram incapazes de dissuadi-los de sua decisão. Oraram pedindo para morrer no deserto, e sua oração foi tragicamente respondida de acordo com o seu desejo.

Saul não estava disposto a esperar pela vinda de Samuel a fim de oferecer os sacrifícios como sacerdote, e foi avante por sua conta. Estava indisposto a aceitar as instruções do Senhor concernente aos cativos e aos despojos de guerra e em vez disto seguiu seu próprio caminho. Estava indisposto, finalmente, a consultar a vontade divina, que tão freqüentemente estivera em desacordo com sua própria vontade, e em lugar disto dirigiu-se a En-Dor a fim de encontrar conselho mais agradável.

Sansão não estava disposto a aceitar para si a orientação divina na escolha de uma esposa. Jezabel não estava disposta a aceitar a orientação do Senhor através de Elias, procurando matá-lo em vez disto. Davi consultou sua própria vontade em vez de consultar a vontade do Senhor em seu relacionamento com Bate-Seba. A lista poderia prosseguir ininterruptamente.

Talvez nossa maior dificuldade em compreender a vontade do Senhor para nossa vida esteja no fato de que nossa própria vontade tão constantemente entra em cena. E por este motivo não temos nenhuma esperança de nos livrarmos de nossa própria vontade, exceto se formos diariamente a Cristo e nos entregarmos a Ele, através de um contínuo relacionamento diário. Se nos rendermos diariamente a Ele e diariamente aceitarmos Sua direção em nossa vida, quando chegar o momento da decisão, estaremos em condições de não ter nenhuma vontade própria e de aceitar a vontade de Deus para nós.

Cristo, em Sua vida terrestre, não fez nenhum plano para Si mesmo. Diariamente recebia os planos de Seu Pai para Si, e foi assim que Sua vida estava constantemente em harmonia com a vontade de Seu Pai. A mesma orientação que Ele tinha está à nossa disposição.

Significa isto que não devemos fazer absolutamente nenhum plano, que devemos simplesmente nos assentarmos em uma cadeira de balanço e esperar que Deus a embale? Ou significa que não devemos fazer planos separados de Deus – nenhum plano para nós mesmos que O ignore? Podemos fazer planos, como melhor conhecemos, mas devemos estar sempre dispostos a renunciar a esses planos, ou levá-los avante, conforme Sua providência indique.

O apóstolo Paulo é um exemplo disto. Ele fazia planos em suas viagens missionárias, mas às vezes seus planos eram interrompidas. Atos 16:6-9 nos fala disto. Eles estavam planejando ir a um lugar, mas o Espírito Santo os dirigia a outro, e eles aceitavam Seus planos, porque estavam rendidos ao Seu controle. Estavam dispostos a aceitar que seus próprios planos fossem obstruídos sempre que esses planos não estivessem em harmonia com os planos de Deus.

Você pode ver isto em operação na vida de Jesus. Ele e Seus discípulos estavam perto de uma aldeia samaritana. Jesus estava tão cansado que não pôde nem mesmo percorrer com Seus discípulos o restante do caminho até á cidade, mas em vez disto assentou-Se ao lado do poço, planejando descansar até que Seus discípulos trouxessem de volta algum alimento. Mas Seus planos quanto ao descanso foram interrompidos. Uma mulher veio tirar água do poço, e ela necessitava do Seu auxílio. Seu Pai havia programado um divino encontro, e Jesus aceitou o desafio. Quando os discípulos, surpresos ante Seu procedimento, O indagaram no tocante a isto, Ele respondeu: “A Minha comida consiste em fazer a vontade dAquele que Me enviou, e realizar a Sua obra.” S. João 4:34.

Que significa isto? Significa que para a pessoa que está seguindo as pegadas de Jesus, se vier a escolha, mesmo que seja escolher entre o alimento e o serviço, ela saberá que escolha fazer. E não apenas saberá qual é a escolha certa, mas considerará um privilégio e uma honra escolher servi-Lo.

Você pode estar cansado, faminto ou sedento. Mas o Senhor pode prover-lhe um divino encontro, e ao aceitar Sua orientação, você descobre força que não suspeitava possuir. Já aconteceu isto em sua vida? O Senhor pode enviá-lo a algum local de serviço que você jamais teria escolhido por si mesmo. Mas ao seguir Sua orientação, você descobre que a maior bênção lhe advém de ir aonde Ele o conduz.

Quer você não ter nenhuma vontade própria? Só há um meio possível de conseguir isto. Ao continuar o relacionamento com Deus, buscando-o dia a dia como sua primeira prioridade, Ele o levará à condição de não ter nenhuma vontade própria. E toda vez que você divisar Suas instruções e recuar do relacionamento com Ele a fim de seguir o seu próprio caminho, você está em perigo.

Conheci um jovem que não queria ser um pastor. Toda vez que ele se aproximava de Deus, sentia a batida de Deus em seu ombro, trazendo-lhe a convicção de que Deus queria que ele fosse um pastor. Mas ele definitivamente não queria ser um pastor, de sorte que achou uma solução. Afastou-se de Deus. Escolheu deliberadamente não se aproximar muito. Foi então que ele não sentiu mais a batida no ombro!

Uma vez li a história de um homem que estava tão decidido a não se tornar um pastor e tão convicto de que Deus queria que ele fosse um, que recusou entregar o coração ao Senhor, recusou a conversão, recusou ir a Deus em busca de arrependimento, perdão e poder. Permaneceu distante por anos, até que finalmente desistiu da luta. Ele afirmou que quando chegou o tempo, não começou pedindo a Deus o perdão dos pecados, ou o arrependimento ou a aceitação de Deus. Sua primeira oração, quando ele finalmente permitiu que Deus o alcançasse foi: “Tudo bem, eu serei um pastor.” E todos os demais ingredientes da salvação vieram depois disto.

Por vários anos nossa família morou no norte da Califórnia, em um local que mais se assemelhava a uma estação de veraneio do que a qualquer outra coisa. Situava-se no alto das montanhas, calmo, pacífico, formoso. Então recebemos um chamado para Nebraska.

Não estávamos interessados em ir para Nebraska. Não queríamos nada com Nebraska. Fizemos brincadeiras acerca de obter um adesivo de pára-choque que dissesse: “Esqui Nebraska.” Falávamos, em tom de ironia, acerca de Nebraska como sendo a capital recreativa do mundo.

Levou algum tempo antes de estarmos mesmo dispostos a orar acerca do assunto. Mas chegou o momento, no relacionamento contínuo com Cristo, quando se tornou necessário ou dar ouvidos à Sua vontade no que se referia a Nebraska ou cortar o relacionamento. E assim oramos a respeito do chamado para Nebraska.

A despeito da extensão de tempo que Lhe tomou para convencer-nos a não termos nenhuma vontade própria no determinado assunto, estando nós uma vez dispostos a renunciar à nossa própria preferência, Sua vontade se tornou muito clara em um tempo surpreendentemente curto.

Quando nos mudamos para Nebraska, as notícias de nossa atitude anterior nos haviam precedido! O escritório da igreja tinha sido decorado com bandeiras que diziam “Esqui Nebraska” – e outras piadas “íntimas”! Estávamos envergonhados! Mas estávamos também gratos de que o povo de Nebraska tivesse tal senso de humor!

Finalmente, não apenas estávamos dispostos a ficar em Nebraska, mas estávamos realmente emocionados com a perspectiva e mal podíamos esperar para ver qual era o plano de Deus pára nós naquele lugar, sendo que Ele fora tão explícito acerca de levar-nos para lá.

 

Tem Deus em mente um lugar especial para você trabalhar para Ele? Sim, Ele tem, tão certamente como tem Ele um lugar especial preparado no Céu para você. E não importa quais sejam suas preferências pessoais, se você aceitar sua escolha para você em sua vida, em seu lar, em seu serviço para Ele, você encontrará a maior felicidade. E o primeiro passo na direção de descobrir esta vontade para sua vida é permitir que Ele o leve ao ponto de não ter nenhuma vontade própria em determinado assunto.

 

 

 

 

 

 

 

A  VONTADE  DE  DEUS  E  SEUS  SENTIMENTOS

 

Suponha que você recebeu pelo correio um cheque de algum multimilionário, preenchido em seu nome, com a quantia de dez mil dólares. Provavelmente você se sentiria muito emocionado, não é? Sentir-se-ia, igualmente, um pouco cético. Mas o cheque está preenchido, e efetivamente, se destina a você. Você se sente exultante e mostra-o aos amigos e vizinhos. Planeja como irá gastá-lo ou investi-lo ou economizá-lo para alguma ocasião futura. E finalmente chega o dia em que você está pronto a levá-lo ao banco e descontá-lo.

Mas naquele dia você não está se sentindo muito bem. A emoção se esgotou. Você adoece de um resfriado e sua garganta está inflamada. Talvez você esteja se sentindo um pouco culpado, percebendo que não fez nada para merecer este presente de dez mil dólares. Talvez você ainda tenha a sensação de que isto é bom demais para ser verdade. Mas você vai ao banco e depois de estar na fila por alguns minutos, chega a sua vez no caixa. A esta altura você está se sentindo completamente indisposto. Mas você ainda tem dez mil dólares.

O caixa e o banco não estão preocupados com seus sentimentos. Você pode estar alegre ou deprimido; isto não faz diferença. O fator decisivo quanto a se o dinheiro é seu ou não baseia-se completamente no valor do cheque e na assinatura da pessoa que lho deu. Seus sentimentos são irrelevantes.

O passo dois no conhecimento da vontade de Deus em sua vida e na compreensão de Sua orientação é mais uma advertência do que um processo real. É que você não deve se deixar guiar pelos sentimentos.

Esta é uma advertência válida, porque muitas vezes a tentação consiste em fazer exatamente isto. Talvez quando você pela primeira vez começa a buscar a vontade de Deus sobre um assunto, tem uma “primeira impressão do que deveria ser Sua resposta. Mais tarde, se Sua resposta é protelada, é fácil ficar impaciente e desanimado. Mas você não deve confiar nem no primeiro impulso nem nas emoções instáveis que podem seguir-se quando se propõe tomar uma decisão especial. Os sentimentos jamais são um guia seguro.

O grupo intitulado “Campus Crusade” (Cruzada Evangelística para Universitários) tem um pequeno diagrama que usam para ilustrar este ponto. Pintam uma locomotiva, um vagão carvoeiro e um vagão de freio. A locomotiva é rotulada de realidade. O vagão carvoeiro é a fé. O vagão de freio chama-se sentimento. Se você tentar dirigir um trem pelo vagão de freio, entra em dificuldades. É a locomotiva que deve puxar o trem. E afinal, a locomotiva pode fazer a viagem com o vagão de freio ou sem ele.

Os sentimentos podem incluir muita coisa. Está você com medo de realizar algo especial? Vai isto contra seus gostos pessoais? Parece isto emocionante? Você acha que seria divertido? Parece que você não está qualificado para a tarefa? É isto precisamente o que você sempre quis? A lista poderia prosseguir infindavelmente. Os sentimentos, tanto bons quanto maus, vêm em muitas variedades.

Um motivo por que este segundo passo é tão importante é que ao tentar compreender a vontade de Deus em sua vida é importante considerar todos os oito passos, e não apenas um ou dois. Os oito passos provêem um sistema de cheques e saldos. Você pode errar em um passo, mas os outros passos podem mostrar-lhe onde você errou. Afinal, a decisão é tomada à base do peso da evidência, não baseada em qualquer passo único. Mas a advertência está aqui incluída sob o passo dois porque este passo é talvez aquele que é o mais fácil de considerar-se completo em si mesmo. É uma importante advertência porque os sentimentos, tanto positivos quanto negativos, podem ser incentivos muito poderosos. Contudo se você tentar dirigir sua vida espiritual baseado nos sentimentos, achar-se-á em tanta dificuldade como se tentasse dirigir o trem pelo vagão de freio. Não leva você a lugar nenhum.

Todavia, não devemos desconsiderar completamente os sentimentos. Um dos métodos pelos quais o Senhor nos comunica Sua vontade é através das impressões do Espírito Santo sobre o coração. As impressões e os sentimentos podem ser muito semelhantes, não é? Como sabe você a diferença entre simples sentimentos, o impulso do momento, e a convicção do Espírito em sua mente?

Reconheçamos primeiramente que há alguns sentimentos que são pecaminosos e outros que não são pecaminosos. Os sentimentos pecaminosos podem incluir temor, paixão, dúvida, ira ou cobiça. Os sentimentos que não são pecaminosos podem incluir coisas como esperança, felicidade, cansaço, fome ou tristeza.

O diabo gosta de operar através dos nossos sentimentos para afastar-nos de Deus. Se estamos nos sentindo alegres e otimistas, ele nos tentará levar isto a extremos e tornar-nos envolvidos em fanatismo ou presunção, correndo adiante de Deus. E se estamos nos sentindo desanimados e tristes, ele tentará despertar o temor e a desconfiança, para que venhamos a ceder às suas tentações.

Você pode ver isto acontecendo no caso de Elias. Ele foi possuído de alguns sentimentos muito positivos no cume do Carmelo. Chegara o final dos três anos e meio de fome, e com ele a demonstração entre Deus e Baal. Deve ter sido para ele uma tremenda emoção quando o fogo chamejante desceu do céu, consumindo o sacrifício e o altar e a água ao redor. Sua fé era forte. Ele creu que Deus responderia a fim de vindicar a Sua própria honra e o Seu nome diante do povo. Mas que tremendos sentimentos devem ter se avolumado por todo o seu ser ao estar ali e testemunhar o ocorrido!

Depois Elias tomou a dianteira no juízo sobre os 400 profetas de Baal, o que certamente exigiu muito esforço de seu sistema nervoso! Seu coração deve ter sido dilacerado de tristeza, horror e agonia ante a tarefa que foi levado a desempenhar.

Em seguida ele foi ao cume da montanha e começou a orar por chuva. Esta não veio imediatamente como o fogo do céu, e Elias ficou cheio de desconfiança própria. Ficou ali no topo da montanha, esquadrinhando o coração e continuando a insistir em suas petições até que seu servo voltou e relatou sobre uma pequena nuvem no horizonte. Isto era tudo. Elias se levantou e correu adiante dos carros de Acabe todo o caminho de volta para a cidade – a primeira maratona!

Quando Elias foi dormir naquela noite em um calmo canto fora dos muros da cidade com seu manto enrolado em torno de si, deve ter estado tão emocionalmente esgotado como nenhum outro poderia estar. Estava também fisicamente exausto. Seus sentimentos devem ter sido despedaçados durante todo aquele longo e memorável dia. Agora o diabo se apressou para tirar vantagem dos sentimentos que não eram pecaminosos, a fim de levá-lo a sentimentos que eram.

Elias foi despertado abruptamente e alisado de que Jezabel estava a postos para tirar-lhe a vida. A esta altura seu cansaço, fome e tristeza se transformaram em temor. Ele cruzou a linha para o território do diabo. O temor obtém más notas nas Escrituras. Leia isto em Apocalipse 21:8. Os temerosos estão entre aqueles que terão o seu lugar no lago de fogo, juntamente com alguns companheiros muito sórdidos. Apesar da vigorosa fé que o havia sustido nas horas anteriores do dia, Elias agora deu lugar a cego pânico e se dispôs a salvar-se a si mesmo. Fugiu para o deserto, abandonando seu posto do dever, tentando escapar das ameaças de Jezabel. Estava tão desanimado que acabou pedindo a morte, pensando ser o único que havia ficado em Israel fiel a Deus. Que contraste entre o temeroso e fugitivo Elias e o Elias do cume do monte Carmelo que bradou às multidões: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-O.” I Reis 18:21.

Assim uma indicação de que seus sentimentos são ou não procedentes da convicção do Espírito Santo ou da sua própria natureza humana deve ser examinada, levando-se em conta se os sentimentos são ou não pecaminosos. O Espírito Santo jamais conduzirá através de sentimentos pecaminosos, não seria seguro afirmar? Diz II Timóteo 1:7: “Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação.”

Outro aspecto a considerar, ao tentar determinar se os seus sentimentos são ou não simplesmente sentimentos, ou as impressões do Espírito Santo sobre o coração, é olhar para a diferença entre convicção e culpa. A culpa sempre procede do diabo. A convicção sempre provém do Espírito Santo. À primeira vista, estes dois podem parecer muito semelhantes. Mas a culpa sempre nos deixa desesperançados e desesperados. Quando o diabo nos assalta com a culpa, ele está tentando levar-nos a perder a esperança e a dar-nos por vencido, tentando levar-nos a concluir que o nosso caso é irremediável.

Por outro lado, a convicção que procede do Espírito Santo vem com esperança e coragem para enfrentar o amanhã. Nunca nos deixa em desespero. O Espírito Santo jamais nos leva à condição de convicção e reconhecimento de nossa profunda necessidade da graça divina, sem também levar-nos além desta condição, à solução encontrada no sacrifício de Jesus e Sua justiça a ser aceita em nosso favor. O Espírito Santo traz convicção, jamais condenação.

Outro fator a ser considerado ao tentarmos distinguir entre nossos próprios sentimentos e as impressões ou convicções do Espírito Santo é a questão de quem é o centro focalizado. Nossos sentimentos podem levar-nos a pôr os nossos interesses em primeiro lugar e focalizar nossa atenção sobre o que é melhor para nós. O Espírito Santo nos levará a fazer da glória e honra de Deus e das necessidades daqueles que estão ao nosso redor a primeira consideração.

João Batista tinha fortes sentimentos contra estar na prisão de Herodes. Estava acostumado a espaços amplamente abertos, tendo liberdade de ir e vir como bem lhe aprouvesse. Estivera acostumado a uma vida de atividades. Não estava mais satisfeito com ser aprisionado no escuro cárcere do que teria estado eu ou você. Se ele tivesse posto suas necessidades em primeiro lugar, teria rapidamente se retratado de suas severos reprovações e recuperado a liberdade. Mas ele pôs de lado seus próprios desejos, porque a lealdade a Deus exigia que ele falasse a verdade com destemor e deixasse com Deus as conseqüências de tal fidelidade. Pôs em primeiro lugar a glória e a honra de Deus, e a despeito da solidão e isolamento de sua vida na prisão, ele foi capaz de dizer: “Convém que Ele cresça e que eu diminua.” S. João 3:30.

Podemos às vezes ser capazes de ver a diferença entre nossos sentimentos e as impressões do Espírito Santo aplicando o teste da razão e do juízo. Podemos ser capazes de raciocinar de causa para efeito, de reconhecer quando estamos especialmente cansados ou sofrendo dos efeitos de extremo estresse. E Deus quer que exerçamos o bom discernimento e o bom senso nas decisões da vida.

Mas a razão e o juízo podem não ser suficientes. Algumas das ações mais insensatas de toda a Bíblia foram praticadas por aqueles que estavam mais intimamente sob o controle de Deus. O que dizer de Gideão, atacando o inimigo com cântaros e tochas e 300 homens? O que dizer de Jônatas e seu escudeiro enfrentando sozinhos todo um exército? O que dizer de Davi, trajando as simples vestes de um menino pastor, saindo desarmado para enfrentar o gigante Golias, que estava coberto de armadura da cabeça aos pés? Ou de Josué, tentando tomar uma cidade caminhando em círculos ao redor da mesma e fazendo soar as trombetas?

Se estivermos sob o controle de Deus e em sintonia com a Sua direção de nossa vida, Ele pode às vezes levar-nos a fazer coisas que aparentemente estão em completo desacordo com o bom senso e o senso comum. Assim, embora a razão e o juízo devam ser considerados, eles jamais podem ser uma prova final em prol ou contra a orientação divina.

Podemos ser capazes de distinguir entre os simples sentimentos e as impressões do Espírito Santo aplicando o teste do tempo. Se há tempo antes que a decisão deva ser tomada, pode ser de real valor “consultar o travesseiro” quanto a ela, a fim de dar tempo à oração e meditação para determinar a fonte dos impulsos. Mas mesmo o teste do tempo pode não ser adequado. Pode não haver tempo suficiente para dar tal teste! O que dizer de Finéias, quando Israel estava prestes a atravessar o rio rumo à Terra Prometida? O plano de Balaão para amaldiçoar a Israel alcançara êxito e a rebelião tinha se tornado tão difundida que um dos líderes de Israel veio para o acampamento em plena luz do dia acompanhado por uma prostituta moabita e a levou abertamente para sua tenda.

Finéias, filho do sumo sacerdote, não foi para casa a fim de refletir sobre isto e certificar-se de que não estava sendo impulsivo. Dirigiu-se à tenda e traspassou a ambos com um golpe de sua lança!

Maria Madalena, naquela noite no banquete de Simão, não tomou tempo para esperar até ao dia seguinte para ver se o impulso de ungir a Jesus estava ainda por perto. Se tivesse feito isto, a oportunidade de ungir a Jesus não mais teria estado disponível. Quando o Espírito Santo impeliu Maria à ação, ela obedeceu instantaneamente.

Não podia explicar por que havia escolhido aquela ocasião para honrar a Jesus. Quando começaram as acusações, ela ficou muda. Mas Jesus reconheceu o seu ato de amor e fez uma interessante promessa concernente ao mesmo. Ele afirmou que onde quer que o evangelho fosse pregado, enquanto o tempo durasse, a história da ação de Maria também seria repetida – e só aqui se fala em mais tempo.

Assim há certas coisas que podemos considerar quando tentamos verificar se nossos sentimentos são meramente sentimentos, ou se eles são inspirados pelo Espírito Santo. Podemos considerar se eles são sentimentos pecaminosos. Podemos estar cientes da diferença entre culpa convicção. Podemos verificar se o centro de atenções está em nós mesmos ou na honra e glória de Deus. Podemos aplicar o teste da razão e do juízo – em um ponto. Podemos admitir o teste do tempo – Quando há tempo para tal teste.

Mas o maior auxílio no reconhecimento da diferença entre simples sentimento e a voz interior do Espirito é conhecer a Deus. Como notamos no capítulo anterior, de S. João 10, as ovelhas reconhecem a voz do Pastor e distinguem esta voz da voz de um estranho, porque elas O conhecem.

Abraão conhecia a Deus. Havia passado tempo lá fora sob as estrelas, comungando com o Deus do Céu, enquanto o resto do seu mundo estava adormecido. Quando Deus veio a ele e lhe ordenou que deixasse para trás o seu país e a sua parentela e fosse a algum destino desconhecido, ele foi avante, porque reconhecia a voz de Deus de seus contatos anteriores. Não se deixou levar pelos sentimentos. Foi guiado pelo que sabia ser as instruções divinas.

Perto do final de sua vida, quando chegou o tempo da prova suprema, ele foi incapaz de ir pelos sentimentos. Tudo em seu coração de pai resistia à ordem de oferecer Isaque em sacrifício. Todas as suas esperanças e sonhos, todas as promessas de Deus feitas no passado, argüíam contra tal plano. Mas ele conhecia a voz de Deus e, desconsiderando seus sentimentos, a despeito de quão fortes eram, ele agiu novamente de acordo com a palavra do Senhor.

Como você sabe, Abraão ouviu corretamente a voz de Deus, e quando foi plenamente provado, também foi provido um glorioso livramento, dando uma lição que falará através de todo o tempo e a todo o Universo, do amor de Deus em enviar Seu Filho para morrer em nosso lugar.

Assim, quando importa em conhecer a vontade de Deus em nossa vida, é importante não decidir simplesmente à base do sentimento. É importante considerar todos os passos no conhecimento da orientação divina. Mas a maior certeza, atrás de todos os métodos para saber se você está seguindo Sua direção, é conhecê-Lo – e Ele lhe esclarecerá o que inclui Sua vontade para você. Conhecê-Lo, e conhecer a Sua voz, é essencial, se quisermos ter a certeza de que não estamos sendo levados por meros sentimentos.

 

 

 

 

 

 

 

 

A  VONTADE  DE  DEUS  E  SUA  PALAVRA

 

O terceiro passo ao tentar compreender a vontade de Deus em sua vida é consultar Sua Palavra. Diz-nos o Salmo 119:105: “Lâmpada para os meus pés é a Tua palavra, e luz para os meus caminhos.” Se Deus está de fato nos guiando, Ele o faz através de Sua Palavra, e Ele nunca nos dirige de maneira que contrarie a Sua Palavra.

A Palavra de Deus nos é dada para ser mais do que simplesmente uma lição de História. É mais do que um relato da vida de pessoas que morreram há muito tempo. É mais do que profecia. É mais do que doutrina. Ê mais do que genealogia. É mais do que um livro de histórias. E a Palavra viva de Deus, que vive e permanece para sempre.

Podemos aproximar-nos da Palavra de Deus de duas maneiras: primeira, em busca de informação, e segunda, à procura de comunicação. Constitui a Palavra de Deus uma valiosa fonte de informação? É claro que sim. Dá-nos um relato preciso da história da raça humana. Registra com fidelidade e imparcialidade tanto os fracassos quanto os triunfos do povo de Deus. É “inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça”. II Tim. 3:16.

Podemos ter confiança de que a informação contida na Palavra de Deus é exata, e através da Sua Palavra Deus deu informação de que Ele conhecia as necessidades do Seu povo neste mundo enquanto o tempo durasse.

Mas quando você recorre à Bíblia em busca de orientação, pode não haver um capítulo e um versículo específico para a decisão que você está tentando tomar. Suponhamos que você esteja tentando decidir-se para onde mudar-se ou que emprego aceitar ou se deve casar com uma pessoa ou com outra. Não há nenhum lugar nas Escrituras onde você possa encontrar um verso que diga: “Você tem obrigação de casar com Jaime”, ou: “Você deve tornar-se um médico.” E assim devemos compreender o segundo propósito da Palavra de Deus: comunicação.

Poderíamos ir tão longe a ponto de afirmar que o propósito primário da Palavra de Deus visa a comunicação. Há uma grande diferença entre conhecer a respeito de Deus e conhecer a Deus. O apóstolo Paulo considerou o conhecimento de Deus como o mais importante aspecto da vida, pois ele disse em Filipenses 3:7-lú: “Mas o que para mim era lucro, isso considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considerei tudo como perda,… para O conhecer.” Escreveu Jeremias: “Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte na sua força, nem o rico nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em Me conhecer.” Jeremias 9:23 e 24. E disse Daniel: “O povo que conhece ao seu Deus se tornará forte e ativo.” Daniel 11:32.

Visto que a Palavra de Deus deve ser uma via de comunicação e não meramente uma fonte de informação, devemos compreender mais uma vez que a base para conhecer a vontade de Deus em nossa vida deve ser sempre o relacionamento pessoal, diário e contínuo com Ele. Se você jamais soube o que significa usar a Palavra de Deus para comunicação e comunhão com Ele, a informação ali encontrada provar-se-á de pouco benefício. Mesmo que haja informação tão específica para sua situação que você não possa prescindir dela, você não terá a força espiritual para aceitar Sua Palavra a menos que se torne pessoalmente familiarizado com Ele. DEle deve provir não apenas a sabedoria, mas o poder para a obediência. Não é suficiente saber o que é certo e o que é errado. Devemos também saber aceitar o Seu controle para que possamos ser capazes de obedecer.

Mas tendo você estado dia a dia em amizade e comunhão com Deus, e chega o momento de tomar alguma decisão em sua vida, você pode dirigir-se à Sua Palavra primeiramente em busca de informação e depois para comunicação com Ele onde quer que esteja faltando informação específica.

É verdade que a Bíblia nos oferece muitos princípios de vida que podemos aplicar à nossa situação específica. Por exemplo, a Bíblia adverte contra o casamento com os incrédulos. Se você está escolhendo entre alguém cuja vida espiritual é compatível com a sua e alguém que não demonstra interesse pelas coisas espirituais, você deve ter à sua disposição um auxílio muito poderoso ao tomar tal tipo de decisão. A Bíblia nos adverte contra a desonestidade. Se você mentiu a fim de obter ou conservar um emprego especial, você pode saber baseado nas Escrituras que Deus não está conduzindo em tal direção. De sorte que mesmo que não haja um capítulo ou versículo específico para sua situação, pode haver princípios que se ajustam e que podem ajudá-lo a tomar a decisão correta.

Contudo, há ocasiões em que você pode estar decidindo entre duas escolhas aparentemente “corretas”, em vez de entre uma certa e outra errada. Você pode estar escolhendo entre tornar-se um professor de matemática ou um professor de ciências – em vez de escolher se deve tornar-se um professor ou trabalhar num cassino em Las Vegas! Às vezes as escolhas que estão diante de você parecem igualmente corretas à base dos princípios estabelecidos na Palavra de Deus.

Em tais ocasiões, o beneficio das Escrituras como meio de comunicação está além de toda estimativa – juntamente com o uso de todos os oito passos para conhecer a vontade de Deus. Porque Deus é capaz de comunicar-lhe Sua vontade específica de alguma outra maneira além daquela que vem através de um capítulo e versículo.

Pode haver ocasiões em que Deus o surpreenda com passagens específicas das Escrituras que tanto se aplicam à sua situação, quando você vai a Ele em busca de orientação sobre uma decisão específica. Talvez isto me tenha acontecido meia dúzia de vezes durante minha existência, quando a Palavra de Deus falou subitamente à minha atual decisão de um modo inconfundível.

Em um verão eu vendia livros cristãos a fim de ganhar dinheiro para voltar ao colégio no outono. No primeiro dia meu assistente de vendas saiu para mostrar-me como vender livros. Enquanto eu estava ali e segurava a pasta, ele vendeu livros o dia inteiro. Parecia fácil! Fui para casa exultante e multipliquei o número de livros que tínhamos vendido naquele dia pelo número de dias do verão, e estava certo de que voltaria no outono com três ou quatro vezes a quantia de dinheiro de que necessitava para a escola.

Então o assistente de vendas deixou a cidade. Dia após dia era a mesma coisa. Eu não vendia um só livro. Em breve eu fiquei muito desanimado. Agora tudo indicava que eu não iria conseguir um único estipêndio. Realmente, era fácil crer que poderia transcorrer o resto do verão sem que eu fizesse uma só venda! Uma noite eu estava tão desanimado que mal pude dormir. Na manhã seguinte eu estava tentando decidir o que fazer. Deveria ir para casa e esquecer tudo? Deveria continuar tentando, embora isto parecesse tão inútil, tão irrealizável? Fui impressionado a abrir a Bíblia, e o texto ao qual recorri estava em Salmo 42:11: “Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro em mim? Espera em Deus, pois ainda 0 louvarei, a Ele, meu auxilio e Deus meu.”

Esta mensagem da Palavra de Deus deu-me a coragem para tentar novamente. Em meu caminho para o trabalho, parei ao lado da agência do Correio. Havia uma carta esperando por mim de uma mulher a quem eu tinha mostrado os livros três dias antes. Ela decidira que estava interessada! Corri apressadamente para sua casa e fiz minha primeira venda naquela manhã. O Senhor havia começado a mostrar-me que não era eu quem vendia Seus livros. Ele o fazia. Se você já tentou vender livros cristãos, também já aprendeu esta lição.

Uma vez quando minha esposa e eu estávamos pastoreando uma igreja em Oregon, recebemos um chamado para outro local e estávamos procurando saber a vontade de Deus para nós naquela decisão. Uma manhã eu estava embaixo no subsolo, em minha sala de leitura, orando sobre o assunto, e senti-me impressionado a abrir a Bíblia em busca de orientação. O texto que saltou diante de mim foi este: “O que ficar nesta cidade morrerá… mas o que passar para os caldeus viverá.” Jeremias 38:2. Eu nem mesmo o havia visto anteriormente, e para encontrá-lo hoje teria de procurar. Mas refleti cuidadosamente sobre ele e indaguei se o mesmo se destinava à nossa situação naquele tempo. Eu não sabia quem naquela cidade estava tentando matar-me! Mas ele parecia estar falando quanto à decisão sobre a qual eu acabara de orar.

Antes de mencionar isto para alguém, subi as escadas para o desjejum. Nosso filho, então com seis anos de idade, tinha à mesa sua pequena Bíblia multicor. Eu disse:

– Filho, escolha um texto para lermos nesta manhã antes da oração.

– Qual escolherei? – perguntou ele.

– Isto não importa – respondi-lhe – escolha alguma coisa.

Ele abriu a esmo sua pequena Bíblia e apontou para um verso, entregando-me a Bíblia para que eu pudesse ler o que ele havia escolhido. Tomei a Bíblia e li: “O que ficar nesta cidade morrerá… mas o que passar para os caldeus viverá.”

Ora, não tomamos toda a nossa decisão baseados neste texto bíblico, embora estivéssemos impressionados, porque a probabilidade de tal coisa acontecer por acaso era esmagadora. Mas pusemos o referido verso na pasta de papéis e refletimos sobre ele juntamente com o resto da orientação do Senhor sobre os outros passos para conhecer Sua vontade. Isto fazia parte do peso da evidência que nos levou a aceitar o chamado e mudar-nos daquele lugar.

Então chegou a vez em Mountain View, Califórnia. Amávamos a igreja e o povo. Não queríamos partir. Não queríamos, especialmente, mudar-nos para a mistura de nevoeiro e fumaça do sul da Califórnia, que foi para onde nos levou nosso próximo chamado. Dissemos Não. Não tínhamos vontade própria no dado assunto! Mas o Senhor começou a virar-nos ao contrário, e uma manhã na hora do culto minha esposa recorreu ao verso em que Deus ordenou a Filipe que fosse para a banda do sul, para o lugar que é chamado deserto. Veja Atos 8:26. Depois de três anos no sul da Califórnia, ficamos deleitados ao encontrarmos outro texto, depois de termos sido convidados de volta para o norte da Califórnia, que dizia: “Tendes já rodeado bastante esta montanha: virai-vos para o norte.” Deuteronômio 2:3.

Ora, há um risco muito real que eu descobri ao contar estes tipos de histórias, porque as pessoas freqüentemente se esquecem de tudo o mais que foi dito. Olvidam os outros passos para conhecer a vontade de Deus e começam a tentar descobrir esta vontade exclusivamente à base de pôr os dedos nos textos. Não há nenhuma segurança em usar este como o único método para determinar a vontade de Deus.

Você descobrirá freqüentemente, se tentar fazer isto por si mesmo, sem ser dirigido a tal coisa pelo Espírito Santo, que você acabará encalhado em algum lugar, não tendo nada que nem mesmo pareça orientação. Isto aconteceu comigo em uma ocasião. Conta-se também a história de uma pessoa que tentou isto como uma forma de orientação, à parte de qualquer outro método, e voltou-se para dois textos. O primeiro dizia: “Então Judas… retirou-se e foi enforcar-se”, e o segundo dizia: “Vai, e procede tu de igual modo.” S. Mateus 27:5; S. Lucas 10:37. Estando plenamente certo de que Deus não queria que ele tirasse a própria vida, pôs o dedo em um terceiro texto, que dizia: “O que pretendes fazer, faze-o depressa. ” S. João 13:27.

Assim eu gostaria de expressar-me publicamente como não recomendando este método para se descobrir a vontade de Deus. Todavia, ao continuar o seu relacionamento com Ele e procurar saber Sua vontade por todos os métodos que Ele tem dado, pode haver ocasiões em que Ele preferirá comunicar-Se com você através da Sua Palavra, conduzindo-o a um texto específico que expresse Sua vontade para você naquele momento. Talvez seja proveitoso lembrar-se em tais ocasiões que Ele não dará conselho específico de um texto a esmo que vai contra o conselho geral de Sua Palavra, em termos de princípios e verdade. Você pode também descobrir que em tais ocasiões Ele lhe fala nas próprias palavras que você Lhe tem apresentado, em suas orações sobre o assunto. Mesmo no relacionamento devocional diário com Deus, dá-se freqüentemente o caso de você deparar-se com algo em sua leitura para aquele dia que responde a própria pergunta que esteve em sua mente, sobre a qual você vinha indagando.

Algumas pessoas podem estar apreensivas com tal subjetivo método de comunicação com Deus, contudo para aqueles que interrogam se Deus usaria ou não tal plano, é proveitoso lembrar que este jamais deve constituir toda a base de uma decisão. Mas Deus pode às vezes escolher fazer disto parte do pacote, operando Suas maravilhas de um modo misterioso.

Lemos em Salmo 32:8: “Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir; e, sob as Minhas vistas, te darei conselho.” Se você for a    I Coríntios 12, descobrirá que a igreja é comparada ao corpo humano, com diferentes partes tendo funções diversas, porém todas operando juntas para o bem do todo. Pelo fato de ser você um dos membros do corpo que parece pequeno e insignificante não significa que o seu lugar seja sem importância. Se qualquer parte do corpo é atingida, todo o corpo sente a dor.

Paulo faz a comparação entre o corpo humano e os vários membros do corpo de Cristo. E neste contexto, há um texto interessante que se encontra em I Samuel 9:9. “(Antigamente em Israel, indo alguém consultar a Deus, dizia: Vinde, vamos ter com o vidente; porque ao profeta de hoje, antigamente se chamava vidente.)” Você já examinou esta palavra do Velho Testamento? O que é um vidente? Bem, um vidente é aquele que vê! Portanto, o profeta do Antigo Testamento era comparado aos olhos da igreja.

De sorte que quando consultamos a Bíblia e a palavra do profeta de Deus, somos ajudados no conhecimento da vontade do Senhor. Poderia ser esta uma das maneiras em que Deus nos guia ou nos aconselha “sob as Suas vistas”? Não tenha isto em pouca consideração ao consultar o conselho inspirado do Senhor que tem sido outorgado à Sua Igreja. Teremos muitas ocasiões para sermos gratos pelo auxílio e orientação que tem sido dada por intermédio dos olhos da Igreja.

Quão agradecidos podemos ser pelo dom da Palavra de Deus, por Sua voz através dos Seus profetas, para guiar e dirigir-nos no caminho em que Ele quer que andemos. Ela provê uma fonte poderosa e confiável para o conhecimento da vontade de Deus, quando consultamos Sua Palavra.

 

A  VONTADE  DE  DEUS  E  SUA  PROVIDÊNCIA

 

Iniciemos fazendo um exaustiva estudo da palavra providência na Bíblia. É fácil de se fazer, pois há apenas uma referência, encontrada em Atos 24:2 [na King James Version]. Note as primeiras poucas palavras: “Cinco dias depois, desceu o sumo sacerdote, Ananias, com alguns anciãos e com certo orador, chamado Tértulo, os quais apresentaram ao governador libelo contra Paulo. Sendo este chamado, passou Tértulo a acusá-lo, dizendo: Excelentíssimo Félix, tendo nós, por teu intermédio, gozado de paz perene, e, também por teu providente cuidado, se terem feito notáveis reformas em benefício deste povo, sempre e por toda parte, isto reconhecemos com toda a gratidão. Entretanto, para não te deter por longo tempo, rogo-te que, de conformidade com a tua clemência, nos atendas por um pouco.” (V. 1-4)

Esse orador loquaz prosseguiu tentando persuadir o governador a deter a obra da pregação do evangelho feita por Paulo. Mas ele usou a palavra providente. Ele não estava falando da providência de Deus, mas em vez disto da providência do governador. Estava falando a respeito do que o governador tinha provido para seus súditos. Assim quando usamos a palavra providência referindo-nos à orientação de Deus em nossa vida, estamos falando das coisas que Deus tem provido para nós.

Este quarto passo no conhecimento da vontade de Deus em nossa vida procura considerar as circunstâncias providenciais. Talvez a providência divina seja um pouco mais difícil de explicar ou de compreender do que alguns dos outros passos no conhecimento da vontade de Deus, assim usemos uma ilustração. Tente pensar em sua vida como um quebra-cabeça. Cada evento é uma peça separada do quebra-cabeça. Ao formar você o quebra-cabeça, peça por peça, emerge um quadro, que revela o plano para sua vida.

Você já formou um quebra-cabeça? É relativamente fácil de início, quando você olha para todas as peças da margem e une-as. Mas então torna-se mais difícil. Se você se detém com a parte mais difícil, pode ser realmente emocionante inserir aquelas poucas peças finais!

Temos uma amiga que gosta muito de formar quebra-cabeças. Ela se orgulha de ser perita em quebra-cabeças. Pode formar um quebra-cabeça mais rápido do que qualquer um ao seu redor. Um ano por ocasião do Natal, minha esposa deu-lhe de presente um quebra-cabeça. Era uma pintura do capuz do Chapeuzinho Vermelho. Era toda vermelha. Ela gastou vinte horas para formá-lo, e todos nós nos regozijamos!

Lembrar-se de como um quebra-cabeça se encaixa, se ajusta, pode ser um método para o reconhecimento da providência de Deus, para ver o Seu trato com você no passado e perceber onde Ele o dirigiu até aqui. Você poderia sentir o desejo de assentar-se com um pedaço de papel e um lápis e anotar todos os importantes eventos dos últimos cinco ou dez anos da sua vida. Vê você o surgimento de um quadro? A decisão que você agora está tentando tomar se ajusta a esse quadro?

Suponhamos que um estudante venha ao meu escritório para aconselhamento sobre como decidir qual deve ser o seu trabalho vitalício. Ao passarmos um pouco de tempo nos conhecendo mutuamente, eu lhe pergunto acerca dos seus interesses e passatempos favoritos em sua experiência até ao presente.

Diz ele: “Meu pai é veterinário. Eu sempre gostei muito dos animais. Quando era criança, eu sempre levava para casa algum animal ferido ou faminto e dele cuidava, restituindo-lhe a saúde.

“Nas férias de verão tenho trabalhado com meu pai em seu escritório e gostado muito disso. No verão o tempo sempre passa muito rápido. Durante o ano escolar minha matéria predileta tem sido biologia, embora eu aprecie também as outras aulas de ciências. E tenho uma bolsa de estudos para uma faculdade de veterinária. Mas o que eu estou tentando concluir é se Deus quer ou não que eu seja um mecânico de automóveis.”

Isto seria um exemplo extremo de uma peça de quebra-cabeça que não se ajustou, em se tratando das circunstâncias providenciais.

É claro que não devemos decidir baseados somente nas peças do quebra-cabeça, quanto mais decidir baseados apenas em um único passo, seja qual for. Mas pode ser que ao olhar cuidadosamente para a direção de Deus em suas experiências passadas isto proveja idéias para ajudar na atual decisão com que você se depara.

Há exceções à regra acerca dos quebra-cabeças. Às vezes Deus está operando em mais de um quadro ao mesmo tempo em sua vida, e uma nova decisão pode se ajustar ao novo quadro. Ele quer operar em sua vida, mesmo quando ela não parece ajustar-se absolutamente ao velho quadro.

Assim aconteceu com Moisés. Ele pensava que devia tirar o povo de Deus do Egito, mas as coisas não estavam se encaminhando tão rapidamente como lhe convinha, de sorte que ele se precipitou e praticou alguma ação por si mesmo. Matou um egípcio. Então fugiu de diante de Faraó, atravessando as areias do deserto, e durante quarenta anos apascentou as ovelhas do seu sogro na encosta da montanha. Não tinha nem mesmo seu próprio rebanho de ovelhas!

Então um dia Deus Se encontrou com ele ali no deserto em uma sarça ardente e lembrou-lhe do chamado para ser o libertador do povo de Deus. E disse Moisés: “Escolheste o homem errado. Eu nasci para ser pastor de ovelhas. Não apenas isto, mas esperaste demais. Esqueci-me até mesmo da língua. Terás de enviar outro.”

Moisés não acreditava absolutamente que as peças do quebra-cabeça se ajustavam. Mas Deus ainda estava operando em sua vida; e Seus propósitos, que não conhecem nem adiantamento nem tardança, estavam prontos para o cumprimento.

Davi também era pastor. Enquanto apascentava os rebanhos de seu pai, ouvia de seus irmãos acerca de guerras e combates. Eles eram soldados no exército do rei. Mesmo Samuel, quando Deus o enviou para ungir a Davi como rei de Israel, teve dificuldades ao rejeitar os irmãos de Davi, que pareciam estar muito mais qualificados para a tarefa.

Mas Deus tinha um novo quadro a formar na vida de Davi e advertiu a Samuel para que não olhasse para a aparência exterior. Veja    I Samuel 16:7. O chamado para ser rei não parecia se ajustar. De fato, enquanto Davi fugia de Saul por sete anos, parecia que isto nem mesmo iria se realizar! Davi, Moisés, e muitas outras pessoas piedosas tiveram de esperar durante anos até à conclusão do plano de Deus na vida deles. Mas o plano divino finalmente se cumpriu.

Isto nos leva a outro ponto importante que não devemos olvidar ao considerarmos as circunstâncias providenciais. Deus opera em um esquema diferente do nosso. Ele parece deleitar-Se em esperar até ao último minuto! Não abriu o Mar Vermelho para o povo de Israel quando este a princípio chegou em suas margens. Esperou até que os exércitos egípcios os tivesse alcançado e estivessem a encerrá-los para a matança. Não adoçou as águas de Mara antes que o povo de Israel as provasse e descobrisse que eram amargas. Não interveio com fogo do céu até o último minuto do último dia da demonstração final entre Deus e Baal.

Você pode descobrir em sua própria vida que Deus tem hoje o mesmo hábito. Se você parece estar em dificuldades financeiras e que em trinta dias terá de deparar-se com a falência, diminua a tensão, ponha-se à vontade! Você tem vinte e nove dias – ou talvez vinte e nove dias e meio, antes de Deus precisar mover-Se em seu favor.

Em nossa impaciência humana, freqüentemente achamos que Deus deveria apressar-Se um pouco! Mas Deus tem mais em Sua agenda do que simplesmente trazer livramento para cada crise particular. Quer também ensinar-nos importantes lições de confiança e de dependência dEle. Quer dar-nos insight*, sobre o nosso coração e sobre o que nos faz pulsar.

O que acontece dentro de você quando Deus espera? É capaz de prosseguir calmamente, confiando em que Ele traga livramento a Seu próprio tempo e à Sua maneira? Ou é tentado, como foi Moisés, a tomar as coisas em suas próprias mãos? Fica zangado com Deus por não Se mover à sua velocidade? E poderia ser bom que você visse quão facilmente se irrita com Deus, quão rapidamente cessa de confiar nEle e começa a confiar em sua débil força?

Ao aprender a lição da espera, mesmo quando parece que o desastre e a derrota estão às portas, você virá a apreciar a providência de Deus que nem sempre age imediatamente. Torna-se tão emocionante esperar e aguardar que Ele opere Seus milagres em Sua vida.

Outra maneira em que a providência de Deus opera é através dos encontros divinos, quando você cruza o caminho com pessoas que têm a informação de que você pode precisar para tomar a decisão certa.

Talvez você esteja tentando decidir que tipo de carro comprar. Você esteve no vendedor de carros e ouviu o seu lance de vendas. Fez sua própria avaliação quanto aos méritos de uma marca especial e um modelo que você está interessado em comprar.

Mas você chegou antes a este tipo de decisão e teve alguns momentos desagradáveis. Assim você começa a convidar o Senhor para guiá-lo nesta decisão, e para seu espanto, dentro de pouco tempo, você vê Sua providência em operação. Você se encontra com outras pessoas, aparentemente por acidente, que tiveram experiência com o mesmo tipo de carro que você está pensando em obter. Elas não sabiam da decisão que você estava tentando tomar, mas de algum modo a conversação muda para esta direção e você tira proveito da sua experiência. Já lhe aconteceu alguma coisa assim?

Não muito tempo atrás recebemos um convite para realizar algumas conferências na Flórida para um grupo especial. Eles nos convidaram a levar toda a família, visto que as reuniões estavam sendo realizadas durante os feriados do Natal. Depois de discutir o assunto, nossa família resolveu aceitar a proposta.

Mas temos alguns jovens em nossa família que não gostariam de passar todos os seus feriados de Natal assentados em reuniões. E isso está certo, não é? E assim estivemos indagando que tipo de atividades poderíamos incluir que tornariam os feriados os mais agradáveis possíveis para eles.

Lembramo-nos de um oferecimento que nos havia sido feito vários anos antes por alguns amigos que possuíam uma cabana de verão não longe do local onde seriam realizadas as conferências. Até ali nunca tínhamos tido ocasião de aceitar seu oferecimento, mas agora refletimos sobre isto e procuramos entrar em contato com eles. Infelizmente havíamos perdido seu endereço e não pudemos encontrar alguém que nos pudesse informar onde eles estavam.

Minha esposa, sem mesmo falar sobre isto ao resto da família até posteriormente, começou a orar para que Deus provesse um lugar para ficarmos durante a semana de reuniões. Alguns dias depois nos encontramos pela primeira vez com algumas pessoas e almoçamos com elas. Terminada a refeição, elas nos disseram que tinham uma casa de praia na Flórida e que podíamos usá-las e um dia necessitássemos de tal coisa! A casa de praia que o Senhor proveu era superior à cabana de férias original que tínhamos em mente, porque estava exatamente na praia, e nossos jovens podiam fazer uso do sol e da areia sempre que o desejassem.

Havíamos tomado a decisão de freqüentar as reuniões mesmo antes de receber o oferecimento da casa de praia! Mas enquanto considerávamos todas as maneiras de reconhecer a direção de Deus em nossa vida, Sua providência no assunto da casa de praia tornou-se uma das razões por que nos sentimos seguros de que Deus nos estava dirigindo naquela ocasião para aquele lugar especial.

Jesus aceitava a orientação do Pai ao marcar encontros divinos quando esteve aqui na Terra. Estava disposto a caminhar 80 quilômetros fora do Seu caminho simplesmente para colocar-Se no caminho de uma mulher siro-fenícia que ansiava por Sua presença e auxílio. Estava disposto a esquecer o descanso, o alimento e mesmo um pouco de água para refrescar-Se do sol escaldante da tarde, a fim de ministrar à mulher samaritana enquanto estava assentado junto ao poço. Estava disposto a protelar a Sua ida para a cama no final de um dia atarefado a fim de conversar com Nicodemos, que estava envergonhado de vir durante as regulares “horas de expediente”! Permitia que Seu Pai fizesse os planos e então Lhos revelasse diariamente, durante Sua hora de comunhão com o Pai.

Já viu o Senhor operar em sua vida, marcando-lhe encontros divinos? Esta é outra faceta da Sua direção providencial em operação. Talvez você esteja procurando alguma oportunidade para testemunhar em prol do evangelho. Comece a orar sobre isto, e logo Ele cruza seu caminho com pessoas que estão necessitadas do próprio tipo de auxílio que você tem a oferecer. Realmente, com base em minha própria experiência, bem como nas informações que outros têm partilhado comigo, estou inclinado a predizer que Deus lhe tornará habitual este tipo de oportunidade se você for sensível à Sua orientação e convidá-Lo para fazer isto.

Você poderá descobrir que os encontros divinos interrompem seus próprios planos, mas se você estiver disposto a ser interrompido, a providência divina o conduzirá de maneiras emocionantes.

A cronometragem dos encontros divinos está sempre certa. Às vezes você pode defrontar-se com o que parece ser um encontro divino, mas a cronometragem está errada. Você pode saber que não é a mão do Senhor que está operando.

Quando aceitamos o chamado para deixar o belo norte da Califórnia e ir para Nebraska, oramos, consideramos e atravessamos os diversos passos para conhecer a vontade de Deus. Então tomamos uma decisão. Chegou o tempo de nossa resposta final e não podíamos mais adiar. Baseados em todas as informações que tínhamos obtido, baseados em tudo o que se achava na pasta de papéis de cada um dos oito passos, concluímos que o Senhor nos estava dirigindo na aceitação do chamado para Nebraska. Aceitamos oficialmente a proposta.

Na semana seguinte, recebi um telefonema de um amigo íntimo que é um rádio-evangelista. Sua filha morava na cidade que estávamos deixando e lhe havia contado acerca de nossa decisão de mudar-nos para Nebraska.

“Alô, Irmão Venden” – disse ele. “É sua consciência que está falando!” E ele prosseguiu, falando-me de todas as razões que ele podia imaginar, mostrando por que devíamos permanecer no norte da Califórnia. Tinha algumas razões muito impressionantes, e ele era alguém cujo conselho eu havia prezado e cuja sabedoria eu havia respeitado. Se ele tivesse feito aquela chamada uma semana antes, aquela única coisa poderia ter influenciado a decisão de outro modo, a despeito da evidência dos outros passos no conhecimento da vontade do Senhor! Mas a cronometragem estava errada. A decisão já havia sido tomada, as portas estavam se abrindo nesta direção e eu não pude dar ouvidos à sua voz, mesmo embora, humanamente falando, era extremamente difícil ir contra o seu conselho.

Ao buscarmos a orientação do Espírito Santo em nossa vida, podemos ver Sua mão operando nos encontros divinos, quer seja causando, quer seja impedindo contatos que influenciarão nossas escolhas.

Já aconteceu isto em sua vida? Você tenta reiteradamente entrar em contato com alguma pessoa, e toda vez que você chama a linha está ocupada ou eles acabaram de sair ou naquele momento já deveriam estar de volta mas não estão, e nada que você faz pode confortá-lo, ou já descobriu que o inverso pode ser verdade? Você se encontra com a mesma pessoa quinze vezes em um só dia, até que está finalmente disposto a falar-lhe ou ouvir-lhe e reconhecer um encontro divino. As maneiras de Deus operar são freqüentemente misteriosas à nossa compreensão humana, mas a vereda de Sua providência nos traz encontros divinos como um dos métodos que Ele geralmente escolhe para a revelação da Sua vontade.

Existe outra área da providência, um lado mais escuro, do qual escaparíamos se tivéssemos a escolha. A providência de Deus freqüentemente nos conduz através de provações e dificuldades que enfrentamos neste mundo de pecado. Ele não produz as dificuldades, mas Sua providência pode guiar-nos através delas. Qualquer barreira que as hostes das trevas possam lançar em nossa trilha, Deus pode transformar em um degrau pardo cumprimento do Seu plano em nossa vida.

Lembra-se de José? Ao mergulhar na noite, as tendas de seu pai desaparecendo no horizonte distante, parecia o fim de tudo. Como poderia tal traição por parte de seus irmãos e o mau tratamento dos traficantes de escravos ser parte do plano divino para sua vida? As coisas lhe pareceram mais promissoras por algum tempo ali no Egito, ao gozar de mais e mais confiança em casa de Potifar.  Mas o seu tempo favorável foi de breve duração, e ao passar dia após dia e noite após noite aprisionado no cárcere egípcio, sua fé e confiança em Deus foi severamente provada. Foi o lado escuro da providência divina que permitiu que ele fosse conduzido a tal lugar. Mas foi não obstante a providência de Deus, porque as provações que Ele permitiu que viessem sobre José foram os próprios meios que o prepararam para sua obra como libertador, não somente do Egito, não apenas de sua própria família, mas também das nações vizinhas.

Davi fugindo de um Saul irado e ciumento, Jeremias no fosso enlameado, João Batista no cárcere de Herodes, João o Discípulo Amado na Ilha de Patmos – a lista poderia prosseguir infindavelmente. Vezes sem conta a providência de Deus tem conduzido o Seu povo por veredas escuras e solitárias. Em nossa fraqueza humana, regozijamo-nos muito mais quando Daniel é livrado da cova dos leões do que quando João Batista foi decapitado. Mas a amorosa providência está dirigindo em cada caso. A promessa ainda é certa de que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito”. Romanos 8:28.

Achamos difícil compreender que não há maior evidência do favor e da orientação de Deus em ser levado para o Céu em um carro de fogo do que morrer de uma prolongada enfermidade. Eliseu foi precisamente tão honrado por Deus como fora Elias, e ambos foram guiados por Sua providência no cumprimento de sua parte no propósito divino. A comunhão com Cristo em Seus sofrimentos, bem como a comunhão com Ele no serviço e a comunhão com Ele em Sua glória, são prometidas aos Seus fiéis seguidores. E mesmo quando Sua escolha para nós parece muito distante do que escolheríamos por nós mesmos, ainda podemos confiar nEle em nossa vida. Como diz o cântico:

A senda que eu tenho trilhado, me levou para mais perto de Deus,

Embora muitas vezes ela transpusesse os portais da aflição.

Embora não fosse a trilha que escolhi, em meu caminho eu perderia

As alegrias que ainda me aguardam.

A área das circunstâncias providenciais pode ser um dos mais emocionantes dos oito passos, porque é aquela que está completamente no setor de Deus. Ele é o que escolhe o tempo e o método de comunicar-Se com você através de Suas providências. As circunstâncias providenciais não são algo que possa ser facilmente reproduzido pelo poder humano. E mesmo quando não compreendemos as razões de Sua operação providencial, ela fornece as mais inconfundíveis evidências de Sua direção para aquele que está procurando conhecer Sua vontade.

Ao tentar ser sensível à vontade de Deus em sua vida, aprendendo por Sua graça o que significa não ter nenhuma vontade própria e procurando conhecê-Lo diariamente através da Sua Palavra e através da oração e comunhão com Ele, a direção de Sua providência torna-se muito significativa. Sua direção no passado, bem como as providências que Ele traz para o seu presente, podem dar-lhe verdadeiro conhecimento de Sua vontade ao você considerar as circunstâncias providenciais.

 

A  VONTADE  DE  DEUS  E  SEUS  AMIGOS

 

Vários anos atrás em Oregon um jovem pregador solteiro mudou-se para sua primeira paróquia. Havia na igreja duas mulheres mais velhas, também solteiras, que eram irmãs. Elas se tornaram muito interessadas pelo novo pregador.

Logo a mãe delas fez arranjos para que o novo pregador fosse almoçar em sua casa depois do culto. E logo após a refeição, uma das mulheres o encurralou na sala-de-estar, muito emocionada. Tinha boas novas para ele. Disse ela:

– O Senhor me revelou que você deve se casar.

Sua resposta foi clássica. Disse ele:

– Isso é interessante. Ora, quando o Senhor me revelar a mesma coisa eu me casarei!

Certa vez em Los Angeles uma mulher veio visitar-me e disse:

– Pastor, o Senhor me revelou que há ouro no Alasca. Ele me mostrou o local exato onde o mesmo pode ser encontrado. Tudo o que temos de fazer é levar uma vassoura, varrer a neve, pegá-lo e trazê-lo de volta. E o senhor deve ir comigo.

Eu me lembrei do pregador solteiro de Oregon e respondi-lhe:

– Isso é interessante. Quando o Senhor me revelar a mesma coisa, eu irei com você.

– Irá? Realmente? – perguntou ela.

– Sim, quando o Senhor me revelar a mesma coisa.

Ela se afastou emocionada e satisfeita com minha resposta. Suspeitei que ela estava tenda problemas com seus “filamentos” – e o tempo provou ser este o caso. Não fomos com nossas vassouras para o Alasca.

Mas conquanto não possamos depender dos outros como um canal pelo qual o Senhor nos revela Sua vontade, o conselho dos outros é um passo importante na compreensão da vontade do Senhor. Assim o passo 5 no conhecimento da vontade de Deus em sua vida é aconselhar-se com amigos piedosos.

Este é o passo que acrescentei à lista original de sete passos de Müller. Encontra-se em várias passagens das Escrituras. Diz Salmo 1:1: “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios.” Note que a advertência é contra o aconselhamento com os ímpios – não com os justos. De sorte que quando Provérbios 11:14 nos diz: “Não havendo sábia direção cai o povo, mas na multidão de conselheiros há segurança”, deve estar falando sobre o conselho dos justos, não dos injustos.

Existem bons conselheiros e existem maus conselheiros. Este é um dos problemas no mundo do aconselhamento em geral. Como você sabe, o aconselhamento se tornou popular em anos recentes, e há muito aconselhamento em voga. Mas apenas o conselho não basta. E importante receber conselho piedoso se você está interessado em aprender mais acerca da vontade de Deus em sua vida. É possível compreender mal o que torna um conselheiro um conselheiro piedoso. O simples fato de uma pessoa pertencer à Igreja Cristã não faz dela um conselheiro cristão.

De sorte que quando incluímos o conselho com amigos cristãos como um dos oito passos no conhecimento da vontade de Deus em nossa vida, devemos buscar conselho de pessoas piedosas, não dos ímpios.

O que é uma pessoa piedosa? O que torna alguém um cristão? A Bíblia diz que o Senhor sabe livrar da tentação os piedosos. Esta é uma maneira interessante de afirmar isto. Evidentemente o Senhor não sabe livrar da tentação os ímpios. O que significa ser piedoso? A pessoa piedosa seria aquela que está muito envolvida com Deus.

Com freqüência medimos o cristianismo e a piedade pelo comportamento, quando deveríamos medi-lo pelo relacionamento. Esta é uma chave constante de todo o reino da justiça pela fé. Relacionamento. E independente de se uma pessoa afirma ser ou não um conselheiro cristão, o único conselheiro cristão é aquele que tem um relacionamento pessoal com o Senhor Jesus Cristo.

Tem havido muitos que abrem consultórios e pretendem ser conselheiros cristãos, o que não são absolutamente. E os sintomas são fáceis de se descobrir. O conselheiro cristão é aquele que dirigirá sua dependência a Jesus. E o mundo do aconselhamento não cristão em geral que em vez disto o convida a depender de si mesmo ou deles.

No mundo secular, aquele que é considerado um bom conselheiro permitirá que você dependa dele apenas o tempo suficiente para levá-lo a depender novamente de si mesmo. O mau conselheiro secular tentará mantê-lo dependente dele a fim de ganhar mais dinheiro. Mas o conselheiro cristão o ajudará a pôr a confiança no Senhor Jesus como seu único auxílio, sua única esperança.

Há vários exemplos bíblicos de pessoas que pediram o conselho de outros ao tentar compreender a vontade do Senhor. Vejamos primeiro alguns exemplos daqueles que buscaram conselho de fontes erradas.

I Reis 12 fala a respeito de Roboão, filho de Salomão. Seu pai havia falecido, e Roboão o havia sucedido no trono. Ao assumir o governo do reino, uma delegação de pessoas veio a ele com uma solicitação. Disseram: “Teu pai fez pesado o nosso jugo; agora, pois, alivia tu a dura servidão de teu pai e o seu pesado jugo que nos impôs, e nós te serviremos:” I Reis 12:4.

Ao separar-se do Senhor nos últimos anos de sua vida, Salomão impusera pesados tributos sobre o povo a fim de levar o seu reino a um nível ainda maior de luxo e extravagância. O povo estava cansado dos pesados impostos e esperava por uma mudança do novo governo.

Respondeu Roboão: “Ide-vos, e, após três dias, voltai a mim. E o povo se foi.” Verso 5.

Lembra-se da história? Roboão convocou os velhos conselheiros. Eles o aconselharam a concordar com o pedido da delegação e tomar o jugo mais suave, granjeando assim a lealdade e o apoio do povo. Mas Roboão não parou por aqui. Voltou-se para os homens mais jovens, que eram ambiciosos, gananciosos e imaturos, como ele mesmo evidentemente o era. Disseram os conselheiros jovens: “Torna o jugo mais pesado.” Aconselharam eles: “Assim falarás a este povo que disse: Teu pai fez pesado o nosso jugo, mas tu alivia-o de sobre nós; assim lhe falarás: Meu dedo mínimo é mais grosso do que os lombos de meu pai. Assim que, se meu pai vos impôs jugo pesado, eu ainda vô-lo aumentarei; meu pai vos castigou com açoites, porém eu vos castigarei com escorpiões.” Versos 10 e 11.

Roboão deu ouvidos ao conselho dos mais jovens. Isto foi parte do seu problema. Mas talvez o maior problema foi que não há nenhuma evidência de que ele tenha consultado ao Senhor no assunto. Guiou-se por seu próprio juízo e preferiu seguir o conselho dos mais jovens. Como resultado o reino foi dividido, e Israel e Judá estiveram na garganta um do outro durante anos em seguida à sua lastimável decisão. Dez das doze tribos se afastaram do seu jugo mais pesado, e ele foi deixado com apenas uma fração do povo sob sua autoridade. Deu ouvidos ao mau conselho.

Talvez isto nos ensine algo. Temos de ser suficientemente idosos para morrer antes de sabermos o suficiente para viver. Cedo demais envelhecemos, e tarde demais ficamos inteligentes. Qualquer tolo pode aprender de seus próprios erros. Só os sábios aprendem da experiência dos outros. Roboão não ouviu os homens de experiência, e terríveis foram os resultados do seu juízo medíocre.

Vejamos outro interessante relato do Velho Testamento, o qual se encontra em I Reis 22. O reino agora tinha sido dividido, e havia duas regiões, duas partes – Israel e Judá. Acabe era rei de uma parte, e Josafá era rei da outra parte. Acabe dirigiu-se ao seu rival, Josafá, e pediu-lhe que se unisse a ele para combater um inimigo comum – Ramote-Gileade.

No verso 5: “Disse mais Josafá ao rei de Israel: Consulta primeiro a palavra do Senhor.”

Assim Acabe reuniu seus profetas, cerca de 400 deles, e perguntou-lhes: “Irei à peleja conta Ramote-Gileade, ou deixarei de ir? Eles disseram: Sobe, porque o Senhor a entregará nas mãos do rei.” Verso 6.

Mas Josafá não estava satisfeito. Disse ele no verso 7: “Não há aqui ainda algum profeta do Senhor para o consultarmos?” Josafá era um homem piedoso, como você pode lembrar-se. Acabe não era. Casou-se com uma mulher perversa e a seguiu em toda sorte de impiedade. Mas é evidente que Acabe em desespero necessitava do auxílio de Josafá nessa batalha especial, porque se dispôs a concordar com sua solicitação. Respondeu ele: “Há um ainda, por quem consultar o Senhor, porém eu o aborreço, porque nunca profetiza de mim o que é bom, mas somente o que é mau. Este é Micaías, filho de Inlá.” Verso 8.

E disse Josafá: “Não fale o rei assim.” Em outras palavras: “Não diga isto! Você está sendo paranóico!” Assim o rei ordenou que Micaías fosse trazido diante dele.

O mensageiro que foi chamar Micaías tentou ajeitar as coisas o melhor possível. Disse-lhe ele: “Eis que as palavras dos profetas a uma voz predizem coisas boas para o rei; seja, pois, a tua palavra como a palavra de um deles e fala o que é bom.” Verso 13.

Respondeu Micaías: “Tão certo como vive o Senhor o que o Senhor me disser isso falarei.” Verso 14. Mas se era este o caso, o Senhor deu-lhe interessantes palavras para dizer, porque quando ele chegou diante do rei Acabe e lhe foi feita a pergunta: “Iremos a Ramote-Gileade à peleja, ou deixaremos de ir?”, ele respondeu dizendo: “Sobe, e triunfarás, porque o Senhor a entregará nas mãos do rei.” Verso 15.

De algum modo, Acabe percebeu que Micaías não estava sendo franco com ele. Talvez ele tivesse um piscar de olhos. Mas sua resposta é quase divertida, pois ele disse: “Quantas vezes te conjurarei, que não me fales senão a verdade em nome do Senhor?” Verso 16.

Então Micaías deu a mensagem do Senhor. Disse ele: “Vi todo o Israel disperso pelos montes, como ovelhas que não têm pastor; e disse o Senhor: Estes não têm dono; tome cada um em paz para a sua casa.” Verso 17.

Mas em vez de apreciar a advertência enviada por Deus, Acabe disse irritado a Josafá: “Não te disse eu, que ele não profetisa a meu respeito o que é bom, mas somente o que é mau?” Verso 18.

Acabe reconheceu a voz do Senhor na segunda mensagem de Micaías, mas não estava disposto a aceitá-la. Foi batalhar contra Ramote-Gileade, e este foi o fim de Acabe. Foi morto durante a batalha.

É uma verdade solene perceber que não devemos apenas aprender qual é a vontade de Deus em nossa vida, mas devemos também receber dEle poder para seguir Sua vontade, ou nos encontraremos na mesma situação de Acabe.

Em 1957 eu precisava de um carro. Um cristão, vendedor de carros usados, mostrou-me um Cadillac 53 que fora dirigido por um pequeno e velho professor de escola primária de Pasadena. Parecia bom para mim! Eu sempre tinha desejado um Cadillac, todo forrado de carpetes, o motor silencioso, e a marcha suave. Tive de insistir muito para convencer minha esposa, mas eu lhe disse tudo acerca de como o carro nunca sofreria desgaste, nunca seria depreciado, faria muitos quilômetros por litro de gasolina e custava a metade do preço de um carro novo! Minha mente estava decidida desde a primeira vez que testei aquele Cadillac, e nada que alguém dissesse do lado negativo seria anotado. Eu agia como Roboão e Acabe. Mesmo suspeitando que minha decisão de comprar aquele carro era uma decisão errada, eu o queria tanto que não tinha poder para evitar de comprá-lo!

Assim finalmente adquiri o meu Cadillac. Os membros da minha igreja começaram a zombar de mim por causa do meu Cadillac, e logo, indo visitar alguém, eu dirigia o meu carro dois ou três quarteirões abaixo para estacionar, e então voltava cinco, para que eles não vissem o meu carro!

Mas o radiador estava enferrujado, e logo o carro aqueceu demais e avariou o motor. É claro que os cilindros se encheram de água, e o carro não dava partida. De sorte que eu pedi ao vizinho que empurrasse, e isto acabou com a transmissão do carro.

Não muito tempo depois disto, o pára-choque traseiro caiu. Então descobri que o carpete estava todo mofado e podre por baixo. Quando tive de substituir o radiador, a transmissão, o pára-choque e o carpete, eu não estava tão apaixonado por Cadillacs como estivera antes!

Todos nós, provavelmente, tivemos ocasiões em nossa vida em que demos ouvidos ao mau conselho e tivemos de suportar as conseqüências de nossas escolhas infelizes. Mas há também nas Escrituras exemplos animadores daqueles que deram ouvidos ao conselho piedoso que lhes foi oferecido e assim pouparam a si mesmos de muitas derrotas.

Moisés foi um desses. Seu sogro veio fazer-lhe uma visita, ali nas areias do deserto, e observou como Moisés era chamado de uma disputa para outra durante o dia inteiro, de manhã cedo até tarde da noite. Ele ficou preocupado. Percebeu que a força de Moisés não era igual à tarefa de lidar sozinho com todas aquelas pessoas, de sorte que deu um sábio conselho. Sugeriu que Moisés reorganizasse as coisas. Moisés reconheceu o seu conselho como proveniente do Senhor.

Você pode ler sobre isto em Êxodo 18. Jetro sugeriu que Moisés procurasse homens capazes, tementes a Deus, a quem ele pudesse nomear como chefes do povo: chefes de mil, de cem, de cinqüenta e de dez. Ele recomendou que lhes fosse dada a autoridade para julgar todos os pequenos problemas que surgissem, levando somente os assuntos mais difíceis à atenção de Moisés.

Disse Jetro: “Se isto fizeres, e assim Deus to mandar, poderás então suportar; e assim também todo este povo tomará em paz ao seu lugar. Moisés atendeu às palavras de seu sogro, e fez tudo quanto este lhe dissera.” Êxodo 18:23 e 24.

Um dos primeiros lugares em que você deve buscar conselho piedoso é precisamente em sua própria família! Uma família seria deveras infeliz se tivesse um membro tão fanático a ponto de crer que Deus guia somente a ele, e não a família como uma unidade.

Minha esposa e eu éramos muito felizes pastoreando em Mountain View, Califórnia, vários anos atrás. Quando veio o convite para mudar-nos para o sul da Califórnia, toda a nossa família não estava disposta a ir. Mas o povo da nova igreja continuou pedindo e disse que pagaria nossa viagem apenas para olhar, de sorte que finalmente concordamos em fazer uma visita. Dissemos: “Apreciaríamos uma viagem para visitar – mas sem compromisso de ficar.”

Assim minha esposa, meu filho e eu fomos ao sul da Califórnia. Dirigimo-nos ao escritório do administrador que nos havia convidado. Minha esposa e meu filho afundaram em suas poltronas e olharam pela janela. Eu fiquei envergonhado! Depois que saímos, eu disse: “Olhem, vocês não devem agir assim. Podem ser ao menos civilizados. Já lhes dissemos que não temos compromisso de ficar.”

Fomos à igreja e assistimos a uma recepção em nossa honra, mas foi um trabalho árduo. Todos nós nos sentimos aliviados quando partimos. Fomos para casa, atravessando o Deserto Mojave, em direção do belo norte da Califórnia.

Enquanto viajávamos, eu disse à minha esposa e ao meu filho: “Bem, agora vocês podem relaxar. Não vamos nos mudar.” E em meu coração eu disse ao Senhor: “A única maneira de eu mudar-me para o sul da Califórnia seria se houver uma mudança drástica de atitude por parte de minha esposa e do meu filho.” E também me descontrai!

Chegamos em casa, guardamos o carro na garagem, desempacotamos nossas coisas, e eu pensei que o assunto estava encerrado. Mas na manhã seguinte meu filho foi o primeiro a me encontrar. Disse ele:

  • Papai?
  • Sim!
  • Acho que deveríamos mudar-nos para o sul da Califórnia.

Posteriormente, naquele mesmo dia, sem nenhuma comunicação com nosso filho, minha esposa chegou à mesma conclusão. Começamos a reconsiderar e percebemos que sem dúvida havíamos deixado de levar em conta o passo um – não ter nenhuma vontade própria no assunto.

Dois dias depois, no culto da família, voltamo-nos para a história que eu mencionei anteriormente, quando Deus instruiu alguém a “ir para a banda do sul… ao lugar que está deserto”. O texto era de Atos 8, a história de Filipe e o etíope. E ao acumular-se a evidência dos oito passos para conhecer a vontade de Deus, chegou a hora em que concordamos, todos juntos, em aceitar o chamado para o sul da Califórnia.

Assim Deus pode dirigir através da sua família. Ele pode dirigir também através do corpo de Cristo. Aconteceu deste modo em Atos 4, quando Pedro e João foram aprisionados e açoitados por pregarem o evangelho de Jesus Cristo. Eles foram advertidos pelas autoridades a não falar mais em Seu nome. A primeira coisa que eles fizeram foi voltar para o seu próprio grupo e contar-lhes o que havia acontecido. Esse grupo se ajoelhou imediatamente e ergueu sua voz a Deus. Como resultado, os primeiros apóstolos foram revestidos de tal zelo através do poder do Espírito Santo que tiveram coragem e ousadia para continuar a falar e partilhar as boas novas de Jesus.

Lembre-se, porém, que se você está considerando o conselho de sua família, de seus amigos íntimos, ou dos membros da sua igreja, você não deve tomar toda a sua decisão baseado em seu conselho. Continuamos a advertir neste ponto: não decida á base de um único passo, seja qual for. Pelo contrário, reúna-os, e tome sua decisão levando em conta o peso da evidência.

Quando Jesus esteve aqui na Terra, no início do Seu ministério, Sua mãe O chamou à parte nas bodas de Caná e contou-Lhe sobre o problema do vinho. Conquanto Jesus achasse conveniente atender ao seu pedido, Suas palavras gentilmente lembraram-lhe de que Ele tinha de ficar livre para fazer a vontade de Seu Pai Celestial. Nem mesmo Sua mãe recebeu a incumbência de dirigir-Lhe a missão, à parte da vontade de Seu Pai celestial. Ele havia respondido do mesmo modo quando tinha apenas doze anos de idade, quando fora deixado para trás no templo. E no final da Sua vida, quando Sua mãe e Seus irmãos queriam que Ele modificasse Sua maneira de ensinar e ministrar a fim de ajustar-Se às suas idéias. Ele era amável, respeitador e amoroso, mas não permitia que Sua família tivesse pleno controle sobre Suas decisões.

Ao mesmo tempo, durante a maior parte de Sua vida aqui na Terra Ele foi submisso aos Seus pais, trabalhando na carpintaria, envolvido na vida da família que Lhe fora dada por Seu Pai.

Os membros da sua família, ou seus amigos íntimos, os que são piedosos, ou os membros da sua igreja, podem ser um canal por meio do qual Deus possa falar-lhe, embora nem sempre eles possam ser assim usados. Mesmo que sua família e seus amigos e os membros da sua igreja sejam sinceros seguidores de Deus, que estejam em contato com Ele, Deus pode preferir fechar-lhes os olhos temporariamente às mensagens que está lhe enviando a fim de que você possa aprender por si mesmo a ouvir-Lhe e a voz e não depender dos outros para pensar, orar e estudar por você.

Finalmente, o maior de todos os conselhos provém dAquele que é chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus forte, Pai da eternidade, Príncipe da paz. Ele nos está recomendando, em nossa busca por conhecer a Sua vontade.

Está você em contato com Ele? Sabe você o que significa ouvir por si mesmo a Sua voz, reconhecendo Sua orientação na vida?

Ele está interessado em guiar o Seu povo, e que bênção traz Ele por intermédio daqueles que nos amam e que O amam, quando nos aconselhamos com amigos cristãos.

 

 

 

 

 

 

 

 

A  VONTADE  DE  DEUS  E  SUA  ORAÇÃO

 

Defendemos o ponto de vista de que o passo um, não ter nenhuma vontade própria em dado assunto, é o mais difícil de todos os passos. E muitos têm achado que o passo oito, o último passo no conhecimento da vontade de Deus em sua vida, é o mais emocionante, porque ali é onde você começa a ver as pegadas das forças celestiais a operar de um modo muito direto. Mas o passo seis é o mais importante de todos os passos, pedir a Deus que o guie na decisão que você está indo tomar.

Se houvesse tempo para apenas um dos oito passos, este deveria ser o escolhido acima de todos os outros – a oração. Não há nada mais vital à vida do cristão, e não há nada mais indispensável em se tratando de conhecer a vontade de Deus.

A oração tem sido freqüentemente negligenciada e subestimada. Muitas vezes prosseguimos com nosso próprio planejamento e projeto, e depois de já termos decidido como iremos proceder, subitamente nos lembramos de proferir uma oração simulada, pró-forma. Você já esteve presente em uma reunião de comissão, e talvez depois de discutir por várias horas os prós e contras, e finalmente levar os assuntos à votação, precisamente no momento em que todos estão prontos para ir embora e dar tudo por encerrado, alguém diz: “Vamos ter uma palavra de oração antes de terminar?”

Ao enumerarmos a oração como o passo seis, não estamos de modo algum tentando estabelecer uma prioridade sobre os passos para o conhecimento da vontade de Deus em sua vida. A oração é necessária na combinação com cada um dos passos. Sem oração, não temos nenhuma esperança de atingirmos a condição de não ter nenhuma vontade própria. Sem oração, a leitura da Palavra de Deus pode demonstrar-se um positivo dano em vez de uma bênção. Talvez o maior benefício que podemos obter do aconselhamento com nossos amigos cristãos é angariar suas orações por nós, e conosco, nas decisões com que nos deparamos. A oração é vital do princípio ao fim do processo de buscar a orientação do Senhor, porque a oração é vital do princípio ao fim da vida cristã.

Quando Neemias estava aflito por causa da falta de progresso na reconstrução do templo, o rei notou o seu triste semblante e indagou no tocante à sua causa. Neemias ficou surpreso. Não estava planejando discutir com o rei os seus problemas e os problemas do seu povo. Então o rei deixou Neemias ainda mais surpreso, dizendo: “Que me pedes agora?” Neemias 2:4.

Neemias não teve tempo de considerar cuidadosamente as circunstâncias providenciais nem aconselhar-se com seus amigos piedosos. Tinha tempo para apenas uma coisa – a coisa mais importante – e imediatamente, ali mesmo na presença do rei, ele se utilizou deste mui importante passo no conhecimento da vontade de Deus. Diz ele: “Então orei ao Deus dos Céus.”

Naquele mesmo instante, antes de tentar responder ao rei em sua própria sabedoria, Neemias buscou a orientação do Senhor, e esta lhe foi dada. As palavras que ele devia falar, o pedido certo a fazer-lhe foram dados imediatamente.

Você pode muitas vezes achar-se em situações onde é exigida uma decisão imediata. Talvez na rodovia, uma escolha de fração de segundo lhe é imposta. Você pode tentar operar em sua própria sabedoria, ou pode fazer como fez Pedro em sua emergência sobre o mar, e clamar: “Senhor, salva-me.” Talvez ao tentar ajudar a um amigo, a um vizinho ou a um membro da família você se ache em uma situação de não saber que palavras dizer. Você tem a escolha de confiar em sua própria sabedoria ou enviar ao Céu uma oração silenciosa pedindo assistência e sabedoria do Alto. Talvez você precise fazer uma escolha em conexão com assuntos comerciais que você não havia antecipado e para os quais você não teve tempo a gastar perseguindo os oito passos. Você pode confiar em seu próprio juízo, ou pode invocar o nome do Senhor como fez Neemias, e colocar sobre Ele o fardo da decisão.

Mas novamente aqui somos lembrados da importância, da necessidade absoluta de passar tempo em comunhão e oração diária com Deus, antes de sermos atingidos por uma crise. Através de nossa comunhão e relacionamento com Ele dia a dia, Deus pode ficar tão perto de nós que quando quer que nos deparemos com uma provação ou com uma decisão inesperada, nossos pensamentos espontaneamente se voltarão para Ele tão naturalmente como a flor se volta para o sol. O inverso também é verdade. Se negligenciarmos a comunhão com Deus em uma base regular, quando vier a crise, Ele estará longe dos nossos pensamentos, e natural e espontaneamente procuraremos salvar-nos a nós mesmos e confiar em nossa débil sabedoria e força.

Contudo, no terreno da oração, há muitos insights e critérios a serem obtidos que tornarão mais significativo e compreensível este mui importante passo, e por este motivo vamos considerar o lugar e a função da oração na busca do conhecimento da vontade de Deus em nossa vida.

O primeiro princípio nesta conexão seria ressaltar sua importância, como vimos tentando nos parágrafos anteriores. Somos convidados a pedir. Somos instruídos a pedir. S. Lucas 11:9-13 é um exemplo: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca, encontra; e a quem bate, abrir-se-lhe-á. Qual dentre vós é o pai que, se o filho lhe pedir [pão, lhe dará uma pedra? ou se pedir] um peixe, lhe dará em lugar de peixe uma cobra? ou, se lhe pedir um ovo lhe dará um escorpião? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedirem?” Assim o Espírito Santo, o Guia fiel, é dado em resposta à oração.

Por favor note que quando falamos de pedir a Deus que nos guie, não estamos recomendando pedir um sinal. Não estamos pedindo a Ele que envie um raio do céu azul ou faça descer fogo do céu. Tudo o que estamos fazendo é levar o assunto diante dEle, especificamente, e pedindo a Ele que assuma o controle da maneira como Lhe apraz.

Deus não tem uma vontade concernente à sua vida. As pessoas às vezes dizem: “Ora, pode haver qualquer número de escolhas ‘certas’ em uma determinada decisão! Deus nos deu o cérebro para descobrirmos as coisas por nós mesmos, e seja o que for que decidirmos deve ser a vontade de Deus se usarmos o senso comum e o juízo que nos foi dado.” Mas, como notamos antes, se fosse este o caso, um ateu ou infiel poderia ser precisamente tão guiado por Deus como o cristão que ora.

Jonas raciocinou deste modo quando o Senhor o enviou a Nínive. Decidiu, baseado em seu próprio juízo e senso comum, que Társis seria um destino igualmente aceitável. Depois de alguns dias de isolamento, em um local um tanto interessante para um “retiro”, ele reconsiderou seriamente sua atitude! O Senhor tem razões para dirigir nossos pés aos locais onde Ele prefere enviar-nos. Ele sabia o que estava fazendo quando enviou Filipe ao etíope, em vez de enviar Pedro ou João. Ele tinha um propósito específico ao levar a menina israelita para o lar de Naamã. Escolheu Ananias para alcançar o apóstolo Paulo, ainda cegado pela luz da estrada de Damasco, o qual estava orando pedindo orientação do Alto.

Conquanto possa haver várias decisões aparentemente “boas”, somente Deus está em condições de julgar se há uma decisão “melhor” e a revelar-lhe enquanto você procura conhecer Sua vontade.

Não somos convidados a pedir orientação a Deus somente nas grandes decisões da vida, mas também nas pequenas. De fato, nos é dada a bendita oportunidade de buscá-Lo em oração no que diz respeito a todas as decisões, grandes ou pequenas, e conhecer Sua vontade para nós. Diz Filipenses 4:6 e 7: “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas diante de Deus as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graça. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus.”

Precisamos confiar muito menos no que podemos fazer e muito mais no que Deus pode fazer por nós. A vida do cristão não é departamentalizada, com algumas coisas bastante pequenas para serem manuseadas independentemente e outras coisas suficientemente importantes para necessitarem do auxílio divino. Não há nada demasiado pequeno, nem nada grande demais para ser levado a Deus em oração, permitindo-Lhe que controle e guie. Ele é o Deus para quem nada é impossível, que sustém o Universo com todos os seus mundos, estrelas e sistemas. Ele é também o Deus que Se preocupa com a erva do campo e com o pardal que cai ao chão. Ele conta o número de cabelos da sua cabeça. Quanto mais está Ele interessado em envolver-Se no que se passa dentro da sua cabeça!

Assim, embora os oito passos para conhecer a vontade de Deus possam ser extremamente proveitosos no que concerne às maiores decisões, a única coisa à qual você sempre pode recorrer mesmo nas menores decisões da sua vida é a oração.

Somos convidados a pedir auxílio para hoje, e deixar o amanhã nas mãos de Deus. Ele não pretende mostrar-nos de uma só vez todos os detalhes da nossa vida, ou seríamos esmagados. Seu plano é dirigir Seus filhos dia após dia. Disse Jesus no Sermão da Montanha: “Não vos inquieteis com o dia de amanhã.” Uma das mais recentes traduções deste verso diz: “A preocupação de um dia é suficiente para um dia. S. Mateus 6:34, Phillips.

Conquanto seja verdade que algumas decisões devam ser tomadas de antemão, o auxílio divino é ainda oferecido quando necessário. Se você dispõe de trinta dias antes de dar uma resposta quanto a se irá ou não mudar-se para um novo emprego no próximo mês de julho, então você não precisa necessariamente saber o que decidir hoje. Você pode começar a orar, mas a resposta pode não vir por outros finte e nove dias!

Quanta frustração e confusão advém à nossa vida quando tentamos ir adiante de nós mesmos e viver no futuro, em vez de levar a Deus dia a dia as decisões que precisam ser tomadas no tempo presente! Deus quer que partilhemos com Ele os detalhes da nossa vida. Não faz diferença se você está tomando uma grande ou pequena decisão, a oração provê uma oportunidade de partilhar com Deus os detalhes e buscar comunhão com Ele, conversando com Ele como se fosse com um amigo.

Quando informamos nossos amigos de uma decisão com que nos deparamos, entramos em detalhes. Quer seja sobre uma mudança importante no emprego ou a mudança para uma nova parte do país, quer seja sobre a compra de um tipo de poltrona para a sala de estar ou outra, falamos através dos detalhes. Discutimos os prós e contras à medida que os vemos. Explicamos por que nos inclinamos mais em direção de uma escolha do que de outra.

É o nosso privilégio como amigos de Deus discutir as coisas com Ele precisamente neste tipo de detalhe. Ezequias fez isto. Você já ouviu acerca do bom rei Ezequias. Está relatado em Isaías 37:14 que ele recebeu de Senaqueribe uma carta ameaçadora e blasfema. “Tendo Ezequias recebido a carta da mão dos mensageiros, leu-a; então subiu à casa do Senhor, estendeu-a perante o Senhor.”

Acaso já não sabia Deus o que estava na carta? É claro que sim. Mas Ezequias ainda não a havia discutido com Ele, de sorte que fez um passeio especial ao templo a fim de fazer isto.

Segue-se uma das orações clássicas da Bíblia. Ezequias apresentou seus argumentos quanto ao motivo por que Deus deveria responder e livrar o Seu povo. Ele iniciou por onde se iniciaram tantas das notáveis orações da Bíblia, com uma declaração da grandeza e do poder de Deus. Ele prosseguiu descrevendo a grande necessidade do povo de Deus por livramento, e concluiu sua oração pedindo livramento do inimigo por causa de Deus, para que o Seu nome e reputação pudessem ser erguidos diante das nações vizinhas. O Senhor ouviu, como você se lembra, e operou um poderoso livramento para o Seu povo.

Quanto tempo faz que você estendeu o seu caso diante do Senhor ao deparar-se com alguma decisão? Tomando tempo para partilhar com Deus os detalhes da nossa vida, abrimos a Ele um canal para que Ele possa comunicar-nos Sua vontade.

Ao pedir a Deus que nos guie nas decisões com que nos deparamos, é importante aprender a esperar por Sua resposta. Espera você que sua oração por orientação seja respondida? Então espere para ver de que forma vem a resposta. A Bíblia apresenta todos os tipos de exemplos de métodos pelos quais Deus tem respondido ao Seu povo em suas orações por Sua orientação e ajuda. Talvez Deus nem sempre responda da maneira como esperamos. Ele usa uma variedade de métodos. Mas espere por Sua resposta, porque a promessa é certa de que quando O buscarmos, O acharemos; quando você O invocar, descobrirá que Ele está perto.

Lembra-se de Natanael debaixo da árvore, orando por uma revelação da vontade de Deus a respeito do messiado de Jesus? Em resposta à oração de Natanael, Deus enviou Sua orientação através de um instrumento humano. Filipe veio e o encontrou ali debaixo da árvore, e Natanael foi capaz de reconhecer a orientação divina.

O etíope estava dentro da sua carruagem, vindo de Jerusalém e atravessando o deserto rumo à sua pátria. Pedia sabedoria e compreensão concernente às coisas que estava lendo, e Deus enviou Filipe, através de métodos miraculosos, para tornar-se a primeira pessoa registrada que viajou de carona.

Josafá estava em dificuldades por causa dos amonitas e moabitas e todos os demais “itas” que estavam vindo batalhar contra ele, conforme está relatado em II Crônicas 20. Ele convocou uma reunião de oração, buscando a orientação e o livramento divino, e Deus enviou o Espírito de profecia. Um homem de nome estranho apareceu de surpresa na reunião de oração e comunicou a resposta de Deus à petição deles.

Balaão, que pediu a orientação divina, mas que realmente não a queria para todas as coisas, recebeu-a de uma jumenta. Balaão teria feito bem se tivesse dado ouvidos à sua jumenta.

Daniel e seus companheiros foram ameaçados de morte, juntamente com os chamados sábios de seus dias, porque ninguém pôde interpretar o sonho do rei. Mas em resposta à oração de Daniel e de seus amigos, buscando orientação do Senhor, a Daniel foi dado o mesmo sonho à noite. Você conhece o resto da história.

A caminho do Egito para Canaã, Israel clamou ao Senhor por Sua orientação e proteção. Durante quarenta anos eles foram guiados por uma coluna de nuvem de dia e por uma coluna de fogo de noite, uma orientação que permaneceu com eles a despeito dos seus pecados e faltas, seus fracassos e murmurações.

José se achava perplexo ante a notícia de que Maria estava prestes a ter um bebê. Orou pedindo sabedoria a fim de saber como reagir á situação, e Deus enviou um anjo em resposta à sua oração. Disse o anjo: “Não temas receber Maria, tua mulher.” S. Mateus 1:20.

Josué, o grande general dos exércitos de Israel, achava-se junto a Jericó, buscando auxílio do Alto, e o Capitão das hostes do Senhor respondeu à sua oração por orientação.

Quando Elias orou, depois de fugir pelo deserto por quarenta dias e quarenta noites, Deus respondeu com um cicio tranqüilo e suave, em vez dos trovões, fogo e tempestade que Elias havia esperado.

Há tantas maneiras diferentes em que Deus tem respondido as orações do Seu povo. Mas a tremenda verdade bíblica é que quando Seus filhos clamam por auxílio, por socorro, Ele responde. E que isto ainda é verdade hoje para os filhos de Deus.

Provavelmente o maior motivo hoje da oração não respondida é que em primeiro lugar não oramos! Tiago diz isto em S. Tiago 4:2: “Nada tendes, porque não pedis.”

Está você interessado em conhecer a vontade de Deus para sua vida e em receber poder do Alto para seguir Sua vontade quando a mesma for revelada? A resposta é oração. Muita oração, oração constante, oração fervorosa. Oração persistente. Não há mais importante método para conhecer a vontade de Deus concernente a você do que pedir a Deus que o guie na decisão que você precisa tomar.

 

 

A  VONTADE  DE  DEUS  E  SUA  DECISÃO

 

A

Bíblia está cheia de chamados à decisão. Depois de quebrar as tábuas de pedra sobre as rochas da encosta da montanha e lidar com o problema do bezerro de ouro, Moisés convocou o povo para decidir, disse ele: “Quem é do Senhor, venha até mim. ” Êxodo 32:26. O povo devia então enfrentar as conseqüências de sua decisão.

Às margens do Jordão, Josué instou o povo à decisão. Disse ele: “Escolhei hoje a quem sirvais. ” Josué 24: lá. Elias, no cume do monte Carmelo, disse à multidão atenta: ”Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-O; se é Baal, segui-o.” I Reis 18:21.

E assim, em nossa busca para conhecer a vontade de Deus em nossa vida, chega o momento de tomar uma decisão. Não se espera que estejamos para sempre suspensos pelo polegar. Não devemos esperar por algum raio ou manifestação sobrenatural. Depois de dar um período razoável de tempo na consideração dos vários passos no conhecimento da vontade de Deus, chegamos ao passo sete e simplesmente decidimos.

Olhamos para a informação que temos acumulado até aqui e tomamos a melhor decisão que podemos com a informação que está disponível. Se for necessário errar de um lado ou do outro, há menos perigo em agirmos precipitadamente às vezes do que passar demasiado tempo matutando sobre uma decisão. O passo final na série de oito passos tem uma salvaguarda embutida no caso de você tomar uma decisão errada.

O rei Saul tinha dificuldades para tomar decisões. Ele vacilava, um dia determinando seguir a Deus, no dia seguinte escolhendo seu próprio caminho. Um dia ele honrava a Davi, dando-lhe um lugar perto do seu trono. No dia seguinte tentava cravá-lo contra a parede com sua lança. Caçava a Davi por todo o país, tentando matá-lo. Então a compaixão de Davi em não tirar a vida de Saul quando se lhe apresentou a oportunidade levou Saul a reconhecer a mão de Deus na vida de Davi e a admitir isto. Pediu desculpas a Davi por seu comportamento passado. Todavia, como você sabe, logo a seguir Saul estava mais uma vez perseguindo a Davi!

Por outro lado, a Bíblia nos conta de pessoas como Daniel, que tomou uma decisão pelo direito e jamais vacilou nesta decisão, sem levar em conta as conseqüências que poderiam advir.

O que fez a diferença? Por que alguns são capazes de chegar a uma decisão e ir avante com confiança, ao passo que outros são tão indecisos que parecem não poder resolver nem mesmo acordar de manhã? Certamente a constituição da personalidade tem algo a ver com isto, mas devemos ser vitimas da nossa herança, não tendo nenhuma determinação de fazer uma escolha e perseverar nela?

Quanto a uma resposta bíblica para este dilema, recorramos a um verso que talvez não seja o primeiro que você esperaria estudar em termos de tomada de decisão, mas que é, todavia, muito oportuno. Paulo está escrevendo aos crentes, e ele diz: “Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a Sua boa vontade.” Filipenses 2:12 e 13.

O apóstolo Paulo, forte como era, fariseu de fariseus, tinha um problema com a sua vontade. Ele o descreveu em Romanos 7:18 quando disse: “O querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo.” Paulo havia descoberto um princípio poderoso da natureza humana, de que há mais para seguir a vontade de Deus do que simplesmente tomar uma decisão certa. Nesta conexão a palavra vontade se refere à faculdade da escolha. Paulo descobriu que ele poderia escolher as coisas certas, tomar as decisões corretas, mas que lhe era impossível perseverar nelas, seguir até ao fim. Talvez foi o mesmo problema que levou o rei Saul a ser tão fraco e vacilante, ocasionalmente ele sentia o desejo de fazer o que é correto, mas quando tentava pôr em prática este desejo, não tinha forças para realizá-lo.

Mas Filipenses 2:13 nos fala algo surpreendente a respeito da vontade, ou da faculdade da decisão ou escolha. Deus, que opera dentro de nós, quer efetuar tanto o querer como o realizar. Ele está ansioso por mostrar-nos não apenas a escolha correta a fazer, mas fazer a escolha correta em nós, e então dar-nos o poder de realizar aquilo que Ele escolheu para nós.

Isto não parece alarmante, assustador? Não soa como heresia? Note as palavras de Josué ali junto ao Rio Jordão. Ele não disse: “Escolhei hoje o que fareis.” Ele disse: “Escolhei… a quem sirvais.” Outra maneira de expressar isto seria: “Escolhei àquele de quem quereis vos tornar servos.”

Pense por um momento a respeito da relação senhor/servo. Quem escolhe o que o servo deve fazer? O senhor ou o servo? O servo não tem realmente uma escolha. Sua escolha é se ele deve ou não permanecer servo. Uma vez tomada esta decisão, é o senhor quem toma as decisões, não o servo.

Jesus usava freqüentemente a analogia da relação servo/senhor em Sua tentativa para explicar as operações do nosso relacionamento com Deus e com as leis do reino dos Céus. Falou dos servos a quem o senhor entregou certos talentos, a um cinco talentos, a outro dois talentos e a um terceiro apenas um talento. Falou dos servos infiéis que mataram os mensageiros do proprietário da vinha, e finalmente mataram o próprio herdeiro. Falou dos servos que foram enviados a procurar convidados para o banquete preparado pelo rei. Falou dos servos que não sabiam a que hora seu senhor retornaria e destarte deveriam estar sempre prontos para a sua vinda. E no Sermão da Montanha Ele apresentou um princípio universal e eterno: que nenhum servo pode servir a mais de um senhor. “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um, e amar ao outro; ou se devotará a um e desprezará ao outro. ” S. Mateus 6:24.

Por que é impossível um servo servir a dois senhores? Porque as escolhas que os senhores fariam para esse servo entrariam em conflito. Um servo não pode servir a dois senhores porque é impossível alguém render o seu poder de escolha a mais de uma autoridade ao mesmo tempo. Você não pode estar simultaneamente sob o controle da General Motors e da Chrysler Corporation.

Há um termo para o que acontece quando alguém tenta ser leal a duas forças opostas ao mesmo tempo. Chama-se “conflito de interesses”. E ter um conflito de interesses é, em muitos casos, motivo suficiente para o fim do emprego. Ninguém pode servir a dois senhores.

Não é possível ser cidadão dos Estados Unidos e da União Soviética ao mesmo tempo. A dupla cidadania só é possível para crianças que nasceram no estrangeiro, e quando atingem a idade adulta elas têm de tomar uma decisão.

Nenhum cidadão pode servir a dois países.

Não é possível ser controlado por Deus e por qualquer outro poder ao mesmo tempo. Há somente dois poderes, no que concerne ao controle do ser humano. É Deus ou o diabo. Não há uma terceira opção. Através da Bíblia, há dois grupos descritos. Eles têm muitos rótulos: as ovelhas e os cabritos, os sábios e os tolos, os justos e os ímpios, o trigo e o joio. Somente em Apocalipse 3 encontramos um grupo médio: os mornos, e os mornos não têm muito boas notas nas Escrituras. Realmente, Deus vai tão longe a ponto de afirmar que preferiria que eles fossem frios. O morno é pior do que o frio. Tentar ficar na neutralidade é pior do que ficar do lado errado! Se você está do lado errado, pode ter a esperança de mudar de opinião. Mas se em primeiro lugar você nunca se decidiu, você está em uma condição deveras perigosa. E não passa muito tempo antes que o morno seja forçado a se tornar ou quente ou frio. Não há nenhum lago de fogo morno para os mornos!

Parece estranha e assustadora a idéia de ser controlado por Deus? Você já cantou o cântico que um pregador de rádio descreveu como “o cântico que ninguém despreza”? Intitula-se “Faz’ o que Quiseres, Senhor”. Você se lembra das palavras?

Faz’, o que quiseres, Senhor! Faze o que quiseres!

Tu és o oleiro, eu sou o barro.

Molda-me e faze-me segundo a Tua vontade,

Enquanto estou aguardando, submisso e calmo.

 

Faz’, o que quiseres, Senhor! Faz’, o que quiseres!

Tem sobre meu ser absoluto domínio!

Enche do Teu Espírito até que todos possam ver

Somente Cristo, sempre, vivendo em mim!

 

É este um bom cântico, ou é um cântico que nunca deveria ser cantado? É um cântico sobre o controle completo de Deus.

 

Paulo trata da analogia da relação senhor/servo em Romanos 6:16, onde diz: “Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?” Não temos escolha neste mundo quanto a se vamos ser controlados ou não. A única escolha que temos é sobre quem nos controlará. Ou servimos ao pecado, ou servimos á justiça. É um ou outro.

 

Já fizemos a escolha quanto a quem nos controlará, se é Deus ou o diabo? Como fazemos a escolha sobre qual dos dois grandes poderes terá a influência dominante em nossa vida? Isto vem através do relacionamento com Deus, ou recusando esse relacionamento com Ele. Não é necessário escolher contra Deus. Tudo o que se exige para recusar Seu controle é não optar por Ele. O resultado de não escolher o controle de Deus é automático. S. Mateus 12:30 diz isto, registrando as palavras do próprio Jesus sobre o assunto: “Quem não é por Mim, é contra Mim; e quem comigo não ajunta, espalha.”

 

Mais uma vez chegamos à linha de fundo em todo o conhecimento da vontade de Deus, em toda a compreensão da orientação que vem do Alto. A fim de conhecer a vontade de Deus, devemos conhecer a Deus. O relacionamento pessoal, vital e diário com Ele é o que torna possível, não apenas conhecer o que é bom, mas também encontrar o poder e a graça do Alto para realizá-lo.

 

É somente indo a Ele dia após dia, passando tempo em Sua Palavra, no estudo da Sua vida e caráter, contemplando-O e comungando com Ele através da oração, que passamos para o Seu controle. À parte deste relacionamento com Ele, é inútil até mesmo tentar refletir sobre o conhecimento da vontade de Deus em nossa vida, porque separados do Seu controle, separados da operação do Seu Espírito em nós, não estaremos dispostos nem teremos poder para fazer a Sua vontade.

 

Mas quando vivemos em comunhão com Ele, as decisões da vida que nos são apresentadas podem ser decididas por Aquele que nos ama e sabe o que é melhor para nós.

 

Que certeza, que segurança pode isto trazer ao coração quando chega o momento de tomar uma decisão!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A  VONTADE  DE  DEUS  E  AS  PORTAS  GIRATÓRIAS

 

Ao chegarmos a este passo final na busca do conhecimento da vontade de Deus em sua vida, seria significativo tomar apenas alguns minutos para recapitular os passos até aqui estudados, à guisa de sumário:

  1. Não tenha nenhuma vontade própria no dado assunto.
  2. Não se deixe levar pelos sentimentos.
  3. Consulte a Palavra de Deus, para informação e comunicação.
  4. Considere as circunstâncias providenciais.
  5. Consulte seus amigos piedosos.
  6. Ore sobre a decisão.
  7. Tome uma decisão, e diga a Deus que decisão você tomou, baseado na evidência reunida nos passos precedentes.
  8. E agora, prossiga com sua decisão, sendo sensível ás portas giratórias. Vá adiante como se você tivesse tomado a decisão correta, mas convide Deus a detê-lo se você por qualquer motivo errou o alvo.

 

Este último passo pode ser emocionante, porque dá-lhe a oportunidade de observar a Deus operando em sua vida. Pode ser também frustrante se você de algum modo tomou uma decisão errada. Mas você descobrirá, como muitos têm descoberto antes de você, que Deus é um perito em lidar com as portas.

Vamos primeiro ao livro de Apocalipse, terceiro capitulo. Não estamos interessados em fazer uma exposição sobre esta passagem de Apocalipse 3, na mensagem à igreja de Filadélfia. Tem havido um certo número de interpretações proféticas e históricas destes versos, algumas das quais se têm demonstrado incorretas, e outras não. Mas queremos chamar a atenção para apenas um ponto, dos versos 7 e 8:

“Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre e ninguém fechará, e que fecha e ninguém abre: Conheço as tuas obras – eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar – que tens pouca força, entretanto guardaste a Minha palavra, e não negaste o Meu nome.”

Seja mais o que for a que estes versos possam se referir, um ponto é claro: Deus sabe abrir e fechar as portas. Se Deus abre uma porta, ninguém pode fechá-la. E se Deus fecha uma porta, ninguém tem o poder de abri-la.

Mas você pode indagar, depois de estudar estes oito passos: “Como posso saber que Deus está no controle das portas?” “O que pode acontecer se eu penso que tomei uma decisão correta, mas as portas parecem fechar-se em nosso caminho – não poderia ser o diabo tentando desanimar-me?” “Tem o diabo algum controle sobre as portas?” Estas são perguntas práticas, porque se estamos procurando conhecer a vontade de Deus, devemos ser capazes de confiar nEle em relação às portas.

Como acontece com cada um dos passos, a primeira coisa a sublinhar é a absoluta necessidade de um relacionamento contínuo, diário e pessoal com Deus, a fim de estarmos sob Seu controle mesmo antes de procurar conhecer Sua vontade em uma determinada decisão. A maior salvaguarda contra o ser desencaminhado por qualquer dos estratagemas do inimigo é conhecer a Deus por si mesmo, de sorte que você possa distinguir Sua voz da voz de um estranho.

Mas Deus faz sempre as portas se abrirem espontânea e imediatamente quando estamos seguindo Sua voz? Estamos garantidos de que tudo “cairá no lugar” rapidamente quando tivermos compreendido corretamente Sua orientação? As portas parecem fechar-se por algum tempo, mas finalmente se abrem, sob a direção do próprio Deus?

À nossa compreensão humana, parece que as portas deveriam abrir-se imediatamente, a menos que tenhamos errado o alvo. Gostaria de poder assegurar-lhe que se você seguiu cuidadosamente estes oito passos e tomou uma decisão que está em harmonia com a vontade de Deus, as portas sempre se abrirão amplamente, e permanecerão abertas; que se as portas parecem fechar-se em seu rosto, você pode saber que de algum modo você tomou uma decisão errada. Desejaria poder assegurar-lhe isto, mas a Bíblia tem uma história diferente a contar! Se formos fiéis ao relato bíblico, descobriremos que as portas podem ser coisas astutas e obstinadas!

Não é mais possível contar com o passo oito, a abertura e fechamento das portas, como a palavra final sobre a vontade de Deus para sua vida, do que contar com qualquer outro passo, sendo ele o único. Se o abrir e fechar das portas fornecessem prova plena e final da vontade de Deus, então poderíamos com segurança ignorar todos os outros passos no conhecimento da vontade de Deus e depender simplesmente de contar a Deus que estamos seguindo em uma direção específica a menos que Ele nos detenha. Saberíamos que a menos que fôssemos detidos, estaríamos em harmonia com Sua vontade.

Não há mais segurança em confiar exclusivamente nas portas que se abrem e fecham do que em se deixar levar pelos próprios sentimentos ou confiar no que sua família ou os amigos dizem ser a decisão correta.

Se você segue todos os oito passos para conhecer a vontade de Deus em sua vida e então no final descobre que as portas estão evidentemente fechadas em seu rosto, é claro que você desejará voltar atrás e reconsiderar seriamente sua decisão. Você sentirá o desejo de reorganizar-se, recapitular, reconsiderar sua posição. Por mais frustrante que isto seja, o precedente bíblico é que pode haver ocasiões em que a vontade de Deus é que você siga adiante, embora por algum tempo Ele faça parecer-lhe impossível agir deste modo.

Consideremos várias biografias bíblicas ao tentarmos compreender este princípio – talvez o principio mais difícil de compreender em todo o viver cristão – o princípio da espera.

Adão encabeça a fila! Depois de ser encontrado por Deus no Jardim, oculto entre as folhas de figueiras, foi-lhe dada uma promessa. Viria o Messias. Por intermédio do Salvador vindouro ser-lhe-ia possível o perdão do seu pecado, e seria assegurada a restauração do Éden perdido. Quando lhe nasceu o primeiro filho, Adão estava certo de que este deveria ser o Filho prometido. Se Caim não fosse o Esperado, então certamente seria Abel, que se demorava no altar de manhã e à tarde e parecia tão sensível às coisas espirituais. Mas Caim veio a ser um assassino – e Abel foi sua vítima. Então Adão fixou suas esperanças em Sete, e talvez em cada filho sucessivo e neto e bisneto, até ao final da sua vida. A promessa fora feita. A vontade de Deus era clara. Mas Adão teve de esperar.

Noé teve problemas com o abrir e fechar das portas! Ele imaginou ter compreendido a orientação de Deus ao começar a construir uma arca. Durante 120 anos ele martelou, pregou e aguardou. Muitos que no início dos 120 anos foram convencidos por sua surpreendente mensagem, com o tempo abandonaram esta convicção, depois de ter transcorrido mais de um século. Estavam certos de que Noé havia errado completamente o alvo. Durante esse tempo, Noé certamente teve oportunidade de voltar atrás e reconsiderar os eventos que o haviam levado a crer que Deus o tinha dirigido na construção daquele barco.

Cento e vinte anos é um longo tempo! E como se isto não fosse suficiente, mesmo depois que os animais se reuniram do campo e da floresta, e Noé e sua família entrarem no barco, eles ainda tiveram de esperar um pouco mais. Deus fechou a porta – e ninguém pôde abri-la! Mas ainda havia outros sete dias antes de começar a chuva. Então choveu quarenta dias e quarenta noites – seguidos por mais de um ano de espera até que as águas do dilúvio secassem e a porta fosse aberta, para que eles pudessem sair do barco que havia sido tanto um abrigo quanto uma prisão! Noé certamente sabia o que significava esperar.

Abraão esperou. Vinte e cinco anos se passaram desde o tempo em que pela primeira vez lhe foi feita a promessa de um filho. Ele tentou ajudar a Deus oferecendo-se para tomar sua serva como herdeira, e então seu casamento com Hagar e todos os seus esforços para encontrar um atalho foram infrutíferos. No final eles só lhe causaram problemas. Abraão não tinha compreendido a vontade de Deus. Tinha apenas compreendido mal o cronograma divino.

A Jacó foi prometido o direito de primogenitura, como notamos anteriormente. Ele, também, tentou apressar as coisas, ajudando a Deus. Não havia cometido erro em concluir que a vontade de Deus era que ele tivesse o direito de primogenitura, mas certamente não estava preparado para mais de trinta anos de espera até que a promessa se cumprisse.

Moisés reconheceu a mão de Deus em sua vida quando lhe foi dado o encargo de tirar o povo de Israel da terra do Egito. Pareciam-lhe que as portas não estavam se abrindo com suficiente rapidez, e assim ele tentou apressar as coisas. Então por quarenta anos parecia que as portas se haviam fechado completamente enquanto ele se achava no deserto, apascentando as ovelhas do seu sogro. Mas chegou o dia em que ele se deparou com a sarça ardente, e mais uma vez parecia que as portas estavam se abrindo diante dele.

Depois de discutir o assunto por algum tempo, Moisés finalmente submeteu-se ao plano de Deus para sua vida e desceu ao Egito. Mas mesmo então, suas expectações raramente se cumpriram. Havia chegado com dificuldade ao Egito antes que Faraó recebesse a notícia da sua missão e começasse a pressionar. O povo veio e se queixou a Moisés – e Moisés se dirigiu ao Senhor com uma oração lamentosa e quase divertida. Você pode ler isto em Êxodo 5:23, onde ele disse:  “Pois desde que me apresentei a Faraó, para falar-lhe em Teu nome, ele tem maltratado este povo: e Tu de nenhuma sorte livraste o Teu povo.”

Moisés lutava contra as portas. O povo de Israel lutava contra as portas. Após a chegada de cada praga parecia que as portas estavam se abrindo – mas depois de cada livramento de uma praga, as portas novamente se fechavam com ruído. Depois da última praga e da morte dos primogênitos do Egito, as portas pareciam se abrir – mas alguns dias depois às margens do Mar Vermelho, as portas pareciam se fechar. Então elas outra vez se abriram, enquanto o povo atravessava em terra seca!

Foram necessários apenas dois anos para chegarem pela primeira vez as fronteiras da Terra Prometida, mas então o povo fechou as portas em seu próprio rosto e tiveram de esperar trinta e oito anos antes que as portas pudessem novamente se abrir. Você pode ficar cansado apenas lendo sobre isto!

O que dizer de José? Ele sonhou. Eram os sonhos de Deus? Claro! Vieram eles a se realizar? Certamente. Mas houve algumas complicações ao longo do caminho – como o exílio, a escravidão, o aprisionamento e mais de vinte anos de espera até que as portas finalmente se abrissem. Mas quando as portas se abriram, elas se abriram amplamente, escancararam-se.

Davi foi trazido dos rebanhos de ovelhas nas montanhas e nos campos. Foi ungido rei de Israel, para muita surpresa sua e surpresa da sua família. Mas se passaram muitos anos até que ele realmente chegasse ao trono – e por todo o tempo parecia que ele estava se afastando progressivamente do cumprimento da promessa que lhe fora dada. Havia uma porção de portas fechadas para Davi.

Você acha deprimente examinar a lista de pessoas que tiveram de esperar, às vezes anos, para que as portas se abrissem? Ou acha isto animador, ao tentar chegar a um acordo com a tarefa não concluída em sua própria vida? Sejam quais forem os seus sentimentos, ao considerar aqueles que tiveram de esperar até que as portas se abrissem, você tem de admitir que isto acontece com tanta freqüência a ponto de ser quase a regra em vez de ser as exceções!

Hebreus 11:39 faz o registro daqueles que morreram, sem nunca terem recebido as coisas prometidas, tendo apenas visto-as de longe – contudo eles ainda morreram na fé. Seguiram a orientação divina em sua vida, até onde foram capazes de segui-la, mas as portas apenas se abriram até aqui, e no final da vida eles ainda estavam esperando.

Houve um poema, recitado em minha formatura por H. M. S. Richards, orador de rádio, que falou naquela ocasião.

Ora, disse Adão ao seu filho Sete,

Quando a vida de Adão estava prestes a findar,

Eu sou o primeiro homem a ser criado

E contudo um fracasso, estou com medo.

Mas você é jovem e a vida é sua.

Terá uma oportunidade que nunca foi minha

Quando eu finalmente sucumbir ao combate.

– Vá – faça as coisas da maneira correta.

Séculos deram, e séculos se foram,

E Sete chamou Enos perto de si, e disse:

Eu falhei em cumprir a ordem de meu pai

De sempre servir ao Senhor.

Mas você é jovem, e diante de você está a vida;

Quando finalmente eu for perdido de vista,

Erga a tocha bruxuleante que eu conduzi.

– Vá – faça as coisas da maneira correta.

 

Mas Enos, quando os anos se tinham ido,

Ainda passou adiante o mesmíssimo fardo,

E seu filho o passou a outros

Esses outros ainda a outros mais.

Para filho e neto, e outra vez

Infindavelmente, para outros homens.

O chamado ainda vinha da noite do Éden

– Vá – faça as coisas da maneira correta.

E isto ainda soa ao longo dos nossos anos

Entre guerra e paz, em sorrisos e lágrimas.

O chamado é transmitido, outra vez, reiteradamente,

O grito angustiado de homens turbados

Que tentam à antiga senda fugir

E fazem seu trabalho cada pôr-de-sol.

Mas ainda clamam, ao cair da noite:

– Vá – faça as coisas da maneira correta.

 

Assim, gente de hoje, levante-se e brilhe;

Os melhores de todos os anos são seus.

Faça agora a tarefa,

Que outros já fizeram a cada pôr-de-sol.

– Vá aonde Deus chamar; Sua palavra proclamando

Por serviço amoroso, não por fama.

Busque em Cristo coragem, esperança e luz.

– Vá – faça as coisas da maneira correta.

 

Pode haver ocasiões em que você tenha seguido persistentemente os passos para conhecer a vontade de Deus em sua vida e tenha errado o alvo. Quando isto acontece, com muita freqüência o erro foi cometido no primeiro passo. Mui freqüentemente deixamos de chegar à condição de não ter nenhuma vontade própria no dado assunto. Mas pode haver outras ocasiões em que você seguiu os passos até ao fim e tomou uma decisão correta, mas ainda tem de esperar até que as portas je abram. Isto é decepcionante. E assustador. E emocionante. E é também válido para a carreira na vida cristã!

Por que existem atrasos, demoras, tardança? Por que é que nós com tanta freqüência devemos esperar e esperar e esperar? É porque Deus, em toda a orientação que oferece aos Seus filhos, tem mais em jogo do que a crise ou a decisão imediata. Ele tem a considerar o desenvolvimento do nosso caráter. Ele vê todo o conjunto da nossa vida para Ele, não apenas uma escolha isolada. E Ele tem os planos e propósitos que está operando na vida do Seu povo em prol de todo o Universo.

Freqüentemente nos dirigimos a Ele em busca de alguma bênção, e se Ele responde, concedendo-nos a bênção que pedimos, ficamos satisfeitos e chegamos à conclusão de que nossa fé nEle é grande. Mas a verdadeira prova da nossa fé vem quando há demora, adiamento, tardança. O que então acontece? Desistimos, concluindo que aquilo que estávamos buscando de Suas mãos não é digno de espera? Desistimos do nosso relacionamento com Ele quando Ele não satisfaz as nossas expectativas? Ou continuamos a buscá-Lo, sem levar em conta o lugar para onde Ele dirige ou como dirige ou quando o faz?

Um motivo por que as portas se abrem devagar é que Deus tem algo melhor para nós. Quer dar não apenas a orientação e a bênção que buscamos, mas quer também ajudar-nos a crescer, a desenvolver uma confiança maior nEle e em Sua sabedoria e poder.

Quando Deus o “detém”, o faz esperar, você corta a ligação? Ou aguarda? Está disposto a esperar tanto quanto for necessário – mesmo que sua espera se prolongue até á eternidade – em vez de desviar-se de Sua vontade para você? Parece que você vem esperando um longo tempo que algumas das portas da sua vida se abram e você possa passar? Não considere o tempo de espera como tempo perdido. A espera em si é parte do processo pelo qual Deus opera a fim de guiá-lo, aperfeiçoá-lo e prepará-lo para a obra que Ele escolheu para você.

Temos gasto muito tempo considerando as portas que se abrem devagar – mas há boas novas! Às vezes as portas se abrem imediatamente! Esta é uma verdade mais fácil de aceitar, não é? E também verdade, tão verdadeira como o fato de que muitas vezes as portas não se abrem imediatamente!

Quando Elias orou no monte Carmelo não teve de esperar muito até descer fogo do céu. Este caiu do céu imediatamente. Davi não teve de esperar por ajuda com sua funda quando Golias veio ao seu encontro. Daniel não teve de esperar por livramento da boca dos leões, e seus três amigos não tiveram de esperar que Deus esfriasse o fogo da fornalha em seu favor.

Leiamos um relato em que as portas se abriram rapidamente, o qual está registrado em Atos 16. Paulo e seus companheiros tinham estado pregando o evangelho, viajando de um lugar para outro. Dizem os versas 6 a 10: “E percorrendo a região frigio-gálata, tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de pregar a palavra na Ásia, defrontando Mísia, tentavam ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu. E, tendo contornado Mísia, desceram a Trôade. À noite, sobreveio a Paulo uma visão, na qual um varão macedônio estava em pé e lhe rogava, dizendo: Passa á Macedônia, e ajuda-nos. Assim que teve a visão, imediatamente procuramos partir para aquele destino, concluindo que Deus nos havia chamado para lhes anunciar o evangelho.”

Dentro de um espaço de tempo muito curto, Paulo se defrontou com uma porta fechada para a Ásia, uma porta fechada para a Bitínia, e então uma porta escancarada para a Macedônia. Ele não teve de esperar cento e vinte anos, ou quarenta, ou sete. A orientação para sua obra veio imediatamente, quando ele necessitava.

Ao procurar conhecer a vontade de Deus em sua própria vida, haverá ocasiões para ambas as possibilidades: ocasiões em que você terá de esperar e ocasiões em que a resposta virá da noite para o dia. E podemos ser gratos por ambas, porque tanto as portas abertas quanto as fechadas são parte do método de Deus para dar-nos Sua orientação em nossa ida. Podemos obter mais discernimento, idéias, introspecções sobre a vontade de Deus em nossa vida, observando as portas giratórias.

Podemos dar-nos ao luxo de cometer uma porção de erros no que se refere à tomada de decisão, o que constitui boas novas, porque muitos de nós temos cometido uma porção de erros! Mas há um erro que não nos é permitido cometer, e este é deixar de orar e de procurar por nós mesmos conhecer a Deus, para que possamos estar em tão intimo relacionamento com Ele que reconheçamos Sua orientação. Ao continuarmos a ir a Ele, temos dEle a promessa de que Ele nos comunicará, não apenas Sua vontade para nossa vida, mas o conhecimento de Si mesmo, conhecimento este que significa vida eterna.

 

*Compreensão repentina, em geral intuitiva, de suas próprias atitudes e comportamentos, de um problema, de uma situação.

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