Lição 7 MENSAGEM DE JESUS – O REINO DE DEUS

REVISTA DISCIPULANDO CPAD - 1º CICLO - CONHECENDO JESUS E O REINO DE DEUS
TEXTO BÍBLICO BASE
Mateus 3.1-3; 11.1-5; 12.22
► Mateus 3
1 – E, naqueles dias, apareceu João Batista pre­
gando no deserto da Judeia
2 – e dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado
o Reino dos céus.
3 – Porque este é o anunciado peto profeta Isaí-
as, que disse: Voz do que clama no deserto:
Preparai o caminho do Senhor, endireitai as
suas veredas.
> Mateus 11
1 – E aconteceu que, acabando Jesus de dar ins­
truções aos seus doze discípulos, partiu dali a
ensinar e a pregar nas cidades deles.
2 – E João, ouvindo no cárcere falar dos feitos de
Cristo, enviou dois dos seus discípulos
3 – a dizer-lhe: És tu aquele que havia de vir ou
esperamos outro?
4 – E Jesus, respondendo, disse-lhe: Ide e anunciai
a João as coisas que ouvis e vedes:
5 – Os cegos veem, e os coxos andam; cs leprosos
são limpe®, e os surdos ouvem; os mortos são
ressuscitados, e aos pobres é anunciado o
evangelho.
* Mateus 12
22
– Tnouxeram-lhe, então, um endemonínhado
cego e mudo; e, de tal modo o curou, que o
cego e mudo falava e via.
MEDITAÇÃO
“Em verdade
vos
digo que, entre os que
de mulher têm nascido, não apareceu alguém
maior do que João Batista; mas aquele que é o
menor no Reino dos céus é maior do que ele.
E, desde os dias de João Batista até agora, se
faz violência ao Reino dos céus, e pela força se
apoderam dele. Porque todos os profetas e a
lei profetizaram até João”
(Mt 11.11 -13).
REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA
► SEGUNDA-Mateus 6.10
► TERÇA-Mateus 13.1-58
> QUARTA – Marcos 1.14
► QUINTA-João 1.6-8
> SEXTA – Marcos 1.1-3
► SÁBADO-Marcos 10.15
| Discipulando Professor 1 |
O R IE N TA Ç A O A O
PROFESSOR
INTERAGINDO COM O ALUNO
A despeito de ser muito “conhecido” ,
o Reino de Deus é um dos mais incompre­
endidos temas bíblicos. Sendo, porém, uma
aula dirigida a novos convertidos, esta é uma
excelente oportunidade de tratar do assunto
de forma correta. Mesmo porque, como cida­
dão do Reino, o novo convertido necessita de
orientação segura acerca de sua nova vida.
Este é um conselho válido não apenas para o
tema desta lição, mas a todos os demais, pois
é grande a responsabilidade de quem ensina
(Mt 5.19). Esse é o momento mais propício e
ideal para aprender corretamente sobre todo e
qualquer tema. Portanto, aproveite o momento
e incentive o seu aluno a buscar o aprofun­
damento em todos os pontos tratados nesse
primeiro ciclo de estudo, especialmente o de
hoje: o Reino de Deus, a mensagem principal
de Jesus Cristo, nosso salvador.
ÍCsii
°
bjetivos
Sua aula deverá alcançar os se­
guintes objetivos:
► Demonstrar
a importância do ministério de
João Batista, precursor do Messias;
► Expor
o perfil do Messias esperado pelos
judeus e o de Jesus de Nazaré, o real Mes­
sias ou Cristo;
► Descrever
o Reino de Deus, bem como
os sinais e o perfil dos cidadãos desse
mesmo Reino.
PROPOSTA PEDAGÓGICA
É comum e normal que, ao transferir
residência para outra localidade, procuremos
aprender a cultura e os costumes observados ali.
Isso deve ser feito para que nos integremos da
melhor maneira possivel ao novo lugar. Evidente­
mente que, durante o período de adaptação, haja
alguns conflitos e até estranhamentos. Todavia,
de forma paulatina vamos sendo aculturados,
adaptando-se à nova localidade. É claro que,
em se tratando de mudança —, sobretudo,
ideológica e culturalmente falando —, não é pre­
ciso haver obrigatoriamente uma transferência
de local. Mudanças substanciais e profundas
acontecem, também, por conta da adoção de
uma nova forma de pensar, e isso não implica
necessariamente no fato de que tenhamos trans­
ferido residência. É possível residir no mesmo
lugar, mas ainda assim mudar. Denomina-se
esse processo de transformação. Geralmente
há um motivo muito justo, ou forte, para que
isso aconteça, pois é fato que tal mudança trará
conseqüências, inclusive sociais, para a pessoa.
De acordo com essa reflexão inicial, per­
gunte aos alunos como eles se sentem em sua
nova vida. Não sendo o Reino de Deus um local
situado geograficamente, mas uma realidade
presente na vida apenas dos que se permitem
ser governados e/ou orientados pelo Criador,
inquira-os da seguinte forma: O que mudou em
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sua vida depois que você acolheu a mensagem
do Evangelho? Você acredita na possibilidade de
viver de acordo com a vontade do Criador em
um mundo apartado de Deus? É possível fazer a
diferença mesmo sendo a minoria? A mensagem
do Reino de Deus fala da importância de fazer
a vontade do Pai, aqui na Terra, assim como
ela é feita no céu; você acredita que é possível
melhorar o mundo vivendo dessa forma?
COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO
Na oração do Pai-Nosso, Jesus ensinou
entre outras coisas, que devemos pedir a Deus
que “envie” o seu Reino, ou o seu reinado, sobre
nós (Mt 6.9-13). Isso para que façamos, aqui
na terra, a vontade do Pai, exatamente como
ela é feita no céu. Tal não significa uma anu­
lação do nosso livre-arbítrio, mas justamente
o contrário, pois se a vontade do Criador for
realizada, certamente os nossos verdadeiros
anseios serão contemplados. Por isso, Jesus
instruía os seus discípulos a que buscassem,
primeiramente, o Reino de Deus e sua justiça,
e as coisas essenciais e básicas certamente
não nos faltariam (Mt 6.25-34). É justamente
acerca desse assunto que vamos estudar hoje.
1. JOÃO BATISTA – O ÚLTIMO
PRECURSOR DO REINO DE
DEUS
► 1.1 – Profetizado por Malaquias. O
último profeta literário do Antigo Testamento,
Malaquias, profetizou que antes da mani­
festação do Dia do Senhor, Deus enviaria o
profeta “ Elias” para converter, ou fazer voltar,
o coração dos pais para os filhos e vice-versa
(Ml 4.5,6). Ele também admoestou os judeus
a que lembrassem da lei de Moisés, até que
isso não acontecesse (Ml 4.4). Quem estuda
a Bíblia sabe que o conhecido profeta Elias
desenvolvera seu ministério anos antes de
Malaquias e já havia sido miraculosamente
transportado aos céus (1 Rs 17.1—2 Rs 2.11).
Assim, a profecia de Malaquias, conforme o anjo
Gabriel, e o próprio Jesus disseram, cumpriu-
se com João Batista, o “ Elias que havia de vir”
(Mt 11.14; 17.10-13; Mc 9.11-13; Lc 1.16,17). Isso
porque João Batista desenvolvera um ministério
parecido com o de Elias, inclusive, vestindo-se
de forma parecida (2 Rs 1.8; Mt 3.4).
► 1.2 – Nascimento de João Batista.
Cerca de quatrocentos anos depois da pro­
fecia de Malaquias, um sacerdote chamado
Zacarias estava cumprindo a sua vez no turno
de oficiar o culto judaico, quando avistou um
anjo chamado Gabriel. O mensageiro de Deus
viera trazer a notícia de que Isabel, esposa de
Zacarias, mesmo sendo avançada em idade,
conceberia e daria à luz um filho (Lc 1.5-25).
Por ter duvidado, Zacarias ficou mudo até
que o seu filho nascera (Lc 1.18-20,64). Como
orientado pelo anjo, deram ao menino o nome
de João (Lc 1.57-63).
► 1.3 – Ministério de João Batista.
Des­
de o seu nascimento, João Batista causou
curiosidade nas pessoas (Lc 1.66). No cântico
profético de Zacarias, seu pai, está sintetizado
o ministério que Deus destinara a João (Lc
1.67-79). Seu trabalho consistiu em advertir ao
povo, despertando-o para o julgamento divino
que, para o Batista, se avizinhava juntamente
com o estabelecimento do Reino dos céus (Mt
3.1-12). É preciso entender, particularmente no
que diz respeito ao Reino de Deus, que João
fala de algo que ele não sabe claramente como
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w H
é. Devido ao fato de João ser judeu, prova­
velmente sua perspectiva a respeito do Reino
era nacionalista e política. Ele, porém, é claro
ao dizer que sua missão consiste apenas em
anunciar a vinda do responsável pelo estabe­
lecimento do Reino de Deus (Jo 1.6-8; 3.28).
^ AUXÍLIO DIDÁTICO 1
Esse primeiro tópico aborda um assunto
obrigatório ao estudo acerca do Reino de Deus.
Trata-se de “estágio preparatório” , ou seja, a
preparação para que o Senhor Jesus Cristo
realizasse sua obra redentora em Israel. “Como
os profetas do Antigo Testamento, João Batista
apresenta sua mensagem em paralelismo poé­
tico — dizendo uma coisa e então repetindo a
ideia ou sua antítese na linha seguinte. Trata-se
de característica da poesia hebraica e exprime
a origem semrtica dos Evangelhos. João Batista
apresenta dois grupos distintos e antitéticos de
pessoas: os arrependidos e os impenitentes, as
árvores frutíferas e as estéreis, o trigo e a palha
([Mt 3.] v.12). O grupo dos impenitentes, conde­
nados por João Batista, são os fariseus e sadu-
ceus (v.7). Lucas identifica os verdadeiramente
arrependidos como as multidões, os cobradores
de impostos e os soldados (Lc 3.10-14). Os
fariseus e saduceus aparecem muitas vezes
juntos no Evangelho de Mateus como inimigos
claramente definidos de Jesus. Embora estes
dois grupos discordassem nitidamente entre si
em termos de política e teologia, na maior parte
do tempo eles estavam unidos em sua oposição
a Jesus” (SHELTON, James B. “ Mateus”, In
ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger
(Eds.).
Comentário Bíblico Pentecostal Novo
Testamento.
1 .ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003,
pp.25-26). Em sua pregação, além de anunciar
o Reino, João concita os seus ouvintes ao ar­
rependimento. A esse respeito, Shelton diz que
é “comum a palavra arrependimento
(metanoia)
ser entendida erroneamente por mera confissão
de pecados; com mais precisão, diz respeito ao
ato de ‘pensar de novo’
(meta
mais no/a), quer
dizer, reconsiderar e mudar o estilo de vida, de
modo sociologicamente observável: ‘Produzi,
pois, frutos dignos de arrependimento’ (v.8). É
por isto que João Batista dirige sua contunden­
te repreensão: ‘raça de víboras’, aos fariseus
e saduceus. Os judeus observaram a lavagem
cerimonial, desde o simples ato de lavar as mãos
a banhar o corpo inteiro em cisternas (como
as encontradas nos sítios arqueológicos em
Jerusalém e em Qumran, a comunidade do mar
Morto). Os fariseus e saduceus presumiam que,
considerando que eles eram filhos de Abraão,
eles tinham direito de receber o rito de João
Batista, mas ele estava exigindo que eles se
arrependessem como se eles fossem gentios!”
(Ibid., p.26).
2. JESUS CRISTO – O FUNDA-
DOR/INICIADOR DO REINO
DE DEUS
► 2.1 – O Cristo/Messias esperado anun­
cia o Evangelho do Reino de Deus.
Ansiado
por todos os judeus, o “ Ungido” (Messias, no
hebraico, ou Cristo, no grego), visto como des­
cendente de Davi, era aguardado como o grande
libertador que restauraria a soberania política
de Israel. Assim, é com grande entusiasmo
que Marcos informa que após a prisão de João
Batista veio Jesus Cristo pregando o Evangelho
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Díscipulando Professor 1 j
do Reino de Deus (1.14,15). Na verdade, essa
era a principal mensagem do Mestre e mesmo
de seus discípulos e apóstolos (Mt 4.23; Lc
4.43; 8.1; At 1.3; 8.12; 19.8; 20.25; 28.23,30,31).
Essa mensagem era ansiosamente aguardada,
pois se pensava que ao soar dela se acabariam
todos os problemas pelo simples fato de eles
serem descendência de Abraão. Todavia, como
os advertira João Batista, eles não deveriam
presumir-se de si mesmos o serem filhos de
Abraão, pois “ mesmo [das] pedras Deus pode
suscitar filhos a Abraão” (Mt 3.9; Lc 3.8).
► 2.2 – O Batizador com o Espírito Santo.
Uma das características, e também promessas,
mais marcantes do Cristo é que, conforme João
Batista, enquanto este batizava com água, para o
arrependimento, aquele batizaria com o Espírito
Santo e com fogo, como forma de revestimento
(Mt 3.11; Lc 3.16; At 1.1-8). Assim, se o batismo
de João era um rito de passagem para exempli­
ficar algo que já ocorrera, o batismo de Jesus
marcava uma condição permanente de algo
que apenas se iniciara com tal revestimento.
► 2 . 3 – 0 Comissionador dos anuncian­
tes do Reino de Deus.
Em Mateus 10.7 Jesus
instrui seus discípulos a que anunciem a che­
gada do Reino dos céus. A mesma passagem
é relatada por Lucas ao dizer que Cristo enviou
os seus discípulos a pregar o “ Reino de Deus
e a curar os enfermos” (9.2). Essa mesma de­
signação é repetida em Lucas 10.8,9, quando
o Mestre instrui os seus setenta discípulos:
“ E, em qualquer cidade em que entrardes e
vos receberem, comei do que vos puserem
diante. E curai os enfermos que nela houver e
dizei-lhes: É chegado a vós o Reino de Deus”.
Assim, apesar de Jesus iniciar/fundar o Reino
de Deus, incumbiu seus discípulos de anunciar
tais Boas Novas (Mc 16.15).
^ AUXÍLIO DIDÁTICO 2
Uma vez que já tivemos uma lição exclu­
siva que tratou acerca da pessoa do nosso
meigo salvador (Lição 3), priorizaremos o
subsídio do terceiro tópico, pois o conteúdo
deste ponto pode ser abordado com o auxílio
e reforço do que já foi exposto na referida
lição. O ponto alto a destacar deste tópico,
é o fato de que Jesus inicia definitivamente
a possibilidade do Reino e também é quem
batiza com o Espírito Santo.
3. O ESTABELECIMENTO DO
REINO DE DEUS
► 3.1 – O conceito de Reino de Deus.
No
que diz respeito à nomenclatura, ou seja, a
“ Reino de Deus”, trata-se de expressão no­
víssima, pois não há registro dela no Antigo
Testamento, nem no período intertestamentário,
sendo um conceito praticamente exclusivo de
Jesus (com uma pequena ocorrência em João
Batista) que nos remete à ideia de um governo
ideal, teocrático que só existira no paraíso,
o lugar original e perfeito onde existia plena
harmonia entre a humanidade e o Criador
e as todas as demais coisas. Dessa forma,
inicialmente é preciso entender que há uma
grande diferença entre a expectativa humana
acerca do Reino e a vontade divina a respeito
desse mesmo Reino (Jo 18.36 cf. Lc 11.20).
Assim, Reino de Deus significa o reinado, ou
o governo, de Deus sobre todas as coisas.
Entretanto, nesse momento, isso não pode
ocorrer pelo simples direito de Deus ser o
Criador de todas as coisas, pois o pecado
privou-nos de desfrutar de tal governabilidade.
Para isso acontecer, é preciso haver recep­
ção voluntária e conseqüente submissão à
soberania divina. É por isso que Jesus vem
anunciar o Evangelho, ou seja, a mensagem
que consiste no anúncio de que, através dEle,
é possível viver ainda aqui sob a égide, ou
direção, de Deus.
► 3.2 – Os sinais do Reino de Deus.
A fim
de provar às pessoas que o Reino de Deus
chegara, Jesus realiza sinais que antecipam,
ou seja, mostram o que significa desfrutar,
ainda que de maneira passageira, de um
mundo onde Deus governa indistintamente.
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Em outras palavras, os sinais realizados
por Jesus Cristo apontam para um mundo
onde não há lugar para doenças, tristezas,
angústias ou dor (Lc 7.21,22).
► 3.3 – Os cidadãos do Reino de Deus.
Se
no aspecto físico Jesus assim o demonstrara,
do ponto de vista social, em dois momentos
de injustificada disputa dos discípulos acerca
de qual deles era “o maior”, Ele ensinara que
na perspectiva do Reino, quem quisesse ser
o “ maior” deveria receber uma criança como
se fosse o próprio Mestre, pois aquele que
se tornasse o menor entre eles, esse sim
seria grande (Lc 9.46-48; Em outra ocasião
Ele disse que quem não recebesse o Reino
de Deus como uma criança jamais poderá
entrar nele: Mc 10.15). No outro caso, ao
disputarem entre si quem era o maior, o
Senhor mostrou-lhes novamente que quem
assim quisesse ser, deveria tornar-se o menor
(Lc 22.24-27). Por esses exemplos, vê-se uma
enorme diferença do que significa ser cidadão
do Reino de Deus e como se deve viver na
dimensão desse mesmo Reino.
► AUXÍLIO DIDÁTICO 3
Este último tópico é o mais importante da
lição, pois trata da mensagem de Jesus. “O
Jesus inspirado pelo Espírito fala profeticamente
sobre a vida do Reino de Deus, incluindo sua
própria vinda e o julgamento final. Lucas registra
dois dos maiores discursos de Jesus sobre os
acontecimentos do tempo do fim (Lc 17.20-37;
21.5-36). O Reino, o governo de Deus, é uma
realidade presente (veja Lc 10.9,11; 11.20). A
vida e o ministério de Jesus declaram de modo
veemente e novo a presença do reinado régio de
Deus. Mas a vinda desse Reino também é um
acontecimento futuro. Jesus se refere a ambos
os lados do reinado soberano de Deus aqui. Nos
versículos 20 e 21 [de Lucas 17], em resposta a
uma pergunta feita pelos fariseus, Ele explica a
natureza futura do Reino. Depois, nos versículos
22 a 37 [de Lucas 17], Ele explica aos discípulos
a futura vinda do Reino”. (ARRINGTON, French
L. “ Lucas” . In
Comentário Bíblico/Pentecostal
Novo Testamento.
1 .ed. Rio de Janeiro: CPAD,
2003, p.432). Conforme o mesmo autor, a ex­
plicação do Mestre foi ensejada porque alguns
fariseus o questionaram acerca do momento
em que Deus estabeleceria o seu Reino. “ Não
há que duvidar que eles ficaram impressiona­
dos com os dons proféticos de Jesus, então
agora eles desejam saber o momento quando
Deus começará a exercer seu governo sobre
a humanidade. Eles querem um horário e pre­
sumem que sinais visíveis precederão a vinda
do Reino. Jesus explica que o Reino de Deus
é distinto dos reinos com os quais os fariseus
estão familiarizados. Sua vinda não corres­
ponderá com sinais visíveis para que ninguém
possa predizer o tempo exato de sua chegada.
As pessoas entendem mal o caráter do Reino
de Deus, quando dizem: ‘Ei-lo aqui! Ou: Ei-lo
ali!’ Tais predições são arrogantes e mostram-se
falsas e decepcionantes a pessoas persuadidas
por elas (cf. At 1.6,7)” (Ibid.). A respeito dessa
curiosidade, diz Arrington, “Jesus afirma que a
fase inicial do Reino não vem desse jeito; de fato,
já veio (Lc 17.21). Jesus usa a palavra enfos para
descrever sua presença — palavra que significa
‘dentro’ de vocês ou ‘entre, no meio de’ vocês.
Jesus está falando a fariseus, que sem dúvida
o rejeitaram. Ele não diria que o reinado de
Deus está dentro do coração deles. Contudo, o
Reino é um fato histórico. Jesus quer dizer que
o Reino está ‘entre vós’ — presente no que Ele
faz e diz —, ainda que os fariseus permaneçam
cegos diante dessa realidade (cf. Lc 11.20). Eles
esperam ver sinais da vinda do Reino algum dia
no futuro. Mas não há necessidade de procurar
sinais futuros da vinda do governo de Deus. Hoje
pode-se entrar nele, embora sua consumação fi­
nal venha depois” (Ibidem.). Assim, finalizando a
questão desse tópico, em o “ Novo Testamento,
o Reino de Deus tem uma dimensão ‘já’ e ‘ainda
não’. Já está presente, mas ainda não entrou na
plenitude do seu poder e glória. Os discípulos
se preocupam com a manifestação futura do
reinado de Deus. Voltando-se para eles, Jesus
começa a falar sobre o Reino em sua glória final
com as palavras: ‘Dias virão’. Ele prediz que os
discípulos desejarão ‘ver um dos dias do Filho
do Homem’, o que se refere ao período no qual
o Reino de Deus está estabelecido na terra”
(Ibid., pp.432-33).
50
| Discipulando Professor 1 |
CONCLUSÃO
Som ente o am or nos h abilita a viver,
ainda aqui na terra, cumprindo a vontade de
Deus, tal como ela é feita indistintamente no
céu. Para isso foi que Paulo instruiu-nos em
Filipenses 2.5-11, a que tivéssemos o mesmo
sentimento, ou disposição, que houve em
Cristo Jesus que, sendo Deus, não teve por
usurpação ser igual a Deus, mas abriu mão
de sua glória e tornou-se servo por amor a
Deus, e à humanidade. Assim, Ele espera
que também façamos, de forma voluntária e
sem constrangimento, pois o amor nos leva
a amar como Jesus nos amou, tornando-se
esse ato na maior forma de pregação do
Evangelho do Reino de Deus.
APROFUNDANDO-SE
Segundo alguns autores, a noção de
milagre como algo extraordinário, só faz
sentido em nosso mundo decaído e peca­
minoso. Em um mundo perfeito, ter saúde,
não sofrer e muito menos morrer, é algo
perfeitamente normal. Por isso, os milagres
realizados por Jesus são apresentados
como provas de que o Reino de Deus che­
gara, pois sinalizam e antecipam a verdade
de que Deus restabelecerá a normalidade
e a perfeição de todas as coisas.
VERIFIQUE SEU
A P R E N D IZA D O
“1. O que Jesus ensinou que pedíssemos na
oração do Pai-Nosso?
R. Que devemos pedir a Deus que “envie”
o seu Reino sobre nós (Mt 6.9-13). Isso para
que façamos, aqui na terra, a vontade do Pai,
exatamente como ela é feita no céu.
2
.
Por que João Batista foi profetizado por
Malaquias com o nome de Elias?
R. Porque João Batista desenvolvera um
ministério parecido com o de Elias, inclusive,
vestindo-se de forma parecida (2 Rs 1.8; Mt 3.4).
3
.
Qual foi a principal missão de João Batista?
R. Anunciar a vinda do responsável pelo esta­
belecimento do Reino de Deus (Jo 1.6-8; 3.28).
4
.
Qual a principal diferença entre o batismo de
João e o de Jesus?
R. O batismo de João era um rito de passa­
gem para exemplificar algo que já tinha ocorrido,
o batismo de Jesus marcava uma condição
permanente de algo que apenas estava iniciando
com tal revestimento.
5
.
O que é o Reino de Deus?
R. Um conceito exclusivo de Jesus que nos
remete à ideia de um governo ideal, teocrático
que só existiu no Paraíso, o lugar original e per­
feito onde havia plena harmonia entre a huma­
nidade e o Criador e as todas as demais coisas.
SUGESTÃO
DE LEITURA
► Teologia do Novo Testamento
Esta obra oferece uma nova percepção e
compreenção da disciplina teológica.
^ Marketing para a Escola Dominical
Potencialize os resultados da Escola Domini­
cal de sua igreja.
► Que a expressão “Reino dos Céus” , utilizada por
Mateus, em seu Evangelho, tem o mesmo sig­
nificado de “ Reino de Deus”? É que para os ju­
deus, Deus é um nome impronunciável, e como
Mateus dirige o seu Evangelho a judeus, a utili­
zação de “ Reino dos Céus” é mais apropriada.
Dessa forma, Mateus utiliza abundantemente
a expressão “Reino dos céus” , em mais de
trinta vezes. Mesmo assim, ainda há cinco
ocorrências da expressão “ Reino de Deus”
no Evangelho de Mateus (6.33; 12.28; 19.24;
21.31; 21.43).
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