Lição 13 IGREJA: UMA EXPRESSÃO DO REINO DE DEUS

 REVISTA DISCIPULANDO CPAD - 1º CICLO - CONHECENDO JESUS E O REINO DE DEUS
TEXTO BÍBLICO BASE
Mateus 16.13-18
13 – E, chegando Jesus às partes de Cesareia
de Filipe, interrogou os seus discípulos, di­
zendo: Quem dizem os homens ser o Filho
do Homem?
14 – E eles disseram: Uns, João Batista; ou­
tros, Elias, e outros, Jeremias ou um dos
profetas.
15 – Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu
sou?
16 – E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu
és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
17 – E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-a-
venturado és tu, Simão Barjonas, porque
não foi carne e sangue quem to revelou,
mas meu Pai, que está nos céus.
1 8 – Pois também eu te digo que tu és Pedro
e sobre esta pedra edificarei a minha igreja,
e as portas do inferno não prevalecerão
contra ela.
MEDITAÇÃO
“Mas
vós
sois a geração eleita, o sacer­
dócio real, a nação santa, o povo adquirido,
para que anuncieis as virtudes daquele que vos
chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;
i/ós
que, em outro tempo, não éreis povo, mas,
agora, sois povo de Deus; que não tínheis al­
cançado misericórdia, mas, agora, alcançastes
misericórdia”
(1 Pe 2.9,10).
REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA
► SEGUNDA – Mateus 16.13-18
► TERÇA-Mateus 18.17
► QUARTA – Atos 2.47
► QUINTA- 1 Coríntios 10.32
► SEXTA – 1 Coríntios 14.33
► SÁBADO – Efésios 1.22
O R IE N TA Ç Ã O A O
PROFESSOR
INTERAGINDO COM O ALUNO
Interagindo com o aluno
Chegamos ao final desse primeiro ciclo de
estudos bíblicos. A jornada rumo ao aprofunda­
mento da vida com Cristo está apenas em seu
início. É importante deixar claro aos alunos que
o aprendizado requer persistência e constância.
Assim, é de bom alvitre adiantar que eles sempre
terão o que aprender, mas o básico e necessário
é o que eles estão conhecendo nesse primeiro
ano com os quatro ciclos de Discipulando.
Nessa última lição o assunto é vasto, por isso,
o material ora apresentado trata-se do estudo
da Igreja no contexto e perspectiva do projeto
divino do Reino de Deus. Os desdobramentos
e pormenores da vida em comunidade serão
devidamente abordados nos próximos ciclos
de Discipulando.
OBJETIVOS
Sua aula deverá alcançar os se­
guintes objetivos
► Diferençar Igreja de Reino de Deus;
► Explicar a natureza da Igreja;
► Esboçar o papel da Igreja como coletividade
dos discípulos de Cristo.
PROPOSTA PEDAGÓGICA
Desde a antiguidade o mundo parece ter
sido organizado, ainda antes de geografica­
mente, pela identificação dos grupos, sobre­
tudo, pela afinidade na forma de se pensar.
As pessoas sentem-se bem convivendo com
outras que têm os mesmos anseios e expec­
tativas e, por conseguinte, pensam de forma
parecida. Gostamos de estar com quem mais
se parece conosco. Tal é uma realidade em
todas as áreas, indo desde a questão social até
familiar. Em termos religiosos esse tipo de orga­
nização é uma realidade. Tendemos a conviver
apenas com quem professa a nossa fé e crê
nas mesmas coisas que nós. Até aí, tudo bem.
Entretanto, com base no exemplo de Jesus,
será que devemos nos negar a conviver com
quem pensa e crê diferente de nós? A relevân­
cia dessa reflexão reside na ideia comumente
propagada de que todos os que abraçam o
Evangelho tornam-se pessoas orgulhosas que
não mais se importam com as demais.
Certa feita, Jesus comparou as pessoas
que o seguem como o “sal da terra” (Mt 5.13).
Para que serve o sal? Se o sal tornar-se insípi­
do, isto é, sem gosto e poder de “salgar”, pode
ainda ser útil como sal? Se o sal não for coloca­
do nos alimentos, pode salgar? Assim como em
todas as demais lições, as perguntas são refle­
88
| Discipulando Professor 1 |
xivas e levam os alunos a pensar acerca de sua
nova vida e também da vivência e prática nesse
novo modo de ser. Destaque a necessidade de
nos identificarmos com o Mestre Jesus, pois
Ele, mesmo imerso em locais que nada tinham
de pureza e muito menos de santidade, viveu
para glória de Deus fazendo a vontade do Pai.
O exemplo do Senhor evidencia a possibilidade
de cada um de nós assim também vivermos.
Não é convivendo apenas com quem professa
a mesma fé que nós que provaremos sermos
discípulos de Jesus Cristo. Aliás, é justamente
a maneira como nos tratamos, e às pessoas a
nossa volta, que provamos que somos discí­
pulos de Jesus e fazermos parte de sua Igreja.
COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO
Desde o Antigo Testamento, o Criador se
valeu do matrimônio para exemplificar o seu
relacionamento com o povo de Israel (Jr 2.32;
31.32; Os 2.19,20). Em o Novo Testamento, a
realidade é a mesma, a intimidade do relacio­
namento conjugal é o exemplo mais apropria­
do, na perspectiva do apóstolo Paulo, para
traduzir a forma como se dá o tratamento de
Jesus Cristo em relação à igreja (Ef 5.25-32).
Após mostrar o quanto o esposo deve amar a
esposa, o apóstolo traça um paralelo entre a
unidade do casal e as pessoas que acolheram
a mensagem do Evangelho e que, por isso,
são membros do corpo de Cristo. Assim, para
o chamado apóstolo dos gentios, o paralelo
entre o casal e Cristo e a Igreja é perfeito,
pois demonstra o quanto há de similaridade
entre ambas as relações. Em se tratando de
“corpo de Cristo”, é imprescindível que ve­
jamos o que isso significa, ou seja, quais as
implicações do fato de sermos “ membros”
do Corpo do Senhor. Uma vez mais, é Paulo
quem nos auxilia, quando diz que “assim como
em um corpo temos muitos membros, e nem
todos os membros têm a mesma operação,
assim nós, que somos muitos, somos um só
corpo em Cristo, mas individualmente somos
membros uns dos outros” (Rm 12.4,5). Em um
corpo não há disputa, mas cooperação, pois
os membros (órgãos) trabalham para o perfeito
funcionamento do organismo. Esse é o assunto
da última lição desse primeiro ciclo.
1. IGREJA: UMA EXPRESSÃO DO
REINO DE DEUS
1.1 – O projeto do Reino de Deus.
Desde
as primeiras lições, ficou claro que apesar de
o Criador amar a humanidade, esta lhe virara
as costas, tendo Ele então eleito um povo que,
a partir do chamado de Abraão, formara para
levar a sua mensagem a todas as nações (Gn
6.5,11,12; 12.1-3; Êx 19.6; Dt 4.1-8). Como este
povo, apesar de dever tudo o que é a Deus,
resolveu igualmente virar as costas para o
Criador e exigiu um exclusivismo que nunca
fez parte do plano original para eles (Dt 32.1-
47; 2 Rs 17.20; Os 8.3; Jo 1.11), fez-se então
necessário que o próprio Deus tomasse uma
iniciativa inusitada: enviasse o seu Filho, o qual
se tornou humano e viveu integralmente tudo o
que Criador planejou para que Israel fizesse e
com isso influenciasse a humanidade toda (Lc
2.32). Lamentavelmente, nem com essa atitude
divina Israel arrependeu-se, antes, por causa
da revelação do projeto do Reino, e de este
não ser necessariamente como a expectativa
judaica o concebia, Jesus foi alvo de uma
conspiração orquestrada pelos religiosos de
seu tempo (Mt 21.33-46; Mc 12.1-12; Lc 20.9-
18). Não obstante, com o Mestre inicia-se o
| Discipulando Professor 1 |
w
reinado de Deus, pois Ele cumpriu a vontade
do Pai, servindo a humanidade (Mt 20.26-28;
Mc 10.42-45 cf. Mc 1.1,15).
► 1.2-A ampliação do alcance do reinado
de Deus.
Com a rejeição do Filho de Deus por
parte de Israel, o plano de um povo que serviria
de exemplo servindo ao mundo todo, acabou
oportunizando ao próprio Criador que, através
de Jesus Cristo, alcançasse diretamente a
qualquer pessoa que humildemente acolha a
palavra do Evangelho (Mt 10.5-8 cf. Jo 1.12,13;
Mc 16.15).
► 1.3 – A mensagem dos seguidores de
Jesus.
Jesus mandou aos seus seguidores que
pregassem o Evangelho em todo o mundo (Mt
28.19,20; Mc 16.15-20; Lc 24.46,47). O que é
o Evangelho? Não se trata de um discurso ou
de uma nova religião, mas de um novo tempo
que, através da pregação do Evangelho (Boas
Novas, o anúncio desse novo tempo), torna-
se conhecido, pois já chegou e é projetado e
executado pelo próprio Deus (Mc 1.1,15; Lc
17.20,21). AUXÍLIO DIDÁTICO 1
^ AUXÍLIO DIDÁTICO 1
Uma vez que esse primeiro ciclo de es­
tudos tratou do Reino de Deus, é oportuno
destacar o estudo do teólogo Michael Dusing,
quando este afirma que uma fdas formas de
“entender o caráter da Igreja do Novo
Testamento é examinando o seu relacio­
namento com o Reino de Deus (gr. basileia
tou theou). O Reino era um dos principais
ensinos de Jesus durante seu ministério ter­
restre. E, na realidade, embora os evangelhos
registrem apenas menções específicas à igreja
(ekklêsia, todas as declarações de Jesus, regis­
tradas em Mt 16 e 18), estão repletos de ênfa­
ses ao Reino” (DUSING, Michael L. A Igreja do
Novo Testamento In HORTON, Stanley M. (Ed.).
Teologia Sistemática. Uma perspectiva pente-
costal. 1 .ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, p.552).
íí
o Reino consiste
nos redimidos de
todos os tempos
(os santos do
Antigo e do Novo
Testamento),
enquanto a Igreja
consiste naqueles
que foram
redimidos a partir
da obra completa
de Cristo
90
| Discipulando Professor 1
Tal verdade é inegável. Por isso vale a pena, uma
vez mais, falar que, conforme o mesmo autor,
o “termo basileia (‘reino’) é usualmente definido
como o governo de Deus, a esfera universal do
seu domínio. Seguindo esse modo de entender,
aiguns fazem distinção entre Reino e Igreja.
Consideram que o Reino inclui todas as criaturas
celestiais não caídas (os anjos) e os redimidos
entre a raça humana (antes e depois dos tempos
de Cristo). Por contraste, a Igreja consiste mais
especificamente de seres humanos regenerados
mediante a obra expiatória de Cristo. Os que
defendem tal distinção acreditam também que
o Reino de Deus transcende o tempo e tem a
mesma duração do Universo, ao passo que a
Igreja tem um ponto inicial específico e também
terá um ponto culminante específico, na segun­
da vinda de Cristo. Partindo-se dessa perspec­
tiva, portanto, o Reino consiste nos redimidos
de todos os tempos (os santos do Antigo e do
Novo Testamento), enquanto a Igreja consiste
naqueles que foram redimidos a partir da obra
completa de Cristo (sua crucificação e ressur­
reição). De conformidade com esse raciocínio, a
pessoa pode ser membro do Reino de Deus sem
pertencer à Igreja (por exemplo, os patriarcas
Moisés e Davi), mas quem é membro da Igreja
pertence simultaneamente ao Reino. À medida
que mais indivíduos se convertem a Cristo e se
tornam membros da Igreja, somam-se também
ao Reino, que assim cresce” (Ibid., pp.552-53).
Michael Dusing diz, entretanto, que exis­
tem outras interpretações no entendimento da
“distinção entre Reino e Igreja. George E. Ladd
entendia que o Reino era o reinado de Deus, e
a Igreja, por contraste, a esfera do domínio divi­
no — as pessoas sujeitas ao governo de Deus.
De modo semelhante aos que distinguem entre
Reino e Igreja, Ladd achava que não se deveria
equiparar os dois. Pelo contrário, o Reino cria a
Igreja, e a Igreja dá testemunho do Reino. Além
disso, a Igreja é o instrumento e depositária do
Reino, como também a forma que o Reino ou
reinado de Deus assume na Terra: uma manifes­
tação concreta de governo soberano de Deus
entre a raça humana” (Ibid., p.553). Finalmente,
uma terceira e última posição distintiva é aponta­
da pelo mesmo autor. Ele afirma que há autores
que “distinguem Reino de Deus e Igreja por acre­
ditarem ser aquele primariamente um conceito
escatológico, ao passo que esta possui uma
unidade mais temporal e presente. Louis Berkhof
considera que a ideia bíblica primária do Reino é
o governo de Deus ‘reconhecido nos corações
dos pecadores mediante a poderosa influência
regeneradora do Espírito Santo’. Esse governo
já é exercido na Terra, em princípio (‘a realização
presente dele é espiritual e invisível’), mas não o
será de modo completo antes da segunda vinda
visível de Cristo. Em outras palavras, Berkhof
defende um aspecto de ‘já/ainda não’ operando
no relacionamento entre Reino e a Igreja. Por
exemplo: Jesus enfatizava a realidade presente
e o caráter universal do Reino, concretizados de
modo inédito mediante seu próprio ministério.
Além disso, Ele oferecia uma esperança futura:
o Reino que viria em glória. Nesse aspecto,
Berkhof não fica longe das posições teológicas
declaradas supra, que descrevem o Reino em
termos mais amplos que a Igreja. O Reino (pala­
vras dele) ‘visa nada menos que o total controle
de todas as manifestações da vida. Representa
o domínio de Deus em todas as esferas da ati­
vidade humana’” (Ibid., pp.553-54).
2. NATUREZA E IDENTIDADE DA
IGREJA
► 2.1 – Igualitária.
Ao outro grupo que, não
mais baseado na nacionalidade ou etnia, acolhera
a palavra do Evangelho, Jesus Cristo denomi­
nou-o de “ Igreja” (Mt 16.18). Este é composto
de pessoas de todos os tempos e de todas as
tribos e nações, pois não nasceram da carne,
nem do sangue, nem da vontade humana, mas
da parte do próprio Deus (Jo 1.12,13; Ap 7.9).
Quem acolheu a palavra do Evangelho e faz
parte da Igreja, não deve reivindicar distinção,
pois como o Senhor ensinou, somos todos
iguais (Lc 22.24-27). Lembrando também do
ensinamento do apóstolo Paulo, só há um
“cabeça” na Igreja que é Cristo, nós somos
seus membros em particular (1 Co 12.12-27;
Ef 1.22; 4.15,16).
| Discipulando Professor 1 |
>
2.2 –
Serviçal.
Jesus instituiu a Igreja para
que ela seja uma extensão de seu ministério.
E qual foi o ministério de Jesus? Servir as
pessoas. Assim é que Ele ensina-nos a que
igualmente sirvamos (Lc 24.27; Jo 13.1-20).
► 2.3 – Comunitária.
Não é sem propósito
que a Igreja é comparada a um corpo ou a uma
família, pois essa deve ser a sua natureza. A
Igreja do primeiro século assim viveu e deixou-
nos o exemplo (At 2.42-47).
► AUXÍLIO DIDÁTICO 2
Não há nenhuma dificuldade na exposição
desse tópico, pois consiste exatamente do que
está registrado nas Escrituras. Infelizmente, é
possível que surja alguma dificuldade em relação
ao que a Palavra de Deus diz e o que o aluno
observa na prática do dia a dia. Contudo, é ne­
cessário refletir acerca do fato de que a “ Igreja
é o estandarte da reconciliação entre a huma­
nidade e Deus, e dos seres humanos entre si.
É ‘a comunidade dos pecadores justificados,…
que experimentam a salvação, e que vivem nas
ações de graças… Ela, com os olhos fitos em
Cristo, vive no Espírito Santo’. O ministério que
se estende à Igreja afirma que, aquilo que nos
vincula num só, não pode ser resumido na forma
de dogmas, mas tem muita coisa a ver com o
ser incluído numa comunidade que reflete a
comunhão com Deus e, subsequentemente, o
convívio fraternal com uma humanidade redi­
mida” (KLAUS, Byron D. A Missão da Igreja In
HORTON, Stanley M- (Ed.). Teologia Sistemá­
tica. Uma perspectiva pentecostal. 1.ed. Rio
de Janeiro: CPAD, 1996, p.600). Esse aspecto
comunitário da Igreja é tratado nos “escritos
do apóstolo João (especialmente João 17 e 1
João 4)” e, segundo Byron Klaus, “sugerem um
paralelo entre a comunhão dentro da Trindade
e a comunhão potencial dentro da Igreja. João
17 registra a oração de Jesus na qual Ele faz um
paralelo explícito entre a comunhão que Ele tem
conhecido com o Pai e aquela que, segundo Ele
está pedindo na oração, será manifestada entre
os crentes da terra. O ministério dos irmãos
na fé uns aos outros deve envolver atividades
que fornecerão uma expressão sobrenatural
da comunhão entre as Pessoas da Deidade e o
povo de Deus na terra, ligando portanto, entre si,
os relacionamentos verticais e horizontais. Por
isso, devemos tratar nossos irmãos, membros
da Igreja, com a mesma atitude de comunhão e
convívio amoroso que Deus nos oferece. A co­
munhão com Deus sem comunhão com nossos
irmãos e irmãs no Senhor fica fora do alvo, bíblica
e relacionalmente” (Ibid.).
O mesmo autor aprofunda a questão ao di­
zer que o “ministério à Igreja inclui o compartilhar
da vida divina. Só temos a dinâmica daquela vida
à medida que permanecermos nEle e continu­
armos repassando a sua vida uns aos outros
dentro do Corpo. Esse processo de edificação
é descrito por Paulo como relacionamentos de
mútua confiança: pertencemos uns aos outros,
precisamos uns dos outros, afetamos uns aos
outros (Ef 4.13-16). Essa mútua confiança inclui
abnegação para ajudarmos a suprir necessi­
dades uns dos outros. Não somos um clube
social mas, sim, um exército que exige mútua
cooperação e solicitude ao enfrentarmos o mun­
do, negarmos a carne e resistirmos ao diabo”.
Aspecto importantíssimo é o fato de que “ Deus
não pede conselhos a respeito de quem Ele trará
à Igreja. Gálatas 3.26-29 deixa claro que todas as
barreiras entre Deus e a humanidade, levantadas
ao longo da história, bem como as barreiras entre
uns seres humanos e outros, foram tornadas
irrelevantes por Cristo. O Espírito transcendeu
os vínculos e fronteiras humanos, e colocou-
nos numa união onde vivemos na prática as
implicações de pertencermos uns aos outros por
causa de nossa mútua fraternidade em Cristo.
Quer sejamos ricos ou pobres, cultos ou incultos,
talentosos ou imperitos, e independentemente
de nossa etnicidade, não devemos desprezar
uns aos outros nem imaginar que temos uma
posição de superioridade em relação aos outros
diante de Deus. Não há favoritismo com Deus
(Ef 6.8; Tg 2.1-9) (Ibid., p.601)”.
Klaus deixa exemplifica a importância des­
sa dimensão da Igreja ao falar que o “emprego
por Paulo da metáfora a respeito da Igreja reco­
92
| Discipulando Professor 1 |
nhece que todas as partes do corpo ‘são inter­
dependentes e necessárias à saúde do corpo’.
A dinâmica do relacionamento não é meramente
uma opção conveniente. Fomos feitos à imagem
de Deus (Gn 1.26-28), e a Igreja tem o propósito
de ser uma restauração corpórea da imagem
quebrada. A Igreja não é simplesmente uma
idéia genial, como também é essencial ao plano
divino da redenção (Ef 3.10,11). Deus manifesta
sua presença ao mundo através de um povo
interdependente de pessoas que servem umas
às outras” (Ibidem). Assim, completa o mesmo
autor a esse respeito: “ Porque o ministério à
Igreja reflete uma figura bíblica que representa a
Igreja como um organismo, podemos ver como a
dimensão relacionai da vida na Igreja é dinâmica,
e não estática. Certamente exercemos algum
efeito uns sobre os outros. O ministério à Igreja
corrige a tendência da sociedade ocidental de
enfatizar o indivíduo mais do que a comunidade.
O ministério da Igreja inclui equipar um grupo
de pessoas que vive em mútua comunhão,
capacitando-as a crescer até formar uma enti­
dade amorosa, equilibrada e madura. Paulo diz
claramente em Efésios 4.11 -16 que a equipagem
dos santos para o serviço compassivo em nome
de Cristo deve acontecer numa comunidade. O
crescimento espiritual e o contexto em que ele
ocorre de modo mais eficaz não surgem por
mera coincidência. O amadurecer do crente não
poderá acontecer fora da comunidade da fé. O
discipulado não possui nenhum outro contexto
que não seja a Igreja de Jesus Cristo, porque
não se pode seguir fielmente a Jesus à parte de
uma participação cada vez mais madura com
outros crentes na vida e no ministério de Cristo”
(Ibid., pp.601-02).
3. A MISSÃO E O SUSTENTO
DA IGREJA
> 3.1 – Chamados para dar os frutos do
Reino.
Há entre nós um grande perigo de achar­
mos que ocupamos o lugar do povo de Israel
para dominarmos o mundo. Essa equivocada
ideia, chamada de “teologia da substituição”, é
defendida como se a Igreja, tida como “ Israel de
Deus”, pudesse desfrutar de todas as bênçãos
materiais prometidas pelo Criador ao seu povo
no Antigo Testamento. Entretanto, ao se estudar
o contexto da parábola dos maus vinhateiros,
ou lavradores, por exemplo, veremos que foi
justamente o abuso de terem se achado em
posição superior, que os vitimara (Mt 21.33-46).
E é neste contexto que Jesus fala acerca de
“tirar” a representatividade do Reino deles e
de entregá-la a outros para que deem os frutos
do Reino (Mt 21.43; Mc 12.9; Lc 20.16).
3.2 – A missão da Igreja.
Conforme ins­
trui-nos o apóstolo Pedro, a missão da Igreja,
como “geração eleita, sacerdócio real, nação
santa e povo adquirido”, assim como Israel o
fora, é anunciar “as virtudes daquele que [nos]
chamou das trevas para a sua maravilhosa
luz” (1 Pe 2.9), e representar o que significa
ser governado por Deus, nada tendo com
domínio do mundo.
>>3.3-0
poder da Igreja.
Jesus é quem
fundou e sustenta a Igreja, por isso, Ela é
mantida pelo poder de Deus (Mc 16.20). Não é
obra humana, nem propriedade de ninguém. A
Igreja pertence ao próprio Jesus (Ef 5.22-33).
^ AUXÍLIO DIDÁTICO 3
Quanto a este último tópico, o caso é
basicamente o mesmo do anterior. A missão e
o “ poder” da Igreja são questões muito claras
na Bíblia, sem necessidade alguma de grandes
discussões, tendo que simplesmente observar
o que preceitua a Palavra do Senhor. Não
obstante, é necessário dizer algo a respeito do
assunto tendo em vista o fato de que os alunos
estão iniciando sua caminhada. Tal é importan­
te pelo fato de que, como afirma Byron Klaus,
a “ comunidade que mantém sua comunhão na
fé consta, idealmente, como uma lembrança
sempre presente diante do mundo de como
parece a vida quando o Reino de Deus está pre­
sente”, pois, a despeito do fato de que “ensinar
a verdade da Palavra de Deus certamente seja
um ministério vital à Igreja, os discípulos são
| Discipulando Professor 1 |
^ B jÇ ]
edificados, não somente mediante o ensino
da verdade, mas também por estarem numa
comunidade positiva, amorosa e generosa de
pessoas que, juntas, estão sendo conforma­
das à imagem de Cristo” (KLAUS, Byron D.
A Missão da Igreja In HORTON, Stanley M.
(Ed.). Teologia Sistemática. Uma perspectiva
pentecostal. 1 .ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996,
p.602). Ponto fundamental nessa temática é a
diakonia, ou seja, o “serviço” ou “ministério”
que, de acordo com o mesmo autor, trata-se
dos “esforços no serviço a Cristo que continu­
am o ministério encarnacional que Ele realizou
e que nos ajuda a realizar. O caráter desse
ministério é servir; não imita o padrão da autori­
dade ou do propósito que este mundo impõe. A
essência do ministério tem sido exemplificado
por Cristo de uma vez para sempre (Mc 10.45)
e, como conseqüência, servimos a Cristo por
meio de servir à criação que está debaixo do
seu senhorio” (Ibid., p.604).
Klaus explica que a “dimensão de serviço
no ministério leva-nos, além de divulgar as bo­
as-novas com denodo e coragem, a participar
do desejo de Deus que é alcançar de modo
prático os marginalizados da sociedade. As
pessoas que não têm ninguém para pleitear a
sua causa, e que se encontram desconsidera­
das e abandonadas, também foram criadas à
imagem de Deus. A Igreja, revestida pelo poder
do Espírito, terá de passar das palavras para
as ações se quer ver realizados os propósitos
de Deus. Não poderá haver maneira de fugir
deste fato: se vamos realmente servir no minis­
tério continuado de Jesus Cristo, esse serviço
deverá seguir o exemplo do seu ministério” . O
mesmo autor faz referência a Lucas 4.18-21,
dizendo que tal texto “enfatiza o ministério
do tipo de servo”. Apesar de ele reconhecer
que o ministério de Jesus “ leva-nos adiante,
para alguma coisa além de uma mera versão
cristã da Cruz Vermelha” e que o “ mal que é
perpetrado no mundo inteiro já foi vencido
por Cristo” , Klaus questiona como é possível
exercer o ministério de servo demonstrando
essa vitória em meio a tanta maldade. Sua
resposta é que as “ incapacidades físicas não
são impedimentos para o Reino de Deus. No
meio da enfermidade e da tragédia física,
temos o privilégio de dizer agora: ‘Levante-se
e seja curado!’ Aqueles que estão amarrados
pelo demonismo, presos pelo poder destrutivo
do maligno, podemos proclamar que a liber­
tação está perto e que o ‘novo’ governo de
Deus liberta os cativos. Às numerosas massas
que a sociedade tem abandonado à beira do
caminho da vida, podemos demonstrar com
autoridade, mediante os nossos atos tangíveis
de misericórdia e compaixão, que o Reino de
Deus traz dignidade e valor humanos a ‘um
destes pequeninos’ (Mt 25.40)” (Ibidem).
Na realidade, a “ Igreja, cheia do Espírito
de Deus, pode crescer de modo criativo e agir
com compaixão através do serviço (inspirado
pelo coração reconciliador de Deus) de ‘um
destes pequeninos’. O poder de Deus para a
nossa transformação reúne-nos em comunida­
des que refletem coletivamente a reconciliação
com Deus (1 Co 12.13; 2 Co 5.17-20). Essas
comunidades revestidas de poder não devem
se restringir a determinadas pessoas, porque
Deus já identificou com clareza o objeto de
seu amor (Lc 4.18,19). Temos de imitar o
nosso Supremo Comandante, que busca os
que estão amarrados pelo pecado, mantidos
cativos pelo diabo. O Espírito deseja dar ao
seu povo poder para penetrar com ousadia
nas arenas do desespero e da destruição,
para que não nos tomemos uma Igreja do
tipo censurada pelo profeta Amós — um povo
com uma religião ritualizada, sem compaixão
e sem conteúdo ético. Para o bem do nosso
testemunho, precisamos esquecer-nos dos
nossos direitos, ser humildes e perdoadores
no meio da perseguição, e ‘[…] sempre prepa­
rados para responder com mansidão e temor
a qualquer que [nos] pedir a razão da [nossa]
esperança […], tendo uma boa consciência’
(1 Pe 3.15,16)” (Ibidem). Isso significa que, de
acordo com Klaus, o nosso “testemunho diante
do mundo é a operação prática de nossa par­
ticipação na missão de Deus: a reconciliação
com o mundo. Proclamamos e demonstramos
o caráter compassivo e o poder autoritativo de
94
| Discipulando Professor 1 |
Cristo, que já irromperam nesta era. Por meio
de palavras e de ações, damos testemunho
das boas-novas de que Jesus ama os pobres,
os doentes, os famintos, os endemoninhados,
os fisicamente torturados, os emocionalmente
feridos, os destituídos de amor e até mesmo
os auto-suficientes. E então continuamos a
amá-los e a cuidar deles, fazendo deles discí­
pulos que já não sejam ‘meninos inconstantes,
levados em roda por todo vento de doutrina,
pelo engano dos homens que, com astúcia,
enganam fraudulosamente’ (Ef 4.14)’’ (Ibid.,
pp.605-06).
CONCLUSÃO
Com a lição de hoje você teve a oportunidade
de conhecer um pouco sobre a identidade da
“ Noiva do Cordeiro” (Ap 19.7). Tal conhecimento
está apenas começando, pois como parte des­
se povo, você se desenvolverá e, certamente,
conhecerá ainda mais sobre o seu papel no
Reino de Deus.
APROFUNDANDO-SE
É importantíssimo que saibamos que os
apóstolos só passaram a cumprir a missão que
Jesus Cristo lhes designara, após receberem o
poder do Espírito Santo (At 1.8).
dade, tendo o Senhor então formado um povo
para vivenciá-lo na prática e servir de modelo
ao mundo todo. Infelizmente, Israel falhou e
Deus então enviou o seu próprio Filho para
então “ inaugurá-lo” em uma nova perspectiva,
chamando a todos os que creem a fim de que
permitam ser orientados pelo Criador e sirvam
de exemplo às demais pessoas. Nesse formato,
temos então o reinado de Deus em nossa vida,
apontando, pela fé, o que será a vida quando o
Reino de Deus for implantado definitivamente
no mundo.
2 . Após a rejeição de Israel, como as pessoas
são alcançadas e se tornam filhas de Deus?
R. Através da fé em Jesus Cristo, Deus
alcança diretamente a qualquer pessoa que
humildemente acolha a palavra do Evangelho.
3 . O que significa a natureza igualitária da
Igreja de Cristo?
R. Na perspectiva do Evangelho, como o Se­
nhor ensinou, somos todos iguais (Lc 22.24-27).
4 . Para quê a Igreja foi chamada?
R. Para dar os frutos do Reino (Mt 21.43;
Mc 12.9; Lc 20.16).
5 . Qual é a missão da Igreja?
R. Conforme instrui-nos o apóstolo Pedro,
a missão da Igreja, como “geração eleita, sa­
cerdócio real, nação santa e povo adquirido” ,
assim como Israel o fora, é anunciar “as virtudes
daquele que [nos] chamou das trevas para a sua
maravilhosa luz” (1 Pe 2.9), e representar o que
significa ser governado por Deus, nada tendo
com domínio do mundo.
VERIFIQUE SEU
APR EN DIZAD O
1
. Comente sobre o projeto do Reino de Deus.
R. Conquanto a resposta seja pessoal, devi­
do ao fato de o assunto ter sido objeto de estudo
em várias lições, é preciso que o aluno saiba falar
do tema, mais ou menos, nos seguintes termos:
O projeto do Reino de Deus foi interrompido, em
parte, por causa da desobediência da humani­
► Que a Igreja possui um aspecto espiritual
e universal e outro visível e local? E que é
possível ser membro de uma igreja local
sem o ser do Corpo de Cristo?
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