Lição 11 A SALVAÇÃO EM CRISTO

REVISTA DISCIPULANDO CPAD - 1º CICLO - CONHECENDO JESUS E O REINO DE DEUS
TEXTO BÍBLICO BASE
2 Coríntios 5.14-21
14 – Porque o amor de Cristo nos constrange,
julgando nós assim: que, se um morreu por
todos, logo, todos morreram.
15 – E ele morreu portodos, para que os que vivem
não vivam más para si, mas para aquele que
por eles morreu e ressuscitou.
16 – Assim que, daqui por diante, a ninguém
conhecemos segundo a carne; e, ainda que
também tenhamos conhecido Cristo segundo
a came, contudo, agora, já o não conhecemos
desse modo.
17 – Assim que, se alguém está em Cristo, nova
criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que
tudo se fez novo.
18 – E tudo isso provém de Deus, que nos recon­
ciliou consigo mesmo por Jesus Cristo e nos
deu o ministério da reconciliação,
19 – isto é, Deus estava em Cristo reconciliando
consigo o mundo, não lhes imputando os seus
pecados, e pôs em nós a palavra da reconcilia­
ção.
20 – De sorte que somos embaixadores da parte
de Cristo, como se Deus por nós rogasse.
Rogamos-vos, pois, da parte de Cristo que vos
reconcilieis com Deus.
21 – Àquele que não conheceu pecado, o fez pe­
cado por nós; para que, nele, fôssemos feitos
justiça de Deus.
MEDITAÇÃO
“E, como Moisés levantou a serpente no
deserto, assim importa que o Filho do Homem
seja levantado, para que todo aquele que nele
crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque
Deus amou o mundo de tal maneira que deu o
seu Filho unigênito, para que todo aquele que
nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não
para que condenasse o mundo, mas para que o
mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não
é condenado; mas quem não crê já está conde­
nado, porquanto não crê no nome do unigênito
Filho de Deus. E a condenação é esta: Que a luz
veio ao mundo, e os homens amaram mais as
trevas do que a luz, porque as suas obras eram
más”
(Jo 3.14-19).
REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA
► SEGUNDA – Gênesis 3.15
► TERÇA – Isaías 52.7
► QUARTA – Lucas 1.69
► QUINTA – Lucas 2.29,30
► SEXTA – João
4.22
► SABADO-Atos 4.10-12
| Discipulando Professor 1
O R IE N TA Ç Ã O A O
PROFESSOR
INTERAGINDO COM O ALUNO
A lição de hoje trata do grande propósito
de todo aquele que abraçou o Evangelho de
Jesus Cristo: a salvação. Desde quando se
tem notícia da existência da humanidade,
a busca incessante do ser humano é pela
certeza de um futuro melhor. As tentativas
de produzir a vida boa, ou sem problemas, à
parte de Deus, têm resultado em desastres
até maiores do que aqueles que se procurava
eliminar. Aqueles, porém, que conhecem a
Cristo, são conscientes de que a plenitude da
criação só será uma realidade quando o Reino
de Deus for completamente implantado. Estes
sabem que no tempo determinado por Deus tal
acontecerá. Por enquanto, eles já desfrutam
da presença gloriosa do Senhor em sua vida
e, por isso, apesar das circunstâncias, são
felizes e realizados.
OBJETIVOS
Sua aula deverá alcançar os se­
guintes objetivos:
► Definir
a salvação na perspectiva bíblica;
► Sublinhar
o paradoxo da salvação;
► Reafirmar
o valor da salvação outorgada
por Deus em Cristo Jesus.
PROPOSTA PEDAGÓGICA
O mundo atual, entre outras característi­
cas, é marcado pela ênfase no cuidado com o
planeta. Depois de desiludir-se com a ideia de
progresso nascida pela mentalidade da revo­
lução industrial, a humanidade percebeu que
a natureza não é infindável e que os prejuízos
da devastação afetam a todos. Os recursos
naturais não são bens inesgotáveis, ao con­
trário, são bens escassos que precisam da
utilização consciente por parte de todos nós. A
ONU (Organização das Nações Unidas), entre
outras atribuições, é responsável pelo controle
e advertência dos países desenvolvidos cuja
emissão de C02 (gás carbônico) ultrapasse os
limites permitidos pelos acordos internacionais.
O capital acumulado pelos grandes industriais e
latifundiários do mundo não resolve o problema
existencial — primeiramente deles —, e muito
menos consegue produzir felicidade. A vida
boa afasta-se, ou distancia-se, da fabricação
humana. Resta apenas a desilusão e o vazio,
pois colocando a esperança nas realizações
humanas, a cada época surge uma nova grande
decepção.
Partindo dessa reflexão, converse com
os alunos acerca da salvação sem, contudo,
apelar para o catastrofismo, pois tal opção
invariavelmente produz a irresponsabilidade. O
que é salvação? A humanidade pode salvar a si
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mesma? É possível ter a esperança de um novo
céu e de uma nova terra, transformados pelo
Criador, sem nos mostrarmos desinteressados
no cuidado com o Meio Ambiente? Como filhos
e filhas de Deus, e entendendo que a salvação é
muito mais que uma fuga para outra dimensão,
não é egoísta o sentimento que apregoa o não
cuidado com a Terra? Cientes de que o Criador
fez tudo e disse que era bom, é ético contribuir
com a destruição do planeta? Sabedores de
que o Criador entregou-nos o governo, ou seja,
a administração do planeta, como salvos em
Cristo Jesus, qual deve ser a nossa postura em
relação aos recursos naturais? Diante da atual
crise do meio ambiente, qual o significado de
sermos salvos? Somos salvos de quê e para
quê? É importante ressaltar com os alunos que
a salvação precisa mostrar os seus frutos aqui
e agora, pois a sociedade já está cansada de
discursos, ela requer exemplo e atitude.
COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO
Cientes de que fomos desumanizados e
embrutecidos por rejeitarmos a orientação
divina e o reinado de Deus em nossa vida e
história, o Criador graciosamente oferece-
nos a oportunidade de reposicionarmo-nos
diante dEle, do nosso semelhante e de toda a
realidade. E como Ele faz isso? De sucessivas
formas e maneiras, porém, diz-nos o escritor
aos Hebreus que, nos últimos tempos, falou-
nos através do seu Filho (Hb 1.1-3) e, através
dEle, oferece-nos a derradeira chance de se
apropriar do ato sacrifical que Jesus fez por
nós. Sendo o Filho o legítimo herdeiro de Deus,
a expressa imagem do Criador e o sustentador
de todas as coisas, possui legitimidade e re-
presentatividade para delinear o caminho pelo
qual os seres humanos que querem se tornar
o que Deus os criou para ser, transitarão. Isso
porque, ante a dúvida de Tomé acerca de onde
estava tal caminho, Jesus respondeu-lhe que
Ele próprio é o caminho, a verdade e a vida
(Jo 14.4-6). “Andar” nEle significa permanecer
no que Ele ensinou, e esse ato traduz o real
e verdadeiro sentido da salvação, tema do
presente estudo.
1. A SALVAÇÃO NA PERSPECTIVA
BÍBLICA
► 1.1 – A arrogância da autonomia humana.
Apesar de o Criador ter dotado a humanidade de
vontade própria não querendo fazer-nos robôs
ou meros fantoches, e sim seres responsáveis
pelas próprias decisões, é fato que se espera­
va sensatez em vez de arrogância, lucidez em
lugar de delírio e gratidão em vez de rebeldia.
Lamentavelmente, a humanidade degenerou-se
passando a viver segundo seu embrutecimento.
Assim, em Gênesis vemos que a humanidade
corrompeu-se a tal ponto que Terra encheu-se
de violência e, em Romanos, que o coração
insensato da humanidade obscureceu-se de
tal forma que os seres humanos tomaram-se
“cheios de toda iniqüidade, prostituição, malícia,
avareza, maldade; cheios de inveja, homicí­
dio, contenda, engano, malignidade; sendo
murmuradores, detratores, aborrecedores de
Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos,
inventores de males, desobedientes ao pai e à
mãe; néscios, infiéis nos contratos, sem afeição
natural, irreconciliáveis e sem misericórdia”
(Gn 6.11,12; Rm 1.21-32). Tal forma de viver não
foi a planejada pelo Criador, mas inventada pela
autonomia humana que se arroga capaz de viver
à parte de Deus (S110.3-11).
► 1 .2 – A vida à parte de Deus significa
escravidão.
Apesar de os textos bíblicos acima
dizerem a respeito das pessoas que não são
da comunidade de Israel, no tempo de Jesus
seu ministério foi desenvolvido, em sua maior
parte, junto aos judeus. Não obstante, em seu
| Discipulando Professor 1 |
‘ 9
discurso aos judeus, registrado em João 8.31-
59, o Mestre disse aos judeus que passaram a
crer nEle, que se estes permanecessem em sua
palavra, ou seja, na prática de seus ensinamen­
tos, eles poderiam se tomar seus discípulos de
verdade e, em decorrência disso, conheceriam
a verdade e esta os libertariam. Indignados, os
judeus objetaram alegando serem descendência
de Abraão e de nunca terem servido ninguém
e, por isso, questionaram o porquê de Jesus
ter oferecido a eles liberdade. O Mestre então
respondeu-lhes: “ Em verdade, em verdade vos
digo que todo aquele que comete pecado é servo
do pecado” (Jo 8.34). Em termos diretos, Jesus
estava dizendo que é um equívoco a pessoa viver
imersa no pecado achando que está livre, pois
tal pessoa, na verdade, é escrava do pecado!
Quando se acolhe a palavra do Evangelho, é
comum que as pessoas digam que agora não
podemos mais fazer de tudo, pois deixamos de
ser livres. Lamentavelmente, tais pessoas não
entendem que a falta de domínio de seus vícios,
paixões e outros excessos que as maltratam, na
realidade, não indicam que elas são livres, mas
exatamente o oposto.
1.3 – O anseio humano e a salvação na
perspectiva divina.
A humanidade subjugada
pelo mal que parece existir desde sempre, tenta
por si mesma produzir a “salvação” (traduzida na
desesperada busca de evitar a dor e aumentar
o prazer), mas como se pode constatar durante
todo o drama humano, o máximo de solução que
consegue não passa de um alívio momentâneo
r
l f que nao excede a resolução circunstancial de
um único problema. O vazio existencial assola
indiscriminadamente ricos e pobres, grandes
e pequenos, famosos e anônimos. Ninguém
escapa do problema do pecado. Mesmo porque,
esse é o real problema da humanidade e dele
ela não pode se autolibertar. Foi justamente isso
que José ouvira de um anjo do Senhor que lhe
dissera, em sonho, que recebesse a Maria como
sua mulher, pois o filho que nela fora gerado era
obra do Espírito Santo e que o nome dele seria
Jesus, pois Ele salvaria o “seu povo dos seus
pecados” (Mt 1.21). Uma vez que o Evangelho
fora dirigido primeiramente a judeus, a boa no­
tícia parece ser exclusivamente para este povo
(At 4.12; 5.31; 13.23,26-37), todavia, quando os
apóstolos passaram a proclamar a mensagem do
Reino de Deus, vemos claramente que a salvação
é extensiva a toda a humanidade: “ Seja-vos,
pois, notório, varões irmãos, que por este se vos
anuncia a remissão dos pecados. E de tudo o
que, pela lei de Moisés, não pudestes ser justifi­
cados, por ele é justificado todo aquele que crê”
(At 13.38,39). “Salvação”, na perspectiva bíblica
e, portanto, divina, não é outra coisa senão a
libertação da humanidade da escravidão do
pecado.
AUXILIO DIDÁTICO 1
Na perspectiva bíblica, tudo o que Deus
criou é bom. Por isso, apenas “os seres huma­
nos, na criação de Deus, possuem a virtude
da imortalidade. Mesmo depois de rompida
a comunhão entre Deus e a humanidade, na
Queda (Gn 3), a cruz de Cristo providenciou
meios que possibilitam a comunhão com Deus
por toda a eternidade. Finalmente, segundo
o contexto de Gênesis 1.26-28, a imagem de
Deus inclui, sem dúvida, um domínio provisório
(com a responsabilidade de cuidar devidamente)
sobre as criaturas da Terra” (MUNYON, Timothy.
“A Criação do Universo e da Humanidade” . In
HORTON, Stanley M. (Ed.).
Teologia Sistemá­
tica.
Uma perspectiva pentecostal.
1 .ed. Rio
de Janeiro: CPAD, 1996, pp.259-60). Assim, a
“Igreja deve reafirmar a sua identidade, a de
uma comunidade de pecadores salvos por
Deus, ministrando na confissão, no perdão e
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| Discipulando Professor 1 |
na cura. A humildade deve caracterizar todos
os relacionamentos cristãos, à medida que os
crentes tomam consciência, não somente da
vida e morte terríveis das quais foram saivos, mas
também do preço ainda mais terrível daquela
salvação. Quando uma pessoa é salva da mesma
natureza pecaminosa, nenhuma quantidade de
dons espirituais, ministérios ou autoridade pode
justificar a elevação de uma pessoa acima de
outra. Pelo contrário, cada pessoa deve preferir
e honrar as outras mais que a si mesma (Fp
2.3)” (MARINO, Bruce R. “Origem, Natureza
e Conseqüências do Pecado” . In HORTON,
Stanley M. (Ed.).
Teologia Sistemática.
Uma
perspectiva pentecostal.
1 .ed. Rio de Janeiro:
CPAD, 1996, p.132, pp.297-98). Na verdade,
diz o mesmo autor, a “amplidão universal e a
profundidade sobrenatural do pecado devem
levar a Igreja a corresponder, com dedicação de
todos os membros e o revestimento do poder
milagroso do Espírito Santo, ao imperativo da
Grande Comissão (Mt 28.19-20)” (Ibid., p.298).
Tal é assim porque a gratidão pelo feito divino a
constrangerá a responder de forma grata. Não
apenas isso, pois ainda de acordo com Marino,
a “compreensão da natureza do pecado deve
renovar a nossa sensibilidade diante das ques­
tões do meio ambiente e levar-nos a retomar a
comissão original de cuidar do mundo de Deus,
o qual não devemos deixar nas mãos daqueles
que preferem adorar a criação ao invés do Cria­
dor” (Ibidem.).
2. O PARADOXO DA SALVAÇÃO
2.1 – A oferta divina diante do livre-arbítrio
da humanidade.
É evidente que a humanidade
continuará buscando, por suas próprias forças, a
melhor maneira de viver, sem, contudo, reconhe­
cer que precisa de orientação segura sobre sua
origem e destino (Lc 12.13-21). Todavia, o retorno
ao paraíso, o restabelecimento da harmonia com
o Criador, consigo mesmo, com os semelhantes
e até com a natureza, não se dará pela religião,
filosofia, ciência ou qualquer outra produção
humana, mas pelo acolhimento da mensagem
do Evangelho (Mc 1.15). Ocorre que, prescindindo
do Criador, a humanidade não pode, por suas
próprias forças, reconhecer o seu grande problema
e, por isso mesmo, jamais buscará salvar-se do
pecado que distorce sua natureza. Poucos dirão
como Paulo que reconhecia o fato de que “Cristo
Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores,
dos quais [ele achava-se] o principal” (1 Tm 1.15).
Justamente por isso o Mestre disse que enviaria o
Consolador, o Espírito Santo, e este convenceria
a humanidade do pecado, da justiça e do juízo
(Jo 16.7-11). Ele é responsável por dar-nos essa
consciência, pois de nós mesmos, não temos
condição de assim nos vermos.
► 2.2- A possibilidade de rejeição humana
diante do processo de convencimento divino.
Ainda que o Criador tenha destinado o Espírito
Santo para desempenhar tal papel entre nós, o
preço de Ele ter nos criado como seres dotados
de vontade própria, por incrível que pareça,
“submete-o” à possibilidade de sofrer rejeição de
nossa parte, meros seres mortais (Hb 3.7-15). Há
abundantes exemplos dessa verdade na Bíblia,
desde o Antigo até o Novo Testamento (Gn 4.6,7;
2 Cr 36.15,16; Jr 7.13,21-28; 11.1-10; 25.1-14; 26.1-6;
29.15-19; 32.26-34; 35.12-17; 44.1-30; Mt 21.32;
Mc 10.17-27; Fp 1.28; 2 Tm 3.1-9). As desculpas
para tal rejeição são as mais variadas possíveis
e vão desde o apego às coisas materiais até a
ganância do poder e da posição. É por isso que
a Bíblia diz que apesar de muitos dos principais
da sinagoga terem crido em Jesus, “ não o
confessavam por causa dos fariseus, para não
serem expulsos da sinagoga. Porque amavam
mais a glória dos homens do que a glória de
Deus” (Jo 12.42,43).
► 2 .3 -0 caráter paradoxal da salvação na
perspectiva divina.
Aos ouvidos modernos soa
contraditório e paradoxal a afirmação de Jesus
de que os interessados em salvar a própria vida
devem, por amor a Ele, “ perdê-la”, e que quem
assim o fizer, na verdade, a encontra (Mt 16.25;
Mc 8.35; Lc 9.24; 17.33). No entanto, basta estudar
um pouco o contexto para certificar-se de que se
trata da mais pura verdade. O Senhor Jesus está
falando da conversão, de uma mudança radical e
completa que desconstrói o “eu” produzido pela
sociedade pervertida, para reconstruí-lo sob a
égide do governo divino e do reinado de Deus
em nossa vida (Jo 3.1-8). A pretensa
| Discipulando Professor 1
humana passa a ser instruída e direcionada pelo
Espírito Santo de Deus, onde cada um pode en­
contrar-se com seu verdadeiro e mais profundo
“eu”, o qual fora deformado pelo pecado.
► AUXÍLIO DIDÁTICO 2
É importante esclarecer que a “respeito
da imagem moral de Deus nos seres humanos,
‘Deus fez ao homem reto’ (Ec 7.29). Até mesmo
os pagãos, que não possuem conhecimento da lei
escrita de Deus, conservam uma lei moral escrita
por Ele em seu coração (Rm 2.14,15). Em outras
palavras, somente os seres humanos possuem
a capacidade de sentir o que é certo e errado,
bem como o intelecto e a vontade necessários
para escolher entre eles. Por esta razão, os seres
humanos são chamados livres agentes morais.
Diz-se também que possuem autodeterminação.
Efésios 4.22-24 parece indicar que a imagem
moral de Deus, embora não completamente
erradicada na Queda, foi afetada negativamente
até certo ponto. Para ter restaurada a imagem
moral ‘em verdadeira justiça e santidade’, o
pecador precisa aceitar a Cristo e se tornar uma
nova criação” (MUNYON, Timothy. “A Criação do
Universo e da Humanidade”. In HORTON, Stanley
M. (Ed.).
Teologia Sistemática.
Uma perspectiva
pentecostal.
1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996,
p.260). Entretanto, quando se pensa que a graça
de Deus para por aí, ela avança e demonstra a
grandiosidade do amor divino. “Vale a pena men­
cionar mais uma palavra a respeito da liberdade
volitiva desfrutada pelos seres humanos. Estes,
mesmo possuindo tal liberdade, são incapazes
de escolher a Deus. Deus, portanto, pela sua
bondade, equipa as pessoas com uma medida de
graça que as capacita e prepara a corresponder
ao Evangelho (Jo 1.9; Tt 2.11). O propósito de
Deus era ter comunhão com as pessoas que de
livre vontade resolvessem aceitar sua chamada
universal à salvação. Em conformidade com
esse propósito divino, Deus outorgou aos seres
humanos a capacidade de aceitá-lo ou rejeitá-lo.
A vontade humana foi liberta o suficiente para
‘voltar-se para Deus’, ‘arrepender-se’ e ‘crer’.
Logo, quando cooperamos com o Espírito que
nos chama e aceitamos a Cristo, essa cooperação
não é o meio da salvação. Para os crentes bíblicos
de todas as denominações, a salvação é cem por
cento externa (uma dádiva imerecida de um Deus
gracioso). Deus nos tem dado graciosamente
aquilo que necessitamos para cumprir o seu
propósito na nossa vida: conhecer, amar e servir a
Ele” (MUNYON, Timothy. “A Criação do Universo
e da Humanidade”. In HORTON, Stanley M. (Ed.).
Teologia Sistemática.
Uma perspectiva pente­
costal.
1 .ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, p.260).
3. A MANIFESTAÇÃO DO AMOR
DE DEUS PELA HUMANIDADE
3.1
– A salvação em seu sentido pleno.
Após
cumprir a vontade de Deus, o Filho glorificou ao
Pai por Este ter permitido que Ele concedesse a
vida etema a todos os que o Mestre pôde evan-
gelizar. Tal vida eterna significa ter lhes dado a
possibilidade de conhecer a Deus, que é único
e verdadeiro, e Jesus como o real enviado do
Pai (Jo 17.3). Tal ato de fé já significava a vida
eterna e não apenas algo que se concretizaria
no futuro. Mas não haverá uma vida eterna no
sentido literal da palavra? Sim haverá, mas esta
só será desfrutada pelos que agora já creem
em Jesus e acolhem o seu Evangelho. Estes já
podem contar com a alegria de terem os seus
nomes escritos no céu (Lc 10.20).
► 3.2 – Deus estava em Cristo recon­
ciliando o mundo.
Sendo Deus puro amor
(1 Jo 4.16), e tendo Ele amado “o mundo de tal
maneira que deu o seu Filho unigênito, para que
todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha
a vida eterna” (Jo 3.16), significa que, através de
Cristo, reconciliou-se o Criador com a sua criação
em todos os sentidos (2 Co 5.18,19; Ef 1.7-10).
Por causa disso, o apóstolo Paulo informa-nos
que nós, os que cremos, passamos a ser uma
nova criação diante de Deus (1 Co 15.17,21).
► 3.3 – Deus concedeu-nos a palavra da
reconciliação.
Uma vez que fomos tão agra­
ciados pelo Pai, o apóstolo Paulo informa-nos
ainda que o Senhor incumbiu-nos de anunciar
a palavra de reconciliação ao mundo (2 Co
5.18-20). Em termos diretos, o Reino de Deus já
chegou e uma nova oportunidade já foi estendida,
mas as pessoas não sabem, por isso, é preciso
anunciar-lhes a palavra do Evangelho (Mc 1.15).
78
|
Discipulando Professor 1 |
“Questões de justiça social e necessida­
de humana devem ser advogadas pela Igreja
como testemunho da veracidade do amor, em
contraste à mentira que é o pecado. Mesmo
assim, semelhante testemunho deve apontar
sempre para o Deus da justiça e do amor, que
enviou o seu Filho a morrer por nós. Somente
a salvação, e não a legislação ou um evangelho
social que desconsidera a cruz ou ainda a ação
violenta ou militar, pode curar o problema e
seus sintomas” (MARINO, Bruce R. “Origem,
Natureza e Conseqüências do Pecado” . In
HORTON, Stanley M. (Ed.).
Teologia Sistemá­
tica.
Uma perspectiva pentecostal.
1 .ed. Rio
de Janeiro: CPAD, 1996, p. 132, p.298). Assim,
mesmo tendo dito no primeiro ponto alguma
coisa a respeito do nosso papel na manutenção
do planeta, é preciso ter claro que “a vida deve
ser vivida na esperança certa de um futuro além
do pecado e da morte (Ap 21 e 22). Então,
purificados e regenerados, os crentes verão a
face daquEle que já não lembra mais do seu
pecado (Jr 31.34; Hb 10.17)” (Ibid.). Isso sim
será salvação plena.
CONCLUSÃO
Mais do que uma “fuga” dessa Terra, a sal­
vação, no sentido bíblico, vai além dessa visão,
sendo muito mais ampla e abrangente. O próprio
Senhor Jesus, em uma de suas orações, pediu
ao Pai que não nos tirasse do mundo, e sim que
nos livrasse do mal (Jo 17.15).
APROFUNDANDO-SE
^ AUXÍLIO DIDÁTICO 3
É possível apostatar-se do Evangelho e as­
sim perder a salvação mesmo depois de haver
encontrado a Cristo? Pelo texto de Hebreus
6.4-6, é possível. Entretanto, o assunto não
se refere a quem, momentamente, deixa de
servir a Deus, mas tem consciência de estar
errado e volta arrependido. É preciso que haja
uma distinção entre apostasia, que é a rejeição
ostensiva e deliberada de Deus, e afastamento,
por fraqueza ou qualquer outra situação (Gl 6.1;
1 Co 10.12).
A P R E N D IZA D O
1
. Viver à parte de Deus significa o quê?
R. Significa ser escravo do pecado.
2 . O que é a salvação na perspectiva bíblica
e divina?
R. “ Salvação” , na perspectiva bíblica e,
portanto, divina, não é outra coisa senão a liber­
tação da humanidade da escravidão do pecado.
3 . Por que é possível rejeitar o convencimen­
to do Espírito Santo?
R. Porque Deus nos criou como seres
dotados de vontade própria.
4 . Em que consiste o caráter paradoxal da
salvação?
R. Consiste no fato de que os interessados
em salvar a própria vida devem, por amor a Ele,
“perdê-la” , e que quem assim o fizer, na verdade,
a encontra (Mt 16.25; Mc 8.35; Lc 9.24; 17.33).
5 . O que é salvação em seu sentido pleno?
R. A realidade da vida eterna.
VERIFIQUE SEU
► Que os judeus ficaram 430 anos no
Egito e foram levados cativos diversas
vezes? Será que eles se esqueceram
desse fato quando responderam a Jesus
que nunca serviram a ninguém e que,
por isso, não precisavam de liberdade?
Além disso, naquele exato momento os
judeus viviam sob a tutela do império
Romano não tendo soberania alguma.
É no mínimo estranho tal falta de cons­
ciência. Na realidade este é um grande
perigo para os seres humanos: Estarem
presos, porém, achando-se livres.
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