Lição 10-A RESSURREIÇÃO DE JESUS

REVISTA DISCIPULANDO CPAD - 1º CICLO - CONHECENDO JESUS E O REINO DE DEUS
TEXTO BÍBLICO BASE
Lucas 24.36-43
36 – E, falando ele dessas coisas, o mesmo
Jesus se apresentou no meio deles e disse-
lhes: Paz seja convosco.
37 – E eles, espantados e atemorizados, pen­
savam que viam algum espírito.
38 – E ele lhes disse: Por que estais perturba­
dos, e por que sobem tais pensamentos ao
vosso coração?
39 – Vede as minhas mãos e os meus pés, que
sou eu mesmo; tocai-me e vede, pois um
espírito não tem carne nem ossos, como
vedes que eu tenho.
40 – E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos
e os pés.
41 – E, não o crendo eles ainda por causa da
alegria e estando maravilhados, disse-lhes:
Tendes aqui alguma coisa que comer?
42 – Então, eles apresentaram-lhe parte de um
peixe assado e um favo de mel,
43-o
que ele tomou e comeu diante deles.
MEDITAÇÃO
“E, oito dias depois, estavam outra vez os
seus discípulos dentro, e, com eles, Tomé.
Chegou Jesus, estando as portas fechadas, e
apresentou-se no meio, e disse: Paz seja con­
vosco! Depois, disse a Tomé: Põe aqui o teu
dedo e vê as minhas mãos; chega a tua mão e
põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas
crente. Tomé respondeu e disse-lhe: Senhor
meu, e Deus meu! Disse-lhe Jesus: Porque me
viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que
não viram e creram!”
(Jo 20.26-29).
REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA
► SEGUNDA-Jó 14.14
► TERÇA-Daniel 12.2
► QUARTA –
Isaías
26.14,19
► QUINTA – Oseias 6.2
► S E XTA-
Mateus
16.21-23
► SÁBADO – 1 Coríntios 15.19
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O R IE N TA Ç Ã O A O
PRO FESSO R
INTERAGINDO COM O ALUNO
A presente lição fala da maior esperança
do crente: a ressurreição de Jesus Cristo. É
esperança porque só podemos antevê-la pela
fé. Dificuldades para crer na ressurreição não é
novidade alguma, pois ainda nos dias em que
aconteceu, Tomé, um dos Doze, não acreditou
que isso fosse possível (Jo 20.26-29). Conforme
o Mestre disse ao duvidoso apóstolo, felizes os
que creem sem a exigência de ver. Essa deve
ser a nossa mensagem. Jamais devemos con­
dicionar a fé a provas, pois estas nem sempre
poderão ser apresentadas e, se tal critério for
adotado, possivelmente muitas pessoas se
decepcionarão. Isso não significa acreditar
em tudo que ouvimos por aí, porém, existem
assuntos que são fundamentais e, dentre esses,
a ressurreição é o principal. Toda a esperança
de quem acolheu a mensagem do Evangelho
consiste no fato de que, um dia, o Senhor
ressuscitará a todos aqueles que nEle creem e
acabará com a morte. A prova dessa verdade
é que Ele ressuscitou o Senhor Jesus Cristo.
OBJETIVOS
Sua aula deverá alcançar os se­
guintes objetivos:
► Reafirmar
a verdade bíblica da ressurreição
de Cristo como certeza da nossa esperança;
► Relatar
as aparições do Senhor ressurreto
e explicar o porquê delas;
► Demonstrar
a relevância da ressurreição
como a maior promessa do Evangelho.
PROPOSTA PEDAGÓGICA
Mesmo com todo o avanço científico,
nosso conhecimento acerca da realidade ainda
é limitado. A ciência não é uma entidade que
existe à parte das pessoas. Ela desenvolve-se
gradual e lentamente, de acordo com a rea­
lização de novas pesquisas e estudos. Para
isso, não pode conformar-se com o que já
descobriu, antes, precisa questionar o que foi
descoberto e assim descobre erros que antes
não percebia. Por isso, é enganosa a ideia de
que todas as coisas precisam de “aprovação
científica” para ser verdade. Partindo desse
princípio, é interessante deixar claro que a
ciência não é absoluta. Não obstante, é pre­
ciso ter cuidado com o desprezo pela ciência
e também pelo saber, pois apesar de não
serem absolutos, ambos são necessários para
o desenvolvimento e evolução da realidade.
A única questão a ressaltar é que a ciência
e o saber são empreendimentos humanos e,
portanto, limitados.
Tendo esse aspecto firmado, é importan­
te conversar com alunos nos seguintes termos:
A ciência pode responder do que o mundo é
composto, porém, ela não pode responder o
porquê de o mundo existir. Lidando apenas
com o que pode ser mensurado e reproduzido,
a ciência lida com dificuldade com tudo aquilo
Discipulando Professor 1
que escapa do seu domínio, incluindo aí até
mesmo o mundo quântico que, como se sabe,
é “científico”. Um milagre pode ser provado
cientificamente? O que é um milagre? Alguns
autores afirmam que um milagre é a quebra
momentânea das leis físicas, outras defendem
que seria a suspensão dessas mesmas leis e
ainda outras defendem que milagre é algo visto
assim em nossa realidade, mas não em um
mundo perfeito. É por isso que a ressurreição
não pode ser analisada e muito menos provada
pela perspectiva científica. A única coisa que
se pode fazer diante da ressurreição é crer ou
duvidar. Qual será a sua escolha?
COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO
“ Eu só acredito vendo” ou “ Eu tenho de ver
para crer”, são duas expressões comuns utilizadas
por alguém que duvida de tudo e que, por isso,
geralmente diz ser como “São Tomé”. Apesar de
as pessoas que assim falam raramente saberem,
Tomé, um dos apóstolos do Senhor, não foi elo­
giado por não acreditar em seus amigos, mas
justamente o contrário! O apóstolo João diz que
tendo Jesus aparecido aos seus discípulos, o
receoso apóstolo não estava presente (Jo 20.19-
24). Ao relatarem que o Senhor havia estado com
eles, Tomé então lhes dissera: “Se eu não vir o
sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o
dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha
mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei”
(Jo 20.25). Uma semana depois, eles estavam
no mesmo lugar e, nessa oportunidade, Tomé
estava com o grupo. O Senhor Jesus dirige-se
a ele e desafia-o: “Põe aqui o teu dedo e vê as
minhas mãos; chega a tua mão e põe-na no
meu lado; não sejas incrédulo, mas crente” (Jo
20.27). Se alguém afirma que precisa ver para
crer, então a fé está dispensada, pois o que se
vê não necessita de fé, e sim de bom senso.
Muito embora, é preciso reconhecer, mesmo
vendo, alguns não creem (Mt 28.17; Jo 12.37),
pois a indisposição para aceitar nada tem com
a factualidade, ou não, de alguma coisa. Temas
dos mais importantes da fé é a ressurreição, e
este é o assunto do nosso estudo.
1. JESUS, MODELO DA
RESSURREIÇÃO
► 1 . 1 – 0 milagre da ressurreição.
De­
sesperançados e sem motivação alguma para
levar adiante a missão de proclamar a chegada
do Reino de Deus, três dias após a morte de
Jesus os discípulos voltaram às suas atividades
anteriores (Jo 21.3). Como quaisquer pessoas
normais, a esperança deles estava na vida. Vivo,
Jesus os encorajava a enfrentar as dificuldades
estimulando-os a perseverar (Mt 9.2,22; 14.27;
Mc 10.49; Lc 8.48; Jo 16.33), “morto”, não ha­
via mais porque continuar acreditando que a
realidade poderia mudar (Lc 24.19-21). O fato é
que, mesmo não crendo, os próprios “ príncipes
dos sacerdotes e os fariseus”, reunidos com
Pilatos, informaram-lhe, chamando Jesus de
“enganador”, que em vida o Mestre dissera que
depois de três dias ressuscitaria (Mt 27.62,63).
Por isso, solicitaram ao governador romano que
os fornecesse um efetivo da guarda romana para
que os discípulos não “roubassem” o corpo de
Jesus e assim disseminassem a mentira de que
Ele ressuscitara (Mt 27.64). Pilatos atendera ao
pedido e eles então julgaram que tudo estava
seguro (Mt 27.65,66).
Contado nos quatro Evangelhos (Mt 28.1-10;
Mc 16.1-8; Lc 24.1-12; Jo 20.1-18), o relato da
ressurreição contém detalhes que não deixam
dúvida acerca de sua historicidade. Um dos
exemplos é o próprio fato de haver incredulidade,
nos dias imediatamente posteriores ao milagre,
por parte dos próprios seguidores do Senhor.
Entretanto, apenas como forma de exemplificar
a veracidade da ressurreição, podemos tomar
a preocupação dos príncipes dos sacerdotes e
dos anciãos de Israel em subornar os guardas
para mentir acerca do ocorrido (Mt 28.11-15).
Ora, se eles estavam dormindo, como podem
afirmar com certeza que os discípulos roubaram
o corpo do Senhor? E se eles viram os discípulos
roubando, porque não impediram?
► 1.2 – A incredulidade a respeito da
ressurreição.
Na lógica racionalista de sem­
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pre, não apenas de hoje, a ressurreição é algo
impossível de acontecer. Mesmo desenvolvendo
o seu ministério durante aproximadamente três
anos e meio, período em que ensinara aos seus
discípulos que seria tirado fisicamente do meio
deles (Mt 16.21-23; Jo 12.32-34), quando tal
momento chegara, as reações que eles tiveram
evidenciaram que os seguidores do Senhor não
estavam preparados para enfrentar tal situação
(Mt 26.31; Mc 14.27; Jo 20.19). Além disso, eles
demonstraram total desconhecimento bíblico
acerca do que fora profetizado sobre o Messias,
pois tudo o que aconteceu, estava predito na
Palavra de Deus (Mt 21.42; 26.54,56; Mc 14.49;
Lc 24.25-27,44-46). Como já amplamente frisado,
os discípulos alimentavam expectativas irreais
a respeito do Cristo e por isso sentiram-se de­
cepcionados. A dificuldade em aceitar o fato de
que o Senhor ressuscitara, não é uma descrença
atual, mas algo que se manifestou nas primeiras
horas que se seguiram à aparição (Lc 24.13-35).
► 1.3 – A realidade da ressurreição.
Não foi
com um corpo “espiritual” ou holográfico que
Jesus se apresentara aos seus discípulos. Na
verdade, ao aparecer a eles pela primeira vez,
conforme relata Lucas, os discípulos ficaram
“espantados e atemorizados, [pois] pensavam
que viam algum espírito” (Lc 24.37). O Mestre
então lhes respondera: “Vede as minhas mãos
e os meus pés, que sou eu mesmo; tocai-me e
vede, pois um espírito não tem came nem ossos,
como vedes que eu tenho” (Lc 24.39). Em seguida
Ele mostrou-lhes as mãos e os pés que, como
sabemos, foram furados e traspassados quando
de sua crucificação. Para que não restasse dúvida
alguma por parte de seus seguidores acerca
da “materialidade” do corpo do Mestre, Jesus
então solicitara: “Tendes aqui alguma coisa que
comer?” (Lc 24.41). Imediatamente, diz Lucas,
“eles apresentaram-lhe parte de um peixe assa­
do e um favo de mel, o que ele tomou e comeu
diante deles” (Lc 24.41-43). Em outra ocasião, o
Senhor aguardara os seus seguidores na beira
da praia, e lá eles o encontraram assando peixe
(Jo 21.9-15).
^ AUXÍLIO DIDÁTICO 1
“ Para Paulo, a ressurreição de Cristo é a
afirmação de Deus de que a morte de Jesus,
de fato, pagou a punição pelo pecado. Como
ele diz aos coríntios: ‘E, se Cristo não ressus­
citou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis
nos vossos pecados’ (1 Co 15.17). Ele faz esse
mesmo ponto, de forma sucinta, quando diz
que Cristo ‘por nossos pecados foi entregue e
ressuscitou para nossa justificação’ (Rm 4.25).
A ressurreição testifica o fato de que a morte de
Jesus tornou possível a absolvição da punição
pelo pecado, o livramento do poder do pecado
e a completa libertação da presença do peca­
do” (LOWERY, David K. “Teologia das Epístolas
Missionárias de Paulo”. In ZUCK, Roy B. (Ed.).
Teologia do Novo Testamento.
1.ed. Rio de
Janeiro: CPAD, 2008, pp.302-303). O mesmo
autor diz que a “ressurreição de Jesus também
inicia seu papel como Senhor. Agora, Ele exerce
poder à direita de Deus. Paulo refere-se a isso
quando diz que Jesus foi ‘declarado Filho de
Deus em poder, segundo o Espírito de santifi­
cação, pela ressurreição dos mortos, — Jesus
Cristo, nosso Senhor’ (1.4). Uma manifestação
dessa autoridade é o ministério de Jesus de
intercessão em favor dos cristãos, razão pela
qual Paulo pode declarar com segurança que
‘agora, nenhuma condenação há para os que
estão em Cristo Jesus’ (8.1). Quando ele, mais
adiante nessa passagem, propõe a pergunta
retórica: ‘Quem os condenará?’ (8.34a), a
resposta implícita é: ‘Ninguém’. Pois como
Paulo responde: ‘Pois é Cristo quem morreu ou,
antes, quem ressuscitou dentre os mortos, o
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qual está à direita de Deus, e também intercede
por nós’” (Ibid., p.303). Além disso, continua
David Lowery, “ Paulo também considera a
ressurreição de Cristo como algo que tipifica
o que o cristão vivenciará. ‘Mas agora, Cristo
ressuscitou dos mortos e foi feito as primícias
dos que dormem’ (1 Co 15.20). Em uma linha
semelhante, ele escreve aos romanos: ‘E, se o
Espírito daquele que dos mortos ressuscitou
a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos
ressuscitou a Cristo também vivificará o vosso
corpo mortal, pelo seu Espírito que em vós
habita’ (Rm 8.11). A ressurreição, portanto, não
é tanto uma obra que Cristo tenha realizado,
mas é a obra de Deus Pai e do Espírito. Con­
tudo, Paulo considera que a ressurreição está
totalmente relacionada com o ministério atual
de Jesus e é um aspecto essencial da futura
experiência cristã” (Ibidem.).
2. O PROPÓSITO DAS APARI­
ÇÕES DO SENHOR
2 . 1 – 0 período da aparição.
Com os
exemplos de incredulidade dos discípulos de
Jesus relatados nas Escrituras, vê-se o quanto
foi importante a permanência do Senhor por
quarenta dias entre os seus seguidores (At 1.3).
Esse aspecto é mais um ponto crucial da ressur­
reição, pois em uma de suas últimas aparições
públicas, de acordo com o apóstolo Paulo, “foi
visto por mais de quinhentos irmãos” que, à
época em que escrevera a epístola, ainda viviam
(1 Co 15.6). O que isso significa? Se alguém
não conseguisse, por fé, crer na ressurreição,
podia se dirigir a essas pessoas e comprovar
por si mesmo. Apesar de esta prática não ser
recomendável, era uma alternativa à descrença
a respeito de isso ter acontecido e não ser fruto
de alucinação coletiva.
► 2.2 – A mensagem de Jesus no período
d a aparição.
0 mesmo texto de Atos 1.3, informa
que o teor da mensagem de Jesus nesse período
de quarenta dias, consistiu justamente do mesmo
conteúdo que Ele pregara durante os três anos
e meio. Lucas informa que o Mestre desenvol­
vera um ministério junto aos seus discípulos,
“aos quais também, depois de ter padecido, se
apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas,
sendo visto por eles por espaço de quarenta
dias e falando do que respeita ao Reino de
Deus”. Mesmo após ter sido brutalmente morto,
ressurreto, Jesus continuou falando acerca do
projeto divino do Reino de Deus. Continuou
servindo ao Pai que o designara a realizar tal
missão. Aos discípulos que, mesmo depois de
tê-lo ouvido durante todo aquele período, não
entenderam o porquê de Ele ter morrido (e tal
falta de entendimento, parece ter atingido-os em
sua totalidade), o Mestre se dispôs a ensiná-los
mais uma vez (Lc 24.27,44,45).
► 2.3 – A prioridade de Jesus no período da
aparição.
Por que Jesus se dispôs a ensinar, por
exemplo, Cleopas e outro de seus seguidores que,
no caminho para a aldeia de Emaús, falavam dEle
de forma decepcionante (Lc 24.13-35)? Por que o
Mestre aparecera novamente aos seus apóstolos
e chamara Tomé para verificar os ferimentos (Jo
20.19-29)? A resposta é simples se não perdermos
de vista o fato de que Ele valorizava pessoas e
não reputações, regras religiosas ou quaisquer
outras coisas. Sua prioridade, durante o período
de “vida normal” e, após a ressurreição, manteve-
se intacta. Seu compromisso era a libertação e
a salvação das pessoas, pois foi para isso que
o Pai o enviara (Lc 4.43).
^ AUXÍLIO DIDÁTICO 2
É importante reforçar o propósito das
aparições do Senhor, pois a ideia era confirmar
a missão dos discípulos, oferecendo-lhes es­
perança com o exemplo do Mestre ressurreto.
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Pela demonstração de seu exemplo de que a
vida eterna era uma verdade, o Mestre pode
então comissioná-los a continuar levando o
Evangelho do Reino.
3. O SIGNIFICADO DA
RESSURREIÇÃO DE CRISTO
► 3.1 – A ressurreição, uma promessa
milenar.
Apesar de reconhecer que no mundo
antigo não havia quase nenhum conhecimento
acerca do destino humano após a morte (Jó
14.1-14; SI 88.1-12), diferentemente do que se
pensa, o tema da ressurreição não surge pela
primeira vez em o Novo Testamento e sim ainda
no Antigo Testamento. O profeta Daniel fala acer­
ca desse assunto pela primeira vez: “E muitos
dos que dormem no pó da terra ressuscitarão,
uns para a vida eterna e outros para vergonha
e desprezo eterno” (12.2). Na realidade, Daniel
está profetizando acerca de um tempo futuro
em que o Criador ressuscitará a todos para um
julgamento final (Ap 20.11-15).
► 3.2 – A ressurreição se cumpre em Jesus.
O apóstolo Paulo diz em Colossenses 1.18, que
Jesus “é o princípio e o primogênito dentre os
mortos, para que em tudo tenha a preeminên-
cia”. Tal pensamento já havia sido expresso pelo
apóstolo em sua primeira epístola aos Coríntios,
quando tratou acerca da ressurreição: “ Mas,
agora, Cristo ressuscitou dos mortos e foi feito
as primícias dos que dormem. Porque, assim
como a morte
veio
por um homem, também a
ressurreição dos mortos
veio
por um homem.
Porque, assim como todos morrem em Adão,
assim também todos serão vivificados em
Cristo. Mas cada um por sua ordem: Cristo, as
primícias; depois, os que são de Cristo, na sua
vinda” (15.20-23). Novamente Paulo fala acerca
do tema da representatividade, ou seja, de Adão e
Jesus, mostrando um paralelo entre ambos. Adão
trouxe o pecado, Jesus a salvação. Adão trouxe
a morte, Jesus, a ressurreição e a vida eterna.
Por que Jesus é colocado como “ primogênito
dentre os mortos” e também considerado “as
primícias dos que dormem”? A resposta é que
todas as pessoas que voltaram à vida na história
bíblica, acabaram morrendo futuramente em outro
tempo (1 Rs 17.17-24; 2 Rs 4.32-37; 13.20,21; Mt
27.52,53; Lc 7.11-15; 8.41,42,49-55; Jo 11.1-45; At
9.36-42; 20.9,10,12). Essas pessoas, na verdade,
não ressuscitaram no sentido pleno da expres­
são, mas apenas voltaram a viver. Ao passo que
Jesus Cristo ressuscitou verdadeiramente e não
voltará mais a morrer!
3.3 – A ressurreição como esperança
central do Evangelho.
O capítulo 15 da primeira
epístola de Paulo aos Coríntios é um verdadeiro
tratado acerca do tema da ressurreição. Como
gregos que eram, os corintios tinham dificuldade
de crer naquilo que eles não encontravam lógica,
pois analisavam todas as coisas pelo viés da
filosofia. O apóstolo então os instrui claramente
e diz algo muito grave que serve, inclusive para
nós atualmente: “Ora, se se prega que Cristo res­
suscitou dos mortos, como dizem alguns dentre
vós que não há ressurreição de mortos? E, se não
há ressurreição de mortos, também Cristo não
ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, logo
é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa
fé” (1 Co 15.12-14). A ressurreição é a esperança
central do Evangelho, pois nela se cumpre a
vontade do Criador que, momentaneamente, foi
desfeita pela desobediência e a introdução da
morte no mundo (1 Co 15.24-28,50-57; Ap 21.4).
^ AUXÍLIO DIDÁTICO 3
“O Evangelho de João afirma de forma explícita
que ter ‘vida eterna’ quer dizer ser ressuscitado
por Jesus Cristo no último dia (Jo 6.40,54; cf.
6.39,44; 11.24; 12.48). O justo sairá para vivenciar
a vida eterna (5.29; sentido literal ‘ressurreição da
vida’; NVI, ‘ressuscitarão para a vida’); o injusto
ressuscitará para o julgamento eterno. Assim, o
verdadeiro sentido do que a maioria das versões
da Bíblia traduz por ‘vida eterna’ é ‘a vida da
era por vir’. Isso é consistente com o uso da
expressão em Daniel 12.2 e também de outras
fontes intertestamentárias (Testamentos de Asher
5.2; Salmos de Salomão 3.16; 2[4] Esdras 7.12,13;
8.52-54). Outrossim, a expressão é encontrada
com esse sentido em outros escritores do Novo
Testamento. Em Marcos 10.17, no debate a
respeito das condições para entrar no Reino de
Deus, o jovem rico pergunta: ‘Bom Mestre, que
farei para herdar a vida eterna?’ […] Em João
12.25, também podemos ver esse contraste
| Discipulando Professor 1 |
entre a vida presente e a vida do mundo por
vir: ‘Quem ama a sua vida perdê-la-á, e quem,
neste mundo, aborrece a sua vida, guardá-la-á
para vida eterna” ’ (HARRIS, W. Hall. “Teologia
dos Escritos Joaninos”. In ZUCK, Roy B. (Ed.).
Teologia do Novo Testamento. 1.ed. Rio de
Janeiro: CPAD, 2008, pp.256-57).
CONCLUSÃO
A palavra de Jesus a Tomé desencoraja qual­
quer tentativa de “provar” que Ele ressuscitara:
“Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventura-
dos os que não viram e creram!” (Jo 20.29). Em
outras palavras, não se deve querer ver para
crer, mas justamente o contrário, só se pode
crer se não exigirmos ver! A nossa felicidade
consiste exatamente no fato de que cremos
sem que tenhamos contemplado.
APROFUNDANDO-SE
A ordem de Jesus a que os seus discípulos
pregassem o Evangelho por todo o mundo, e não
apenas aos judeus como dá a impressão de ter
sido ordenado por Ele em vida, com exceção
do texto de Marcos 13.10, parece ter acontecido
apenas após a ressurreição (Mt 28.16-20; Mc
16.9-20; Lc 24.44-49; At 1.1-8). Por quê? Se a
ideia era produzir esperança, e o Mestre não
ressuscitasse, como seria possível acreditar
que o projeto de Deus para a humanidade não
se acabara?
SUGESTÃO
DE LEITURA
t
Manual do Discipulador Cristão
Útil para o novo discípulo, estimulando-o a
proclamar a Cristo. Descubra a importância
de ser e fazer discípulos.
► Ressurreição
Respostas bíblicas para as falsas visões
acerca da ressurreição e temas afins.
VERIFIQUE SEU
A P R E N D IZA D O
1
. Por que a ressurreição é uma questão de fé?
R. Porque na lógica racionalista de sempre,
não apenas de hoje, a ressurreição é algo impos­
sível de acontecer.
2 . O corpo ressurreto de Jesus era material
ou “espiritual”?
R. Não é possível dizer que o corpo do
Senhor era apenas material, porém, sabemos
que ele não era um corpo espiritual.
3
■ Por que Jesus apareceu por quarenta dias
após ter ressuscitado?
R. Para que seus discípulos não perdessem
a fé.
4
■ Explique o motivo de Jesus ser o “primo­
gênito” dos ressuscitados.
R. A resposta é que todas as pessoas que
voltaram à vida na história bíblica acabaram
morrendo futuramente em outro tempo (1 Rs
17.17-24; 2 Rs 4.32-37; 13.20,21; Mt 27.52,53;
Lc 7.11-15; 8.41,42,49-55; Jo 11.1-45; At 9.36-
42; 20.9,10,12). Essas pessoas, na verdade, não
ressuscitaram no sentido pleno da expressão,
mas apenas voltaram a viver. Ao passo que Jesus
Cristo ressuscitou verdadeiramente e não voltará
mais a morrer.
5 • Por que a ressurreição é a esperança central
do Evangelho?
R. A ressurreição é a esperança central do
Evangelho, pois nela se cumpre a vontade do
Criador que, momentaneamente, foi desfeita
pela desobediência e a introdução da morte no
mundo (1 Co 15.24-28,50-57; Ap 21.4).
► Que apesar de ter um corpo ressurreto
Jesus manterá os ferimentos que lhe foram
causados para mostrá-los aos judeus na
Segunda Vinda (Zc 13.6)?
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